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| Foto - Livro na Boca do Lobo |
Sebastião Lobo
nasceu em 1937, em Felizburgo, no Baixo Jequitinhonha. Criado em Rio do Prado,
viveu também em Almenara, Belo Horizonte e Nanuque. Há 52 anos, uniu-se ao
escritor J. Duarte e ao empresário Sabino Miranda para fundar o jornal O Vigia do Vale. Desde o início,
sua coluna "Na Boca do Lobo" tornou-se o espaço mais lido do
periódico, onde aborda temas variados que cativam leitores de todos os perfis e
níveis educacionais.
Na literatura, é autor das obras Lembranças que Atormentam (Pongetti, 1970), E Agora, Adeus (Comunicação, 1976) e Na Boca do Lobo: Crônicas Publicadas no Jornal Vigia do Vale (2003).
O
Jornal Vigia do Vale
O
jornal "Vigia dos Vales" foi fundado por Sebastião Lobo, Sabino
Miranda, que se juntou a J. C. Duarte e fundaram novamente o antigo jornal
"Vigia" com o nome de " O VIGIA DO VALE", nome o qual foi
batizado, jornal que voltou a circular em 27 de setembro de 1973 em Almenara e
região. Qual jornal foi fundado inicialmente por Olindo de Miranda Souza e
Sabino Juvêncio de Miranda, dois pioneiros da imprensa almenarense e regional.
Com efeito, o Olindo foi o fundador do jornal "O Vigia", periódico
que circulou pela primeira vez em 30 de junho de 1930, criado como instrumento
de luta e difusão da causa emancipacionista do Distrito de São João da Vigia,
hoje Almenara, tendo circulado até sua morte, ocorrida em 12 de abril de 1964.(
Alex ALV/Informativo)
ADEUS AO LOBO
Hoje, o Vale do
Jequitinhonha silencia em respeito. O Lobo calou sua voz terrena e fez sua passagem
espiritual, mas o eco de suas palavras permanece vibrante. Ele parte deixando
um legado inestimável como jornalista e escritor, transcendendo as fronteiras
de Felizburgo e Almenara para se tornar uma referência ética e cultural em toda
a nossa região.
Sua
trajetória foi marcada por uma dedicação à imprensa regional. Em tempos onde a
informação muitas vezes passa despercebida, o Lobo tratou cada acontecimento do
Vale com a seriedade e a paixão de quem entende que a escrita é, antes de tudo,
um ato de amor à sua terra e ao seu povo. Ele não apenas noticiava; ele narrava
a alma do Jequitinhonha.
A
emblemática coluna "A Boca do
Lobo" foi muito mais do que um espaço jornalístico; foi um bastião de
coragem e uma lente crítica sobre a realidade local. Através dela, ele deu voz
aos que precisavam ser ouvidos e imortalizou histórias que, sem sua caneta,
teriam se perdido no tempo. Esse título, agora eterno, jamais será esquecido
por aqueles que aprenderam a ver o mundo através de sua ótica sagaz.
Ao
nos despedirmos, fica a saudade, mas prevalece a gratidão. O Lobo encerra seu
ciclo físico, mas sua obra continua viva em cada página escrita e em cada mente
que ele ajudou a despertar. Que sua memória continue a inspirar as futuras
gerações de comunicadores a buscarem a verdade com a mesma garra e
autenticidade que ele sempre demonstrou.
Jô Pinto
Quilombola, Professor,
Historiador e Mestre em Ciências Humanas.
UM VALE DE POUCA LEITURA
Sebastião Lobo
É
de assustar o baixíssimo índice de leitura no Vale do Jequitinhonha. A verdade
é que minha terra carente está mais preocupada com o estômago do que em
instruir-se. A propósito, já se disse por aqui que "leitura não enche
barriga de ninguém".
Por
tanto livros por estas bandas são coisa rara. Não têm saída, encalham. Dão
prejuízo. São esquecidos nas prateleiras. Ocupam o lugar de outros tipos de
publicações mais vendáveis, como por exemplo as didáticas. Essas sim, dão
lucro. Saem logo. Alunos e professores são obrigados a comprá-las.
Em
outros tempos, Cassandra Rios fazia o maior sucesso com seus livros
pornográficos. O meu pé de laranja lima, do José Mauro de Vasconcelos, também
foi muito vendido, por ter sido adaptado para novela. Paulo Coelho andou sendo
procurado e... só. Depois todos sumiram, sem deixar sinal. Inclusive este
último, apesar de ser uma celebridade.
A
impressão que se tem é que os livros, mesmo de autores consagrados, foram
proibidos na região.
Livrarias,
bancas de jornais e revistas praticamente inexistem. Umas raras que existiam
fecharam-se por falta de compradores e pela incidência de impostos. Seus donos
quebraram quase todos. Outros, decepcionados, mudaram de atividade.
Ora,
se os livros não são lidos, muito menos os jornais. A caça aos leitores para
esse tipo de leitura é cansativa e desalentadora. Bate-se de porta em porta,
explica-se as vantagens de se estar bem informado, que o jornal é uma escola de
informação e cultura.
Detalhados
os preços da assinatura ou venda avulsa do jornal, a pessoa procurada, via de
regra, hesita entre o sim e o não. E quando se decide mais pela aquisição
unitária, mesmo assinando um documento comprometedor, a maioria não tarda em
desistir do compromisso assumido.
Pelo visto, essa abstinência de leitura ainda vai continuar por muito tempo no Vale. Convencer os ribeirinhos do Jequitinhonha de que "um país se faz com homens e livros", como disse Lobato. Todavia, como é esta a minha missão, vou continuar as visitas domiciliares, falando sobre a importância da leitura. Estarei sempre me lembrando de que é preferível a dor de não ter conseguido do que a vergonha de não ter tentado!
(VIGIA DO VALE - n° 752 -
13 de setembro de 1999)

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