A
dica de leitura desta semana convida o leitor ( a) a refletirem sobre os
desafios enfrentados por mulheres que constroem suas trajetórias acadêmicas no
ensino superior a partir de territórios periféricos da Baixada Fluminense. O
artigo de Estela Martini Willeman nasce da articulação entre pesquisa acadêmica
e experiência docente, trazendo à tona histórias, tensões e vivências que,
muitas vezes, permanecem invisibilizadas no debate sobre educação superior no
Brasil. Com base no materialismo histórico, a autora investiga como fatores
sociais, econômicos, políticos e territoriais atravessam as escolhas, a
permanência e o cotidiano de mulheres em cursos superiores majoritariamente
femininos, localizados em Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro. A
análise se estrutura a partir de três eixos centrais : território, gênero e
educação superior, que se entrelaçam na produção das desigualdades vividas
pelas estudantes. A pesquisa combina abordagens qualitativas e quantitativas,
utilizando questionários, entrevistas semiestruturadas e análise documental, o
que permite compreender, para além dos números, as dimensões subjetivas que
marcam essas trajetórias.
Ao
ouvir as próprias estudantes, o texto revela experiências atravessadas por
cansaço, solidão, conflitos internos e sentimentos de não pertencimento,
compondo um quadro complexo e profundamente humano da vida universitária em
contextos periféricos. Um dos principais aportes do artigo está em evidenciar
que o acesso à universidade não elimina, por si só, as desigualdades
estruturais. Pelo contrário, muitas mulheres seguem enfrentando violências
simbólicas e materiais, naturalizadas ao longo da história da região e
reforçadas por discursos meritocráticos que desconsideram as condições reais de
vida dessas estudantes. A permanência no ensino superior, nesse contexto, exige
um esforço contínuo e, muitas vezes, solitário.
Além
de um diagnóstico, a leitura provoca o questionamento sobre o papel das
instituições de ensino e das políticas públicas na garantia de condições
efetivas de permanência e cuidado. Ao colocar gênero e território no centro da
análise, o artigo contribui para ampliar o debate sobre justiça social,
educação e emancipação.
É
uma leitura especialmente recomendada para educadores(as), estudantes,
pesquisadores(as) e todas as pessoas interessadas em compreender como
desigualdades históricas impactam o cotidiano universitário, lembrando-nos que,
por trás dos dados, existem vidas, histórias e resistências.
Referência
Willeman,
E. M. (2024). SOLIDÃO, DIVISÃO SUBJETIVA E CANSAÇO: : trajetórias de mulheres
pobres no ensino superior. Periferia, 16(1), e76881. https://doi.org/10.12957/periferia.2024.76881.
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