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Ler não é apenas um hábito relaxante ou
uma obrigação escolar; é a musculatura do pensamento. Assim como o corpo
precisa de nutrientes para funcionar, a mente depende da informação processada
para construir inteligência e discernimento.
A leitura é a forma mais refinada de
diálogo que existe, ao abrir um livro, você está convidando a mente de outra
pessoa, muitas vezes alguém que dedicou
décadas ao estudo de um tema, para conversar com a sua. Esse exercício gera
benefícios estruturais no nosso intelecto: Como expansão do repertório, cada
palavra nova e cada conceito absorvido servem como ferramentas em uma caixa, quanto
mais ferramentas você tem, mais problemas complexos consegue resolver. Aguça o
nosso pensamento crítico, pois a leitura nos obriga a desacelerar, diferente do
conteúdo rápido das redes sociais, o texto longo exige que você acompanhe uma
linha de raciocínio, identifique contradições e formule conclusões próprias. Bem
como nos causa empatia e perspectiva, ao lermos ficção ou biografias nos
permite "viver" vidas que nunca teríamos. Isso expande nossa
capacidade de entender contextos sociais e humanos fora da nossa bolha.
Mas no mundo atual, muitos não pensam
assim, enquanto a leitura nos fortalece, existe um movimento oposto que tenta
nos enfraquecer, a crítica infundada à ciência. É curioso (e um tanto irônico)
notar que muitos dos que atacam o método científico o fazem utilizando a
tecnologia mais avançada, smartphones e
redes globais de satélites que só existem graças aos princípios científicos que
eles dizem rejeitar.
Criticar a ciência sem o devido rigor
acadêmico não é "pensamento independente"; é, muitas vezes, apenas
desinformação.
A ciência não é um dogma ou uma religião
que exige fé, pelo contrário, ela é o único sistema de pensamento que se baseia
na autocorreção. Ela sobrevive justamente por ser questionada, mas questionada
através de evidências, testes e revisão por pares.
Quem ataca a ciência geralmente não está
buscando a verdade, mas sim tentando proteger uma visão de mundo que não
resiste à prova da realidade. Negar o método científico é como tentar navegar
um oceano vendado, você pode até se
sentir seguro por um momento, mas o naufrágio é inevitável.
Nesse sentido ler nos dá o
"filtro" necessário para não cairmos em armadilhas retóricas, quando
unimos o hábito da leitura ao respeito pelo rigor científico, nos tornamos
cidadãos mais difíceis de manipular e muito mais capazes de contribuir para a
sociedade.
Jô Pinto
Quilombola, Historiador e Mestre em
Ciências Humanas

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