quinta-feira, 16 de abril de 2020

Memória do Festivale , Narrativa de Claudio Bento


Claudio Bento, Natural da Cidade de Jequitinhonha ( Baixo Jequitinhonha). Ex Diretor de Comunicação da FECAJE, poeta, concorrente e vencedor em noites literárias do FESTIVALE, participante em diversas comissões organizadoras da noite literária, Já foi homenageado, lançou livros e foi também jurado na mesma.








MEMÓRIA DO FESTIVALE
Por: Claudio Bento

Corria o ano de 1978. Nos muros da cidade de Jequitinhonha uma inscrição deixou-me intrigado e curioso ao mesmo tempo. Nos muros em várias partes da cidade estava escrita a palavra Geraes. Eu passava pelas ruas e ficava pensando o que seria e o que queria dizer a palavra Geraes. Dois anos antes Milton Nascimento já havia lançado um LP chamado Geraes, mas descartei a ideia de que pudesse ser algo ligado ao disco do Milton. Passado mais um ano deparei-me com um cartaz na cidade de Jequitinhonha que impressionou-me. Era um cartaz igualzinho ao que a ditadura militar, então vigente e sanguinária no país, divulgava com fotografias dos quadros políticos que estavam sendo procurados pelo CCC- Comando de Caça aos Comunistas. Era uma gozação ao regime, uma sacada inteligente de paródia imagética aos tempos em que estávamos vivendo no Brasil. Era um cartaz escrito "Procurados," onde estavam estampadas as fotografias de jovens músicos e compositores do Vale do Jequitinhonha, entre eles, Tadeu Franco. Percebi que algo importante estava acontecendo e constatei minha certeza quando passando de ônibus por Itaobim indo para BH no ano de 1980, li com especial interesse um cartaz que divulgava o 1º Festivale na mesma cidade de Itaobim. O cartaz divulgava uma feira de artesanato, apresentação de grupos folclóricos, shows musicais e festival de música. O ônibus afastou-se da rodoviária de itaobim e eu fiquei pensando naquele festival, novo, revolucionário e por tratar-se de um espaço que eu poderia explorar, já que estava começando a escrever poemas e compor músicas com alguns parceiros.
Certo dia do ano de 1982, o professor, poeta e teatrólogo José Machado, convidou-me para compor a trupe de teatro que ele estava criando na cidade de Jequitinhonha. Ali nascia o Grupo Teatral Gruteje-Grupo de Teatro de Jequitinhonha. O Gruteje foi convidado pela direção do Festivale para apresentar uma montagem teatral na sua grade de programação. O Gruteje foi o primeiro grupo teatral a participar do Festivale. O Festivale estava indo para sua terceira edição, depois de ter visitado as cidades de Itaobim e Pedra Azul, estava voltando à cidade de Itaobim novamente. Partimos para Itaobim com um certo orgulho e um riso atravessado na boca. Era o meu primeiro Festivale e nele eu entrava sem saber da importância histórica que estava vivenciando, em grande estilo, pois estava participando da primeira intervenção teatral dentro do movimento cultural e estava também concorrendo ao disputado festival da canção, que tinha Rubinho do Vale, Titane, Chico Rei, Heitor Pedra Azul, Raimundo e Seus Filhos e outros, como concorrentes. A música era Canoa Quebrada, letra minha e música de Rubens Espíndola, defendida pelo Rubens no palco do Festivale de 1982.
Em Itaobim fomos recebidos pelo mentor do Festivale, o poeta Tadeu Martins, que nos deu toda a estrutura para o nosso grupo de teatro se apresentar. E a apresentação foi um sucesso de crítica e de público. A montagem chamava-se Inocência, que era um relicário de poemas de Drummond, Mário Quintana e do próprio José Machado, com trilha sonora de Caetano Veloso e Paulinho Pedra Azul. Era um teatro de cunho muito moderno para a realidade do vale, era uma construção poética ainda não vivenciada nos palcos da época. Ficamos orgulhosos, é claro, depois que a plateia nos aplaudiu de pé nas dependências de uma escola pública onde apresentamos nossa montagem teatral. mas orgulho maior eu tive quando Canoa Quebrada ficou entre as dez finalistas do festival da canção, vencido por Rubinho do Vale e Titane, com Estrada Vermelha de Terra. O festival da canção foi realizado no mercado municipal de Itaobim e todos pagavam ingressos para assistir ao desfile de canções dos compositores do vale.
As grandes emoções não pararam por aí. À noite fui à praça central da cidade assistir aos shows musicais na porta da igreja, onde o Coral Trovadores do Vale fazia uma apresentação. Um belo coral com um padre de batina que parecia reger aquelas músicas vindas não sei de onde, mas que remetia-me ao tempo da minha avó cantando à beira do fogão de lenha da minha infância. Chorei copiosamente ali mesmo na praça. Eu estava diante de algo lindo e importante, compreendia profundamente o que era o verdadeiro sentido da cultura, das manifestações populares, da música que tocava fundo no cerne da minha história, da nossa história, do homem vivente naquela região, o Vale do Jequitinhonha.
Ainda quando cheguei à cidade de Itaobim na sexta-feira que dava início ao Festivale, vi a cidade sendo invadida por uma horda de cabeludos, mulheres vestidas saias indianas, homens vestidos calças esvoaçantes e coloridas, todos com seus artesanatos, suas fitinhas, colares e pulseiras. Durante o dia ficávamos na praça central onde acontecia a feira de artesanato, com os hippies e os grandes artesãos do vale que estavam sendo descobertos naquela ocasião: Ulisses Mendes e Lira Marques entre eles.
À noite logo após o término do festival da canção, íamos todos para o acampamento onde armávamos barracas e acendíamos fogueiras. Todos os concorrentes do festival da canção e inclusive os cantores que deram shows no Festivale, iam para o acampamento para tocar, beber vinho, cachaça e fumar grandes porções de maconha. Vivíamos os tempos dos anos de chumbo, havia no ar um descontentamento geral com o governo milico que comandava o país.
E, ah, a palavra Geraes escrita nos muros do vale, viria a ser um jornal de combate à ditadura e a favor dos pobres do Vale do Jequitinhonha. Com o Geraes formei melhor minha ideologia política, de cunho socialista e a favor da igualdade humana.



terça-feira, 14 de abril de 2020

CARTAZES FESTIVALE - 1º Festivale em Itaobim

Toda terça em nosso blog apresentamos charges humorísticas, mas durante estas semanas que dedicaremos ao FESTIVALE, toda terça apresentaremos as artes dos Cartazes do FESTIVALE.

A arte do Cartaz do Primeiro FESTIVALE, traz duas fotos dois homens um do lado esquerdo e outro do lado direito, são membros de grupos de cultura popular do Vale do Jequitinhonha, porém não foi possível identificar de qual grupo, bem como também não tem a autoria das fotos. Na parte superior do cartaz os dizeres: FESTIVALE - Festival da Canção Popular do Vale do Jequitinhonha - Itaobim 25, 25 e 27 de Julho, entre os dois homens os valores da premiação do Festival da Canção, na parte inferior do lado direito o regulamento do Festival da Canção e do lado esquerdo as apresentações do Festival: Exposição de Artesanato do Vale, Apresentação de violeiros e batuqueiros, apresentação de grupos folclóricos, Shows com nomes conhecidos das musica brasileira.
Abaixo escrito: Acampe nas praias do Rio Jequitinhonha e conheça a musica do Vale e no rodapé: Promoção: Geraes, Colaboração: Prefeitura Municipal de Itaobim e CODEVALE

Curiosidade: Apesar do nome ja ter nascido como FESTIVALE, nos primeiros anos era denominado Festival da Canção Popular do Vale do Jequitinhonha, somente no FESTIVALE de 1983 em Minas Novas é que denominação passa a ser Festival da Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha

Pesquisas e foto do Cartaz: Jô Pinto



segunda-feira, 13 de abril de 2020

MEMÓRIA CULTURAL: FESTIVALE 40 Anos



Neste ano de 2020, nosso amando FESTIVALE estará completando 40 anos de existência, ou seja, em 1980, mas precisamente de 25 a 27 de Julho na cidade de Itaobim nascia o FESTIVALE.
E para comemorarmos esta data tão significativa para o Vale do Jequitinhonha, nosso espaço livre, a partir de hoje e durante 40 semanas irá fazer diversas publicações cujo tema esteja relacionado ao FESTIVALE: Curiosidades, fotos, Cartazes, Depoimentos e as diversidades expressões culturais e sociais que perpassam por este espaço democrático de transformações pessoais e comunitárias.
Desde quando comecei a participar do FESTIVALE, criei o habito de  arquivar e pesquisar tudo sobre este evento que encantou meus olhos de adolescente. Estas informações estão sendo copiladas nos últimos 25 anos, no qual virou  o projeto de um livro com previsão de lançamento para 2021, contado os detalhes de cada uma das 36 edições do FESTIVALE já realizadas. Algumas informações deste meu trabalho de pesquisa serão disponibilizadas aqui no blog.

Caso vocês tenham Histórias, casos, curiosidades, fotos ou aventuras vividas em alguma edição dos FESTIVALES, compartilhem com nós para que possamos publicar e comemorarmos esta data importante para nosso movimento cultura.
Contato:
Jô Pinto
Zap ( 33) 98818-2864

Vale, Vida, Verde, Versos e Viola

Jô Pinto – Itinga /MG




                                           BREVE HISTÓRICO DO FESTIVALE
Arquivo Tadeu Martins

 Em 1974 a ONU declara que o vale do Jequitinhonha é um dos lugares mais pobres do mundo e a região passou a ser chamada de “Vale da Miséria”. Eram tempos da ditadura militar e um grupo de jovens estudantes do vale resolveram movimentar para dar um basta nas injustiças sociais que afetavam não só o Jequitinhonha, mas todo o país. Em novembro de 1977, esse grupo de jovens percorrem várias cidades do vale a fim de angariar fundos para criação de um jornal.
Entre eles estavam Tadeu Martins e João Lefu, da cidade de Itaobim, aos quais logo se juntaram Aurélio Silby e Castilhinho, também de Itaobim, e George Abner, de Pedra Azul. Juntos lançam, em março de 1978, o numero zero do jornal Geraes.
Em novembro de 1979, o Geraes promoveu, em Itaobim, um Encontro de Compositores, com um grande show denominado “ Procurados” que devido ao sucesso, tornou-se um espetáculo itinerante, que foi levado a palco em diferentes cidades
Para uma melhor organização do movimento cultural do vale foi criado, já em 1980, pelo mesmo grupo, agora bastante aumentado, o CCVJ - Centro Cultural do Vale do Jequitinhonha..
Tadeu Martins, filho de Itaobim, propõe ao grupo a criação de Festival onde não só teria o Festival da Canção, mas que também  tivesse apresentação das demais formas de expressões culturais do Vale e assim naquele mesmo ano, o CCVJ e O Jornal Geraes realizam o 1º FESTIVALE que acontece na cidade de Itaobim.
Em 1983, o CCVJ sofre um racha e surge uma outra organização, o MCPJ – Movimento Cultural Popular do Vale do Jequitinhonha, que passa a editar o Geraes, mas a organização do FESTIVALE continua com o CCVJ.
Em Janeiro de1987, com o Geraes fora de circulação, o CCVJ e o MCPJ voltam a se unir e nasce assim o CCAVJ – Centro Cultural e Artístico do Vale do Jequitinhonha, que passa a organizar o FESTIVALE e os Encontros de Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha.
No dia 25 de agosto de 1990, em reunião na cidade Taiobeiras, o CCAVJ é extinto e, em seu lugar, surge a FECAJE – Federação das Entidades Culturais e Artísticas do Vale do Jequitinhonha. Desde então a FECAJE é responsável pela realização do Festivale e do Encontro de Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha até o dias atuais.

Fonte: Extraída do livro piloto " FESTIVALE, Povo, Cultura e Resistência" de Jô Pinto

sábado, 14 de março de 2020

GIRO PELO VALE - Mariluce é a Primeira Jovem Quilombola da cidade de Virgem da Lapa a Ingressar na USP


Mariluce, a primeira jovem quilombola virgolapense a ingressar na USP.
Comunidades quilombolas do município de Virgem da Lapa tem sua primeira jovem quilombolaa ingressar na USP, considerada a melhor Universidade do país.

“Minha luta diária é para ser reconhecida como sujeito, impor minha existência numa sociedade que insiste em negá-la.” (Djamila Ribeiro)

Como cita a autora Djamila, Mariluce faz jus aos seus apontamentos. Mulher, negra e quilombola, desde cedo com muito esforço e dedicação, a jovem de 18 anos, nascida na comunidade quilombola do Rosário de Cima, situada no município de Virgem da Lapa, Vale do Jequitinhonha - MG, é a primeira em seu quilombo a conquistar uma vaga na Universidade de São Paulo - USP, considerada pela  QS World University Rankings, (responsável pelos rankings do Ensino Superior mais respeitados do planeta), como a melhor Universidade do Brasil.
Oriunda de escola pública, Mariluce concluiu os anos iniciais na escola do seu quilombo, e, posteriormente o Ensino Fundamental em escolas do município, e passou a ser a primeira estudante de seu quilombo a ter a oportunidade de fazer o ensino médio integrado ao técnico em um Instituto Federal. A jovem concluiu o curso técnico em informática. Mariluce também atuou com muito engajamento no resgate da cultura material e simbólica de seu quilombo, e, através de um trabalho de pesquisa intitulado: “A organização das comunidades quilombolas: um estudo sobre a comunidade quilombola União dos Rosários” , enquanto esteve como aluna no Instituto Federal do Norte de Minas Gerais campus Araçuaí, lhe rendeu o 1º lugar na área de ciências sociais no VIII Seminário de Iniciação Científica (SIC),  realizado na cidade de Pirapora em 2019.



No mesmo ano, o Instituto Federal do Norte de Minas Gerais campus Araçuaí foi representado pela estudante, com o projeto: “Sistema automatizado para acionamento de gerador de energia local”  campeão da 4ª Mostra Científica das Escolas em Araçuaí (IV MOSTRAR), que lhe rendeu o acesso à Feira Brasileira de Ciências e Engenharia –FEBRACE na USP em São Paulo.



Além da finalista, fizeram parte da caravana o orientador do projeto, professor Felipe Túlio de Castro, e os alunos Bernardo Augusto Rafael Silveira e Zacqueu Andrade de Souza, estudantes de cursos integrados ao ensino médio. Fonte: Portal IFNMG. Disponível em: <https://www.ifnmg.edu.br/mais-noticias-portal/492-portal-noticias-2019/20852-estudantes-e-professor-do-campus-aracuai-participam-da-febrace-na-usp>

Nesses momentos, o apoio familiar se torna imprescindível, pois demonstra o quanto a família auxilia no processo de ascensão da(o) jovem quilombola. Sendo assim,seu pai, Adão de Jesus, o maior incentivador de Mariluce, fez questão de ir à São Paulo para prestigiar o evento da FEBRACE e ver a filha apresentando o projeto juntamente com sua equipe.Bastante interessado pela carreira acadêmica de “Lulu” (apelido dado pelo pai à Mariluce),e emocionado, disse que “ninguém nunca havia imaginado que eles  iriamcolocar os pés naquele local (USP)”, conta o pai da jovem quilombola.

"Quantas vezes ouvimos a frase: “sonhar não é poder", e, muitas vezes desistimos de sonhar porque muitos não acreditam que você realmente pode, e dependendo de sua etnia e da posição social que você se encontra este direito de sonhar é cortado a todo momento, mas essa realidade vem mudando, nosso povo está empoderando-se, no reconhecimento fisicamente e intelectualmente, e assim as portas vão se abrindo pela persistência do “estudar”, o estudo é o caminho que nos leva a realizar sonhos." (Jô Pinto)



Adão e sua filha, Mariluce, marcando presença na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia- FEBRACE – USP (Foto: Arquivo pessoal, 2019).
Mariluce foi contemplada com a participação no MiniOnu, maior modelo intercolegial das Nações Unidas na América Latina, ocorrido em 2018. Estudantes dos campi Araçuaí e Almenara vivenciaram momentos de interação ao Simular a Conferência da ONU em Comitês como UNICEF, UNESCO, OEA 2016, CDH 2019, CE 2019, OMI dentre outros. O evento foi promovido e sediado pela PUC Minas.


Estudantes e professores dos campi na PUC-MG. Fonte: Portal IFNMG. Disponível em: < https://www.ifnmg.edu.br/noticias-ara/noticias-2018/19603-estudantes-dos-campi-aracuai-e-almenara-marcam-presenca-no-minionu-maior-modelo-intercolegial-das-nacoes-unidas-na-america-latina>

Pelo último ENEM, Mariluce também foi aprovada nos cursos de Engenharia de Controle e Automação na Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG no campus Pampulha em Belo Horizonte,e Bacharelado& Tecnologia na Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri no campus Diamantina. Já com a matrícula online pronta para ingressar no 2º semestre na UFMG, a jovem recebeu o e-mail da USP com a notícia que ela também havia sido aprovada no curso de Engenharia Elétrica.Resultado de um vestibular feito para a Universidade também no ano de 2019, e após discursões sobre seu destino acadêmico, Mariluce optou pela USP, efetivando assim sua matrícula no dia 11 de março de 2020.
Engajamento, força de vontade, foco, fé e equilíbrio são algumas palavras que descrevem essa jovem, mesmo encontrando vários obstáculos, que muitas vezes poderiam a fazer desistir, encontrou forças para continuar, demonstrando que é um exemplo para quem deseja estudar e se mover em busca dos seus sonhos.
 Voa,Mariluce!

Raquel de Souza
Carlos Eduardo
@Portal VDL




terça-feira, 3 de março de 2020

GIRO PELO VALE - Vale do Jequitinhonha de Luto - Faleceu o Compositor e Interprete Arnô Maciel



O Vale do Jequitinhonha esta de luto, hoje se encantou Arnaldo de Castro Maciel, “ Arnô Maciel “, da cidade de Minas Novas, Compositor, Interprete e Maestro, um poeta das belas canções.
No segundo FESTIVALE de 1981, levou o prêmio de Melhor Interprete no Festival da Canção, ao interpretar a musica “ Seresta” de Dalton, Aquiles e Inô ( todos de Minas Novas)
Conquistou em 1983 o 1º Lugar no FESTUR – Festival da Canção de Turmalina, interpretando a musica “ Pintura” de seu irmão Arlindo.

Arnô Maciel
Arnaldo de Castro Maciel, nasceu em 30/07/1939, filho de João Ferreira de Castro e Auta Maciel de Castro. 5º filho de uma família de 8 irmãos: Odete, João, Vanda, Plínio, Arnaldo, Vany, Arlindo e Achiles.
Residiram em Turmalina, Berilo, chegando em Minas Novas no início da década de 50. Desde criança, Arnô mostrou aptidão para a música, cresceu participando dos tradicionais auditórios nas escolas e programas musicais na Liga Católica Jesus, Maria e José.
Residindo em Belo Horizonte, foi funcionário dos Correios, logo retornando a Minas Novas onde começou a lecionar na Escola Municipal de Ribeirão dos Santos, onde desenvolveu um belíssimo trabalho junto a comunidade, participando ativamente da vida social, cultural e religiosa da comunidade, organizando Saraus, Coroações e atuando como Catequista.
No inicio da década de 80, Arnô se firmou como um dos maiores intérpretes e compositores do Estado de Minas Gerais, tendo inclusive uma de suas principais canções gravadas no disco “O melhor dos Festivais de Minas” com a música “Pintura”.
Participou, brilhou e elevou o nome de Minas Novas e do Vale mundo afora, com sua voz e talento inconfundíveis, com destaque para grandes festivais como: Festival da Canção em comemoração ao aniversário de 250 anos de Minas Novas, tendo ainda participado do 1º Violarte em 1985, vencido vários FESTIVALES, onde recebeu inúmeros prêmios com músicas como: Carta de Arnô, O canto da Mãe da Lua, Pintura, dentre outras, que denunciavam o desmatamento irresponsável, as mazelas da ditadura, os maus tratos com o Rio Fanado, natureza e a Política Coronelista que imperava na época, sempre enaltecendo as belezas do nosso povo guerreiro, cantando o Vale, os pássaros, as águas, manifestações culturais e tudo que acontecia.
Durante muitos anos lecionou na Escola Estadual Presidente Costa e Silva, sendo um dos pioneiros na alfabetização de jovens e adultos, inovando na arte de ensinar, desenvolvendo projetos culturais, fortalecendo e incentivando nossa arte e cultura.
Teve seu grande sonho realizado no inicio do ano 2000, com a gravação do 1º CD “O Canto da Mãe da Lua” com grande repercussão no mundo artístico; realizando turnês em todo o Vale, Belo Horizonte e diversas cidades mineiras, com destaque para o memorável show no Palácio das Artes, com participações especiais de grandes artistas mineiros, com destaque para Saulo Laranjeira, Paulinho Pedra Azul, Gilvan de Oliveira, Cinthia Martins, dentre outros.
Durante 20 anos Arnô foi a estrela principal do show da Janela, ponto alto da Cultura minasnovense, por ocasião da semana santa, mais precisamente na Procissão do Encontro, o show acontece sempre nas janelas da Prefeitura Municipal. Arnô emocionava os minasnovenses e visitantes com sua voz inconfundível, sempre acompanhado pelos músicos Dásio Figueiredo, Heraldo Wilton e Aroldo Camargos. Realizava no ‘Solar da tia Auta”, grandes encontros musicais com os artistas Álvaro Freire, Canutinho, Tristão Pinheiro, Dalton, Vânia, Vicentinho, Heraldo, dentre outros, vivendo momentos inesquecíveis nas maravilhosas noites enluaradas.
Lecionou ainda em Belo Horizonte, na Escola Estadual do bairro Betânia, onde desenvolveu um belíssimo trabalho junto a comunidade escolar e religiosa.
Arnô Minas Novas é tudo isso e muito mais, a voz de Minas Novas, a voz de Minas Gerais e recebe a nossa homenagem, com um sorriso lindo, na presença dos familiares e amigos.
Rádio Bom Sucesso, a voz do vale !

REPORTAGEM
Adão Domingos

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

GIRO PELO VALE - Itinga de Luto, morre um Herói/Barqueiro, Seu Gera da Balsa


Itinga esta de luto, um daqueles heróis anônimos que tanto fez pela cidade, mas que não teve esse reconhecimento nos anais da história.
Partiu para o plano espiritual para uma ultima travessia, seu Geraldo ou Gera da Balsa como era conhecido, carregava sobre o peito a marca do remo, marcar essa adquirida pelos longos e árduos anos de viagens atravessando pessoas, carros ,mercadorias e o desenvolvimento de Itinga, a balsa pesada de madeira era por ele e tantos outros barqueiros conduzida pelos  seus braços fortes.
É impossível falar do desenvolvimento de Itinga, sem prestar uma justa homenagem a esses homens que literalmente carregou esse progressos nos braços cruzando o rio Jequitinhonha em cheias ou secas.
Antes da ponte, o alimento que chegou as nossas mesas dependeu dos braços fortes de seu Geraldo, se seu carro ia de um lado ao outro foi também os braços de seu Geraldo que o conduziu a outra margem.
Hoje seu “Geraldo da Balsa” foi fazer uma nova travessia, partiu para uma viagem de ida ao encontro do Pai Celestial e de tantos outros barqueiros e canoeiros que lá estão, que Deus na sua infinita bondade o receba de braços abertos  e que a família sinta-se honrada , pois seu Geraldo  foi e sempre será um herói desta terra chamada Itinga.

O Barqueiro
Autor:  Jô Pinto

O barqueiro ajeitou a prancha
O carro deslizou para dentro da balsa
O barqueiro embarcou pessoas
embarcou meu pão nosso pão.
O barqueiro de remo no peito e na mão
empurrou a balsa sobre as águas do jequi
O barqueiro cantarolava uma canção
nas águas as vezes turvas do coração
no vai e vem, a força e a emoção
espiritual e a física cravada eternamente em seu peito
A balsa parou.....
o barqueiro por fim descansou.
e um herói a cidade reverenciou....
deixou seu legado, sua história
nas águas do rio, que outrora as levou
para os braços do mar.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

DIÁRIO DE LEITURA - Lançado o Livro " Um Projeto de Província nos Sertões" de Juliana Ramalho


Meu nome é Juliana Pereira Ramalho. Nasci em uma comunidade rural chamada Lages, no atual município de Ponto dos Volantes, localizado no médio Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Na Universidade Federal de Viçosa, fiz a graduação em História e mestrado em Extensão Rural. E, o meu doutorado foi realizado na Universidade Federal de Ouro Preto, no programa de Pós Graduação em História.
Este livro, que hoje tenho o prazer de apresentar ao público, é a concretização de um sonho que nasceu ainda na minha adolescência nos idos anos da década de 90, do século XX. Naquela época, quando cursei o ensino médio e fundamental, não encontrei nos livros didáticos a história da região em que eu vivia, com exceção do distrito diamantífero. Isso me intrigou e me levou a indagar sobre a história do local em que vivíamos.
Lembro-me que um dia, ao faxinar a casa de uma vizinha que é muito amiga da minha família, encontrei um livro de poemas, de autoria do Victor Alves Cardoso, um poeta da cidade de Ponto dos Volantes. Neste livro, o autor aborda de forma poética alguns traços identitários da cidade de Ponto dos Volantes, que naquele período era distrito da cidade de Itinga. Ao degustar as páginas do livro, vi nascer o desejo de me aprofundar no conhecimento da história da nossa região.
Outro momento marcante na construção do meu interesse pela história regional do Vale do Jequitinhonha ocorreu em 1995, ano da emancipação da cidade de Ponto dos Volantes. Lembro-me que a professora Leila Sicupira, que na época, lecionava a disciplina de Geografia na Escola Estadual Alonzo Barbuda, desenvolveu com seus alunos (dentre os quais eu me incluía) uma atividade que consistia em uma pesquisa em grupo acerca da história de Ponto dos Volantes. Como não havia registro documental sobre a cidade que surgia no horizonte dos novos municípios mineiros, entrevistamos os moradores mais antigos do distrito, fortalecendo em mim a curiosidade pelo conhecimento histórico e o prazer da descoberta.
Tais experiências reverberaram em minha vida acadêmica ao cursar história, na Universidade Federal de Viçosa. Como trabalho final do curso de bacharelado em História, optei por realizar uma pesquisa sobre a identidade rural nas músicas regionais do Vale do Jequitinhonha. A pesquisa sobre o Jequitinhonha foi ampliada no mestrado em Extensão Rural, quando elegi como objeto de estudo a cadeia produtiva do artesanato em cerâmica e madeira, produzido na região.
Naquela ocasião, idos de 2007, pesquisando as teias de produção e consumo do artesanato, a atenção voltou-se ao estreito vínculo entre os artesãos, ao meio rural e às comunidades indígenas e quilombolas. Ao realizar o percurso na análise historiográfica acerca das comunidades rurais do Jequitinhonha, com o intuito de problematizar os artesãos dentro do seu universo produtivo, pôde-se diagnosticar que o acesso a terra para os artesãos, mesmo para aqueles residentes no meio urbano, era crucial para a atividade artesanal.
A questão da terra saltou, portanto, aos olhos da pesquisadora, como um problema a ser investigado. Apesar de muitos sociólogos e antropólogos discutirem a questão da migração e da concentração fundiária como fruto das transformações econômicas e sociais ocorridas no Jequitinhonha, a partir do século XX, fato intrigante foi que, desde os anos de 1980, os conflitos de terra e as reivindicações sindicais pela melhor distribuição da terra no Jequitinhonha era temática de discussões locais, conforme se pode analisar nas páginas do Jornal GERAES, que se sobressaiu no Vale do Jequitinhonha na década de 1980. Nos anos de 1980, o Jequitinhonha também foi palco das primeiras organizações do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. Isso significou, portanto, que o acesso a terra no Jequitinhonha era algo que carecia de um estudo histórico para além do século XX, a fim de problematizar as raízes estruturais das desigualdades sociais, econômicas e os conflitos daí decorrentes que, até os dias atuais, permeiam a vida de muitas comunidades rurais, quilombolas, indígenas e migrantes do Jequitinhonha, espalhadas pelas periferias das cidades do Brasil. Ao fazer tais constatações, iniciei uma pesquisa que foi desenvolvida no doutorado na Universidade Federal de Ouro Preto e que resultou no livro “ Um projeto de Província nos sertões: terra, povoamento e política na freguesia de São Pedro do Fanado de Minas Novas – Minas Gerais (1834-1857).
Neste livro, o leitor vai se deliciar com a história da região que constituiu os vales do Jequitinhonha e Mucuri, no nordeste mineiro, que no século XIX fazia parte de um único município – o município de Minas Novas. Vale mencionar que o município de Minas Novas do século XIX congregava produtores agrícolas e criadores de gado interessados em explorar a mata Atlântica que circundava o município e que era habitada por diversos grupos indígenas. Para viabilizar a expansão agrária e deter o poder sobre essas terras, os exploradores do município de Minas Novas reivindicaram maior participação no governo central do Império ao propor a criação de uma nova província – a província de Minas Novas.
Desejo aos leitores uma boa leitura e que o conhecimento do passado os leve a problematizar a nossa realidade que é uma construção feita por homens e mulheres e, que por isso, não é natural, o que nos torna sujeitos históricos na manutenção ou na transformação da realidade em que estamos inseridos.
A aquisição do livro impresso poderá ser feita pela editora Paco editorial no site https://www.pacolivros.com.br/Terra_Povoamento


E, para aqueles que se interessam pelo livro digital, a aquisição do ebook poderá ser feita nos seguintes sites:


Texto: Própria autora a pedido do  Jô Pinto para o blog.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

MEMÓRIA CULTURAL - Pilão

Pilão Comunidade Quilombola do Jenipapo em Itinga/MG - Foto: Jô Pinto

O pilão é um utensílio culinário essencial na cozinha africana, com as mesmas funções de um almofariz, ou seja, para moer alimentos. No sul de Moçambique o pilão é um dos objetos normalmente oferecido os noivos no dia seguinte ao casamento, numa cerimônia chamada xiguiane.
Este artefato primitivo de origem remota, na época do Brasil-colônia, já era utilizado na agricultura para socar alguns alimentos tais como milho e o café. Todas as casas nas zonas rurais usavam algum pilão.
Os pesquisadores afirmam que essa ferramenta deve ter sido copiada dos árabes. Em 1638, nos terreiros próximos as portas das cozinhas, já havia registro do emprego de pilões, nos preparos da farinha de mandioca e óleo de semente de gergelim, em substituição ao azeite de oliveira.
Hoje com o grande desenvolvimento tecnológico, outras máquinas motorizadas ou elétricas, vieram substituir este artefato, tornando mais fácil a vida das pessoas. O pilão intermediou as trocas alimentares entre os indígenas, africanos e europeus, a união de vários caminhos e experiências de vida.
De etnias, de culturas e a miscigenação de gostos, formas e aromas. Apesar de ultrapassada, em decorrência dos avanços tecnológicos, aquele utensílio continua presente no imaginário popular brasileiro, em alguns regiões como no Vale do Jequitinhonha, principalmente em comunidades rurais e quilombolas, ainda é possível encontrar os pilões, e estes ainda são utilizado para moer o milho, socar arroz e fazer temperos.


 Fontes
Cascudo,Luís da Camara.História da alimentação no Brasil.3.ed.São Paulo:Global,2004
O Pilão é utensílio de origem africana?Disponível em:Acesso em 1º set.2008.

Por


quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

DIÁRIO DE LEITURA - Poeta Claudio Bento lança mais um livro

Foto: Pagina rede social do poeta

No dia 31 de Janeiro, na Churrascaria do Cowboy, na cidade de Jequitinhonha – MG, aconteceu o lançamento do livro “Memorial da Infância Perdida” e do CD ”Letra e Musica” do grande poeta, Cláudio Bento.
Durante o lançamento o público teve a honra de apreciar varias atrações culturais: música teatro e declamações de poesias.
Claudio Bento Nasceu em Jequitinhonha e é considerado um dos grandes poetas do Vale do Jequitinhonha, não só pelas belas poesias, mas pela sua defesa da literatura, da cultura popular e da poesia produzida no Vale.
Já foi premiado em concursos literários no Brasil e no exterior, tem poemas publicados no Suplemento Literário de Minas Gerais, na revista Telas e Artes e em jornais alternativos em vários estados brasileiros. Cláudio Bento trabalha também ministrando oficinas literárias, fomentando o incentivo à escrita e à leitura, além de desenvolver projetos culturais em bibliotecas de escolas públicas estaduais da capital e do interior de Minas Gerais. O poeta sempre participa de maneira efetiva de movimentos populares, como o Festivale - Festival Da Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha ou de feiras de livros, festivais de poesia, de música, de folclore.
Tem uma dezena de livros publicados e já recebeu as mais diversas homenagens por todo trabalho que ele desenvolve através da poesia.

Por



segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

MEMÓRIA CULTURAL - Cemitérios

Cemitério Highgate - Reino Unidos


      O cemitério pode ser  um patrimônio histórico de muitas memórias, principalmente os mais antigos, pois guardam ali figuras importantes, além disso  há  verdadeiras obras de arte em alguns túmulos, sendo o mais antigo  localizado no Iraque, em Najaf, no Brasil o cemitério de Gamboa no Rio de Janeiro, fundado em 1811, no  Vale do Jequitinhonha  não  há registros  ainda.
      A palavra “cemitério” vem do latim coemeterium, mas originalmente do grego kimitírion, que significa “fazer deitar”. Nos primeiros séculos da era cristã, os cemitérios  eram implantados longe das igrejas e fora dos muros da cidade,  costume ainda de muitas cidades do Vale do Jequitinhonha.
Mas, Idade média os mortos importantes eram sepultados dentro das igrejas e os outros fora desta, isso causou muitas doenças e insalubridade destes templos, costume também  estendido em muitas cidades mineiras
        No século XVII os sepultamentos passam a realizar-se em área aberta, nos chamados campos-santos ou cemitérios secularizados
     Em muitas cidades mineiras, não há regulação quanto aos cemitérios, muitos  são abandonados, perda irreparável de um belo patrimônio artístico. Ou ainda, com o surgimento dos chamados "cemitérios-jardim" a arte da escultura cemiterial praticamente está extinta. Também a presença cada vez mais escassa de túmulos monumentais, é o alto custo dos materiais como o mármore, ferro e bronze, além da quase inexistência de artistas que se dediquem a este tipo de trabalho.
       Apesar da aparência muitas vezes triste, os cemitérios, principalmente os mais antigos podem guardar ricas surpresas para quem se dispõe a procurar. Alguns constituem verdadeiras galerias de arte a céu aberto sendo até mesmo possível encontrarmos peças e esculturas de artistas famosos.
       Portanto ao visitar um cemitério, não vá apenas para rezar, olhe, repare e reconheça ali também  o valor estético de um patrimônio cultural.

Por 



DIÁRIO DE LEITURA - Uma prosa com o poeta Terramar Luz

  Terramar nasceu em estado de poesia Entre a terra de onde veio e os caminhos que o levaram para longe, o poeta do Vale do Jequitinhonha ...