A lenda da Acayaca se baseia
nos arredores do Arraial do Tejuco, onde atualmente, se estabelece o centro
histórico da cidade de Diamantina-MG, neste território se concentravam os
índios Botocudos, e porventura do crescimento do Arraial, os bandeirantes
precisavam ocupar todo o território. Em contrapartida à demarcação territorial,
os Botocudos, que eram conhecidos por suas características extremamente
ferozes, resistiram às opressões dos bandeirantes subindo para as regiões mais
elevadas do Arraial, onde por ali se estabeleciam as suas tribos, que por
ventura, havia um grandioso cedro, onde os Botocudos acreditavam ser uma árvore
sagrada para a sua tribo, além de ser um ponto de força contra os ataques dos
bandeirantes. Conta-se, segundo a lenda, que há milhares de anos atrás, a
região do Arraial teria sofrido uma enchente muito forte, e apenas um casal da
tribo havia sobrevivido. A sobrevivência do casal se deu pela subida na copa da
árvore sagrada, quando a enchente bradou, o casal desceu e decidiu a partir de
então, povoar novamente a sua tribo. A árvore desde então, passou a ser o elemento
fundamental para a sobrevivência dos índios Botocudos, através da árvore se
obtinha vitória, a vida, o alimento e a proteção contra qualquer inimigo,
representando assim um Deus, que era cultuado e louvado pelos índios. Conta-se
que os índios dançavam e rezavam ao redor da árvore, o que a intitulou de
“Acayaca”.
Em virtude de suas crenças, os índios, toda vez que se sentiam ameaçados antes de uma batalha, eles dançavam e rezavam em torno da árvore, desta forma, eles acreditavam que sempre poderiam vencer. Os bandeirantes na tentativa de domínio do território do Botocudos, começaram a especular formas de derrubar os índios, até que descobriram que a força dos Botocudos era oriunda da árvore Acayaca. Com essa informação os bandeirantes aguardaram, e ficaram a observar os índios, até que um dia os guerreiros da tribo se afastaram do seu território para uma festa, e deixaram só as mulheres e os mais velhos para tomarem conta de sua tribo. Os bandeirantes aproveitaram deste fato para subirem até a tribo, na qual atearam fogo na Acayaca e saíram da tribo, quando os guerreiros voltaram, ficaram sem saber o que fazer, metade da tribo queria atacar os bandeirantes por vingança e a outra metade da tribo tinham medo de atacar e não conseguir êxito, assim eles lutaram entre eles e os bandeirantes aproveitaram a distração dos guerreiros e dizimaram a tribo e ocuparam a parte superior do território. Todo este cenário de luta criou entre os índios uma batalha sangrenta, onde os integrantes da tribo guerrilharam uns contra os outros, provocando um grande massacre. Os índios que restaram desta acirrada luta, fugiram para as matas, e o cacique da tribo ao ver a árvore Acayaca em chamas se debruçou em desespero, quando uma tempestade indubitavelmente, inundava aquela região. Em meio à chuva desacerbada e vários trovões e raios, o cacique da tribo, pegou as cinzas que restavam da árvore e atirou-as para o chão, e amaldiçoando aquelas terras e todos que ali habitavam. As cinzas, de acordo a lenda, à medida que a tempestade amenizava, transformou-se em diamantes, que reluziam com os raios de sol que começavam a surgir em meio ao fim da tempestuosa chuva. Desde então, posteriormente, começaram as descobertas dos diamantes na região através da Coroa Portuguesa, e até nos dias atuais, muitos acreditam que os diamantes do Arraial do Tejuco, brotam da terra.
Retirado do Artigo “Entre a realidade e o
imaginário: histórias e lendas de Diamantina/MG” de Fernanda de Alencar Machado
Albuquerque e Urânia Cheiene Ferreira
Nota: O termo "botocudos" foi usado de
forma pejorativa pelos colonizadores portugueses para rotular o Povo Borum
dessa região.











