![]() |
| Imagens Internet |
Hoje,
o Vale do Jequitinhonha despede-se de uma das suas figuras mais autênticas. Sebastião
Roque, o nosso eterno “Tião Roque”, seguiu para a sua última jornada
espiritual, deixando para trás um rasto de arte, trabalho e alegria que o tempo
jamais apagará.
Sebastião
Roque, popularmente conhecido como "Tião Roque", nasceu em Araçuaí,
no Vale do Jequitinhonha/MG, em 12 de julho de 1947. Filho da lavadeira Clarita
Roque, teve uma infância marcada por dificuldades, mas repleta de alegria,
crescendo entre as águas do Rio Araçuaí e ruas de suas cidade. As dificuldades
o impediram de estudar, estudando somente até a sétima série.
Sua trajetória profissional começou cedo: aos 10 anos,
iniciou o aprendizado no ofício de seleiro na tenda de selaria do pai de um
amigo, também trabalhou como vendedor de
pão e carregador de malas para os mascates que desembarcavam na estação
ferroviária.
Casado com Dona Tereza, com quem teve quatro filhos: Andreia,
Patrícia, Igor e Sergio. Tião consolidou sua carreira na selaria de Seu Irineu.
Ali, aperfeiçoou sua arte antes de fundar o próprio negócio, a Selaria Roque,
na Rua do Rosário. Além de mestre artesão, Tião sempre foi um entusiasta da
cultura: boêmio e seresteiro, aprendeu a tocar pandeiro, tambor e violão com a “Turma
da Esplanada”. Integrou o grupo "Regional de Seu Rafael", que fazia
bailes e serestas na região, e a convite de Lira Marques e Frei Chico,
tornou-se um dos fundadores do icônico Coral Trovadores do Vale.
Mas
Tião era mais do que o mestre do ofício. Era a alma da boémia sadia, do ritmo
do pandeiro, o batuque do tambor e o dedilhar do violão. A sua musicalidade,
nascida entre amigos e refinada com o tempo, encontrou o seu propósito maior
quando, ao lado de Lira Marques e Frei Chico, ajudou a dar voz e vida ao Coral
Trovadores do Vale.
Ao mestre Tião, agradecemos pela beleza que espalhou, pelos
filhos que criou com sua esposa, pela amizade e pela herança cultural que legou
a todos nós.
Que o som da sua seresta ecoe agora pelas planuras do
infinito. A sua passagem espiritual é o descanso do guerreiro, mas o seu legado
como artista é a luz que continuará a brilhar em cada nota cantada pelos
Trovadores e em cada peça de couro que carrega a alma do Vale.
Descanse em paz, Tião Roque. Araçuaí e o Vale do Jequi, hoje
chora a saudade, mas celebra a honra de ter sido o seu palco.
Vá na Luz meu amigo!
por


Nenhum comentário:
Postar um comentário