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| Imagem criada por IA |
Esta
história quem me contou foi o Seu Antônio Manelão. Um senhor negro, de estatura
mediana e que já carregava uns 85 anos de sabedoria e causos na memória. Meu
vizinho de rua , aqui em Itinga, ele sempre me parava para desfiar uma nova
história. Dizia, com um sorriso de canto de boca, que eu era o único com
paciência suficiente para dar ouvidos às suas 'lorotas'."
E assim ele me contou esse causo.
O
Coronel Teodoro era o tipo de homem que contava os grãos de milho antes de dar
às galinhas. Dono da Fazenda Boa Vista, entre Itinga e Medina, ele tinha uma
máxima: "Trabalhador bom é trabalhador que custa pouco e produz
muito".
Quando
contratou o Zé do Mato para limpar um pasto tomado pelo juá, o Coronel já tinha
o plano traçado. Zé era um sujeito de poucas palavras, chapéu de palha desfiado
e um olhar sereno que Teodoro confundia com lerdeza.
—
Zé, o negócio é o seguinte, disse o Coronel, coçando a barriga farta. — Não vou
te pagar por dia. Vou te pagar por "tesouro achado". Cada pedra
grande que você arrancar desse pasto e empilhar ali na beira da estrada, eu te
dou dez pratas, se não tirar pedra, não ganha nada.
O
Coronel ria por dentro. Ele sabia que aquele pasto era uma "mãe de
pedra"; Zé passaria um mês suando para arrancar rochas pesadíssimas e, no
fim, Teodoro diria que as pedras não eram "grandes o suficiente" para
o pagamento, ou inventaria que a pilha estava mal feita. O plano era ter o
pasto limpo de graça e ainda rir da cara do coitado.
Zé
apenas assentiu:
—
Combinado, patrão. O que eu tirar do chão e puser na pilha, é meu por direito?
—
Tudo seu, Zé! Se achar ouro, é seu! Debochou o Coronel, sabendo que ali só
existia granito bruto e poeira.
Durante
três semanas, o som do ferro batendo na pedra ecoou pela fazenda. Zé trabalhava
do nascer ao pôr do sol. Curiosamente, ele pediu para usar o caminhão velho da
fazenda, que estava encostado, para "facilitar o transporte". O
Coronel, achando que o esforço de carregar as pedras ia cansar o homem mais
rápido, permitiu, desde que Zé pagasse o diesel do próprio bolso (mais uma
pequena armadilha).
No
último dia, o pasto estava liso como um campo de futebol, e na beira da
estrada, não havia uma pilha de pedras, mas sim uma estrutura coberta por uma
lona imensa.
Teodoro
chegou bufando, pronto para dar o golpe final.
—
Bem, Zé, vi que limpou tudo. Mas essas pedras aí... não me parecem grandes o
suficiente. Acho que não vou poder te pagar as dez pratas por cada uma.
Zé,
limpando o suor da testa, deu um sorriso de canto.
—
Não se preocupe, Coronel. O senhor disse que se eu não tirasse pedra, não
ganhava nada. E eu não quero seu dinheiro.
O
Coronel estranhou.
—
Como assim?
—
O senhor também disse que tudo que eu tirasse do chão e pusesse na pilha era
meu por direito, lembra?
Zé
puxou a lona. Por baixo dela, não havia um amontoado de granito comum. Havia
blocos perfeitamente esculpidos de pedra-sabão azulada, uma veia rara que
aflorava exatamente naquele pasto e que o Coronel, em sua arrogância, sempre
achou que era apenas "pedra cega".
—
O que é isso? — gaguejou Teodoro.
—
Um geólogo da cidade passou aqui semana passada, Coronel. Ele me disse que essa
pedra vale uma fortuna para escultores e construtoras de luxo. Eu já vendi a
"pilha" toda para ele.
Enquanto
o Coronel ficava roxo de raiva, um caminhão de uma mineradora parou na estrada.
—
O senhor não pode levar minha terra! — gritou Teodoro.
—
Não é terra, patrão. É a "pedra grande" que o senhor disse que eu
podia levar se arrancasse. O senhor economizou o meu salário, mas me deu a
escritura do que estava debaixo dos seus pés.
Zé
do Mato subiu na cabine do caminhão da empresa, com um maço de notas no bolso
que pagaria dez fazendas Boa Vista. Antes de partir, gritou:
—
Ah, Coronel! Deixei o seu caminhão com o tanque cheio. Sou homem de palavra!
Teodoro
ficou ali, parado no meio do pasto limpo, olhando para o buraco de onde saiu
sua fortuna, percebendo que, na tentativa de economizar alguns trocados, ele
tinha acabado de entregar o tesouro da sua vida para o homem que ele chamou de
"lerdo".
Nota:
fiz adaptações no texto narrado, para se tornar um conto.
Por


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