A palavra “sequilho” deriva de seco (com o
sufixo -ilho), numa referência direta à sua textura característica. Em várias
regiões do Brasil, especialmente no Nordeste e em Minas Gerais, também são
conhecidos como biscoitos de goma ou bolachas de polvilho. Os sequilhos são
parte da tradição culinária brasileira, preparados à base de polvilho (ou
amido), açúcar e manteiga. Herdaram esse nome por causa do processo de preparo,
que os deixa secos por fora e macios por dentro, derretendo suavemente na boca.
De origem portuguesa, os sequilhos chegaram ao Brasil
por volta do século XVII, trazidos pelos colonizadores. Aqui, os portugueses
aprenderam com os povos indígenas a substituir o trigo por derivados da
mandioca, como o polvilho, conferindo ao biscoito uma textura mais leve e
crocante.
Até hoje, essa receita ganha variações e conquista
corações em diferentes cantos do país. O sequilho de fubá preparado pela
quilombola Rosaria Costa, do município de Chapada do Norte, mas que reside no município
de Berilo, é exemplo vivo dessa tradição: carrega consigo não apenas sabor, mas
também amor e história; ingredientes que são, afinal, os mais importantes da
nossa região.
E talvez seja justamente isso que torna o sequilho tão
especial: mais do que um simples biscoito, ele é memória afetiva, é ponte entre
culturas, é símbolo da criatividade que transforma a simplicidade em
delicadeza. Cada mordida nos lembra que a cozinha brasileira é feita de
encontros, de trocas e de afetos que atravessam gerações.
No fundo, o sequilho é mais do que um biscoito: é uma
metáfora da própria cultura brasileira. Simples nos ingredientes, mas
sofisticado na memória que carrega, ele traduz a capacidade de transformar o
cotidiano em afeto. Cada receita, cada variação, cada mão que amassa a massa é
um elo invisível entre passado e presente, entre tradição e reinvenção. Ao
provar um sequilho, não saboreamos apenas polvilho e açúcar, degustamos
histórias, raízes e o calor humano que dá sentido à mesa mineira e nordestina.
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