segunda-feira, 11 de maio de 2015

MEMÓRIA CULTURAL - CRUZ DO LÚCIO

                           
Capela da Cruz do Lúcio- Foto: Ângela Freire
                           Nas muitas histórias que ouvimos  da cultura do povo, do Vale do Jequitinhonha, em MG., encontramos na cidade de Araçuaí , numa comunidade rural  denominada de Macieira . Conta  o povo , que existiu há  atrás, no tempo do cativeiro, uma fazenda nesta região ,  em que os donos  possuíam  muitos animais e também muitos negros , trabalhavam  de sol a sol, sem nenhum direito  ou remuneração , eram submetidos as piores humilhações .
                            Certo dia, o Sinhô, notificado do desaparecimento de um dos seus animais de estimação , chamou o negro Lúcio, lhe ordenou que fosse procurar, este saiu imediatamente pela mata fechada,  sem comer  e sem beber, o moço procurou por todo o dia, ao cair  da tarde  ele retornou a sede da fazenda , e , com ar de  desesperançado logo falou de sua busca sem êxito. O sinhô furioso,  chicoteou  o pobre infeliz, e,  sem nenhuma piedade  para com o negro, no açoite das chicotadas e dos palavrões,  mandou  Lúcio  de novo procurar, com o aviso de que, só deveria voltar com o animal , caso contrário, a morte  seria seu prêmio pela incompetência. Sob  os gritos e chicotadas, os outros negros da fazenda viam e escutavam calados, pelas frestas, pois, corriam o risco de ter a mesma sorte, caso fossem apanhados assistindo tamanha crueldade.
                        Dizem os que viram: o negro adentrou-se aquele mato novamente,  em meio a escuridão que pairava naquela noite, nem a lua o acompanhara., diante de tanta dor, desespero , fome e sede, passou-se dias, e, Lúcio não retornou; até que certa vez  campeando animais perdidos, próximo de uma lagoa, ao longe avistaram  um corpo , em sua volta borboletas coloridas ao redor, aproximando mais , constataram  de quem se tratava. O que chamou atenção dos negros  ao chegarem bem mais perto: o corpo estava em perfeita composição, ainda com as marcas das chicotadas , parecia ter morrido naquele instante,e, o que se admirava , que havia meses o desaparecimento de Lúcio, era impossível  o corpo não entrar em putefração.
                    A notícia correu na fazenda às escondidas, pois se o sinhô soubesse, não hesitaria em  torturar alguém. E no silêncio da noite,  fizeram o sepultamento do negro Lúcio, colocando  uma cruz para demarcar o lugar, rezaram  pela alma do irmão e daí  fizeram do lugar um ponto de oração, com a freqüência das pessoas , não demorou muito em noticiar uma graça alcançada e por intercessão da Cruz do Lúcio.
                     A notícia se espalhou, e o dono da fazenda não pode conter mais, pessoas vindas de todos os lugares,  vinham rezar , até que com a permissão dos donos deixaram construir uma capela e passou-se a celebrar o dia da Cruz do Lúcio, com  novenas, festa  em sua homenagem como forma de pagamento de promessa, aglomerando um número  significativo de gente.
                      Até hoje , a festa é celebrada no dia 06 de Agosto, para agradecer as graças alcançadas  em honra do sacrifício do negro Lúcio, a cruz já foi substituída por muitos, na tentativa de reproduzir  e recriar a história, no local  a visão privilegiada de uma paisagem natural, cheia de arbustos e plantas do cerrado, existe uma estrada de acesso as fazendas que existem, a capelinha solitária  avisa  e convida a contemplação, sendo que primeiro  exige-se que visualize e se coloque diante da cruz, seja para rezar ou apreciar o cenário.

               Lembrar de histórias assim, significa contar as atrocidades  e constatações com o povo negro, sabe-se  que a abolição foi extinta por lei em 1888, mas sob qual condição de sobrevivência viveria esta gente? Sem direitos, nem sequer  o pão que comia, portanto , mesmo tendo ciência de sua liberdade, não havia condições de se libertar. Por isso  precisamos contar estas histórias que compõe o universo da oralidade popular,  apesar de não haver provas concretas, sabe-se que alguém ouviu, viu e contou para alguém, que recontou para outro, o outro então reproduziu e que até hoje recriamos e  estamos neste momento passando a você que acabou de ler e deverá  passar adiante.  

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sexta-feira, 8 de maio de 2015

Sexta Literária - Catadores de Sonhos

Obra de Portinari
           
              Meninos com as peneiras catando estrelas, ouvindo histórias de rezas de lavadeiras, bebendo sonhos  na poeira do sertão, beijando flores quais pipas no quintal, e ouvindo em liberdade, em fantasias os sinais como travessuras de uma pipa cortando céu, vendo a essência humana nestes meninos em carrosséis.
                    Cantando histórias de pés no chão, falando de saudades do dia em que os tempos se foram e ficou os pés, as flores e o mesmo céu, uma pessoa.
               E o coração sem bandeira  canta o tambor da áfrica, os cantos das florestas o arco do índio vem da maré da favela, do centro, orixás das ladainhas, do serrado, do pé no chão, do congado, vem do ribeirão, vem da areia, vem da alma da pureza,, vem da voz das lavadeiras, dos carros de bois, vem das namoradeiras estes cantos de canoeiro, vem  do vale em um mundo inteiro, vem do  ribeirão , vem das areias este canto de  pureza.


Danilo Alves

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Giro pelo Vale - Vale de Luto, Morre Izalino Francisco de Oliveira, "Seu Tuca"

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Que pena, morreu um Mestre da Cultura Popular. Minha cidade e o Jequitinhonha perderam um grande cantador. Eldvin Mendes, poeta e produtor cultural escreveu assim sobre Seu Tuca: "Izalino Francisco de Oliveira, Seu Tuca, 83 anos,natural de Rubim. Vaqueiro, amansador de burro bravo e construtor de currais, sempre conciliando estes ofícios com suas maiores paixões: as folias de reis e as trovas. Através das cantorias celebrava a alegria, a dor, a saudade e o amor pela saudosa Dona Antônia, mãe de seus dez filhos que lhe deram vinte e três netos e quinze bisnetos. E Seu Tuca dizia : o meu amor pela viola é igual ao amor que sinto pela minha falecida mãe." E ele foi tocar viola pra ela em outros vales do céu.

Texto compartilhado da pagina do amigo Rubinho do Vale - https://www.facebook.com/rubinho.dovale

DIARIO DE LEITURA - lançamento do Livro "Memórias do Municipio de Virgem da Lapa"

Boa novas, esta previsto para o dia 24 de Julho de 2015 as 19;30 horas, no  Auditório Padre Júlio Gamboa. Virgem da Lapa MG o lançamento do livro "MEMÓRIAS DO MUNICÍPIO DE VIRGEM DA LAPA" de Dário Teixeira Cotrim. toda cidade precisa ter suas memória eternizadas em livros.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

MEMÓRIA CULTURAL - FESTA DA SANTA CRUZ

                 
                  A devoção a Santa cruz é proveniente do período colonial, século XVIII, pouco se perdeu desde que chegou ao Brasil, já que a devoção a Santa Cruz estava naquele tempo diretamente vinculada à defesa dos perigos das doenças dos conflitos familiares e dos malfeitores, comuns na região dos ouros entende-se ai por que os colocavam em pontos estratégicos como os pontos alto das cidades, porteiras  de fazendas, currais, galinheiros e nas portas das casas, desta forma os maus espíritos e assombrações que teimavam em insuflar brigas na região do garimpo fossem afastados,assim “ a sacratíssima cruz e filho de Deus eram fonte de saúde, de perdão e graça aos fieis do catolicismo barroco” fato que alem de comprovar – se pela devoção fortalecia – se pela festa de Santa Cruz e com Ladainhas que se faziam a ela.
              Em Itinga a devoção a santa cruz chegou na segunda metade do século XVIII, colocado em fazendas como os da a comunidade de pasmado empedrado, Pasmado, Carrapato e Santa Maria ,conforme o lugarejo ia crescendo os cruzeiros iam se espelhando e  a festa da Santa Cruz também, a festa era motivo de alegria para o grupo de congado da Santa Cruz onde seus componentes cantavam e dançavam ao som de caixas, tambores e violas, tal manifestação acontecia durante as novenas celebradas antes de 03 de Maio dia da Santa Cruz, Sendo que os principais nomes da congada da Santa Cruz são: Pedro Marco, Célio, e Sebastião, apesar de ser manifestada em quase todo município, era na comunidade de Carrapato que acontecia a mais bela festa do Santo Cruzeiro, Além da novena que antecedia o dia três de Maio , havia também a preparação dos comes e bebes para a grande festa que ali se realizaria, também era comum os membros da família na véspera do dia da Santa Cruz, enfeitar se as suas Santa Cruzes rito que consistia em adornar com flores e fitas, pequenas cruzes de madeiras que eram fixadas nas portas das casas, eles acreditavam que nesta mesma noite nossa Senhora passa beijando cada uma das cruzes que foram ornadas e dessa forma, dispensado as mercês necessárias a cada uma das zelosas famílias, o terço da Santa Cruz é uma das manifestações de fé mais sacrificantes que existe, é necessário rezar 100 pai e nosso, 100 ave marias e 100 credos, e a cada pai e nosso e Ave Maria se joelha e se levanta , se entoa rezas de domínio publico cantada em forma de lamentos.

      “ Minha alma remede e forte, que a morte avemos de passar, os inimigos de Santa Cruz me encontraram e ti dirás; afasta – se de mim satanás, parti comigo tu não terás, porque hoje é dia de santa cruz, cem  vezes ajoelhei, cem vezes persinalizei e cem ave Maria rezei, arreda e afasta satanás, porque essas almas não são suas, ao dia da Santa Cruz direi mil vezes Jesus.”

            Este é um dos benditos entoadas no dia da Santa Cruz, hoje não se tem mais a festa da Santa Cruz no Municipio de Itinga, apenas se celebra o terço no dia 03 de maio na igrejinha de bom Jesus e na comunidade do Pasmado que tem como padroeiro a Santa Cruz. Os cruzeiros estão espalhados por todo o município, em quase todas as comunidades rurais existe um cruzeiro principalmente em frente das igrejas, cemitérios, fazendas e nas estradas, na cidade existi o cruzeiro dos martírios em frente à Igrejinha do Bom Jesus e este é o mais importante, ele fica na parte alta da cidade no bairro Alto Santa Cruz, em todo o corpo da cruz a lembranças da vida e do crucificamento de cristo: coroa, coração, túnica, o galo , a pomba, as correntes, as escadas, os pés, as mãos e as lanças. No centro da cidade existe o  Cruzeiro de Santa Luzia fica em frente a prefeitura municipal, antigamente ele era de madeira hoje é de concreto; e até a década de 30 existia  o cruzeiro das missões, demolido para a construção da praça Cel. Hermelino Gusmão.

(Texto do Livro - "Memórias de Itinga" - Autor: Jô Pinto)

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segunda-feira, 27 de abril de 2015

MEMÓRIA CULTURAL - TRADIÇÃO E FANATISMO

Após a ação de terrorismo do 11 de Setembro de 2001, o mundo inteiro  começou  a sentir pavor   e medo dos integrantes da Al Qaeda e dos Talibãs, grupos  que seguem e interpretam os princípios islâmicos de maneira fanática.
Ora, deve estar indagando:
___Que louca, que tem haver com isto? Afinal moro no Vale do Jequitinhonha, cafundó, rincão de lonjura, isso não tem sentido.
O sentindo disso tudo começa a partir   dos acontecimentos  e   as consequências  de tamanha insanidade; pensem que nos últimos tempos na  região do Vale do Jequitinhonha há uma avalanche  de igrejas  que  existem títulos surreais, mas deixemos  tais comentários e reflitam  que temos  incutido em nossa cultura, heranças múltiplas,  deixadas por  índios, colonizadores  e invasores, somos naturalmente um país  de diversidades, o qual na região há manifestações que ao longo do tempo incorporou-se  o jeito de ser de um povo com outros grupos que aqui relacionou-se com muita  criatividade.
 O exemplo disso tudo é o forró, batuque, candomblé, festa do Rosário, Divino, candomblé e inúmeras outras.
Atualmente com a explosão e advento das mídias e tecnologias ainda assistimos  crescentes ondas de intolerâncias e muito ódio.
 Se pegarmos  o alcorão em seu fundamento é possível  entender os ensinamentos a partir de Moisés , que por sua vez concebeu  a origem do cristianismo ou judaísmo, assim como a Biblia  livro intitulado  aos cristãos.
Por esta razão estou mencionando tais escrituras, porque a partir daí  surgem pessoas, formam grupos que por sua vez deturpam as escrituras sagradas, levam  ao convencimento  ou imposição  com a falsa ilusão de alcançar este ou aquele paraíso, enfim, tudo em nome de “DEUS”.
Recentemente  pode-se constatar nas manifestações de semana santa, a ausência de reconhecimento e conhecimento  deste momento para a igreja católica, atitudes simples como a  recusa de pessoas em utilizar vestes escuras na Paixão de Cristo , ora vejam a encenação  que surgiu  no país pelo jesuíta José de Anchieta, para a catequese. Tudo isso assemelha-se  aos demais ritos cristãos, mas em nomes de confusões e distorções  surgem extremistas e fanáticos que não se importam com os fundamentos  de essência da religião, extrapolam princípios e criam razões a serem  levadas a conseqüências  trágicas, em que inocentes morrem; vidas ceifadas por atrocidades  e  com isso estão colocando a humanidade em risco, pois já  começam a destruir templos, igrejas , monumentos,  cristãos são perseguidos, jovens são obrigados a servir exércitos, a matarem seus pais, a si matarem se preciso for.
Chegando mais perto de nós e retomando ao assunto acima mencionado sobre igrejas no Vale do Jequitinhonha, há jovens induzidos a práticas e atitudes  suspeitas, como alimentar-se de uma  fantasia que está sendo protegido e para esta proteção precisa dar tudo o que possui de valor, destruir altares de suas residências , algo desrespeitoso com os mais velhos. Tratam por aberração e abominam as manifestações culturais milenares, a ponto de serem capazes de irem ao extremo se o líder pedir a isso, em nome de libertação espiritual, esquecem  e exterminam suas raízes, suas histórias , suas origens,  mas fico me perguntando frente a tudo isso: como explicar a sua negritude? A povoação do país? E a  cultura brasileira?
Não condeno nenhum grupo, pois conheço pessoas de  alas opostas a minha religião e totalmente respeitosas às práticas dos grupos de manifestações culturais e religiosas, questiono aqueles que disseminam ódio, intolerância  e dominação sobre o mais fraco, transformando-o em soldado bomba, capaz de explodir em nome de DEUS e ao mesmo tempo faço-lhes um apelo:
___Salve seus espíritos como quiserem, mas não apaguem nossas memórias, nossas riquezas e heranças culturais, elas são as provas e testemunham nossa existência, a humanidade  precisa  de gente sã, que descubram remédios para salvar vidas, mas não inventem  bombas, nem  artifícios para extermínio .
Sirvam a quem quiser, mas respeitem e deixem nossos santos, nossos terreiros, nosso tambor  em paz e harmonia.

 VIVA O VALE!

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segunda-feira, 20 de abril de 2015

MEMÓRIA CULTURAL- TESTEMUNHO DE UM MOVIMENTO MINEIRO

Esta semana as escolas falam muito sobre o tão comemorado “Dia de Tiradentes”,  mediante as controvérsias e descobertas  que historiadores vêm revelando ao longo do tempo, importante mencionar  sobre a Inconfidência Mineira, um movimento  que surgiu no ciclo do ouro, que entre tantos outros motivos  destaca-se  a opressão do governo português  no período colonial  que cobrava altas taxas e impostos, além dos abusos políticos e impedimento do desenvolvimento industrial e comercial do Brasil.
O cenário principal  deste movimento  contra a coroa portuguesa ,ocorreu em 1789, na atual Ouro preto, mas que naquela época era chamada de Vila Rica, considerada a capitania de Minas Gerais, mas é em Berilo, precisamente na rua do Porto, nº204, num sobrado , cujo dono era Domingos de Abreu vieira, português, tenente coronel do regimento de Cavalaria  Auxiliar de Minas Novas, era padrinho da filha de Tiradentes. Neste local ocorria festas e reuniões  secretas  quanto as aspirações  de liberdade e sonhos de uma pátria próspera e livre. 
Este sobrado foi seqüestrado pelas autoridades portuguesas , após a prisão dos inconfidentes em 1789.
Depois disto  há relatos  do Francês Auguste de Saint-Hilare em 1817, que teria se alojado neste e que o proprietário era um juiz da Vila do Fanado, também  o historiador austríaco João Emanuel Poh havia  sido acolhido, enfim,  pessoas ilustres chegaram a hospedar –se nesta casa.
 Também rendeu disputas e contendas quanto seus proprietários, mas isso não é mais importante atualmente, fato que o sobrado  chegou em seu estado de arruinamento  até que em 2009 ,  iniciou as obras de restauração , entre idas e vindas de projetos, finaliza-se em 2012.
O Sobrado é tombado a nível federal, estadual e municipal e abriga um centro de memória da cidade.
Vale recordar da visão privilegiada em relação a paisagem , em que se avista  da varanda do sobrado o rio Araçuaí que corre mansamente em seu ressoar ,do bater nas pedras, que melancolicamente  é possível imaginar a canção popular:
Eu não moro mais aqui,
Nem aqui quero morar
Oh beira mar,          
Adeus Dona
Adeus riacho de areia.


.Fontes:História da Liberdade no Brasil,Correia, Virato –Civilização Brasileira,1974 www.asminasgerais.com.br

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segunda-feira, 30 de março de 2015

MEMÓRIA CULTURAL - A MEDIDA DO PRATO

Caixas de medida - foto: Internet
Antigamente ninguém conhecia outro tipo de medida, a não ser por meio do prato. Na verdade era os produtos a serem vendido a granel como arroz, feijão, farinha, açúcar, sal, café, quando o freguês solicitava era assim: __Me dá um prato de tal coisa?
E logo chegava através de uma peça de madeira de dimensões semelhante a um paralelepípedo, depois virou uma lata de banha, redonda; e enchia no saco da mercadoria solicitada; alguns feirantes gostavam de passar a mão  para ficar certinha, mas há quem diga que isso era  o comerciante pão duro, pois havia aqueles que  não tinha dó de deixar cair pelas bordas e despejar no embornal ou alforje do freguês.
Dizem o povo mais velho, que um vereador de Araçuaí foi a Teófilo Otoni viajando de Bahia Minas e quando retornou entusiasmado com a d que vira por lá, simplesmente porque na feira de lá a venda era por quilo. Encantado com aquilo, não tardou muito  lançou na câmara um projeto de lei, sendo imediatamente aprovada e sancionada pelo prefeito da época. No sábado que começou a vigorar a lei foi um alvoroço na feira, rendeu muita fofoca, descontentamento, mas ao mesmo tempo o vereador foi considerado um inovador, mas nunca mais conseguiu se eleger novamente. Fato que  apesar  da inovação da lei, anos depois  reapareceu a forma do prato, e até hoje ainda persiste, não com a mesma proporção.
Importante isso é perceber que uma atitude como esta interrompe o ritmo de uma cidade, apesar de bem intencionados, porém interrompeu o modo de ser e vender de um povo com a idéia do pensamento de ganhos e perdas.

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segunda-feira, 23 de março de 2015

MEMÓRIA CULTURAL - O CIRCO CHEGOU!


                 
Danilo Alves- Artista Circense da Cidade de Pedra Azul/MG
 
Nesta semana dedicada ao circo e as artes cênicas, lembrar deste que foi e continua sendo uma expressão artística de muita importância nas cidades do Vale do Jequitinhonha.
Primeiramente estas companhias circenses são desbravadores por levar seus espetáculos a todos os rincões, pois em muitas cidades jamais haverá uma companhia de grande porte  que irá  apresentar-se, mas para o circo, não importa  vida social, nem economia local, ele quer entrar, baixar sua lona e produzir encantamentos, depois seguir, pedindo passagem para outro lugar; em geral  cada circo  é formado por núcleos familiares, isso faz com que  ocorra de forma mais sólida  a perpetuação da arte, juntos passam fome, frio e toda sorte  e privação de desconforto, mas  resistem e buscam juntos a harmonia e são embalados pelo sonho de liberdade e assim produzem sonhos e magias.
O Circo e as demais linguagens artísticas possibilitam o aprimoramento humano e a sensibilização pelo bem e pelo belo.
Lindolfo Ernesto da paixão, em seu livro “Araçuaí ano de 1945”, no capítulo XII descreve a sua memória de menino pobre, mas de uma infância bem vivida, para ele o circo era uma festa, havia, pois como todos saírem felizes de uma “performance”, confirma então  que todos iam ao circo: do mais menino, ao mais velho. Do mais sem dinheiro, ao mais com dinheiro. Da mulher mais direita, a mais às avessas...

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segunda-feira, 9 de março de 2015

MEMÓRIA CULTURAL - Presença Franciscana


Tau - Cru de Franciscana

                  A presença franciscana  no Brasil  está marcada a partir de 1899 ligada a Província dos Santos Mártires Gorcumienses,  na Holanda,  criando a Província de Santa cruz que se estabelece a partir de 1900, através do Frei Rogério Burgers no Rio de janeiro, daí inicia-se  a instalação  de residências  de frades  em outros estados, inclusive Minas Gerais em 1903.
                 Nomes como frei Samuel, Frei Júlio Berten, Frei sabino   , Padre José da Costa Faria, frei Gonzaga  Gouverneur,  Frei Elizeu , Frei Francisco der Poel Dom Dario e tantos outros, são  lembrados  em suas passagens pelo vale do Jequitinhonha.
                Independentemente da ordem religiosa que os representam  parte da história impregnada no imaginário de vivência de um povo, uns em seus conceitos mais rígidos outros pelo respeito e despojamento de ser e reconhecer-se cristão.

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segunda-feira, 2 de março de 2015

MEMÓRIA CULTURAL - EXPEDICIONÁRIOS DO VALE DO JEQUITINHONHA

Imagem internet
     A segunda guerra mundial, deixou  marcas em famílias no Vale do Jequitinhonha, que tiveram seus jovens convocados para o combate; recordações como o combate  em Monte Castelo, na Itália, são fatos  que ilustram a região, no cenário internacional.
          Naquele momento da guerra era motivo de orgulho ter um filho servindo e devotando seu amor à pátria, por outro lado a tristeza de muitos que não tiveram a sorte de retornar para seus lares, ainda que mutilados ou com perturbações mentais, choram até hoje a falta de não enterrar seu ente querido.
           Sentir orgulho dos combatentes e sobreviventes, mas nunca esquecer do horror que uma guerra mundial causa na humanidade, são danos e sequelas irreparáveis.

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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

DIÁRIO DE LEITURA - Lançamento do Livro "Gotas Filosóficas" do Mestre Manoel Viana

Foto Cejo Costa


Lançamento do livro: Gotas Filosóficas  do mestre Manoel Viana ( Em Saudades)
dia 28 de Fevereiro, no Salão Social da Câmara Municipal da cidade de Padre Paraíso/MG

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Memória Cultural - Gosto, renda, cultura e exclusão

Assistindo a uma reportagem sobre culinária, ao qual trazia a tona o possível desaparecimento de alguns alimentos, entre eles: o queijo artesanal, reavivei que a certo tempo  escrevendo para este blog, já  havia  descrito sobre esta ameaça e seus principais motivos.
Analisando  as matérias tanto do blog como da reportagem,  é estarrecedor,   enquanto habitante de uma região socialmente falando , enquanto  área agrícola somos um povo tradicionalmente de  agricultura familiar, no entanto por causa das legislações  que se instituiu pensando   em grandes empresários, em nada contribuiu aos pequenos , ou seja, o futuro  dos pobres numa linha bem nítida é comprar produtos nos supermercados, pagando com o recurso que virá do governo como esmola ou como  carteirinha de inutilidade por não ter autonomia de fazer sua roça para subsistência , porque isso  está fora dos padrões  desta ou daquela lei.
Não tome isso como crítica a governo algum, mas enquanto agente cultural e cidadã do Vale do Jequitinhonha,  falar do Queijo Minas hoje,  como  alimento produzido artesanalmente, faz parte da nossa identidade, assim como o palmito para a população indígena guarani, em são Paulo; o acarajé da Bahia e tantos outros sabores pelo pais, mas  também reporta-se a exclusão de pequenos agricultores, que vivem do cultivo  em suas propriedades , desafiam clima, resistem a duros golpes do tempo e dos corruptos medíocres que elaboram, aprovam e ditam normas e leis, os mesmos que recorrem aos  pequenos e pobres para lhes dar poder , com falsas promessas , míseros presentes  e falsos abertos de mãos para depois  tratar de dizimá-lo, com a desculpa de que a vigilância sanitária não aceita.
Considero  importante  o registro de  bens imateriais  como forma  e esforço pela ação de sobrevivência cultural  , mas,  gostaria de ver o gesto relevante de direito : a garantia  da lavoura  e o cultivo em pequenas lavouras, possam ser dignamente  exercidas, assim como são as grandes produções; assim que se faz justiça  e valoriza a terra que germina e dá alimento a todos.

Texto de:


    
                                                                                                           

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

MEMÓRIA CULTURAL - A tradição dos Mascarados

Mascaras confeccionadas artesanalmente, usadas pelos mascarados da cidade de Itinga - Foto Jô Pinto
                        Os mascarados fazem parte da comemoração do carnaval em qualquer parte do planeta onde a festa acontece. Na região do Vale do Jequitinhonha esta tradição também é mantida ou  melhor nem tanto assim, os mascarados já não são tão expressivos assim nos carnavais da região, no  carnaval da cidade de  Itinga estes sempre fizeram parte, eles saem em grupos fantasiados geralmente com máscaras artesanais confeccionados com papel e grudi (Uma cola feita de goma e água), e para confeccioná-las usa-se uma forma feita de argila, porem muitos se fantasiam com mascaras industriais,  a também os que se fantasiam de peneiras geralmente composto por mulheres.     

                    Tradicionalmente os mascarados começavam a sair  um mês antes do carnaval e são chamados de” temporões”, tradição esta pouco vista nos dias atuais,  eles fazem a alegria e choro de muitas crianças e adultos, os mascarados sempre foram a parte lúdica do brincar o carnaval onde a mascaras dá a liberdade de brincar a festa sem a vergonha de extravasar a alegria de uma maneira tão inocente. sem os mascarados o carnaval de Itinga e de outras cidades perderia a graça. Porem esta magia corre sérios riscos de ser extinta, tendo em vista a inocência do brincar tomou novos rumos. E o tradicional já não encanta mais uma parcela da sociedade que anda alheia a sua própria identidade.

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

DIÁRIO DE LEITURA - Livro "O rio das minhas manhãs" de Celso Freire

"Todo mês de setembro, após as primeiras chuvas - aquelas que se seguiam às queimadas de agosto - os campos abertos cobriam-se de umas florezinhas miúdas, de coloração roseadas: as cebolinhas-do-campo. Aquelas florezinhas, que nasciam do nada, significavam para mim um sinal da força da terra, da doçura e da paciência do grão. À medida que outras vegetações de maior vulto cresciam as cebolinhas, encobertas por vasta folhagem, despiam-se das suas presenças próprias, encolhiam-se embaixo do chão, esperando a próxima vontade de primavera. Sempre entendi as cebolinhas com as flores da anunciação: depois delas a terra – que antes fora apenas pó - movimentava cheia de vida para todos os lados. A vegetação resplandecia, os pássaros animavam-se em cantoria, as borboletas brincavam perdidas no espaço sem fim; até os besouros rola-bosta e as centopeias exibiam movimentos e quilometragem. As cigarras zuniam seus gritos de esperança por toda cercania do rio das minhas manhãs: tempo de cores, alegria, abundância e fartura. 
Os homens empunhavam foices e enxadas e a terra recebia os últimos cuidados para ser emprenhada dos grãos. As mulheres cantavam alegrias, colhiam flores, enfeitavam as casas e os corações. As crianças pulavam cordas, cantavam cantigas de roda, brincavam de pega-pega, de cabra-cega e de apertos de mão.
O gado, no pasto, ficava mais vistoso e no curral o leite era mais farto e sedoso. A vida era mais bonita a partir do mês de setembro, nas redondezas do Rio das Minhas Manhãs.
Foi nesse tempo de florescimento, e nessas circunstâncias de labuta de vida, que eu apoiei os meus pensamentos e as minhas ideias e aprendi a desenhar caminhos e a colorir os meus sonhos. Mesmo em terras de flores sofridas..."

"O rio das minhas manhãs" agora em e-book,
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Texto retirado do facebook do Autor

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

OPINIÃO DO BLOG - Nostalgia de um passado recente

                   Às vezes me pego em pensamentos, como diz aqui em minha região “Pensando com meus botões” e nestes pensamentos vários são os meus questionamentos, alguns deles me faz voltar a tempos atrás, vivendo uma nostalgia de uma tempo onde a frase “ Eu era feliz e não sabia “ cai como luva, e nesta  felicidade precisávamos apenas de um violão, uma meia dúzia de amigos verdadeiros e reais, o banco da praça ou as escadarias da porta da igreja, passávamos horas a fio cantando musicas que nos emocionava pela melodia e por letras que pareciam ter sido compostas para nos deixar de coração em prantos, Felicidade para nós era as brincadeiras de pique salve, pique esconde,  roubar bandeira, mãe da lua, pegar de três, pegar para bater, cabra cega e o famoso guarda meu anelinho cujo expectativa da brincadeira era ganhar um singelo beijo nos rosto da pessoa no qual achávamos que amava, Felicidade era jogar bola na rua, mesmo sabendo que o risco de quebrar uma janela de vidro do vizinho era grande e com certeza a surra de cipó de  fedegoso de nossos pais era inevitável, mas o risco valia muito a pena, Felicidade era ficar em êxtase quando tinha bailes na cidade,  com banda de fora!...,  Oasis, Graves e Agudo ,Samantha e Scorpíons, e nestes dias de baile era preciso correr a costureira e fazer roupa nova, afinal de contas baile com banda era algo tão raro naqueles tempos, Felicidade  era ouvir  o programa Good night, de Samuel França para escutar as traduções das 11:0; Felicidades para gente era mandar um bilhetinho por via dos amigos para encontrar a amada ou amado em um beco de preferência de pouca luz, mas a amiga ficava ali o tempo toda na vigia, Felicidade era jogar china  seja no barco, na bióla  ou no galo, Felicidade era brincar de carrinho de pau, era correr livre pelas cebolinhas.
                   Para sermos felizes precisávamos de tão pouco, que hoje em meus pensamentos vejo o quanto essas novas gerações perdem muito tempo com amigos apenas virtuais, o interagir, o estar presente fisicamente com amigos e família é uma dádiva de felicidade que não tem preço, não pensem que sou contra as tecnologias, aos contrario acho estas são fundamentais para a comunicação, tendo em vista que o mundo em que vivemos se transforma o tempo todo e em alta velocidade, mas ainda prefiro reunir os amigos e ouvir uma boa musica ao som de um violão.

Texto de:


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

MEMÓRIA CULTURAL - Coral Vozes de Fátima

Foto: Jô Pinto
                    
                    Este coral foi fundado em Araçuaí, Minas Gerais no dias 03 de Março, de 1991 pelo Padre João Pinheiro e Nilton Ferreira de Souza(Nilton Curió), que percebendo  o interesse de crianças pelos grupos culturais  existentes na cidade, resolveram  organizar este coral , que também tinha a finalidade  de dar ocupação e oferecer uma formação cultural, além de animar as missas dominicais , na Catedral São José.
                     No repertório  cultural trazia músicas de origem afro-indígena e  outras de autoria de  pessoas  conhecidas  como: Josino Medina e Leninha, estes  doavam tempo e carinho para este grupo,ensaiando, preparando incansavelmente  e até distribuindo as criançadas quando  no avançar da hora, Josino Medina lotava seu pequeno veículo  e saia pela cidade a entregar  as crianças de casa, em casa. Era diversão pura!
                     O Coral durou pouco mais de uma  década, sob a regência de Nilton Curió, que diferente dos maestros tinha como batuta,  um bandeiro.
Muita gente contribuiu e fez sua história  através deste coral, hoje guardamos momentos  de um tempo  com crianças, que aprenderam o doce sabor de viver  e aproveitar  a infância, tornando-a mágica e feliz.

Peixinhos do mar, eô
Vem a beira da praia a nadar
Vem ver, vem ver a lua no céu a  brilhar

(Peixinhos do Mar-Leninha)



Texto e Pesquisa


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

SEXTA LITERÁRIA

ISRAEL x JORDÂNIA

Tadeu Martins
Companheiros me escutem
prestem bastante atenção
nessa estória acontecida
lá na minha região
quando se passava um ano
da “gloriosa” revolução
Ainda tinha validade
o título de eleitor
pois o povo ainda podia
votar para governador
escolher quem bem quisesse
para ser seu defensor
Era uma disputa braba
como não podia deixar de ser
pois só tinha dois partidos
para o povo escolher
de um lado a U.D.N.
do outro lado o P.S.D.
Cá nas Minas Gerais
esse Estado Brasileiro
ao Palácio da Liberdade
um queria chegar primeiro
Roberto Resende pela U.D.N.
pelo P.S.D. Israel Pinheiro

Na cidade de Jordônia
onde esse fato se deu
o prefeito era udeenista
Roberto Resende venceu
mas no resto do Estado
pra Israel Pinheiro ele perdeu
Passados quinze dias
da posse do eleito
o povo de Jordânia
ainda estava insatisfeito
pela sofrida derrota
do candidato do prefeito
No outro lado do mundo
a coisa empretava
dessa vez no Oriente Médio
uma guerra estourava
fato que o prefeito de Jordânia
nem sequer  imaginava
No noticiário matinal
da Rádio Guarani
o repórter anunciou
essa manchete aqui:
EXÉRCITO DE ISRAEL FOI PARA JORDÂNIA
PRONTO PRA INVADIR
O prefeito quase desmaia
quando ouviu aquela notícia
chamou o seu secretário
e ordenou com malícia
“Avisa pro Delegado
pôr de prontidão a polícia”
Mandou a família pra roça
foi pro correio telegrafar
pro deputado majoritário
mandar homens lhe ajudar
pois Dr. Israel Pinheiro
vinha pronto pra brigar
e explicou ao telegrafista
que ouvia tudo a sorrir
“Dr. Israel Pinheiro não gostou
de ter perdido a eleição aqui
e agora que tomou posse
mandou o exército invadir”
O vigário que estava presente
lhe pôs a par da situação
que se tratava de uma batalha
travada em outra nação
que não tinha cabimento
essa sua preocupação
Olhando pro vigário
disse o prefeito aliviado
“ Se Dr. Israel viesse mesmo
ele ia voltar desmoralizado
nós arrasava o exército dele
eu , dez  jagunços , um cabo
e três soldados .”

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

OPINIÂO DO BLOG - Namoro moderno

Namoro moderno
                       Em minhas andanças por estas Minas Gerais, mas precisamente em uma cidadezinha de meu querido Vale do Jequitinhonha em uma noite dessas de temperaturas acima da media até para  nós residimos no Jequi, resolvi dar uma volta pela pracinha da cidade, atividade ainda praticada em terras interioranas.  Pois bem resolvi comprar um sorvete e sentei em um banco da praça e fiquei a observar o ritual dos jovens e alguns adultos a dar voltas na praça até ai uma situação muito normal para mim, tendo em vista que estas voltas na praça faz parte das cidades do Vale. Mas algo me chamou atenção um jovem casal, em uma fase da vida onde tudo é mágico praticava algo que a meu ver era um namoro, mas um namoro um tanto diferente,  descrevo a cena: ela sentada ao lado dele, ambos com celulares estes smarte alguma coisa, ela, sorria ele sorria ainda mais alto, ela jogava beijinho ele retribuía, ela colocava o celular sobre as pernas e fazia coraçãozinho com as mãos e ele fazia o mesmo ritual e devolvia o coração,  e assim entre uma mímica e caretas o tempo foi passando, de repente ela da um beijo caloroso e ele também, os dois de uma só vez,  fiquei boquiaberto com aquele beijo,  ela beijava seu celular e ele o dele.

                    Fiquei curioso para entender , resolvi abordar o casal e perguntei, desculpe a minha curiosidade, mas percebi que vocês estavam trocando beijinhos e beijões com o celular, ela deu um sorriso amarelo, mas ele foi logo me dizendo  _ uai tio é que agora nos baixamos o IMO e estávamos testando para ver se funciona bem mesmo, sorrir para eles e dei um ok não pelo celular, fiz o “gesto” mesmo com minha mão e sai sorrindo de volta ao hotel, no caminho fui analisando devo ser um tio bem velhinho porque ainda prefiro um beijo na boca da amada do que em um vídeo de celular. e assim me pergunto há um limite para tanta informação tecnologica?

Texto de:


DIÁRIO DE LEITURA - Uma prosa com o poeta Terramar Luz

  Terramar nasceu em estado de poesia Entre a terra de onde veio e os caminhos que o levaram para longe, o poeta do Vale do Jequitinhonha ...