quarta-feira, 14 de julho de 2021

OPINIÃO DO BLOG - O poder da esperança

Foto Internet


A sociedade construída para sempre levar vantagem custe o que custar se adaptou aos novos meios, aos novos lucros e um jeito diferente de viver, o olhar desconfiado, desapontado e sem saber como lidar.

Lucro desenfreado e a qualquer custo deu lugar à novas tentativas, aos novos jeitos e o longo prazo.  Os clientes sumiram das ruas e das lojas, os produtos deixaram de ser bens úteis e o ser sociável se reinventou.

Aplicou menos, lucro menos e menos se importou em só ganhar. Um pensar diferente e preocupante tomou conta da sociedade e fez o ser repensar a vida, a lida e o seu jeito.

A vida era o bem precioso deixado em segundo plano e como por engano esquecida-se de viver. O trabalho, os afazeres e ganhar dinheiro eram o objetivo de um ser amargo e sozinho.

Mesmo junto se isolava. Mas, de repente com vida na balança tudo mudou de figura e aquilo que parecia loucura tornou o real da vida. Ficar em casa, mudar a rotina que mesmo vazia, fazia a vida.

E, quando a luz começou a ficar fraca e tudo não se compreendia, uma nova rotina se fez. Tudo que era construído se desfez, e a vez de viver chegou. Gente ajudando gente, partilhas acontecendo o mundo girou de repente o são ficou doente, sem mesmo saber porque.

O idoso bem cuidado, as crianças resguardadas e a vida seguiu seu curso. Refazer e repensar, significar e mudar a jornada.

Fazer da vida de fato uma esperança. Um ser humano refeito, reeditado e focado em vida. Esperar um mundo melhor mesmo sabendo da dor pelo qual passa o mundo.

Sociedade e natureza respiram com pureza e se refaz para o novo tempo. Tempo de olhar para todos, onde o preconceito e desrespeito sejam banidos do mundo.

A grande pandemia pela qual o mundo luta é a falta de amor.

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terça-feira, 13 de julho de 2021

O ASSUNTO É? O Silêncio

 

Estrada Com, Quilombola Mutuca/Cel.Murta/MG - Foto: Jô Pinto

O silêncio é um exercício de difícil aprendizado. Desde a infância, aprendemos a nos sentir incomodados com a ausência de ruídos.  Penso que o incômodo se deve ao fato de que, ao silenciarmos, somos levados a ouvir nossos pensamentos. E vivemos numa sociedade em que predomina a agitação, a aceleração, a propaganda agitada. As pausas silenciosas possibilitam o pensamento e o questionamento da lógica frenética do sistema capitalista, logo, o silêncio inquieta, em razão da reflexão que ele suscita. Houve uma época de minha vida em que falava mais do que atualmente (alguém pode perguntar: mas será isso possível?) Digo que sim, falava aos borbotões, queria ocupar todos os espaços de silêncio. As pessoas se sentiam cansadas diante de minha tagarelice, era perceptível pelas suas expressões de impaciência. A verbalização ininterrupta era resultado de ansiedade, falta de socialização e excesso de timidez. Conversava muito tentando desviar a atenção das pessoas em relação a mim. Parece pouco provável e até contraditório, mas muitas pessoas que conversam exageradamente  o fazem para disfarçar o acanhamento. Hoje sou uma amante do silêncio, muito me agrada estar a sós comigo mesma, com os pensamentos soltos. Acredito que não há maior liberdade do que a de poder pensar. O silêncio nos ajuda a reorganizar a mente, fazer escolhas, compreender como agir em cada situação, o que falar, quando calar.  Por isso que os monges se isolam no alto de montanhas, em grutas ou  ermidas, para assim alcançarem a sabedoria. Por outro lado, só nos conhecemos em contato com o outro. Parecer bom estando isolado da sociedade  se torna mais fácil. É em contato com o outro que aflora o que há de pior ou de melhor em nós. Porém, nem todos conseguem ficar a sós consigo mesmo, penso mesmo que isso nem é possível.  Por sermos essencialmente sociais, mesmo isolados estamos acompanhados de outros seres humanos, seja lendo livros ou assistindo a filmes, ouvindo/cantando canções ou mesmo pensando. Em todas essas experiências estamos em comunhão com outros seres humanos, sejam nossos contemporâneos ou que nos precederam no tempo. E é nessas trocas que nos humanizamos ao compartilhar a experiência desta viagem cósmica, parafraseando  o filósofo Ailton Krenak.

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sexta-feira, 9 de julho de 2021

CONHECENDO O JEQUI - Nas palavras do poeta

 


Essa é uma viagem pelo vale do Jequitinhonha descrita pelos títulos de 43 livros que tenho de poetas e escritores aqui na minha biblioteca.

Certa vez comecei NAVEGANDO NA COMPREENSÃO da MÁGOA DE UM LAVRADOR que guardava um ESPELHO DE BOLSO na CASA DE VERSOS onde para chegar tinha que percorrer CAMINHOS FLORIDOS, SEMEANDO ESTRELAS e abrir a PORTA para depois ouvir  os CONTOS QUE EU CONTO, por que O POETA É O CARA de ALMA CATINGUEIRA com o DEDO LAMBUZADO  de tanto dá ZUNS ZUM ZOOM, PARA CONHECER E SABER das AVENTURAS E AMARGURAS CULTURAIS por CAMINHOS DI-VERSOS com EXPRESSÕES LÍRICAS, MEU CAMINHAR possa chegar a JACINTO MEMÓRIA REVELADA em VIDAS QUE ENRIQUECERAM VIDAS com RELATOS E RABISCOS do SEGUNDO COMPARTE ou no TERCEIRO ENCONTRO DE POETAS E ESCRITORES DO VALE DO JEQUITINHONHA para conhecer A TURMA DA FELICIANA que é uma IDENTIDADE de Itinga.

O NAMORADO DA LUA diz que no ROSTO DE MÃE tem TRÊS DESTINOS onde A MULHER QUE ERA MINHA busca nas FOLIAS DE CULTURA MEMÓRIA DE PERCURSO de Rubim LIÇÕES DE AMOR para NO CARNAVAL CANDOMBE  em JEQUITINHONHA E OUTROS POEMAS realizar o TERCEIRO SARAU LITERÁRIO, e inclua a CRÔNICA DE EASTAR juntamente com A FOLIA DE REIS DOS COQUIS  que virá de RUBIM VERSO E PROSA passando pela TERRA ALMENARENSE onde o historiador descreve A GUERRA JUSTA CONTRA OS ÍNDIOS , para que ALMENARA EM CORDEL,  POEME-SE PARA AMAR e CAMINHAR por um BRASIL DO MEU IMAGINÁRIO: UTOPIA OU POSSIBILIDADE? 

Chegando ao VALE ENCANTADO E SUAS POESIAS  para desfrutar das belas artes  que só nós do Jequitinhonha temos e vivenciamos a cada dia.     

 

Pelo poeta TRABION

 


quarta-feira, 7 de julho de 2021

OPINIÃO DO BLOG - As mudanças são necessárias

 

Foto: Internet

Com tudo que temos vivido nesta nova realidade, o resignificar precisa ter seus créditos. O olhar que contemplava um horizonte distante nós situou no perto, no logo ali. Fomos barrados da nossa pressa.

E éramos apressados em tudo. No trabalho, nas relações e nas orações. O imediatismo, o capitalismo e o hedonismo dominou o ser. E tivemos que desacelerar. Aquela expressão "pare o mundo que eu quero descer" se fez real.

O mundo de fato parou, mas não tinha pra onde descer. O sonho das ruas livres, dos parques transitáveis e um grande silêncio, coisas quase impossíveis de acontecer, passou a ser o real. 

O improvável aconteceu, o ser redescobriu a família, desacelerou e passou a refletir melhor. Desacelerado o ser se redescobriu e desencantou de si mesmo. Viu a distância que construiu entre ele mesmo e todos os outros.

A dor em mudar causou feridas na alma. O acostumar com tudo construiu outro tipo de vivência. O novo traz medo e reações adversas, o novo "homem" com as roupagens velhas insiste em falar em uma nova ordem, em fazer diferente. E a recriação se dá.

O mudar, o simples fato da mudança deixa o ser humano desesperado, sempre acostumado a ganhar e tirar vantagem, se curva diante da partilha, da necessidade. A exploração devia da lugar a solidariedade. Mas, muda tudo. Mas, dentro, o ser não muda. 

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terça-feira, 6 de julho de 2021

O ASSUNTO É? - Um amigo não se compra

 

Foto: Internet

“Pai, me compra um amigo?” É o título de um livro de Pedro Bloch, que li há muito tempo, cujo enredo falava de um menino rico e solitário. Penso que essa pergunta que nomeia o livro tem como resposta a seguinte frase de uma campanha de adoção de cães abandonados: “Um amigo não se compra”. O lema da campanha remete ao fato de os cães serem considerados, por muitos, os melhores amigos dos seres humanos. Convém falar brevemente desta relação que vem de muito tempo. A espécie Canis lúpus  teria sido domesticada há aproximadamente 135.000 anos e, desde então, convive com os seres humanos numa relação de mutualismo, ambos se beneficiando da aproximação. Os cães têm sido utilizados das mais diversas formas pelas sociedades humanas ao longo do tempo. Em troca, recebem “proteção” e cuidados. Uma das suas principais utilizações, especialmente nas sociedades contemporâneas, é como animal de estimação. Entretanto, nota-se uma preferência das pessoas por cães de raça definida, visto que parece símbolo de prestígio social e econômico ostentar um animal que custou caro. Muitas vezes, estes animais são tratados como mercadorias, explorados, vendidos e descartados como objetos. Outro dia, soube de uma criança   que acredita que os cães da raça Shitzu são todos iguais, como objetos de fábrica, sem apresentarem qualquer diferença entre um indivíduo e outro da mesma raça.  Foi levada a acreditar que, tendo dinheiro para comprá-los, podem ser substituídos como se substitui um brinquedo quebrado. Fiquei triste pela criança e pelos destinos de uma sociedade que investe em transformar os pequenos em consumidores. O contato com os cães pode humanizar as pessoas, desde que sejam ensinadas desde a infância a desenvolverem empatia em relação aos demais seres vivos e não tratá-los como coisas. Lembro-me de que sempre tive cães, todos sem raça definida (SRD), adotados da rua, alguns já adultos.

Minha primeira cadela de estimação recebeu o nome de Xuxa, isso no final da década de 1980. Nossa relação começou quando voltávamos os três da igreja, minha mãe, meu irmão e eu. Sempre para trás observando os detalhes das coisas, vi uma cachorrinha miúda de orelhas enormes, marrom, parecia uma raposa. Olhei para ela, ela olhou para mim, e foi amor à primeira vista, me seguiu até em casa. A partir daí passou a viver conosco. Era muito inteligente, lembro que certa vez roubou coxinhas na casa dos vizinhos  para alimentar seus filhotes, numa época em que a comida lá em casa era parca, mal dava para nós. O problema eram os longos cios e as inúmeras crias da cadelinha. Num período em que nem se ouvia falar em clínica veterinária, castração de animais domésticos era fora da realidade de nossa família. Minha mãe passava vergonha, uma vez que nossa casa não tinha muros e  Xuxa sempre nos seguia. Durante seus cios, a matilha vinha atrás e nos atropelava. Certa feita, entramos no lotação e Xuxa entrou atrás. Todos perguntavam de quem era aquela cadela, meu irmão e eu dávamos risada, enquanto minha mãe disfarçava o constrangimento. Acabou tendo a ideia de doá-la para outra família no bairro Maracanã. Chorei muito, não queria perder minha amiga, porém não houve jeito, Xuxa foi doada. Muitos meses se passaram, depois de um ano, saí no portão e olhei para o início da rua, lá vinha ela. Conseguiu atravessar a cidade e voltar para casa como a famosa cadela Lassie do filme.  Para conseguir enfim se ver livre de Xuxa e para minha tristeza, minha mãe a doou para uma família de outra cidade. Bem, ela não voltou.

Nas sociedades contemporâneas, com o crescimento das populações urbanas, tem chamado a atenção também o aumento das populações caninas, sendo esta uma questão que diz respeito ao bem-estar dos animais e também à saúde humana. Conforme os animais se reproduzem descontroladamente e vivem soltos pelas ruas, além de estarem sujeitos a maus-tratos, podem causar acidentes, contrair e transmitir doenças para outros animais e para as pessoas. O crescimento populacional dos cães e seu abandono se relacionam à falta de políticas públicas voltadas para a questão. Os poucos que adotam nem sempre se responsabilizam pelo cuidado dos animais, seja por falta de conhecimento, seja por falta de recursos econômicos. Além disso, como já foi dito, as pessoas geralmente preferem comprar cães de raça a adotar animais sem raça definida. E você: já adotou um cão SRD para ser seu melhor amigo?

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segunda-feira, 5 de julho de 2021

MEMÓRIA CULTURAL - Sonho de Quadrilha

 

Foto: Internet

             Estamos numa época de festas juninas. Em Minas Gerais em especial, tudo muito caloroso: fogueira, doces, quentão, canjica, caldos, enfeites e muita animação.

            Apesar de vivermos tempos mais modernos, ainda se conserva em muitas comunidades rurais, ruas, bairros e quermesses para ajudar nas obras da Igreja Católica.

            Recordo de uma menina, que se deliciava com este tempo, geralmente seus pais e avós lhe presenteava com caixas de traques e chuvinha. Na sua porta, a fogueira era erguida, só para juntar a meninada divertindo e a menina sorrindo.

Apesar de tanto zelo e mimos, os pais desta menina eram pobres e o sonho dela era participar da quadrilha da sua escola. Mas o fato dos pais serem humildes e acanhada nenhum menino se interessava em tirar-lhe para dançar. Também a professora   que organizava, nunca fazia esforço para inserir meninas deste perfil. Ficavam num canto, assistindo aos ensaios.

            Até que um dia, houve troca de professores e a substituta decidiu que todos teriam de estar na quadrilha. Saiu puxando a menina pelo braço, quase emburrada para junto de seu par. O menino não esboçou nenhuma reação, aceitando-a.

            O problema viria a seguir, porque não tinha vestido bonito, nem condição para alugar um, além disso os pais tinham de pagar a entrada.

            A pobre garotinha, com sua colega teve a solução para roupa. Pegou ás escondidas um vestido e umas fitas de cetim, customizaram a indumentária. Mas como falar com a mãe? Tiveram a ideia de omitir alguma coisa. Contou-lhe, que tinha de participar do evento, porque valia nota. A mãe perguntou-lhe da entrada e respondeu-lhe, que a professora falou que a entrada era franca. 

            A sorte lançada, imaginava que a mãe, não se importaria de ficar do lado de fora, até o término da quadrilha.

            Ao chegarem na portaria, a mãe foi barrada. Neste momento sentiu-se mal pelo que havia feito. Mas não dava para voltar atrás, porque o porteiro já havia lhe empurrado para dentro, ordenando para andar ligeiro, porque a quadrilha estava prestes a começar. Sabia que a mãe não iria poupar-lhe daquele vexame. Mas, estava feliz demais para pensar no depois.  Saiu correndo para junto de seu par, que lhe pegou pela mão e saíram dançando. Ela se achava a menina mais bonita daquela noite!

            Roda daqui e dali, chegou o grande momento da brincadeira da cadeira!  Seguindo a fila, era sua vez, sentou-se faceira e sorridente.

            De repente sentiu um frio na espinha, que a congelou, ao ver na multidão, bem em sua frente, sua mãe, de braços cruzados, assistindo o beijo inocente, na sua face, de ser parceiro.

            A mãe ali entendeu toda a arquitetura, por um beijo!

Quando tudo terminou, foi se juntar a sua mãe, a professora logo aproximou-se para parabenizar e agradeceu por permitir que a filha participasse do evento junino.

Antes de ouvir o “muito obrigado” da mãe, sentiu a fisgada do beliscão, nas costelas, e um sorriso amarelo da raiva da matriarca, dizendo entre os dentes: _Lá em casa você me paga!

            Engoliu em seco, suportando a dor, sem nem ao menos falar um”aí’.

            Mas   sorte estava do seu lado, quando avistou ao longe, na estrada escura, seu avô com a lanterna, esperando as duas. Antes que a mãe soltasse sua fúria, a avó só tinha elogios.  Queria que a menina contasse tudo da quadrilha. Quando chegou na porta da casa, a avó tomando-se de posição severa, ordenou a mãe: _deixa a menina em paz! Isso é coisa de criança!

            Voltou-se para a doce e indefesa menina, fazendo-lhe prometer, que no próximo ano devia lhe avisar com antecedência, pois ele a levaria.

          A menina radiante de felicidade, cansada, sorrindo para o avô, esticou a mãozinha direita, dizendo!

 _Deus te ajuda vovô! Bença! Virando-se, fechou a porta, mas ainda deu para ouvir: Deus te abençoa! Deus te abençoa, te guarda e ilumina, minha neta! ...

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quinta-feira, 1 de julho de 2021

DIÁRIO DE LEITURA - Resenha do Livro " A alma das Palavras"

 


 

 

Meus Versos

Cassiano Dias

 

Meus Versos são feitos de amor,

Meus versos são feitos de paixão,

Mas também são feitos de ódio,

São feitos de desilusão.

 

Nos falam de alegria,

Nos falam de contentamento,

Versos que transmitem a dor,

Nos falam do sofrimento.

 

Versos feitos de alma,

Versos feitos do desejo,

Feitos com a paz da calma,

Com a doçura de um beijo.

 

Versos de indignação,

Versos sentimentais,

Sinta a força de meus versos,

Pois parecem tão reais.

 

Hoje venho falar sobre o livro “A alma das palavras”, do autor Cassiano Dias. Antes de escrever qualquer coisa, resolvi trazer o poema acima: “Meus versos”. Este poema é o primeiro do referido livro, vi nele uma espécie de apresentação do próprio.

Ao ler o livro, fiquei realmente encantado com a maneira como Cassiano verseja com uma sensibilidade admirável.

Cada poema, uma imersão no universo daqueles que amam, daqueles que sentem. Penso que é difícil conhecer este livro e não experimentar uma sensação de conexão com o seu conteúdo.

Talvez, apenas as almas que nunca se apaixonaram não consigam se conectar plenamente com esta obra, mas, com certeza, terão uma noção dos efeitos desse sentimento.

No livro, também há poemas que mostram um pouco das realidades sertanejas da nossa região, “Cactos solitários”, por exemplo, é um desses poemas que lembram as nossas raízes e os desafios característicos que aqui enfrentamos.

 

Solo cru, branco, infértil

Ao sol que o assola

Rochoso, crespo, duro

Quase nada ali vigora.

Junto aos cactos, solitário

Desbravando a miséria

Um ser, pobre coitado!

Morto, vivo, alienado.

O destino a tortura...


Trecho

O fato é que Cassiano consegue nos fazer desenhar cenas em nossos imaginários através dos seus versos, que nascem de um olhar e de um coração sensível. E para finalizar com chave de ouro, Cassiano encerra “A alma das palavras”, com obras de poetas locais. É possível conhecer um pouquinho sobre os trabalhos de: Ysza Santos; José Cardoso Costa (Zé Bedeu); Eusany Cleia e Cledson Ferreira.

Infelizmente, o livro não se encontra disponível para vendas, foi publicado uma quantidade limitada de exemplares para a distribuição entre amigos e amigas.

 

Cassiano Dias, nasceu na cidade de Comercinho – MG, onde cresceu em meio ao movimento cultural. Inicialmente atuando como ator de teatro de rua, participou de várias peças teatrais de grande sucesso, inclusive com peça premiada a nível estadual.

Iniciou o trabalho como escritor com textos teatrais, fez adaptação do texto de Molière “A vingança de Maria Rufina”. Passou a participar dos concursos de poesia e se destacar como escritor no município. Criou o hino municipal de Comercinho e logo lançou o livro “A Alma das Palavras”, com textos que trazem romantismo e regionalismo.

Participou de Festivales como ator e também como escritor. Sempre atuante, continua na busca para a melhoria do movimento cultural da cidade.



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terça-feira, 29 de junho de 2021

O ASSUNTO É? - Sabedoria popular

 

Foto: Jô Pinto


Para todas as situações da vida, minha mãe, Maria de Jesus, tinha um ditado. Ao longo de nossa convivência, fui me familiarizando com as expressões e compreendendo suas aplicações. “Quem quer pegar passarinho não fala ‘xô’!” Maria sempre repetia esse ditado para explicar a mudança radical do comportamento de alguns homens após o casamento, inicialmente agradáveis, gentis, mas após os enlaces se revelavam autoritários e violentos. Muitas vezes, usava tal expressão para alertar mulheres próximas a terem cuidado ao iniciarem suas relações afetivas. O ditado sintetizava sua observação sobre tais relações  e sobre a violência contra as mulheres, muito comum em nossa sociedade. Quando não lhe davam ouvidos dizia: “Quem não ouve conselho, ouve coitado!”

Sobre relações humanas, são inúmeros os ditos usados. “Diga-me com quem andas que te direi quem és”, expressão sempre mobilizada para justificar o cuidado e controle do nosso círculo de amizades. Para tal propósito falava também: “As más companhias corrompem os bons costumes” e ainda “uma batatinha podre põe todo o saco a perder”. Na minha infância e juventude, me rebelava contra esse controle cuidadoso; hoje, consigo perceber que era uma forma inteligente de educar num contexto social desfavorável, morávamos na periferia da cidade de Montes Claros, sem acesso a atividades culturais e de lazer, exceto as desenvolvidas na escola e igreja. Muitas de nossa época tiveram filhos na adolescência e não conseguiram prosseguir com os estudos, outros foram presos ou mortos.  Minha mãe acreditava, e com razão, que seu cuidado era imprescindível para que nosso futuro fosse promissor, dizia: “É de cedo que amanhece o dia”. Tentando impedir as diversas brigas entre meu irmão e eu, dizia: “quando um não quer, dois não brigam”.

 Quando tentava consertar algo e acabava quebrando ecoava: Ora, “fui benzer, pus quebranto”. “Santo de casa não faz milagre” era usado para expressar sua indignação quando ouvíamos mais as pessoas de fora do que a ela.

Naquele período, as desigualdades de gênero eram ainda maiores do que atualmente, as meninas eram muito vigiadas por todos, familiares e vizinhos. Acreditava-se que as mulheres eram consideradas responsáveis pela honra familiar, podendo manchá-la com comportamento inadequado. Quando minha mãe via algum vizinho falando mal da filha do outro, dizia: “ Quem tem telhado de vidro não joga pedra no telhado alheio” ou então “ A língua é o castigo do corpo”.

 Ainda sobre as pessoas que conversavam demais: “Quem fala demais dá bom dia cavalo” e “quem fala o que quer, ouve o que não quer”. Se ainda estivesse viva, sem dúvida Maria diria sobre a troca constante dos ministros da saúde e as opções desastrosas do governo durante a pandemia: “Panela em que muitos mexem, fica salgada ou sem sal”.

A maior parte do tempo, vivíamos com muito pouco, para explicar as várias formas de economia e esforços de sobrevivência, minha mãe usava vários ditados. Para justificar o racionamento dos alimentos e o não desperdício, dizia “Quem come e guarda põe mesa duas vezes”.  Explicando as pequenas economias mensais: “De grão em grão a galinha enche o papo”. Quando resistíamos em auxiliar na manutenção da casa bradava: “não sou mãe de pançudo para criar barrigudo”. Quando fazia faxina ou lavava roupas para fora e as patroas não pagavam, costumava dizer: É assim mesmo, “quem trabalha pra pobre, pede esmola pra dois”.

Esses ditados e a sabedoria que transmitem há muito chamam a minha atenção. São ditos curiosos, soam engraçados e por serem muito repetidos pelas pessoas mais velhas em dadas situações, acabam sendo apreendidos, bem como os seus sentidos, pelas gerações mais jovens. Hoje em dia, de quando em quando, em dada situação, um ditado adequado me ocorre. Como agora, com as notícias sobre o escândalo da covaxin, lembrei-me de que afirmavam terem acabado com a corrupção, e diante disso só digo: “Este (meu olho esquerdo) é irmão deste (meu olho direito)”.


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sexta-feira, 25 de junho de 2021

CONHECENDO O JEQUI - Comunidade Sopa

 

Fotos: Milene Gomes

Aqui to eu pra falar de um lugar que tem nome de comida,

Nasceu do garimpo

E tirar as pedras pra dançar

Fe, fatura, e amor é que aqui não pode faltar.

 

Da pontinha do alto Vale que eu vim aqui para conversar

Ela filha de Diamantina

E que tem encantar

Simbora nesse trem que nós vamos viajar.

 

Sopa, nasceu do garimpo por aqui o mês de maio é um dos maios esperados do ano, festejamos Santa Rita com muita fé e devoção, nos tempos do garimpo as coisas eram mais difíceis por aqui, mas um povo que é da terra, que sabe da terra e com ela sabe viver suas dores, sabe também fazer tinta da terra, nos maios as casas se vestiam de pó de tabatinga temperado com água e fubá para que as paredes cintilassem exuberância, o melhor enxoval era guardado para aquele mês, especialmente o dia 22. Os quintais cheiravam lenha acesa com canela compenetrando a essência da quitanda caseira, carros não paravam de chegar e com eles grande barracas e brinquedos e lá no alto da praça a sonoridade de fogos e sinos marcavam a festividade se aproximando, as ruas exalavam um cheiro diferente, misto de amizade com saudade, de café com devoção.

As estradas eram pingadas de areia de cores diversas, colchas na janelas, gentes e rezas, por aqui e acola e nos outros meses se alguém precisar!? Fulano tá de mal olhado? Vá logo se benzer! Três galinhos de arruda e eu tiro pra você. Em nome da trindade Santa uns gestos em cruz e a pessoa tá nova de novo.

 “Ai não to me sentindo bem” o que você sente?

Ta la a resposta na ponta da língua chá de boldo... Chá disso, chá daquilo, tantas folhas, coloca pra ferver e toma...

E o povo gosta de uma lua e uma fogueira, uma noite violeira, folia de reis  sem parar pelas altas madrugadas um grupo sai a cantar.

Isso é só um tiquim da Sopa, que saber um pouco mais??? Venha nos conhecer!

 

Observação do nome:

A narrativa comunitária diz existia dentro dos rios umas panelas arredondadas e dentro delas uma massa argilosa de coloração avermelhada “efervescente” que dava muito diamante ai as pessoas iam conversando e firmou o nome Sopa.

Foto: Gaspar Assis - 2015

Texto:


Milene de Cássia Gomes.

Poeta-professora-artista e amante da arqueologia.

Especialização em ensino de geografia 

Mestranda em ciências humanas

quinta-feira, 24 de junho de 2021

DIÁRIO DE LEITURA - O melhor mês

 

Tirarei férias novamente e voltarei à minha cidade... Conversei com o patrão, combinamos para o mês de Junho. Junho é o melhor mês! Todo mundo vai estar lá... João disse que vai, Maria também confirmou, até os primos de São Paulo disseram que vão.

A saudade dos meus pais é enorme, tantos anos sem vê-los... Levarei a Aninha, a netinha que eles não conhecem. Aninha, tão sapeca, com certeza saiu puxando papai. O Carlos não me deixa quieto, lembra sempre da fogueira... Me pediu para comprar traques, bombinhas e estalos salão. Vou comprar a mais, assim, levarei para os sobrinhos.

Mamãe, já encomendou a goma, até reformou o forno, e falou que está ótimo para o preparo dos assados. A comida de mamãe é divina! Ao fechar os olhos, me lembro perfeitamente da família reunida na cozinha. Após as refeições noturnas, tirávamos os pratos da mesa, e alguém sempre corria para pegar o dominó. De barriga cheia, jogávamos até mais tarde... era uma festa à parte, uma alegria.

No mês de Junho, ainda tem os forrós tradicionais no bar do Seu Tito, durante os fins de semana a comunidade desce em peso. Debaixo das bandeirolas, naquele quintal de terra, arrastamos as chinelas até o dia raiar.

E foi no bar do Seu Tito que conheci a Lídia, essa mulher tão formosa que eu quis logo me casar.

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terça-feira, 22 de junho de 2021

O ASSUNTO É? “Uma mão lava a outra e as duas lavam o rosto”[1]

 

Foto: Jô Pinto -  Café Comunitário encontro de Comunidades quilombolas em Virgem da Lapa 


Até meados do século passado, no interior de Minas Gerais, funcionava um sistema de trocas que fortalecia os laços comunitários e afetivos entre os vizinhos. Lá na fazenda de Almas, situada no Norte de Minas Gerais, onde passei a infância, funcionava assim, quando um vizinho abatia um porco, a carne e os “miúdos”[2] eram divididos entre as casas mais próximas. Cada vizinho recebia uma pequena parte. Lembro-me que a comunicação era na base do grito, isso antes do advento dos telefones móveis. Havia todo um sistema de gritos diferentes para comunicar diversos assuntos, assim as distâncias eram encurtadas, os sons ecoavam nos morros e vales, atravessavam as grotas e eram respondidos da mesma forma. Nós, crianças, éramos prontamente mobilizadas para atravessar as mangas[3] correndo pelas trilhas para buscar ou levar os “agrados”[4] nas casas dos vizinhos.

Tudo que se preparava de diferente em relação aos alimentos do dia a dia era dividido, mingau de milho, pamonha, requeijão de prato, assim como as frutas que não eram comuns a todos os pomares. Entretanto, havia uma regra: a vasilha que levava o “agrado” não podia de forma alguma voltar vazia, tinha que ser devolvida cheia. Em momento de necessidade, uma vizinha socorria a outra, a que era atendida passava então a dever obrigação àquela que a ajudou. Essa dívida simbólica só se compensava com outro favor de mesma importância, algumas não se pagava nunca, era uma dívida eterna que selava um compromisso de auxílio mútuo. Minha mãe dizia sempre: “Para fulana devo obrigação, jamais conseguirei pagar.” Já em relação a outras pessoas destacava: “Para sicrana, não devo nada, nem obrigação.”

Outro bem intercambiado era o trabalho, principalmente no período de preparação da terra para o plantio formavam-se mutirões, vários camaradas[5] se reuniam  e chegavam logo cedo na casa da pessoa para quem iriam trabalhar, esta ficava encarregada de oferecer as refeições, água fresca e café.  O trabalho não era pago em dinheiro. Esse trabalho coletivo era compartilhado entre os roceiros e pequenos sitiantes. 

Tais costumes, pouco a pouco, foram sendo aniquilados pelo “desenvolvimento” capitalista que separou os trabalhadores da terra e os expulsou para as cidades para se transformarem em pobres assalariados, destituídos do controle sobre os produtos de seu próprio trabalho, bem como das alianças comunitárias que os auxiliavam nos momentos de vulnerabilidade.

Nas cidades muitas pessoas oriundas do campo ainda persistiram na tentativa de manterem os costumes rurais, a criação de pequenos animais como galinhas e porcos, plantio de árvores frutíferas e o cultivo de pequenas hortas e roças nos quintais. Porém, pouco a pouco, foram sendo impedidos pelos códigos de postura municipais que proíbem a criação de determinados animais, bem como pela diminuição nos terrenos urbanos causada pela especulação imobiliária. Gradualmente, as novas gerações foram se acostumando com um modo de vida totalmente apartado da terra. Assim como foram afastadas da terra, também desaprenderam os antigos costumes comunitários que foram sendo substituídos pelo individualismo e isolamento característicos da contemporaneidade.

E você: Lembra de algum costume do passado que  hoje já não se observa mais?



[1] Ditado sempre repetido por minha mãe Maria de Jesus para se referir às ajudas mútuas comuns nas comunidades rurais e urbanas.

[2] Vísceras.

[3] Pastos.

[4] Presentes simples.

[5] Era como se designavam os trabalhadores rurais que trabalhavam para receber por dia.


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quinta-feira, 17 de junho de 2021

DIÁRIO DE LEITURA - Entrevista com Hérica Silva


Foto: arquivo pessoal


Você é uma escritora jovem e bastante já bastante consciente de sua literatura. Conte um pouco sobre a mulher Hérica que vem ganhando destaque na literatura regional.

-Primeiramente queria agradecer pelo espaço de fala. Eu sempre guardei a minha escrita, só para mim. Não costumava dividir com ninguém porque acreditava que as pessoas não iriam refletir os meus versos como esperava. Mas então, algumas pessoas passaram a entender, alguém sentiu o toque dos meus versos. Inspirações vieram, mãos amigas me levantaram e resolvi me abrir para o mundo. A Hérica poeta/escritora é a Hérica que conheço desde sempre, de sonhos, de momentos, de luta. A escrita foi um refúgio, um consolo, um meio que encontrei para me manter de pé em meio os desafios que surgiam em minha vida. Com seis anos de idade passei a ter uma rotina frequente em hospitais, com nove anos fui diagnosticada com Acalásia, doença rara, sem cura e com poucas opções de tratamento, foram exames, cirurgias, hospitais e mais hospitais. Eu vi a minha infância passar, as pessoas me olharem com outros olhos. E então fui me isolando, e nesta minha solidão encontrei a escrita como amiga. E com ela fui caminhando rumo a minha libertação. Acredito que a Hérica de hoje, é uma mulher de luta, guerreira, feita de poesia, que espera que seus versos possam tocar outras pessoas.

 

Dede quando você escreve, o que lhe inspira? Quais os seus gêneros de escrita? Você tem publicações?

-Que eu lembro, comecei a escrever com 8 anos, escrevia poesias. A partir dos 10 anos comecei a escrever teatros e com 18 anos comecei a experimentar a poesia slam e contos. Em 2020 decidi escrever algo maior, escrevi um livro de poesias, um livro de autoajuda, ambos não publicados. E escrevi um romance “Cartas para a lua” que publiquei no formato ebook pela Amazon. Escrevi este ano um outro livro de poesias com uma amiga, Marilete, mas também não publicamos. Minha primeira publicação impressa veio com uma coletânea poética, “Retalhos 2” com 3 poemas. E em julho terá o laçamento de uma outra antologia “Vozes da margem, vozes na margem: Narrativa fora de centro” na qual participei com um conto. De maneira geral, escrevo poesias, contos, romances, cronicas, um pouco de tudo, além da escrita acadêmica.

Tudo me inspira, principalmente as coisas simples, os momentos marcantes, que vão desde uma gota de chuva até um futuro distante. O tempo, eu amo falar do tempo, o tempo que se passou, o presente e o tempo que ainda desconheço. Faço da poesia o meu respirar. O contato com a natureza traz leveza a meus versos, gosto muito de escrever para a lua, minha paixão cotidiana.

 

Qual a importância da literatura na sua vida?

-A literatura é tudo. Sabe, ler outras pessoas nos fortalece, não só em termos de gramática, mas sim em pensamento, em atitudes. A literatura é a nossa maior libertação.

 

Hérica, dizem que a leitura é fundamental para a escrita. Você concorda? Você é uma boa leitora? Quais as suas leituras favoritas? Quem são suas referências literárias?

-Sim, claro. Tem épocas que chego a ler três livros por semana, a leitura é sim uma salvação. Eu gosto de ler poesias, romances, desenvolvimento pessoal, autoajuda… na verdade eu gosto de tudo e um pouco mais. Tenho buscado referências na Djamila Ribeiro, Conceição Evaristo, Samanta Silvany, Aline Bei e no Pedro Salomão, e claro em Herena Barcelos.

 

Hoje você cursa a graduação de Engenharia Agrícola e Ambiental no IFNMG/Campus Araçuaí. A vivência no meio acadêmico traz alguma influência na sua literatura?

-Muito mesmo. Primeiro que a engenharia me trouxe muitos amigos que me fizeram enxergar a grandeza da minha escrita e que eu pude arrastar comigo para a poesia. Em 2018, quando iniciei o curso de engenharia passei também a conversar com a psicóloga da instituição, ao ouvir uma das minhas poesias ela começou a querer saber mais sobre mim e minha escrita, e ela mim deu forças, me orientou, me fez ver o sentido dos meus passos, Cris se tornou uma grande amiga, e com ela percebo a dimensão que meus versos podem alcançar. Participei de muitos eventos acadêmicos e com oportunidades de falar sobre a escrita feminina.

 

Você é uma das coordenadoras do Leia Mulheres Araçuaí. Como é o trabalho desse coletivo? Qual a importância dele para a literatura no Vale do Jequitinhonha?

-O Leia Mulheres Araçuaí é um coletivo de leitura, onde todo mês fazemos a leitura de um livro escrito por uma mulher e nos reunimos para fazer uma discussão sobre este livro. Estou na coordenação do Leia junto com minhas amigas Herena, Thaisa e Amanda. Um coletivo que trata exclusivamente sobre a literatura escrita por mulheres é muito importante, para o mundo todo, como forma de valorização desta literatura e quebra do patriarcado, além do mais podemos mostrar a força que nosso Vale tem para lutar. Somos um povo forte, temos uma literatura forte, conhecer e apreciar a leitura de mulheres nos leva a quebrar muitos paradigmas. Eu amo o Leia.

 

Você manifesta relação com a poesia marginal. Como ela se desenvolve no Vale? Qual a sua trajetória nesse campo?

- Comecei a mim interessar pela poesia marginal em 2017, mas ela só ganhou força em mim em 2018. Ao sair do ensino médio e ingressar em uma faculdade federal passei por muitas transformações. Comecei a assistir alguns slams no youtube e então comecei a perceber que aquelas vozes também era a minha voz. Eu sinto todos as injustiças contra o meu povo preto, contra as minhas manas e a poesia da margem é uma forma de gritar, gritar alto que não desistimos, ainda estamos de pé. Antes de opiniões e pensamentos, a poesia marginal é resistência, luta, a gente consegue fugir do real estando no real. A poesia marginal se desenvolve no Vale através das Batalhas de rimas, slams, sarau e também com os vários sons de rap que as manas e manos vem soltando aí, não temos muita visibilidade, mas estamos criando o nosso espaço de resistência, de fala.

 

Quais os seus sonhos, projetos e próximos passos na literatura?

Eu tenho muitos sonhos e muitas paixões. Tenho meu lado com a arte e meu lado com a engenharia, caminho com ambos e me fortaleço em ambos. Meu maior sonho é tocar só mais um com meus versos, ter um livro publicado em edição impressa e receber um autográfo da Conceição Evaristo. Tenho muitos projetos na engenharia, eu sei que quero ajudar muita gente. Em relação a Literatura pretendo deixar as coisas fluirem, mas caminhando com garra e coragem, quero escrever alguns livros e reunir algumas poesias, além disso quero levar meus amigos poetas comigo, tem muito brilho que não pode ficar oculto. Comecei uma pagina coletiva no instagram onde estou trazendo poetas/escritores para mostrarem nossa arte.

 

Alguma coisa a mais que gostaria de nos contar?

Eu agradeço muito pelo convite, uma honra está falando de mim para vocês, me sinto chic já (rsrs). É sempre bom falar de escrita, em especial de poesia. Queria encerrar com um verso meu, que tem muito efeito em minha vida, “Enquanto os meus passos forem meus, os meus versos ecoaram a minha voz”! Abraços...

 

Por fim, diga-nos onde lhe encontrar, redes sociais, e-mail, obras à venda.

Facebook: Hérica Silva

Instagram: @herica_s.o e @poetas.ao.acaso

Email:hericacardosovieira@gmail.com

telefone: 33 999618938

 

 

Agenda

 

Tomando Conhecimento – Sexta-feira, 18 de junho, Herena Barcelos convida Thaisa Martins.


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