quinta-feira, 11 de março de 2021

DIÁRIO DE LEITURA - Lançamento dos livros “Jequitinhonha antologia poética I, II e III”







Em tempos tão difíceis uma boa notícia.

A Loope Editora, do Rio de Janeiro, estará relançando os livros Jequitinhonha Antologia Poética (1982) e Jequitinhonha Antologia Poética II (1985), dos poetas Gonzaga Medeiros, Jansen Chaves, José Machado, Tadeu Martins e Wesley Pioest, e lançando o novo livro “Jequitinhonha Antologia Poética III”.

Os autores Jansen Chaves e José Machado, já falecidos, foram substituídos, no terceiro livro, pelos seus conterrâneos poetas, Joaquim Celso Freire e Cláudio Bento.

Os três livros terão capa e ilustrações da saudosa artista plástica Marina Jardim e o terceiro livro terá prefácio de Thiago Machado, cuja dissertação de Mestrado teve como tema as Antologias Poéticas I e II.

O lançamento dos três livros acontecerá na data em que se comemora os 43 anos do Movimento Cultural do Vale do Jequitinhonha, iniciado com a criação do Jornal Geraes, em 16 de março de 1978.

Participarão da Live: Cláudio Bento, Gonzaga Medeiros, Joaquim Celso Freire, Tadeu Martins, Wesley Pioest, Maria Clara Rêgo (filha de Jansen Chaves), Thiago Machado (sobrinho de José Machado), Davi Botelho (filho de Marina Jardim) e Neilton Lima, diretor da Loope Editora.

Thiago Machado é quem nos diz:

Palmatória quebra dedo

Chicote deixa vergão

Cassetete quebra costela

Mas não quebra opinião

 

(versos de roda de Araçuaí)

 

A poesia escrita no Vale do Jequitinhonha, em especial, no Baixo Jequitinhonha, na década de oitenta, foi feita com muita opinião, como lembram os versos em epígrafe. A escolha para estudá-la não fora mero acaso e envolveu afeições familiares. Em 1994, aos quatorze anos, mudei-me para a cidade de Ouro Branco, região central do Estado, para cursar o ensino médio. Já gostava muito de literatura, mormente, poesia. E tive a oportunidade de conviver com meu tio José Machado de Mattos mais de perto por conta dessa mudança. Certo dia, ao confidenciá-lo que gostava de poesia, ele me disse que precisava ler os poetas do Vale antes mesmo de quaisquer outros escritores. Após dois dias, chegou na casa da minha avó com dois livros. Eram as antologias poéticas publicadas por ele, Tadeu Martins, Jansen Chaves, Gonzaga Medeiros e Wesley Pioest na década de oitenta. As palavras dele ainda ecoam: - “tome, são seus! São meus últimos exemplares! Se quer ler poesia, precisa ler os poetas do Vale!”.

Os livros ainda estão comigo e mudaram a minha vida. Por conta deles e da força do meu primo Felipe Gomes Machado, médico em Belo Horizonte, fiz vestibular e entrei para o curso de Letras/Português da Unimontes, na cidade de Montes Claros. Tinha pouco dinheiro e muita opinião. A mesma opinião que lia nos versos das antologias poéticas, envolvidas por uma mística literária destinada a chamar atenção para um Vale para além de condição de “miséria”. Estudei as duas primeiras antologias no meu TCC. E decidi redigir um projeto de mestrado sobre elas. Por conta da poesia do Vale, tornei-me mestre em Letras/Estudo Literários pela Unimontes estudando, justamente, as obras que recebi de presente na minha adolescência.

Hoje, sinto-me honrado em prefaciar esta terceira antologia poética do Vale do Jequitinhonha. Entretanto, antes de entrar no mérito da terceira obra, apresentarei um breve contexto sobre as duas antologias anteriores, objeto de meu estudo no mestrado. Em linhas gerais, acredito que o pesquisador interessado em desenvolver estudos sobre os movimentos da poesia brasileira contemporânea encontrará várias dificuldades para a realização deste tipo de pesquisa. No meu caso, tornaram-se ainda maiores quando escolhi como corpus as obras Jequitinhonha Antologia Poética e Jequitinhonha Antologia Poética II, publicadas pelos poetas Jansen Chaves, Tadeu Martins, José Machado, Wesley Pioest e Gonzaga Medeiros. As dificuldades derivavam do fato de os estudos sobre o Vale do Jequitinhonha, localizado no nordeste de Minas Gerais, serem bastante fragmentados e privilegiarem, basicamente, a história da região e suas manifestações artísticas e culturais. Há, nesses estudos, certa tendência à análise valorativa, justificada, provavelmente, pelos discursos que sempre relacionam o Vale à miséria. Há ainda grande uniformidade temática que envolve, sobretudo, a oralidade, o artesanato e as endemias. Desse modo, propus oferecer visão crítica diferente sobre o Vale do Jequitinhonha, privilegiando a literatura e, especificamente, a poesia da região.

Os livros Jequitinhonha Antologia Poética e Jequitinhonha Antologia Poética II foram publicados, respectivamente, nos anos de 1982 e 1985. Foram lançados, inicialmente, em Belo Horizonte. O da primeira antologia poética aconteceu na sede do Mobral e o da segunda, na Casa do Jornalista. Ambas contaram com a presença de filhos do Vale, artistas, intelectuais e jornalistas de Belo Horizonte. Houve divulgação nos jornais Estado de Minas, Diário da Tarde, Geraes, Nordeste de Minas, e no BIP do Banco do Brasil e no Boletim da Minascaixa. As obras foram lançadas ainda nas cidades mineiras de Teófilo Otoni, Almenara, Rubim, Jequitinhonha e Diamantina. Para o lançamento da primeira antologia, o poeta Wesley Pioest escreveu uma espécie de texto-convite em que apresentava ao público a poesia e os poetas do Vale:

 

A manhã chega ao Vale do Jequitinhonha, nas asas da poesia. E a terra acorda. E se ouve os primeiros murmúrios, canoas que descem o rio nas palavras dos homens. Dos quatro cantos do Vale, cinco cantos se apresentam. Cinco poetas cantam nas páginas de “Jequitinhonha – Antologia Poética” a cumplicidade que o amor reserva aos arautos do seu tempo. A terra envolvendo os poemas em mantos de sonho. A palavra mantendo seu vínculo ancestral com o destino obscuro das coisas do mundo. Sobretudo, mudá-las. O pacto do poeta. Vindo de Almenara, Gonzaga Medeiros revela a luta anunciada na voz de mãos firmes e largo coração. De São Pedro do Jequitinhonha, José Machado transborda o rio da esperança no escaler do lirismo. Wesley Pioest observa Rubim, debruçado na atmosfera enevoada da memória. De Itaobim, Jansen Chaves e Tadeu Martins desembaraçam um portentoso cordel de aventuras na paisagem interiorana. E, ainda, Olívio Araújo – que se integra à região para denunciar a poesia desses cantores irredutíveis no árduo e generoso ofício de amar sua terra. Entende-se “Jequitinhonha – Antologia Poética” como se do livro emergisse o Vale, naufragado no escuro esquecimento da miséria. Entende-se o canto obstinado dos poetas de uma terra afligida em dores. Como se essas dores fossem um parto: o parto da poesia. Parto de um livro. Parto da resistência digna de homens que vivem a sonhar continuamente seu tempo. Quando, no dia 20 de novembro, às 17:00 horas, o sol procurar abrigo na linha do horizonte, lançaremos “Jequitinhonha – Antologia Poética”, à Av. do Contorno, 4910, Serra, BH. E lá, juntamente com cantadores do Vale do Jequitinhonha e alunos da oficina de Teatro de BH, resistiremos à noite e anunciaremos a manhã vindoura que certamente acordará nos olhos do nosso povo.

 

Este texto-convite é o “grito de alarme” dos poetas do Vale contra o sistema excludente da sociedade capitalista. Além disso, há uma descrição panorâmica das intenções e das particularidades desses poetas. Trata-se de esforço inicial para apresentar as propostas do grupo aos seus interlocutores. Nessa apresentação, o poeta propõe um pacto, pelo uso da palavra poética, de amor à terra natal e de resistência aos discursos dominantes, silenciadores das vozes do Vale do Jequitinhonha.

Esperamos todos vocês nesta live, dia 16, terça-feira, às 19 horas, no link que será divulgado pela Loope Editora.

Texto divulgação Loope Editora

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quarta-feira, 10 de março de 2021

OPINIÃO DO BLOG - Ninguém é dono do corpo de ninguém

 

A grande Mulata III, de Carybé

 


Ao longo da história as mulheres que nem eram contadas na existência, isso a gente vê desde os tempos do antigo testamento, e que foram se empoderando a medida que foram construindo sua identidade. Miriam irmã de Moisés pega o tamborim e anima o povo no deserto, Rute rompe as barreiras para matar a fome da família e Ester usa de sua beleza e sedução para ajudar seu povo.

Para muitos homens, o empoderamento feminino é uma afronta a sua própria história de dominação e submissão pelas quais submeteram as mulheres. Uma onda grande de feminicidio vem aumentando nos registros de milhões de mulheres que cansadas de não serem percebidas como um ser humano capaz, se colocam como sujeitas da sua história, e abrem novos caminhos.

A grande maioria masculina se percebe em todas as estatísticas. Sempre abaixo, as mulheres erguem a voz para serem respeitadas e construírem seu caminhar.

A não tolerância dessas conquistas levam ao espacamento e morte de tantas mulheres que dão a vida para reescreverem suas histórias. Na política, no trabalho e tantos outros espaços são minorias. Salários menores, assédios e desrespeitos são os registros que seguem na história da construção da mulher sujeito da história.

A pergunta que não podemos deixar de fazer é:  quando o homem vai se conscientizar que não é dono da mulher?

E segue o baile com tantos que não admitem o fim dos relacionamentos opressores, de líderes que se acham no direito de humilhar, e em tantos casos que muitas vezes obrigam as mulheres a ficarem caladas por medo ou por necessidade. Avançamos pouco no quesito mulher como ser humano.

As mídias trazem o tempo todo casos de mulheres violentadas pelo fato de serem mulheres. A luta começada em New York, precisa ganhar força não somente no dia 08 de março, mas em todo momento que a mulher gritar por socorro. Não podemos colocar a mulher no lugar que queremos que elas estejam, é preciso respeito e entender que o lugar da mulher é onde ela quiser.

Muitas barreiras precisam ser quebradas e a sociedade precisa se resignificar a presença da mulher que é capaz, que é produtora de ideias e serviços como qualquer pessoa.

Chega de indicar o que vestir, o que usar e onde ir. A liberdade é a consciência de casa um que precisa entender que o corpo da mulher, a escolha da mulher e profissão da mulher é obra da sua própria escolha.

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segunda-feira, 8 de março de 2021

MEMÓRIA CULTURAL - 10 anos do Encontro de Comunicadores do Vale do Jequitinhonha

 


O tempo passa muito rápido, e em um piscar de olhos 10 anos do Encontro de Comunicadores do Vale do Jequitinhonha, fico aqui me recordando go inicio dessa trajetória, eu estava na Diretoria executiva da FECAJE – Federação das Entidades Culturais e Artísticas do Vale do Jequitinhonha, e nós da diretoria queríamos algo diferenciado para juventude que frequentava o FESTIVALE, algo concreto além das oficinas de formação, e eu e Ângela Freire, Diretoria Executiva da FECAJE na época sempre que nos encontrávamos com Maria das Dores Nogueira Pimentel (Marizinha da UFMG) e com o professor Marcio Simeone (UFMG), sempre falávamos desta vontade, e eles sempre nos diziam que estavam a pensar em uma ação para juventude do vale enquanto Polo Jequitinhonha UFMG.

E foi em um encontro de cultura popular, 2011, na cidade de Jequitinhonha no qual sediaria a 29ª edição do FESTIVALE. Que reuniram-se eu, Jô Pinto (Vice - Diretor Executivo FECAJE), Ângela Freire (Diretora Executiva da FECAJE) José Augusto (Diretor Financeiro da FECAJE), Professor Marcio Simeone, (Coordenador do Polo Jequitinhonha UFMG) e Sâmia Bachelane, (estudante de comunicação na UFMG e que época coordenava a assessoria de comunicação no FESTIVALE).

 Nessa reunião, o professor Simeone, nos apresentou o “Encontro de Comunicadores” e a intenção do polo de integração da UFMG no Vale do Jequitinhonha de organizar esse primeiro encontro com as pessoas que fizessem comunicação no mesmo, nasceu ali uma parceria com a FECAJE, que foi de suma importância para realização do primeiro Encontro de Comunicadores do Vale do Jequitinhonha, que aconteceu no Médio Jequitinhonha, na cidade de Itaobim, nos dias 27 e 28 de Janeiro de 2012.  

E assim descrevi como foi aquele primeiro Encontro no E-book Encontros: Comunicação, juventude e cidadania no Vale do Jequitinhonha” organizado pelo Professor Marcio Simeone e Laura Pimenta.

“Tudo novidade! Porém foi perceptível que o encontro era mesmo necessário; os fazedores de comunicação do Vale, reunidos, debatendo políticas de comunicação de direitos, com blogueiros, jornalistas, radialistas e pessoas que produziam comunicação popular. Foi um momento de suma importância, estar juntos pessoas que fazem comunicação individual, começar a pensar coletivamente nessa comunicação que é feita em nossa região.                          

Percebo que o encontro cresceu muito e outros desafios são lançados a respeito de fazer comunicação no Vale, onde um deles é fazer com que os jovens que hoje fazem essa comunicação possa também participar ativamente das discussões políticas e debates dentro do encontro. É preciso repensar nosso papel nesse “fazer comunicação” de fato. Papel esse que nos transforme politicamente em cidadãos mais críticos a respeito do que queremos para a sociedade em que vivemos e qual o papel dessa comunicação nesse processo.”.

Participei deste primeiro encontro levando minha experiência como radialista de uma rádio comunitária, a rádio cultura FM de Itinga e como blogueiro iniciante, tendo em vista que meu Blog pessoal “espaço livre”, tinha apenas um ano de existência.

Participei ativamente das seis primeiras edições, já contribuir na organização, fiz oficinas, fui palestrante em duas edições: 2014 na 3º Edição na cidade de Jequitinhonha e em 2017, 6º Edição na cidade de Cachoeira do Pajeú. Nas três ultimas edições não foi possível participar, mas na 9º edição em Araçuaí participei do concurso de fotografia e matéria jornalística, e este ano curtimos virtualmente.

Ver hoje pessoas no qual eu vi crescer nos movimentos culturais do Vale do Jequitinhonha, principalmente no FESTIVALE, conduzirem o encontro é muito gratificante, e saber que de alguma forma eu contribuir para que este encontro se tornasse uma realidade me deixa muito feliz como cidadão e comunicador social desse pedaço de chão.

Vida longa ao ECVJ!

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quinta-feira, 4 de março de 2021

DIÁRIO DE LEITURA - Faz mal assim não

 

Foto: Internet

A sabedoria popular é pra mim um encanto. É que eu tenho essa coisa de me encantar pelo simples. E desconheço o que seja mais simples do que esse tudo numa coisa só.

– Não, menino, isso faz mal.

Para qualquer isso, um mesmo mal.

Não duvido da sabedoria dos experientes. Imagino que já tenham sentido na pele o ‘mal’ que certas coisas podem fazer. Tenho muito respeito. Só não siga tudo à risca. Não é que eu duvide, é porque eu não tenho muita fé nas coisas. E a fé é o que dá sentido. Coisa de minha geração.

Não tenho muita fé nas coisas, então tendo a desconfiar que, por vezes, quando os pais estão com preguiça de explicar as consequências de qualquer algo que não querem que os filhos façam, resumem tudo num ‘faz mal’. Não duvido da sabedoria dos experientes, mas desconfio que muitas vezes o “faz mal” foi usado de forma ilícita. E o mais interessante é que nessa coisa de geração para geração, rapidinho uma informação, certa ou errada, toma proporções dramáticas. Especialmente quando caem nas mãos de pessoas que têm o drama correndo nas veias. De repente, o mal de deixar um sapato errado – por errado entenda-se: com as correias para baixo – é tão grande, que nós, pobres crianças, ao descobrirmos no fim da brincadeira a chinela virada, deitamos pra dormir esperando a morte.

Esperávamos a morte porque, ao certo, ninguém sabe que ‘mal’ é esse. Não vi, nos meus 27 anos de vida, alguém que discorresse ou mesmo perguntasse sobre o mal. Simplesmente — e eu amo essa palavra — o mal se faz, ou é feito, sabe-se lá. Dispensando explicações.

Quem explicasse o mal eu até vi uma vez, sim. Mas não deu certo. Inventaram que o mal do chinelo virado era a mãe morrer. Mas uns desavisados que esqueciam esse tal chinelo ao avesso, continuavam tendo mãe viva, e por um bom tempo. Concluímos que o mal não era perder a mãe. Pode não ser isso, mas anos depois, as crianças ainda temem o mal do chinelo às avessas, seja ele qual for.

Às avessas não pode a roupa também. Ontem meu irmão, jovem, pouco experiente na vida, recriminou-me por fazê-lo. Eu ri. Ele não. Olhei pra cara dele e era cara de quem censurava. Mesmo. Peguei a roupa e deixei como estava, mas no meu quarto, longe dele. Eu guardo a roupa ao avesso, que é para estragar menos. Mas saí de perto do meu irmão. Diga-se de passagem, não deixo vovó, nem minhas tias avós, se aproximarem do meu guarda-roupa tão provocador. É porque eu não sigo à risca os rituais de zelo pelo ‘não mal’, mas prefiro não cutucar com vara curta a fé de quem acredita.

A fé é algo incrível, do verbo difícil de crer, mesmo. Outro dia, em casa, sozinha, tomei três copos de manga com leite - cremoso que só. Poderia ter passado mal, inclusive pela gula do excesso. Não passei. Isso torna ainda mais confuso o fato de, certa feita, uma mordida de manga e um gole de leite ter me deixado tão indisposta, que precisei ser até benzida. O mal quase que me pegou. E olha que eu já estava perdendo a fé nas coisas, mas era a casa de vovó e ela sabe que manga com leite faz mal.

E se eu tomar na frente dela faz. Porque o que me impressiona na fé é que ela ultrapassa a barreira do próprio. Minha fé não vale só pra mim. Seria, até psicologicamente, compreensível que minha avó, acreditando nos malefícios da combinação leite-manga, ao ingeri-la, sofresse as consequências da transgressão. Mas o mal que ela acredita, pega em mim, que acredito tão pouco. É um mistério.

É mistério também pensar que mal é esse que vai de leite com fruta à higiene e fisiologia. Sim, porque também não se pode lavar a cabeça no período menstrual. O que pensar?

Pensando em todas as coisas que fazem mal, e estou falando só das que eu já ouvi, não consigo imaginar um mal que possa ser compatível com todos. Não encontro a intercessão. Mas que há de haver, isso há. Bem sabem os avós e os pequeninos, que são as pessoas que têm muito mais fé nas coisas.

Quando era pequenina, entre as coisas que me sufocavam antes de dormir, estava saber que males eram esses, e quantos eu havia atiçado durante o dia. Sim, porque, com certeza, entre as coisas que eu havia feito, embora não soubesse, muitas deviam causar mal. Ficava numa angústia terrível.

E era angustiante também não saber das graduações do mal. Claro é que o chinelo virado faz mal, mas uma vez fiquei com um aperto no peito porque encontrei meu chinelo na parede, de lado, na vertical, entre o ideal e o transviado. E aí, estava eu correndo perigo? Qual seria o limiar da retidão? A essa altura eu já sabia que o mal não era perder a mãe, mas... não era recomendável desafiar. Não notei mal algum. Não tendo sofrido nada muito além do corriqueiro, ensinei a todos os meus amigos que o chinelo só meio-virado não era tão perigoso.

De perigo das coisas, as crianças também não entendem, porque para elas a vida é urgente e cabe no espaço entre acordar e dormir. Só depois de uns dias, quando tomei coragem de contar, visto que julgava o perigo extinto, é que vovó me explicou que nem sempre o mal chega no mesmo dia. Se chinelo meio-virado faz mal no futuro, na minha turma ninguém ia saber.

Não sabemos ainda de outros graus de perigo. Lavar a cabeça menstruada faz mal, fato. Mas e se apenas molhar? E se só respingar? O mal está na água ou no shampoo? Tenho pra mim, que cada vó tem a resposta que lhe convêm. Mas é que hoje tenho pouca fé nas coisas.

Sem fé, eu corri, e venho correndo, grandes riscos como jogar sal em sapo, varrer casa na sexta-feira da paixão, beber leite com manga, ou abacaxi, ou limão, guardar ou vestir roupas às avessas, deixar chinelos virados, lavar a cabeça quando menstruada, tomar banho depois do almoço, dormir com os pés virados pra cabeceira da cama, abrir guarda-chuva dentro de casa.

Tenho em mim uma certa tendência à transgressão. No fundo não sei se perdi a fé, ou se acredito tanto que fico atiçando no intento de descobrir que mal é esse.

O mal não sei qual é, mas sei de uma coisa: passei a infância sendo cuidada para ele não me atingir. E gosto que, mesmo sendo uma menina crescida e boba, sem fé nas coisas, vovó ainda teima carinhosamente em me alertar das coisas perigosas da vida, como pular janela de casa de fora pra dentro. A singeleza da fé é mesmo maravilhosa.

E maravilhoso mesmo é ter sido tão amada. Que ninguém conte à vovó o que vou dizer, mas às vezes eu agradeço o mal potencial de nossas ações. É que ele leva ao cuidado. Eu juro, esse insondável faz mal, inda hoje me faz um bem e tanto.

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quarta-feira, 3 de março de 2021

OPINIÃO DO BLOG - Quando a política humaniza.

 

Foto: Internet

Nos últimos tempos temos acompanhado a construção de um ser humano transformado e diferenciando. O outro é só o outro. O que importa mesmo é o ter. 

E, tudo fica tão individual que o bem comum deixa de ser. Os valores deixaram de ser virtudes e se tornaram quantias e a política palco de demagogias e corrupções. Desviam dinheiro de tudo e, calados permanecemos porque não vai "adiantar" muita coisa. Desviam da educação porque não acreditam mais educar ser valor, deviam da saúde porque morrer é um a menos.

E inventamos jeitinhos de jogar dinheiro fora ou nos bolsos de alguns. Trazem o conteúdo da política nas fofocas de esquinas ou nos bancos dos botecos. O povo, este é só um boneco levado e enganado.

Desestruturamos a lei com os fake news e os colocamos como verdades. Perderam o rumo da humanização e a política tornou-se um pequeno grupo que manda e desmanda sem saber o quê. Atrasamos a humanidade sem perspectivas de um mundo melhor.

E continuamos validando um sistema injusto e excludente. Nos formamos na fofoca e deixamos tudo como está porque não tem mais jeito. O tempo de mudar está em nós, como a possibilidade de vida está no ovo.

A força transformadora vem de dentro. Tempo de olhar com confiança, que é o bem comum que exalta o ser e transforma o mundo.

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segunda-feira, 1 de março de 2021

MEMÓRIA CULTURAL - Quadro Negro

foto: Internet

Meu pai era lavrador e pedreiro e minha mãe professora leiga e ajudante de serviços gerais, os dois tem uma trajetória parecida em relação à educação.

Meu pai quando terminou a quarta série (hoje 5º ano) e fez o teste de arguição para a 5º serie, tirou notas totais em todas as matérias, porém meu avô não permitiu que ele estudasse, tendo em vista que ele teria que estudar em Araçuaí e ele alegou não ter condições, mas um professor vendo o potencial de meu pai insistiu, mas meu avô foi irredutível não permitiu.

O mesmo aconteceu com minha mãe, quando ela terminou o 4º série (hoje 5º ano) sua professora lhe convidou para continuar os estudos em Teófilo Otoni, mas meu avô não permitiu disse ele: “se ela estudar vai querer humilhar as irmãs dela que não tem estudo”.  

Esses fatos serviram de estimulo e eles cresceram acreditando que os filhos deles iriam estudar e ter uma formação, no qual eles foram privados.

Eu e minhas irmãs tínhamos mania de ficar escrevendo nas paredes de casa com carvão, então meu pai teve uma ideia para que as paredes ficassem limpas e para que nós tivéssemos um cantinho de estudo, ele fez um quadro negro em nossa sala e a transformou em uma sala de aula, e ali minha irmã mais velha nos ensinava a lição e exercia seu sonho de ser professora um dia. Depois outras crianças começaram a chegar e nossa sala virou mesmo uma escolinha e isso perdurou por muitos anos.  

Essa persistência de meus pais pela educação deu certo, seus cinco filhos cresceram acreditando que a educação é o melhor caminho para se seguir, hoje somos quatro professores de formação, sendo uma professora de Matemática (Rede estadual educação de Minas Gerais e rede municipal de educação de Itinga), outra Professora e Assistente Social (Trabalha como Assistente Social), outra Professora e Assistente Social (Trabalha como professora alfabetizadora da rede estadual de educação de Minas Gerais e professora particular de reforço) eu, professor com formação em História e iniciando o mestrado em Ciências Humanas neste semestre na UFVJM (Trabalho como Historiador/pesquisador, produtor e gestor cultural) e a caçula da família é Psicóloga.

O quadro negro feito por meu pai, quando éramos ainda crianças, com certeza é uma boa lembrança e uma memória de quando minha casa era literalmente uma sala de aula e o quanto aquele espaço foi importante não só para minha formação e de minhas irmãs, mas para formação de outras crianças de nossa rua.

Hoje uma de minhas irmãs transformou nossa garagem em sala de aula de reforço. O quadro negro antes feito de cimento no qual se usava o giz para escrever, hoje é um quadro branco, no qual se escreve com um pincel atômico, o quadro pode ter mudado, mas a força da EDUCAÇÃO como mola propulsora de transformação social continua a mesma.




Em memória de meus pais: Maria Pereira dos Santos Pinto e João Antenor Ferreira Pinto, meus maiores exemplos do que é ser um PROFESSOR.

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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

CONHECENDO O JEQUI – Filho de Itinga comanda chacina no Espírito Santo em 1897

 

Santa Teresa - ES - Foto: Internet sem data da foto ou autoria

Jagunçada de Barracão: chacina em Santa Teresa completa  em 2021 completará 124 anos, também conhecida como "Revolta do Calhau", o fato histórico transformou a pequena cidade em cenário de derramamento de sangue.

E o comandante desta chacina foi o filho de Itinga, no médio Vale do Jequitinhonha, nas Minas Gerais, José Rodrigues dos Santos, conhecido como “ Zé Calhau”, ele chegou no Espírito Santo por volta de 1892 a 1893 e fixou residência  em Santa Julia, onde é hoje São Joaquim do Canãa.

Em 01 de novembro 1897, movido pelo Racismo, vingança e intolerância, ele comanda a chacina, no interior de Santa Teresa, região Serrana do Espírito Santo. A chacina, que ficou conhecida como “Jagunçada de Barracão” , Após promover a Chacina de Barracão, Zé Calhau se tornou um dos criminosos mais procurados do Espírito Santo, vindo a ser morto em 1899 em Santa Joana, hoje Município de Itaguaçu, durante uma diligência comandada pela subdelegado Apolinário José de Oliveira.

Essa pesquisa histórica é do professor e Historiador Francisco Roldi Guariz, da cidade de Santa Teresa/ES.

Para entenderem a história e as motivações da chacina leiam a  matéria abaixo publicada originalmente  em 2017 no site:

https://www.gazetaonline.com.br/especiais/capixapedia/2017/11/jaguncada-de-barracao-chacina-em-santa-teresa-completa-120-anos-1014105917.htm

Assistam também ao documentário produzido pela TV Aribiri e pelo professor Roldi Guariz.

Link do documentário:  https://www.youtube.com/watch?v=ZcGLskSHU9c

 


A HISTÓRIA DA CHACINA

 

O cenário do derramamento de sangue foi o distrito de São João de Petrópolis, popularmente conhecido na época como Barracão de Petrópolis. Além de mortes, durante o período da jagunçada, foram registradas agressões, saques e incêndios a prédios públicos e residências.

A cidade de Santa Teresa havia sido fundada alguns anos antes, em 1875, por imigrantes do Norte da Itália. De acordo com o professor de História Francisco Roldi Guariz, a motivação da jagunçada seria a vingança pelo assassinato de um brasileiro, de Minas Gerais, chamado João Rodrigues, por um italiano.

“A jagunçada, a meu ver, resultou de choques étnicos e culturais entre os dois grupos: os italianos e os brasileiros. A intolerância, a desconfiança recíproca e o racismo latente na sociedade, transmitido aos colonos, foram os fatores responsáveis pela eclosão do massacre ocorrido há 120 anos. Em meados de outubro, o mineiro João Rodrigues foi assassinado em Barracão por um italiano identificado pelo nome de ‘Biazzo’. Os amigos do morto apontaram o culpado ao subdelegado José Luiz Vivaldi, também imigrante italiano”.

Após analisar o caso, o capitão Vivaldi inocentou o acusado de assassinato, revoltando os companheiros da vítima. Inconformados, e capitaneados por um mineiro chamado José Rodrigues dos Santos, o “Zé Calhau”, um bando de cerca de 30 pessoas declarou vingança contra os italianos.

Motivados pela raiva, na madrugada entre os dias dois e três de novembro de 1897, foram assassinadas 11 pessoas e incendiados prédios públicos e residências.

Após a jagunçada, de acordo com o historiador Francisco Roldi, “Zé Calhau” se tornou um dos criminosos mais procurados do Espírito Santo. “Ele morreu em 1899, durante uma diligência policial realizada em Santa Joanna, no atual município de Itaguaçu, pelo subdelegado Apolinário José d’Oliveira. Houve uma troca de tiros e, na contenda, Calhau foi morto”, finalizou.

 

AS VÍTIMAS

De acordo com o professor, os bandidos mataram José Benetti e feriram João Frecchiami e Isidoro Antônio da Silva. Além de Benetti, também executaram José Perini, João Vilascchi, sogro de Pagani, e João Batista Vivaldi, pai do capitão José Luiz Vivaldi.

Ainda em Barracão, a sogra do professor Antônio Tironi foi atingida no braço direito durante um tiroteio realizado contra sua residência, sendo a única mulher ferida pelo bando. As demais vítimas eram brasileiras, todas naturais de Minas: João Paulo da Silva, casado com Maria Luchinni, Cassiano Germano da Motta, Elias de Souza Pimenta e um tal de João, vulgo “Não pode”, empregado da família Galimberti. Entre os bandidos, houve três baixas.

“Estas foram as principais vítimas, mas não as únicas, pois outras casas foram saqueadas. Além disso, o cartório de Barracão foi incendiado, de modo que os documentos anteriores à jagunçada foram destruídos”, afirma o professor.

O capitão Vivaldi foi espancado e apunhalado pelos criminosos. Um deles, acreditando que o capitão estava morto, decidiu decepar uma orelha dele. Vivaldi, no entanto, desviou do golpe.

Diante da reação inesperada do capitão, o matador apontou uma arma em direção ao seu rosto e atirou. Em seguida, os bandidos se retiraram. Porém, o capitão sobreviveu ao disparo, que mascou sem que o atirador percebesse. “Vivaldi, então, foi retirado às pressas do sobrado, e levado para uma gruta. Apesar dos vários ferimentos sofridos, viveu ainda durante muitos anos, vindo a morrer em 1941, aos 80 anos”, afirma o professor de História.

 

OS DESCENDENTES DO CONFLITO

O professor Francisco Roldi Guariz entrevistou alguns descendentes do conflito para sua pesquisa acadêmica. Para Maria Auxiliadora Vivaldi Tononi, 73 anos, bisneta do capitão Vivaldi, e Francisco Paulo da Silva, 79 anos, falecido em 2012, neto do mineiro João Paulo da Silva, o racismo foi o principal fator responsável pela eclosão da jagunçada.

O lavrador aposentado Ayres Perini, 78 anos, neto do sapateiro italiano José Perini, disse ao professor: “Vovô foi morto pelos bandidos em sua residência, em Barracão. Na época, meu pai (Victorio Perini) era um bebê com apenas seis meses de vida”.

Sua avó, Virgínia Bordin, casou-se novamente em 1905 com Lourenço Galetti, que também havia ficado viúvo. Ayres contou a Francisco que Lourenço quase se transformou numa das vítimas dos jagunços: “O nono Lourenço estava na fazenda do Pagani no dia do ataque. Ele só conseguiu escapar dos bandidos porque se escondeu debaixo de umas cangalhas, algumas delas foram reviradas pelos jagunços. E completou: “O nono teve sorte”.

 

 

Estamos tentando obter mais informações sobre o “ Zé Calhau”, para conhecer melhor sua história, caso você tenha ouvido falar sobre ele, faça contato: jospinto25@yahoo.com.br  ou deixe mensagem aqui no blog.


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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

DIÁRIO DE LEITURA - Palavra e voz: a mulher na produção literária

 

 A leitora ", óleo sobre tela de Auguste Renoir, 1875



                                           

E não desejo que as mulheres tenham poder sobre os homens, e sim sobre elas mesmas.

Mary Wollstonecraft

 

Escrevo quando e porque sou mulher. Agora porque posso, hoje porque preciso. A literatura de autoria feminina é um assunto que me buscou. Não sei se ler e escrever sobre o feminismo me fez notar com mais clareza os machismos nossos de cada dia. Inclusive os meus. Mas sei, sem dúvida, que me torna uma mulher nova, mais minha, mais toda, mais conjunta, mais d’outra.

É preciso compreender o processo histórico que trouxe a mulher até aqui. A produção literária está atrelada ao complexo caminho de ser mulher num mundo de patriarcado, num cenário em que, há nem tantos anos assim, as mulheres sequer tinham o direito de ler. As mulheres foram silenciadas e diminuídas por anos, e isso não seria diferente num espaço que se baseia em se expressar.

Em toda a história, a exclusão das mulheres sempre foi amplamente semeada, tanto nos direitos básicos que lhes eram negados, como ao voto e escolha de matrimônio, quanto na questão da alfabetização e do estudo, restringindo-as apenas à vida familiar. Em relação à escrita, a atividade possuía apenas fins de etiqueta, sendo incentivada somente entre mulheres da elite. Revela-se, então, o desnivelamento entre a literatura escrita por mulheres e a escrita por homens — enquanto estes majoritariamente conseguiam escrever e publicar suas obras, a elas isso era negado e, muitas vezes, até proibido. Com isso, o isolamento sistemático das suas obras do cânone literário é regra, apenas com raras exceções. (Capelli et al, 2018, p. __)

Estar à frente do Movimento dos Poetas e Escritores do Vale do Jequitinhonha trouxe situações que me alertaram a problematizar o universo literário: a pouca representatividade das mulheres nos encontros e nas obras de nosso acervo. Só depois de conhecer um pouco da história é possível perceber porque não temos numerosas referências femininas na literatura nacional, porque nenhuma mulher foi homenageada na Noite Literária do FESTIVALE.

Constância Duarte (2003) mostra que grande causa do desconhecimento e do preconceito com o feminismo passa pelo fato de que ele seja pouco contado. Mas eu não estaria agora escrevendo esse texto, não fosse por aquelas que antes de mim lutaram por direitos nossos. Buscar conhecer é uma opção que nos aparta da limitação de pensamento, do achismo e do preconceito.

Felizmente o caminho percorrido permite que hoje as mulheres já possam falar de si, e não mais como o ‘não homem’, mas como um ser, humano, próprio, com suas angústias, lutas e alegrias. A realidade da mulher começa a mudar na medida em que elas procuram voz, ao reivindicar direitos à educação, à cidadania, à livre expressão.  A literatura é um desses espaços em que a luta se faz possível e presente.

 

REFERÊNCIAS

 

Capelli, Anna; BARREIROS, Isabela; OKIDA, Laura; BALDOCCHI, Marina Baldocchi. Onde estão as Clarices? mulheres na literatura brasileira. Faculdade Cásper Líbero. Jul /2018.

DUARTE, Constância Lima. Feminismo e literatura no Brasil. Estud. av.,  São Paulo,  v. 17, n. 49, p. 151-172,  Dec.  2003 .  

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Agenda

O projeto Leia Mulheres de Araçuaí esse mês discute a obra Éramos Felizes, de Eliane Rocha, uma itinguense que discute questões ligadas à felicidade, ao amor e à superação de nossas perdas. Dia 2 de março, às 19h, via google meet.

Baixe o livro aqui: https://www.blogdeherena.com/copia-a-morte-nossa-de-cada-dia

Interessados em participar podem enviar mensagem para herenabarcelos@gmail.com


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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

OPINIÃO DO BLOG - Esta faltando amor

 


Está faltando amor no mundo. A dimensão de cada ser em construção da sua existência, aprende que o amor é a medida de todas as coisas. A vida segue, as pessoas crescem e o amor desaparece. A frieza, o egoísmo e o desejo em ser "melhores" nos impedem de amar.

A sociedade imediatista não concebe um ser por amor, porque as famílias se desestruturam e perdeu a dimensão do amar. E as relações que deviam brotar do amor, vem de outros sentimentos nocivos, capazes de danificar a estrutura construída pelos atos de amor. Tudo que somos a base é amar é como se o amor fosse parte do DNA do ser.

Quando precisamos olhar para as pessoas com o coração, desperta em nós o amor Ágape, amor que nos faz sentir a dor do outro, nos faz entrar na necessidade do outro. A caridade, tão escassa das nossas vivências.

O amor filia, a dimensão que alimenta os relacionamentos e constrói em nós o sentido de família, de uma dimensão incalculável, que quando esse amor não cabe na família derrama para outras situações e  chamamos de amigos.

E o Eros, amor que promove a busca do desejo do outro como propósito de um relacionamento de escolha para perpetuar a espécie humana. Se o amor, não direcionar o ser para cada estrutura, se perde em si mesmo e transformar sua vida numa vida de solidão, egoísmo e individualismo.

Todos os dias, somos chamados a experimentar este sentimento que nos acalma, nos alimenta e nos humaniza. O diálogo é o grande instrumento do amor capaz de quebrar barreiras e estimular vivências.

A arte é o grande sinal de que o amor precisa reviver no mundo inundado de desamor e nos faz retomar o caminho da existência humana, o paraíso que precisamos. Reconstruir é o chamado do mundo. O amor é instrumento da paz.

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CONTOS E CRÔNICAS DO JEQUI - A lenda da Acayaca

   A lenda da Acayaca se baseia nos arredores do Arraial do Tejuco, onde atualmente, se estabelece o centro histórico da cidade de Diamantin...