terça-feira, 12 de julho de 2022

O ASSUNTO É ? - Oxum e Narciso no espelho

 

Imagem internet

Certo dia ouvi a história que se segue: " Oxum a deusa de pele negra reluzente estava triste. Apesar de ser a deusa da beleza, que se veste de amarelo, que atraí homens e deuses com sua graça, seu mel, com suas pulseiras douradas e sua dança dos véus, ela não se sentia vista. A casa de Oxum estava sempre cheia de pessoas que comiam, bebiam e festejavam, porém ela não era reconhecida. Então procurou Exu, o deus da comunicação e confidenciou a ele seu estado de espírito, Exu perguntou: Oxum, onde estão seus abebés? Oxum respondeu: Eu dei os meus abebês. Exu retorquiu: Essa é a causa de sua tristeza, você não mais consegue se ver. Volte, recupere seus abebés e se mire, se enxergue tal como é. Então Oxum buscou seus espelhos e se olhou, ela se viu, reconheceu seu valor e sua alegria voltou". Essa história me calou fundo, pensei o quanto nós mulheres negras somos levadas a não nos enxergarmos, interiorizamos o desamor a que somos submetidas durante toda nossa existência. Grande parte das chefes de família brasileiras são mulheres negras e mães solo, que sofrem com a ausência de políticas públicas e com o racismo estrutural que encarcera seus companheiros e filhos. Carregando a família e o mundo nas costas, muitas vezes as mulheres negras são vistas como nervosas, irritadas, raivosas, esse estereótipo aparece no cinema e nas novelas e já foi apontado por teóricas negras como Audre Lorde e bell Hooks, dentre outras. Sofremos a solidão desde a infância, principalmente as nossas irmãs de pele mais escura, muito nos é exigido e pouco nos é dado. O resultado desse processo é o adoecimento físico e mental. A história da relação entre Oxum e os espelhos me remeteu ao mito ocidental de Narciso. Porém, diferente de Oxum que se ocupou tanto dos outros que esqueceu de si, Narciso se encanta tanto consigo que perde os vínculos sociais e sucumbe. Tal mito deu origem ao termo narcisismo, fascínio consigo mesmo, em detrimento dos outros. É o que os homens brancos vêm fazendo séculos, especialmente a partir do surgimento do Capitalismo, a despeito do bem da humanidade, do meio ambiente e da vida em comum na terra. Penso que uma comparação entre a relação de Oxum e de Narciso com os espelhos é uma boa forma de pensarmos as relações raciais e de gênero, bem como, os impactos destas sobre a continuidade de existência humana na terra. Axé!

*Abebés: espelhos que Oxum traz nas mãos.

Essa história foi divulgada no perfil do babalorixá Sidnei Nogueira


Por




segunda-feira, 11 de julho de 2022

MEMÓRIA CULTURAL - Chiquinho da Farinha

 

Foto: Ângela Freire


Quem estiver em Araçuaí e for à feira, no sábado, procure por Chiquinho da Farinha. O lugar dele é sempre na área externa, nas imediações próximo ao estabelecimento  “Casa das Carnes”.

Rapaz de quarenta e seis anos,Osvaldo Teixeira Lopes Filho, mais conhecido por “Chiquinho da Farinha. Ele tem um sorriso encantador, de homem acanhado e muito trabalhador. Sua família paterna era da Comunidade de Calhauzinho.
O pai casou-se com Luzia da comunidade de Soledade. O casal veio  da zona   rural para a cidade em 1973. Foram morar no Bairro Esplanada, em situação de aluguel. Eles tiveram  sete filhos, sendo que os dois mais velhos, já falecidos; ficando Chiquinho com quatro irmãs.

Seus pais muito unidos, trabalhavam incansavelmente para dar conta do sustento da família, pois uma das meninas, nascera com síndrome de Down, exigindo mais cuidados e atenção.

Seu pai, era um homem de conceitos rígidos, trabalhava em lavoura e em  serviço braçal: abrindo cava para construção de casas, servente de pedreiro, abrindo fossa de banheiro, até que começou adoecer. Encontrou uma alternativa de ser feirante aos sábados, saia com a esposa, levava milho, feijão, farinha e goma para vender. Com todo esse esforço conseguiram alcançar o sonho da casa própria, no próprio bairro, na Rua São Pedro.

O pai começou a levar seu filho Chiquinho para a feira, a partir dos dez anos de idade. Ele ajudava carregar mercadoria e ficava ali, assessorando, com o tempo, o pai começou a apresentar mais  problemas de saúde  principalmente na coluna e outras queixas, tendo de se ausentar da feira, mas sua mãe lhe ajudava. Porém foi criando gosto pela atividade e aprendendo a lidar com a freguesia e fornecedores, passando a ir sozinho à feira.

Com o falecimento de sua mãe, de AVC, em 2004 e  seu pai em 2006, com sessenta e oito anos, de Enfizema Pulmonar, porque fumava muito, desde muito novo. O filho continuou o ofício optando por comercializar apenas farinha e goma.

Ele comercializa dois tipos de farinha, sendo farinha grossa adquirida do povoado de Alfredo Graça e farinha fina da Comunidade de Córrego do Narciso. Ele compra em média por duzentos e cinquenta reais o alqueire, que possui cinquenta pratos (medida utilizada) e vende por sete reais, o prato. Enquanto a goma, adquire da cidade de Taioberas.

Chiquinho revela com certa tristeza que em breve terá de parar de vender goma, porque as pessoas estão preferindo comprar do supermercado, julgam ser mais barato.

Assim como seu pai, segue sua atividade como complemento de renda, pois exerce atividade de limpador de quintal e jardineiro, porém devido aos esforços repetitivos, tem apresentado fortes dores na coluna. Atualmente prefere   trabalho apenas de jardinagem e ora com suas duas irmãs mais novas.

A feira é um local de muitos negócios, fluxo de muita gente circulando em seus múltiplos interesses, seja para vender, comprar, passear e apreciar. Mas cada um traz suas memórias que assim como Chiquinho, seguem complementando sua renda, sustentando suas famílias e mantendo a tradição.

Parabéns a Chiquinho, pelo seu trabalho, honradez e simplicidade!

Por



 

 

 

quinta-feira, 7 de julho de 2022

DIÁRIO DE LEITURA - Escritor Wander Conceição, lança importante obra literária para Diamantina e para o Vale


No dia 02 de Julho desse corrente ano o Pesquisador, Poeta e Escritor Wander Conceição, natural da cidade de Diamantina, lançou uma importante obra literária de titulo “Desafinado, das Cinzas da Acayaca á Bossa Nova”. Uma obra de pesquisa histórica e musical, um legado para cidade de Diamantina e para o Vale do Jequitinhonha.

 

Assim descreveu a Poeta Beth Guedes sobre o Livro

Leitores, poetas, artistas! Lançamento do livro: Desafinado! Uma obra de pesquisa histórica e musical e ainda sob os primeiros acordes da Bossa Nova nascidos num banheiro em Diamantina, por João Gilberto, que enriquece o acervo cultural de Diamantina!

Noite de Autógrafos: Entre falas, testemunhos, emoções, lágrimas, risos, o escritor Wander Conceição representa toda uma geração de poetas, escritores, músicos, artistas, que lutamos muito para o reconhecimento e valorização da nossa arte, porque os artistas vivem de sonhos!

Cada livro publicado, música gravada, fotografia, tela pintada, estandarte há uma trajetória de muita luta, sacrifícios, mas a conquista do pódio no enriquecimento para a cultura compensa os percalços da caminhada!

Wander Conceição, poetas, escritores, músicos, artistas temos histórias de luta, superação, engajamento nos movimentos culturais desde a década de 80 em Diamantina e hoje colhemos merecidamente os frutos, afinal somos todos acervos artístico-culturais de nossas e futuras gerações.

Os artistas se eternizam em suas obras!


Por



 


terça-feira, 5 de julho de 2022

O ASSUNTO É? - O pacto da branquitude: Dica de leitura

 


Sempre que pensamos a questão étnico-racial, o foco é nas pessoas não brancas e nas formas de opressão que sofrem ao longo do tempo. Entretanto, convém perceber que, se determinados grupos são racializados em negativo, e logo, prejudicados, significa que há os que são  racializados em positivo e beneficiados  no decorrer da história.  Tive acesso a essa mudança no ângulo de análise das questões raciais a partir de livros que problematizam a branquitude, que expõem sua construção, que a desnaturalizam como norma hegemônica. Nos últimos anos temos ouvido de lideranças negras, que a questão do racismo não pode ser considerada um problema dos negros e indígenas, e sim dos brancos, afinal, foram eles que inventaram o racismo e o mantém em funcionamento. Portanto, é necessário que os brancos que se pretendem antirracistas primeiramente reconheçam que desfrutam de privilégios em relação ao demais grupos racializados. Maria Aparecida Bento é uma importante referência na compreensão da branquitude e do pacto  não verbalizado que os brancos estabelecem entre si com prejuízo dos demais grupos étnicos. A autora é doutora em Psicologia e há anos se dedica à pesquisa sobre o racismo em empresas e organizações. Em 1991 ajudou a fundar o Centro de Estudos das relações de trabalho e desigualdades (Ceert) instituição que atua no sentido de promover a diversidade no interior de grandes empresas e corporações. No livro “O pacto da branquitude”   Cida Bento analisa como, ao longo do tempo, os brancos construíram estratégias para manter suas vantagens em relação aos negros, ao mesmo tempo em que silenciaram sobre as ações anti-humanitárias cometidas pelos seus antepassados, cujos frutos de privilégios são colhidos ainda hoje.  Ao longo da pesquisa a autora percebeu que os negros e negras são rejeitados no mercado de trabalho em benefício dos brancos, há acordos tácitos entre os brancos em priorizar indivíduos do mesmo grupo racial na hora da contratação,  progressão na carreira ou acesso a cargos e salários elevados. A justificativa mais usada é a da meritocracia. Bento traz vários exemplos ao longo da história que exemplificam como esse pacto têm funcionado no Brasil, dentre eles: A lei de terras que favoreceu o acesso à terra aos brancos em 1850, impossibilitando sua aquisição aos negros no momento em que o tráfico negreiro foi proibido, a lei de imigração que priorizada  europeus brancos.  Me lembrei do código penal de 1890 que criminalizava o candomblé, a Capoeira  como estratégias para encarcerar a população negra na Primeira república. Atualmente, temos outras estratégias para a manutenção dos privilégios dos brancos em detrimentos dos demais grupos racializados.  Isso mesmo, o racismo se readapta a cada contexto e se faz eficaz na manutenção da desigualdade. O livro “O pacto da branquitude” é uma importante contribuição para abalar as bases do racismo estrutural. Boa leitura!


Por




segunda-feira, 4 de julho de 2022

MEMÓRIA CULTURAL - A Pharmácia

                                                                  

 

Imagem da Internet

A história da farmácia no Brasil iniciou-se no século XVI. Apesar de sabermos que os indígenas possuíam um conhecimento muito grande da natureza.

Os primeiros Jesuítas trouxeram cirurgiões barbeiros, profissional de saúde que cuidava da higiene e da saúde da tripulação. Este cirurgião barbeiro carregava sua botica, que era uma maleta contendo medicamentos e insumos de saúde, e, assim comercializavam e acessavam ao medicamento de forma rudimentar.

 Na expedição de Tomé de Souza,  trouxeram  o primeiro boticário chamado Diogo de Castro,   autorizado pela coroa portuguesa para cuidar das pessoas na viagem. E o Padre José de Anchieta,fez diversos relatos por meio de cartas quanto a importância dos boticas, para cuidar dos doentes.

Assim outros  comerciantes também vendiam suas boticas em barbearias, sapatarias, dentro das áreas comercias. Qualquer pessoa podia vender medicamento, sem nenhum conhecimento técnico da época.

Em 1730 a profissão de boticários foi regulamentado em Coimbra - Portugal. As pessoas iam e vinham para trabalhar no Brasil. E o local chamado botica,  passou a ser relacionado a estabelecimento. Aproximando da farmácia que  conhecemos nos dias de hoje. Mais tarde vieram as fiscalizações e exigências quanto ao acondicionamento e preparo  dos medicamentos.

Em 1.809 fundou-se a primeira  faculdade de Medicina no Rio de Janeiro  e nesta havia uma cadeira para o curso de farmácia. Portanto, o aluno desta faculdade  tinha duas opções: ser médico ou farmacêutico, isso durou até 1.839. Porque nesta data  fundou-se a primeira escola independente de Farmácia, da América Latina, em Ouro Preto, que atualmente conhecemos como UFOP. Ainda existe o curso até os dias atuais, porém ocupando em outro local. Pois o antigo lugar foi destinado ao museu de farmácia.

Araçuaí, em 1950 tinha três farmácias, de Almicar da Cunha Melo, de Ary Gonzaga Jaime e de Narciso Colares. No livro “Araçuai, ano 1950”(2004) , o autor Lindolfo Ernesto Paixão diz:

“Só uma parte da população  podia a elas recorrer. Outra parte só depois de esgotar as tentativas com benzedeiras, simpatias e promessas. A terceira parte continuava esperando a luz divina.”(página 65/66)

Em 2022 a cidade além de superar o triplo do número de farmácia daquela época, podemos contar com curso de farmácia a distância e a crença na ação divina e dos ensinamentos dos mais velhos ainda perdura com força e muita fé.

Por




segunda-feira, 6 de junho de 2022

MEMÓRIA CULTURAL - Conectar Coletivos

 

Foto: Soll Santos

            A pandemia da COVID-19 interrompeu muitas possibilidades e projetos pessoais e coletivos, principalmente para o movimento cultural do Vale do Jequitinhonha.

O  setor cultural  foi  um dos primeiros a fechar suas atividades, e dos últimos a serem autorizados ao retorno presencial. Entre perdas, isolamento e incertezas  dois coletivos decidiram  persistir num  encontro.

Diz o ditado popular: “palavra dada,palavra empenhada”, O Coral do Nossa Senhora do Rosário  e o MC Eduardo DW , embrenharam na única  possibilidade disponível nesta pandemia, o uso da internet.

Enfrentando os desafios e turbulências com a utilização da tecnologia, mas com as conexões compatíveis ao coração destes artistas., foram se conhecendo gradativamente, acertando idéias, construindo versos, trocando poesias  e  alimentando-se pelas veias do rap e da cultura do Vale do Jequitinhonha.

            O Coral do Rosário produziu em 1998 o seu primeiro CD, nomeado de “Queremos navegar” e agora chegando em sua trajetória de aproximadamente 37 anos de existência, celebra  com  força inesgotável de navegantes da cultura, depararam no porto do rap, através do MC Eduardo DW, um agitador cultural em Belo Horizonte, poeta do Coleti voz Sarau de Periferia, Slam Clube da Luta e MC da banda de Rap Projeto ManObra e do grupo A Corte.

            Estas aproximações de mundos e resistência cultural da cultura negra, convergiu para o projeto “O Circuito o RAP é o Encontro”. Proposta visando a  criação  de um  circuito para potencializar a pesquisa e a exposição artística, trabalhando com coletivos distintos, a fim de ampliar a circulação da música e poesia mineira , além  da cadeia produtiva de arte e cultura brasileira. Encontraram na música lugares de congruência em vários diálogos marcantes que fez desnudar a presença feminina, com sua irreverência, revelada  nestes versos:

Do fundo da feira                                  

...

Desci a ladeira,

Fui lá no mercado

Perguntar  para Eduardo

Não sou mulher de recado

_Que coisa é essa de versos falados?

 Nesses arranjos de circuito e encontros despontaram com forte ressoar da vida cotidiana, a poesia falada e de autoria feminina, que na fronteira do Brasil profundo é escancarada:

Quando alembro as feições do rapaz,

que morava na beira da lagoa

eu  namorei  sutil...

 

            Neste ano de 2022, celebramos no Brasil, o centenário  da Semana de Arte Moderna,  no Vale do Jequitinhonha esta fase do modernismo  pode ser reverenciada pela criação dos movimentos culturais, com destaque para o FESTIVALE, nos anos  de 1980, que ainda resiste às duras penas.

            A atitude desta conexão entre coletivos de resistência, parece despontar de algo mais intenso e real da contemporaneidade quanto a   valorização  da diversidade cultural e a intensidade de força  para a luta de resistências e existências da cultura negra, neste país.


Por



 

 

 

 

 

.
 


quarta-feira, 1 de junho de 2022

GIRO PELO VALE - Morre Maurício Cavalho e deixa de luto a Cultura do Vale do Jequitinhonha

 



Mauricio Carvalho , nasceu em Araçuaí/MG, filho de seu Antonio Claudio e de Dona Nadeje Aparecida e irmão de Regina, Marcelo, Marcio e Claudinho.

Militante político e cultural ajudou a fortalecer a democracia, a cultura e a poesia do Vale do Jequitinhonha.

Em 1983, lançou o livro “ Caminheiro entre a Realidade e a Utopia” , um livro que assim descreveu o prefaciador Tadeu Martins:

O poeta amigo Mauricio Carvalho, que traz no coração o Vale e seu povo, faz ecoar nesse seu primeiro passo literário, CAMINHEIRO, o grito que não é só seu, mas de todo o Jequitinhonha-"... E esse grito / que vem de bocas/das gargantas/negras, brancas / mestiças, brasileiras / se espalha logo/tremula uma bandeira / e o grito unissono se faz ouvir: Liberdade... Liberdade..."

O Vale e seus poetas, todos engajados na mesma luta, fazendo do verso uma faca afiada para cortar pela raiz a floresta da exploração, abrindo picadas para a passagem de uma nova sociedade, mais humana, mais justa, mais livre, "... mesmo escutando no vento / que vem pelos lados do Araguaia / os gemidos dos guerrilheiros/ na imensa dor da derrota / ainda resta o brilho no olhar de um lutador..."

Maurício encarna o Vale ao cantar seus valores - Libra "... sob essa pele mestiça / guarda um forte coração". Rio Araçuaí("... Quantos incautos/nas suas águas se afogaram?..." ou cantado o povo e suas lutas-"... olha lá o canoeiro / remando sua vida pequena / contra uma correnteza de enorme e opressoras mãos..."

Esse menino, alma sensível de poeta, também nos mostra o espírito de luta do nosso povo -"... mesmo soluçante / resta-me a voz para manter-me no ofício de cantador..."

Paro aqui, caros leitores, deixando o companheiro Mauricio lhes conduzir nesse saudável mergulho nas águas da poesia do nosso Jequitinhonha querido.

Em 1992, junto com outros poetas ajudou a implementar a Noite Literária dentro da programação do Festivale, e esta primeira noite literária aconteceu na cidade de Bocaiuva.

Fez parte do Grupo de Poetas de Araçuaí  “ Poetar 13”, em 2014, na cidade de Araçuaí no 31º Festivale e na 18ª Noite literária “ Poetar 13,  Mauricio e os demais integrantes do grupo foram homenageados.

Hoje o menino Mauricio, encantou, fez sua passagem espiritual deixando uma saudade, mas deixa também um legado de amor e de justiça social, ao povo do Vale, a cultura e de modo especial a poesia.

Araçuaí e o Vale do Jequitinhonha esta de luto pelo seu filho que viveu intensamente essa vida.

Para mim é a perca de um amigo, que sempre encontrava nas estradas em andanças pelas festividades culturais de nosso querido vale...

Vá na luz meu amigo.

 

Caminheiro, entre a realidade e a utopia

Mauricio Carvalho

 

O tempo corre

e tenho que ganhar

tenho que caminhar,

a estrada, menina,

buscar novos horizontes,

novas terras, sertões sem fim.


Nada tenho a oferecer-lhe,

sou andante do caminho

entre a realidade e a utopia,

sou mensageiro da paz

mas, semeio guerra

 se assim for preciso,

incoerentemente, se assim for.

 

Meus pés

não têm raízes

mas estão fincados

assim mesmo no chão,

por isso

nada posso lhe oferecer

porque,

sem rumo, sem prumo

ando nesse mundo sertão


Por



 

 

 


segunda-feira, 25 de abril de 2022

MEMÓRIA CULTURAL - Moringa

 

Moringa em Argila ( Vale do Jequitinhonha) -Imagem: Internet

           Para quem conhece Araçuaí, sabe como o clima é quente, principalmente nos finais de tarde, então tomar sorvete é sempre uma opção para refrescar e,  colocar a prosa em dia com os amigos.

            Aqui tem uma sorveteria, que faz jus ao nome do sorvete “Amigo”. Mas o que chamou minha atenção nesse dia foi à gentileza da moça que me atendeu.

            Sabe-se que ao ingerir qualquer alimento doce, o açúcar é digerido no estômago e logo depois vai para a corrente sanguínea. Quando as partículas chegam no sangue, começam a circular por todo o corpo,  neste processo , passa a ser menos  líquida e as partículas de açúcar do sangue que circula pelo corpo, faz  que a água saia de suas células e vá para a corrente sanguínea. Então o Hipotálamo que fica situado na base do cérebro, percebe a concentração de açúcar,  cria uma espécie de alerta para  consumirmos  mais água, por isso a sensação de sede.

            Neste instante do sentir sede, chegou a minha mesa, a  moça segurando uma bandeja contendo uma moringa de barro, decorada  por motivos florais, cheia de água  e um copo.  Isso foi de uma gentileza! Então entendi o lema da empresa: Transformar dificuldades em oportunidades.

            Porque este tipo de moringa é de origem indígena, sua existência remonta a milhares de anos e diferentes culturas e no Vale do Jequitinhonha é produzida por mulheres artesãs. Aprenderam o ofício com suas matriarcas  e  mantêm a técnica até os dias atuais. Atualmente o uso das moringas vai além do transporte de água e adorno decorativo, porque produz diferentes sentidos e sentimentos como: gentileza, ternura, cuidado, trabalho, vida, família  e cultura de um povo. Viva nossas mulheres artesãs!  


Por



.

 


terça-feira, 12 de abril de 2022

O ASSUNTO É? - Cinema e ensino de história: Narradores de Javé

 



A utilização do cinema em sala de aula pode proporcionar ricas discussões e aprendizado. Hoje quero falar um pouco sobre o filme Narradores de Javé e suas possibilidades de utilização em sala de aula. Narradores de Javé foi lançado em 2003 e fala sobre uma pequena comunidade que está prestes a ser coberta pelas águas para a construção de uma hidrelétrica. Para tentar impedir, o líder da comunidade descobre que, caso a comunidade seja considerada de importância histórica, poderá ser poupada. Decidem então escrever a história de Javé, porém, é uma comunidade de iletrados. Procuram um dos moradores, o célebre Antonio Biá, o único que sabe ler e escrever e que tem uma dívida moral com a comunidade. O filme foi dirigido por Eliane Café, apesar de tratar de um tema sensível, o fim de uma vila, provoca boas risadas a partir da construção e interação das personagens. Nas aulas de história pode ser utilizado para pensar sobre fontes históricas, suas características, possibilidades de produção e análise, história oral, memória, as disputas em torno da memória, a história vista de baixo, os silêncios da história, dentre outros temas caros à disciplina. Bem, fica a dica! Abraços e até a próxima. 


Por



quinta-feira, 7 de abril de 2022

DIÁRIO DE LEITURA - Lei Aldir Blanc fomenta literatura no Vale do Jequitinhonha

 



A LEI Nº 14.017, de 29 de Junho de 2020, também conhecida como  Lei Aldir Blanc  foi uma lei  que dispôs  sobre ações emergenciais destinadas ao setor cultural a serem adotadas durante o estado de calamidade pública, causada pela pandemia mundial em decorrência da COVID-19.

A lei leva o nome de Aldir Blanc, que foi uma das vitimas da COVID -19, ele faleceu no Rio de Janeiro no dia 04  de maio de 2020).

Aldir Blanc Mendes nasceu no Rio de Janeiro, em 02 de setembro de 1946. Ele foi um letristacompositorcronista e médico brasileiro. Abandonou a profissão de médico para tornar-se compositor, sendo considerado um dos grandes letristas da música brasileira.  Em 50 anos de atividade como letrista e compositor, foi autor de mais de 600 canções.

Os recursos da Lei emergencial Aldir Blanc, foram distribuídos pelo Governo Federal aos estados e municípios para fomentar um dos setores mais prejudicados pela COVID-19, que foi justamente o setor de cultura, onde atingiu milhares de profissionais desta área.

O Estado de Minas Gerais lançou diversos editais para contemplar todas as áreas culturais, bem como redistribuiu os recursos também aos municípios para que estes criassem seus próprios editais conforme demanda local.

E nesse sentido vários setores culturais foram beneficiados, e um destes foi na área literária, no qual ajudou a fomentar a literatura do Vale do Jequitinhonha, que vive um momento de expansão.

A nível estadual foi premiado com publicação do HQ ( História em Quadrinhos) “ A turma da Feliciana – Desbravando o Vale do Jequitinhonha” o escritor, poeta e Ilustrador José Claudionor, mas conhecido como Jô Pinto, da cidade de Itinga.

O município de Itinga contemplou duas obras literárias, o livro “ Minha História Real -  História de um brasileiro” de seu Juarez Ferreira. E o livro  “ Terra Molhada” do Coletivo VOHEJAR.

O município de Almenara, contemplou vários escritores na antologia “ Farol da Letras – Almenara em Prosa e Verso ”

O município de Pedra Azul também contemplou vários escritores no livro coletivo “ Pedra Azul em Prosa e Verso”.

Publicar livros no Brasil é um grande desafio para qualquer escritor, mas para os iniciantes ou aqueles que ainda não tem vinculo com as grandes editoras, esse desafio é ainda maior. Por isso iniciativas como essas, ajudam a divulgar o trabalho de escritores, diagramadores e editoras alternativas.

A lei emergencial Aldir Blanc para a literatura do Vale do Jequitinhonha, chegou em um momento crucial, tendo em vista que o fazer literário dessa região vive um momento muito bonito de expansão e valorizam daqueles que matem viva a literatura regional desse sertão das Minas Gerais.

Se outros autores do Vale do Jequitinhonha foram contemplados com publicações através da Lei Aldir Blanc, coloquem-nos comentários.

Por



 


terça-feira, 5 de abril de 2022

O ASSUNTO É? - Dica de leitura

 

Imagem Internet


Hoje trago para vocês breves impressões sobre “Niketche: Uma história de poligamia” de Paulina Chiziane, publicado pela Companhia das letras em 2021. Um romance poético e cantante como os rios de Moçambique, desliza suavemente pelos nossos sentidos enquanto o lemos. Inspira poesia, apesar de narrar o sofrimento de Rami, uma mulher já no Outono da vida, negligenciada pelo marido, Toni. Rami seca como uma flor ao vento, enquanto seu marido age como um inconstante beija-flor, de flor em flor vai passeando, deixando para traz os frutos do seu amor fugaz: Mulheres de todas as cores, tamanhos e amores. Todas têm em comum o desejo de ser amada pelo polígamo. No livro, Chiziane problematiza o conflito cultural entre a cultura tradicional da Poligamia e sua substituição pela monogamia fictícia dos colonizadores. A protagonista recupera as formas tradicionais de relacionamento e problematiza a primazia masculina na cultura de Norte a Sul do país. Paulina Chiziane nasceu em Manjacaze, Moçambique em 1955, recebeu importantes prêmios de literatura como o prêmio José Craveirinha de Literatura em 2003 e o prêmio Camões em 2021. Sua obra é marcada pelo protagonismo da mulher negra e pela retomada das raízes culturais do seu país. Vale a pena conhecer “Niketche: Uma história de poligamia” e outras  obras dessa importante autora contemporânea.


Por




segunda-feira, 4 de abril de 2022

MEMÓRIA CULTURAL - A excelência do pano de prato

 



            O pano de prato é muito útil na cozinha, que além de enxugar peças e utensílios também servem para decorar nossa cozinha.

             No séc. XIII surgiram os touailles (pedaços de pano suspensos na parede) utilizados pelas pessoas quando sentissem necessidade e, fora isso , para cobrir restos de comidas.  

            Mas não foi possível encontrar uma data específica, sabe-se por intermédio de um livro de anotações de Leonardo da Vinci, tenha sido ele, o idealizador do pano de prato. Imagina que além de pintor, inventor também era um ótimo cozinheiro e até teve um restaurante na Itália com Alessando Boticelli, também pintor. 

            Aqui no Vale do Jequitinhonha, antigamente, a menina logo cedo tinha de aprender a bordar manualmente seu enxoval que, variava de roupa de cama,banho e de mesa, cuja  lista estava incluso os panos de pratos.

            Com o passar do tempo além de bordar, descobriu-se novas técnicas como as pinturas com motivos florais e frutas. Depois vieram outras técnicas  que  só agregaram beleza  e arte as peças.

            Atualmente a arte de bordar, costurar ou desenvolver trabalhos manuais não é apenas atribuição da mulher. Graças às evoluções dos tempos, podemos apreciar muitas peças tecidas, recortadas, costuradas, bordadas e idealizadas por homens e mulheres de gosto requintados.

            Independentemente de classe social, o pano de prato confeccionado por quem quer que seja, ocupa seu lugar nos ambientes; basta ter uma cozinha, ele se faz presente.

 

REFERÊNCIA

http://joarteemaniadearte.blogspot.com/2013/10/como-surgiu-o-pano-de-prato-guardanapo.html ACESSO EM 28 DE MARÇO DE 2022


Por




DIÁRIO DE LEITURA - Entrevista com Fabio Amaral Montes- escritor Almenara

  Entre a poesia e o voo dos pássaros: Fábio Amaral Monte e a arte de transformar Almenara em literatura Poeta, compositor, quadrinista, f...