quinta-feira, 1 de novembro de 2018

GIRO PELO VALE - A mestra artesã Zefa deixa cultura do vale em luto


E com pesar que recebemos a noticia que essa grande mulher, nordestina, guerreira e uma artista impar fez a sua passagem espiritual, escolheu o vale para ser seu lar, nos deixou sua arte imortalizada para essa e futuras gerações, a nós do vale só nos resta dizer muito obrigado por tudo, que nossa Senhora do Rosário a conduza ao braços do pai.
Cabeças, bichos, barulho do toque da madeira, formão na mão, inspiração, hoje a madeira não virará arte, carregará a artista, que em planos maiores outras esculturas escupirá, fazendo da eternidade uma bela e grandiosa galeria de arte com a marca de uma grande mulher
Jô Pinto
Histórico
Nascida no interior de Sergipe, na cidade de Poço Verde, no ano de 1925, Josefa Alves Reis, filha de João Alves dos Reis e Josefa Batista dos Reis, foi criada no sertão da Bahia, driblando a seca. Durante uma delas acabou indo para Araçuaí, em 1962, onde começou a talhar a sua história. Em Araçuaí, junto com Francisca, sua cunhada e grande amiga, que trabalhava como doméstica, Josefa foi buscando seu caminho e rompendo na vida
A Zefa artesã não veio de repente, passou cerca de dez anos de sua caminhada buscando encontrar sua verdadeira vocação que é o artesanato. Começou com pinturas e obras em barro, na verdade, uma mistura de barro úmido, farinha de trigo e cinza. Até sua matéria prima era original.
Abandonou o barro, após três breves e criativos anos, por acreditar que trabalhar com material estava prejudicando sua saúde.
Escolheu então a madeira e esculpiu com traços firmes e originais a sua obra.
Zefa se tornou mestra, conhecendo e sabendo como poucos explorar em suas peças as características naturais das madeiras da região. Emburana, cabiúna, vinhático, cedro, aroeira, braúna preta, jataipeba e outras. O que a natureza rica do Vale fornecia, ela transformava em arte.
Ela conta que hoje possui peças com colecionadores e amigos na Alemanha, França, Itália, Áustria, Holanda e nos Estados Unidos. Mesmo sendo uma das mais premiadas e importantes artistas do Vale do Jequitinhonha, vive de maneira simples e humilde. Nunca se preocupou em acumular posses. Sempre que vendia um de seus trabalhos, preferia comprar um bom pedaço de carne e fazer uma festa com seus vizinhos e amigos.
Desde a morte de Francisca, sete anos atrás, Mestra Zefa quase não trabalha mais a madeira com formão, facão e machado. Mas ainda orienta seus discípulos e recebe bem os visitantes, dividindo suas longas histórias e sabedorias acumuladas ao longo de uma vida.
*Adaptado do texto de João Teixeira Júnior






Fonte:www.ufmg.br/proex/cpinfo/saberesplurais/artista/mestra-zefa/



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quarta-feira, 15 de agosto de 2018

OPINIÃO DO BLOG - NEABI - Uma porta de dialogo entre os povos tradicionais e o campus IFNMG de Araçuaí


     
Fotos: Lori Figueiró
A história nos mostra que a educação em nosso país, sempre foi elitista e preconceituosa, as minorias tiveram pouco ou nenhum espaço dentro das instituições de ensino federais ou estaduais. Esse reflexo se deve principalmente pela exclusão de negros e indígenas, que não tiveram  oportunidade  no Brasil Imperial  ou período Republicano, permanecendo séculos de separação  e com  seu direito ao estudo, negado.
Precisamos de mecanismos políticos para estar presentes nestas instituições, a política pública de inclusão dessas minorias,  no ensino superior, não são boas ações de  políticos, mas, uma reparação histórica que o estado tem com esse povo.
Quando negros e indígenas se adentram nestas instituições de ensino,  se sentem peixes fora da água, pois estas não foram feitas para receber este público, e, os profissionais em sua maioria  vem de uma formação em que,  a instituição pública é um patrimônio da elite, o qual não torna favorável a esta minoria que consegue alcançar o ensino superior, nem contribui para que estes se sintam no espaço,  que é também seu, por direito.
A resistência e persistência deste povo é bem maior, mesmo com todas as adversidades, cada vez mais estão ocupando todos os espaços de ensino e transformando de tal forma, que já é possível sonha-lo com a  cara do povo brasileiro -  “ Plural e Diverso ”  tanto no corpo discente como no docente.
No Vale do Jequitinhonha, as Instituições públicas federais que chegaram neste decênio, renovaram as esperanças de poder ter um curso superior na região,  sem  precisar  esta longe da família  para ter um estudo de qualidade, porém, estas instituições de ensino também vieram carregadas de seus preconceitos e, o povo negro e indígena que conseguiram acessar tal direito,  sentem na pele, a diferença de tratamento, pois , sentem que  estão em um espaço que não foi feito para eles, mas mesmo assim ocupam, resistem  e  mostram com a sua cor,   crenças,  cultura e muita  luta.
Neste decorrer de luta incessante, conseguiu-se alguns fios de esperanças brotando, portas se abrindo aos poucos, como os NEABIS- Núcleo de Estudos e Pesquisas Afro-brasileiros e Indígenas.  Especialmente o NEABI –  Núcleo de Estudos e Pesquisas Afro-brasileiros e Indígenas do campus do IFNMG – Araçuaí, nascido da base com discussões e propostas coletivas de estudo e formação.
Aconteceu nos dias 10,11 e 12 de agosto, com participação dos povos tradicionais indígenas, quilombolas e outras pessoas envolvidas em movimentos culturais e sociais , estiveram presentes no 1º Ciclo de Formação do nosso NEABI,  na Aldeia Cinta Vermelha Jundiba, na cidade de Araçuaí, MG, que proporcionou momento de encontro, troca de experiência, formação e convivência.
Conscientes que  há um árduo caminho a seguir, passos longos a trilhar, mas, este primeiro encontro, foi capaz de revitalizar os pensamentos de luta, por direitos e a defesa por educação pública, de qualidade e de igualdade.   
  Trouxe ainda a todas as pessoas participantes deste uma sensação de bem estar, por saber que é possível pensar num mundo, numa sociedade e uma educação diferente, de igualdade e respeito as pessoas e a sua cultura.





“Nenhum ser humano é uma ilha... por isso não perguntem por quem os sinos dobram. Eles dobram por cada um, por cada uma, por toda a humanidade. Se grandes são as trevas que se abatem sobre nossos espíritos, maiores ainda são as nossas ânsias por luz. (...) As tragédias dão-nos a dimensão da inumanidade de que somos capazes. Mas também deixam vir à tona o verdadeiramente humano que habita em nós, para além das diferenças de raça, de ideologia e de religião. E esse humano em nós faz com que juntos choremos, juntos nos enxuguemos as lágrimas, juntos oremos, juntos busquemos a justiça, juntos construamos a paz e juntos renunciemos à vingança.“

Leonardo Boff


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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

MEMÓRIA CULTURAL -Imagens Sacras de Berilo restauradas

Foto:  pagina facebook Alê

             Há dois anos atrás a Paróquia Nossa Senhora da Conceição da cidade de Berilo solicitou a FAOP – Fundação de Artes de Ouro Preto a intervenção  para o restauro das Imagens de Nossa Senhora da Conceição, Santa Efigênia e Santo Antonio. O Conselho Municipal de Patrimônio Cultural deliberou e aprovou o restauro das mesmas, a prefeitura contratou um especialista em restauro de imagens barrocas e na FAOP foi feita toda restauração das imagens.
             As imagens são datadas do século XVIII, sendo que a imagem de Nossa Senhora da Conceição chegou em 1729, data em que foi criada a Paróquia no Arraial de Água Suja, hoje Berilo, já as Imagens de Santa Efigênia e Santo Antonio, pertenciam a antiga Igreja de Nossa Senhora do Rosário, demolida na década de 1980
               Varias são as imagens sacras no vale do Jequitinhonha que precisam de restauro, poucas são as políticas publicas para a preservação destes bens que ajudam a contar nossa História, a iniciativa de Berilo com todas as parcerias é louvável, porem o município ainda tem mais de 18 imagens sacras esperando a oportunidade e recursos para serem preservadas as gerações futuras.
             Acredito que é necessário se pensar uma política especifica  para a preservação do Patrimônio material no Brasil, temos a consciência que a política de ICMS Cultural adotada em Minas Gerais, proporcionou alguns resultados, mas ainda são poucos diante das demandas históricas do estado, principalmente no Vale do Jequitinhonha.
          Que a população de Berilo e de todos que admiram a história possam visitar e conhecer um pouco mais das histórias dessas imagens: Nossa Senhora da Conceição, Santa Efigenia e Santo Antonio, agora restauradas e preservadas para serem admiradas por todos nós.

Foi um dia de muita emoção pra mim. Ir até Ouro preto para receber as Imagens sacras que foram restauradas pela FAOP. Nossa Senhora da Conceição na minha infância fui consagrado a ela em um momento muito delicado. Santo Antonio,o qual minha comunidade tem forte devoção. E Santa Efigenia. Sou congadeiro e veja sua figura como um marco da historia negra.

Alê do Rosário
Congadeiro e Diretor do Departamento Municipal de Cultura de Berilo

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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

GIRO PELO VALE - Comunidades quilombolas do Vale do Jequitinhonha, tem sua primeira remanescente a ingressar no Mestrado em Antropologia Social da UFMG em Belo Horizonte

Foto: Arquivo Pessoal de Raquel


        Quantas vezes ouvimos a frase: “sonhar não é poder", e, muitas vezes desistimos de sonhar porque muitos não acreditam que você realmente pode, e dependendo de sua etnia e da posição social que você se encontra este direito de sonhar é cortado a todo momento, mas essa realidade vem mudando, nosso povo está empoderando-se, no reconhecimento fisicamente e intelectualmente, e assim as portas vão se abrindo pela persistência do “estudar”, o estudo é o caminho que nos leva a realizar sonhos.
         E agora uma dessas sonhadoras acaba de mostrar para todos nós que pode e deve ter sonhos cada vez mais altos. Raquel de Souza Pereira tem 23 anos, filha de agricultores familiares, nascida na comunidade quilombola de Morrinhos, localizada no município de Berilo, sempre foi uma menina engajada nas ações de luta pelos direitos de seu povo, seja na luta contra o avanço da monocultura do eucalipto, na luta por igualdade de gênero, na luta pela garantia dos direitos das comunidades quilombolas. Dedicada, sempre estudou em escola pública e teve nos livros a inspiração dos sonhos possíveis.
     Graduou-se no Curso Superior de Tecnologia em Gestão Ambiental pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Norte de Minas Gerais – IFNMG /campus Araçuaí.
    Participou num período de 06 meses do processo seletivo no Programa de Pós - Graduação em Antropologia Social  (PPGan) da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas - FAFICH, na Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. No qual foi selecionada com uma excelente nota, tornando-se a primeira descendente de quilombolas do Vale do Jequitinhonha a ingressar no Programa de Antropologia da UFMG, uma área de suma importância para as comunidades de remanescência quilombola, tendo em vista que são os profissionais da área antropológica que fazem os estudos para titularização coletiva dos territórios quilombolas, e há poucos profissionais com este perfil o que dificulta este trabalho.
      Sonhar é sim possível, basta acreditarmos em nós mesmos, não há limites para os sonhos, que outros e outras Raqueis continuem a sonhar, todos nós temos os mesmos direitos, o direito de ocuparmos as Universidades Federais, seja em graduação, mestrado ou doutorado, que Raquel sirva de inspiração a todos os nossos jovens que mantém vivo dentro de si o direito de “sonhar alto”, por que sonhar é sim poder!

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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

GIRO PELO VALE - Minas Novas em Luto: Morre o Historiador Álvaro Freire

O vale do Jequitinhonha e Minas Novas está em luto,  fez a sua passagem espiritual, Álvaro Pinheiro Freire, talentoso músico e exímio historiador das tradições culturais de Minas Novas e do Vale do Jequitinhonha. Vai se o homem, fica sua História. 

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

GIRO PELO VALE - Cultura de Itinga e do Vale em luto

 Faleceu ontem e foi sepultado hoje, o Mestre da Folia de Reis de " São Sebastião" do Distrito de Taquaral de Minas, na cidade de Itinga, " Seu Leolino Esteves, conhecido como seu Lió,  fez sua passagem terrestre aos 78 anos. Alem de Mestre da Folia de Reis, foi um grande ativista politico, participou de movimento políticos importantes para a consolidação da politica democrática  de Itinga, foi outrora um dos fundadores do PT - Partido dos Trabalhadores de Itinga. foi ativista da CEB - comunidades Eclesias de base e ajudou a fortalecer a sua comunidade e outras comunidades do município. em 2006 participou ativamente do resgate cultural das Folias de Reis de Itinga no qual teve a frente a FAOP - Fundação de Artes de Ouro Preto. Simbolicamente teve o reconhecimento de Mestre da Folia de Reis " de São Sebastião" . A Folia de Reis era uma de suas paixões.

Que Santos Reis o conduza aos braças do pai.

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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

GIRO PELO VALE - Cultura do Vale em Luto


E com imenso pesar que comunicamos o falecimento de um dos Integrantes do Grupo Consciência Negra Fé e Resgate da cidade de Jenipapo de Minas, Nilo Soares Cardoso, conhecido mais por "Senhor Nilo". ele tinha 65 anos. Para o grupo uma perca irreparável tendo em vista que este era um dos pilares do grupo, para a família fará falta o exemplo do homem simples e honrado, para a cultura do Vale, de Minas e do Brasil uma lacuna enorme, mas um baluarte dos que defendiam a cultura popular que agora irá fazer cantoria no céu.

Que nossa Senhora do Rosário e Pai Joaquim o conduza aos braços do pai.

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domingo, 27 de agosto de 2017

GIRO PELO VALE: 2º Festival Cultural de Itaporé

Dias 02 e 03 de setembro, tem o 2º Festival Cultural de Itaporé, com shows, noite literária, mostra de oficinas , artesanato, Cultura popular e  rua de lazer,

terça-feira, 15 de agosto de 2017

GIRO PELO VALE - 7ª Mostra Cultural de Jenipapo de Minas

Vocês não podem perder a tradicional mostra cultural de Jenipapo de Minas/MG, o evento ja faz parte do calendário cultural da cidade e  do vale do Jequitinhonha, terá Shows, Mostra de Cultura Popular, Mostra de Oficinas e Noite Literária. 

quarta-feira, 21 de junho de 2017

GIRO PELO VALE - Festa de São Pedro em Felisburgo/MG

A cidade de Felisburgo no vale do Jequitinhonha em Minas Gerais, realiza nos dia 30 de Junho e 1º de Julho, um dos maiores arraiá da região , a Festa de São Pedro, com Casamento da roça, Concurso de quadrilha, comidas tipicas e muito show de forró.



quarta-feira, 14 de junho de 2017

MEMÓRIA CULTURAL: Chapada do Norte, uma cidade Quilombo


Foto Internet
Chapada do Norte situada no Alto-médio Vale do Jequitinhonha,nordeste de Minas, tem em sua história a marca do  colonizador o bandeirante paulista , Sebastião Leme do Prado , devido a descoberta e exploração de ouro à margem do rio Capivari, por volta de 1728, mas quando começa a decadência das lavras de Minas Novas, por volta do ano 1743, faltou víveres para a alimentação dos habitantes da região,e a escassez de comida atingiu com mais intensidade os escravos que, além da falta de alimentação recebia maus tratos e castigos dos capitães do mato. Por esse motivo, grande parte deles fugiram, formando Quilombos nos lugares denominados Macuco, Bandeirinha e Bandeira Grande. A perseguição a esses escravos foi constante, então eles se afugentaram para as bandas do rio Capivari, num local assentado na ponta de um espigão bem próximo ao rio.
Ali encontraram grande quantidade de ouro e a partir dai fundaram a primitiva povoação de Santa Cruz da Chapada, foi ela extinta e posteriormente restaurada em 1850.
Subordinada a capitania da Bahia, administrativamente e militarmente desde 1729, passa mais tarde a integrar o território de Minas Gerais, devido aos problemas gerados pelas extrações diamantíferas. Com a ocupação da terra pelos escravos, o povoado cresceu rapidamente e ainda hoje a maioria de seus habitantes são negros.
A explanação histórica deste município, serve para  mostrar que os quilombos surgiram como forma de resistência contra a escravidão, e a escolha por lugares de topos, colinas e matas fechadas, era a forma estratégica para  dificultar o acesso dos homens que saiam  pela captura dos negros .
Aprofundando quanto o significado da palavras  “quilombo”, esta deriva dos povos  de língua bantu, provenientes  de Angola e do Congo, mas existiam também  outros  como os Lundas, Ovibundu,, Mbundu, Imgbala,Kongo e muitos que ainda desconhecemos.
Esses povos viviam em  comunidades, num tipo de organização coletivista, governados por chefes de linhagens ou seja entre famílias e por um rei , geralmente o guerreiro desta linhagem, sendo comuns  as lutas para saber quem era o mais forte, sabe-se que havia dois grupos de guerreiros na África: Os Jagas ou imbangalas de Angola e  os Lundas do Congo  e justamente  das técnicas destas lutas os negros se serviram para a organização dos quilombos no Brasil.
Tratar o tema de quilombos atualmente há infindáveis caminhos que estamos aprendendo a recontar, pois o domínio e opressão prevalece até os tempos atuais e em suas múltiplas facetas, mas  justamente a prática coletivista em que aprenderam com seus ancestrais ainda permanecem, e, assim nasce  do anseio de apresentar e contar a história omitida e deturpada do negro no Brasil.
A COQUIVALE- Comissão das Comunidades quilombolas do vale do Jequitinhonha, vêm se reunindo, dialogando, na busca  pelos direitos e por uma  política justa e digna aos negros. Entre um encontro e outro, depara-se com situações que só confirmam a existência e a permanência dos valores ancestrais, além da cor, do biótipo, há ainda a culinária, pois conhecemos nacionalmente os costumes dos negros,  mas veja  que em Chapada do Norte  há quitutes que são conhecidos por “Cabo do machado”ou “bolo de fubá” , uma espécie de pamonha, feito a base de milho, assada em forno tradicional (feito de barro, em formato ovalado, em cima de um girau) enrolado em palha de bananeira, em outros lugares do Vale do Jequitinhonha , a mesma apresenta-se como pamonha cozida e enrolada em palha de milho, mas em Chapada conserva-se a tradição de ser encontrada na feira livre da cidade,  servida e ofertada em cesto de tapeçaria de taquara.

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

CONHECENDO O JEQUI - Igreja de São Roque

Foto: Internet
A igreja de São Roque está situada no centro do Comércio Velho, na cidade de Itaobim/MG em terreno plano, o entorno é composto de edificações residenciais  simples de apenas um pavimento, sendo a maioria de adobe com telhado em telhas  curva em cerâmica, tipo capa e bica, produzidas  na própria região, a divisão das propriedades são feitas através de cercas  de arame farpado e varas retiradas nos arredores do lugar.  Do largo da Igreja é possível avistar a Serra que dá passagem para  o Povoado de Pedra Grande e ainda as serras que dão acesso a cidade de Jequitinhonha, os bairros: São Cristóvão,Esperança, Vila Nova, Alvorada,Vila Rica,Guadalupe , também  o Córrego São Roque e o Rio Jequitinhonha. O bairro possui arborização principalmente nos quintais das residências com predominância de árvores frutíferas.
Presume-se que sua edificação ocorreu no final do séc. XIX , com a chegada dos primeiros habitantes ao vilarejo influenciados pelas missões religiosas do processo ultramontano da Igreja Católica, que ocorreu nesse período, na tentativa de se fortalecer institucionalmente. Segundo a senhora Eva Alves Costa (84 anos), foi sua bisavó, a senhora Antoninha Gil, quem doou as terras para o santo, São Roque, para que fossem construídos esta igreja e o cemitério.  Aos poucos o casario foi crescendo no seu entorno e tornou se o centro do lugarejo.  As enchentes que aconteceram no rio Jequitinhonha foram determinantes na historia local, o que também afetou a historia da igreja. Com a enchente de 1919 a estrutura da igreja nada sofreu, mas já em 1928, foi bem diferente, a parte da frente sofreu sérios danos e com a enchente de 1979, parte frontal desaba. Segundo os relatos de moradores, a igreja sofreu apenas uma intervenção após a enchente de 1979, parte de sua nave foi demolida e com isso a igreja diminuiu em seu tamanho original, descaracterizando sua fachada frontal, e, também foi  colocado uma camada de cimento por cima do ladrilho de barro original.
 A igreja mostra linhas arquitetônicas ligadas ao colonial mineiro, define  seus espaços por partido de forma retangular correspondente a duas seções:uma correspondente à nave que se alarga nos flancos da fachada principal e outra pela capela-mor.A nave  está separada do altar mor através de uma escada de madeira fixada à parede deste.
 Tem se pelas laterais duas sacristias cujo piso mantêm-se em sua originalidade em ladrilho de barro. O piso da nave e da capela-mor apresenta-se em cimento natado. O sistema construtivo mostra-se em estrutura autônoma de madeira, embasamento de pedra e vedação em alvenaria de adobe sendo que a fachada da frente por  tijolos de alvenaria. Possui portas e janelas alinhadas do tipo campas com enquadramento em madeira e vergas retas. O acesso principal à igreja é feito por uma porta em verga vedada por duas folhas de madeira, seguida de  um arco  com vedação em tijolo  reboco,.seguindo o eixo da porta principal tem-se a distribuição de  duas janelas de abrir pela lateral direita ,  pela lateral esquerda e aos fundos, os acessos secundários são feitos por duas  portas de abrir sendo uma  pela  lateral direita e outra pela esquerda, todas  de  madeira em verga reta ,pintadas em cor verde . A cobertura faz-se em duas águas, do tipo cangalha,com telhas de barro tipo capa e bica apresentando cumeeira paralela e beiral em galbo nas laterais.
A Igreja de São Roque é tombada pelo patrimônio cultural a nível municipal

Pesquisa: Jô Pinto, para processo de tombamento da Igreja

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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

MEMÓRIA CULTURAL - Registro da Obra e Arte do Mestre Ulisses Mendes

PATRIMÔNIO IMATERIAL
Registro da Obra e Arte do Mestre Ulisses Mendes
Foto: www.facebook.com/ulisses.mendes.121?fref=ts

A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 216, define seu  patrimônio  cultural brasileiro  os bens  de natureza  material e imaterial, tomados  individualmente ou  em conjunto, portadores de  referências à identidade à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira nos quais se incluem as formas de expressão; os modos de criar; as criações científicas, artísticas e tecnológicas; as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; além de conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.
Os bens culturais imateriais estão relacionados aos saberes, às habilidades, às crenças, às práticas, ao modo de ser das pessoas. Desta forma podem ser considerados bens imateriais: conhecimentos enraizados no cotidiano das comunidades; manifestações literárias, musicais, plásticas, cênicas e lúdicas; rituais e festas que marcam a vivência coletiva da religiosidade, do entretenimento e de outras práticas da vida social; além de mercados, feiras, santuários, praças e demais espaços onde se concentram e se reproduzem práticas culturais.
Tomando consciência da importância do Mestre artesão Ulisses Mendes, o Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Itinga, de posse as suas atribuições legais, conjuntamente com a prefeitura Municipal através de seu órgão competente realizou o seu primeiro  Registro, com o objetivo de valorizar um dos artesãos que têm propagado sua arte  e assim  divulgando a cidade por todos os lugares por onde realiza oficinas, expõe suas peças ou  fala sobre a região. O mestre Ulisses Mendes, se tornou um referencia em esculturas feitas em Argila, tem suas obras espalhadas em museus, coleções particulares e públicas, no Brasil e no mundo, ministra oficinas em todo território brasileiro, sendo considerado um dos grande nesse ofício.
Mestre Ulisses Mendes
O artesão Ulisses Mendes, casado, pai de quatro filhos e dois netos, nascido em onze de fevereiro de 1955, na cidade de Itinga, filho de lavrador, que trabalhava duro na roça, fazia tijolo, pescava, garimpava e sua mãe produzia  utensílios domésticos como potes, panelas, vasos dos mais variados formatos e  vendiam na feira semanalmente. Desde sua infância lidou com  a arte do barro, seus parentes faziam potes, panelas e outros utensílios domésticos para vender  na feira, toda semana, assim  ele foi adquirindo gosto e afeição de tanto observar, se arriscava  a fazer brinquedos de barro para  seu divertimento. O ofício de artesão é uma prática constituída geralmente na região, principalmente entre os núcleos familiares ou em comunidade, perpassadas  por gerações, que se incumbem de transmiti-la  através dos griôs  e dotados de tal habilidade.No caso de Ulisses Mendes, aprendeu o ofício de trabalhar o barro com sua mãe, parentes e vizinhança  que fazia artesanato para vender na feira.
Seguindo a rota dos homens desta região, Ulisses Mendes também experimenta a vida em são Paulo.

No seu retorno  de férias em 1979, presenciou, catástrofe que arrasou, destruiu casas ribeirinhas, uma enchente que deixou rastro de muitas perdas, tristezas e doenças, foi aí que  ele resolveu  recriar aquele cenário de casas destruídas, caídas, envergadas e desta forma  inicia-se  as primeiras encomendas, vindas de Araçuaí, Itaobim, Jequitinhonha e outros lugares,  trazendo-lhe boa repercussão e referência quanto ao trabalho que fazia, pois muitos o  consideravam  preguiçoso e outras brincadeiras  pejorativas, eram proferidas, mas isso também serviu de resistência, seguiu fazendo suas peças, até que decide fazer personagens do seu dia-a-dia como “Seu Durvalino”, “Caçador”, “Lavrador” e outros. Sua primeira aparição em público como artesão, aconteceu numa exposição de artesanato do Vale do Jequitinhonha em Belo Horizonte,  como representante da Associação dos Artesãos de Araçuaí, pois Itinga não havia tal organização, foi convidado a dar entrevista na televisão, e isso  repercutiu no Vale do Jequitinhonha, que ao retornar pessoas passaram a visitas sua casa, viajantes, lojistas, gente de várias partes do país e assim foi aperfeiçoando sua  arte voltado para a crítica social  e assim  cria mulheres  com crianças no colo, crucificadas, lavadeiras, retirantes, gosta de revelar também os costumes, alegrias, cativeiros, pessoas típicas do Vale do Jequitinhonha. 

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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

CONHECENDO O JEQUI - Os Quarteis da 7ª Divisão

OS QUARTÉIS DA 7ª DIVISÃO
No inicio do século XVII, chegou a região do Rio Grande de Belmonte, o atual Jequitinhonha Alferes Julião Fernandes, para comandar a Sétima Divisão Militar, e promover sua ocupação e iniciou o combate às tribos indígenas em busca de terras propícias às pastagens. No início do século, era intenso o comércio entre a Vila de Belmonte, na Bahia, norte de minas, em Minas Gerais, através do rio Grande de Belmonte. Para proteção contra ataques de contrabandistas e índios, o Alferes Instalou postos de vigia ao longo Rio, chamados de Quartéis. Foram instalados os Quartéis de: São Miguel – atual cidade de Jequitinhonha, da Vigia, atual Almenara – de Bonfim - atual cidade de Joaima, de Salto Grande – atual cidade do Salto da Divisa, e o de Água Branca, atual cidade Itinga.
Os Quartéis eram aquartelamento de tropas e sentinela avançada este faziam parte da 7ª Divisão Militar, sob o comando do alferes Julião Fernandes.
Sob ordens da 7ª Divisão Militar, os quartéis foram construídos ao longo das margens do Jequitinhonha, dando origem a núcleos habitacionais ribeirinhas que posteriormente tornaram-se distritos e cidades, esse quartéis que tinham como propósito defender os interesses da coroa Portuguesa, forma responsáveis também por um luta sem fim contra os povos indígenas dessa região.

PASSO A PASSO DA INSTALAÇÃO DOS QUARTÉIS DA 7ª DIVISÃO
O Príncipe  D. João, em Carta Régia de 13 de maio de 1808, enviada ao capitão-general Pedro Maria Xavier de Ataide Melo, então governador da Capitania de Minas Gerais, declarou "guerra ofensiva e justa”, visando a destruição e destribalização dos índios.

Para concretização deste intuito a própria Carta Régia determinou a instalação de seis divisões militares ao longo do rio Doce.

A colonização do rio Jequitinhonha teve um tratamento diferenciado devido às suas riquezas diamantíferas. Visando a preservação dos direitos sobre os descobrimentos, a Coroa, a partir de 1811 designou companhias de Dragões para guarnecerem a região.

A Sétima Divisão Militar, comandada pelo Alferes Julião Fernandes Leão se instalou na região em 29 de setembro de 1811 com sessenta soldados e alguns índios Maxacali do aldeamento de Lorena dos Tocoiós, fundando nas margens do rio Jequitinhonha o povoado de São Miguel (atual Jequitinhonha).

A Companhia da Sétima Divisão imediatamente iniciou o trabalho de construção de uma estrada rente à margem direita do rio, que partia do recém fundado povoado de São Miguel até a Vila de Belmonte na província baiana de Porto Seguro.[16]

A partir da construção da estrada, o Alferes Julião foi instalando quartéis ao longo do rio Jequitinhonha, embriões de futuros povoados e cidades como Itinga e Joaíma.

Conforme  sugestão do capitão-mor de Porto Seguro, o rio passou a ser utilizado para transporte de mercadorias entre Minas Novas e Belmonte.

Subiam o rio Jequitinhonha, transportados em canoas, sal e produtos raros. Belmonte recebia as produções mineiras: milho, algodão, toucinho, carne seca, dentre outros. O mencionado Quartel do Salto, instalado nas imediações da Cachoeira do Salto, assegurava esse comércio, impedindo o contrabando de ouro e diamante e os ataques dos índios.[17]

Abandonado pelos baianos em 1808, o Quartel do Salto foi ocupado pelo Alferes Julião cinco anos depois.

“A então denominada oficialmente Guerra Justa teve início efetivamente com a instalação da Sétima Divisão Militar, e teve também um aspecto fratricida, pois, como já foi mencionado, os Maxacali, além de empregados em obras públicas, na abertura de estradas, e como “interpretes ou línguas”, foram utilizados no combate aos Botocudos.”[18]                           

Sob a proteção dos quartéis iniciou-se a ocupação das matas da região. Por outro lado o governo provincial incentivou a instalação de grandes proprietários, permitindo que tivessem o monopólio na construção de estradas.

A instalação dos quartéis resultou no início do  processo de devastação da mata atlântica objetivando a utilização das terras para o plantio das lavouras e a destruição dos refúgios indígenas. Bastou menos de um século de ocupação para reduzir a cobertura vegetal a um décimo.[19]

O passo seguinte foi a completa extinção dos Botocudos e dos grupos como os Macuni, Panhame, Puri, Koropó e outros, através da destruição cultural, doenças e massacres.

Acossados, devido à destruição do seu “habitat”, os índios foram pouco a pouco se entregando à proteção dos colonos. O resultado desta submissão foi o abandono das antigas atividades como a caça e a pesca e a adoção da agricultura nos moldes impostos pelos colonos. Paralelamente, a diminuição do território aumentou as rivalidades tribais provocando guerras entre os índios, que só favoreceram aos colonos.

Apoiada nos quartéis, a colonização da região se deu inicialmente por duas vias:

Do litoral, a partir de Belmonte subiram o rio colonos comerciantes que se instalaram pelas povoações ribeirinhas. Da nascente do rio desceram garimpeiros em busca de novas minas de diamante e lavradores em busca de terra.

No fim do século XIX o Médio Baixo Jequitinhonha recebeu uma segunda leva de migrantes provenientes da Bahia e das cidades mineiras do Alto Norte: Espinosa, Taiobeiras e Salinas.




Fonte de pesquisas
Livro: Memórias de Itinga de Jô Pinto

http://proteuseducacaopatrimonial.blogspot.com.br/

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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

GIRO PELO VALE - 6º Encontro de Comunicadores do Vale do Jequitinhonha

 E foi na pequena cidade de Cachoeira do Pajeú, entre os dias 27 a 29 de Janeiro de 2017, no Baixo Jequitinhonha, que aconteceu o 6º encontro de comunicadores do Vale do Jequitinhonha com o tema “Comunicação, Memórias e Transformação social”, onde cerca de 200 pessoas se inscreveram para participar das diversas oficinas voltadas a comunicação social e popular, oficinas que já são uma marca do encontro. A organização do encontro estava impecável tanto por parte da UFMG quanto a Prefeitura. E o aconchego da cidade foram elementos que tornaram o encontro ainda mais agradável.
Algumas cidades apresentaram suas memórias em torno da comunicação, entre elas a cidade de Itinga, no qual explanamos um pouco sobre a história da comunicação, mas com ênfase na importância da Rádio Comunitária, Cultura FM, como ferramenta de se fazer a comunicação na cidade.
 Tivemos também a honra de ter Tadeu Martins na mesa de debate, um ícone da história da comunicação e dos movimentos culturais do vale, falando da importância e da memória da comunicação do jornal Geraes e do movimento cultural do Vale.
Acredito que o encontro será um divisor de águas para a cidade de Cachoeira do Pajeú, é perceptível que a cidade busca uma identidade cultural, ou melhor quer resgatar essa identidade, seu patrimônio cultural material é riquíssimo com casarões e casas no estilo colonial mineiro,  no qual ainda se encontra bem conservado, mas que já sofre com as intervenções da modernidade, é uma cidade pitoresca e acolhedora. E foi nesse clima de cidade do interior que os comunicadores do Vale e de outras regiões mais uma vez se reuniram, para discutir e pensar uma comunicação com o povo e para o povo, o encontro deixa também o legado da tolerância, de gênero, credo e raça, todos juntos em prol de uma mesma bandeira a bandeira a da “humanidade”, no qual a comunicação tem um papel fundamental no processo de esclarecimento.
O encontro deixa reflexões, é preciso pensar em formas no qual os comunicadores e os fazedores de cultura, possam também, repensar o papel político que cada um tem nesse processo de transformação que queremos para o vale, é preciso de fato da voz e vez através da comunicação para as questões relacionadas a todos os aspectos políticos desse nosso rincão de terra, ainda tão sofrido pela mazela da falta de políticas públicas.

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quarta-feira, 13 de julho de 2016

Cultura Popular do Jequitinhonha em luto - Morre Dona Maria do Bode

             
Dona Maria do Bode - Credito Foto: Cida Almeida
              O Vale do Jequitinhonha esta de luto, a Cultura Popular calou-se, o pandeiro deixou de tocar, a viola tão chamativa em um canto espera um novo acorde juntamente ao violão e a rabeca, os foliões pararam a contradança, para dar adeus a D. Maria Simplício, de 110 anos, também conhecida como D. Maria do Bode, que foi a fundadora do grupo de reisado, hoje Associação Cultural Senhor Santos Reis, existente há 57 anos, na cidade de Almenara, município situado no Baixo Jequitinhonha
               A Associação fundada por ela é composta pela “folia do Senhor Santos Reis de Almenara ou "Grupo de reisado de D. Maria do Bode", o “Boi”, o “Coral Renascer” e a "Boneca Margarida",
                O grupo surgiu a partir de promessa feita por D. Maria Simplício que em certa ocasião, lutando contra a morte por causa de uma picada de cobra, quando acendia fogo debaixo de uma árvore (pau d'alho), ouvira uma
voz que lhe dissera para se apegar com os santos reis. Desprovida de recursos financeiros e vivia praticamente de favores e pequenas tarefas, assustada questionou à voz como poderia se apegar aos Santos Reis se não tinha nem o que comer. Em resposta a voz disse “do jeito que pensar em fazer, faça que tudo dará certo”. Então ela prometera que se fosse curada, sairia pelas ruas da cidade com uma folia para homenageá-los e agradecê-los. Livre do risco de morte, a partir daquele momento as coisas começaram a mudar em sua vida. Dona Maria Simplício acreditando nas recomendações das vozes, iniciou negócio com a compra e venda de carneiros, que lhe rendeu a alcunha de D. Maria do Bode. Segundo ela, “Não fiquei rica, mas a partir daquele momento nunca mais passei necessidades"


Fragmentos da historia do grupo, extraídos de pesquisa de Neilton Lima

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CONTOS E CRÔNICAS DO JEQUI - A lenda da Acayaca

   A lenda da Acayaca se baseia nos arredores do Arraial do Tejuco, onde atualmente, se estabelece o centro histórico da cidade de Diamantin...