segunda-feira, 5 de outubro de 2026

MEMÓRIA CULTURAL - A cultura popular no palco


 

No mês de setembro, Itinga e Araçuaí receberam a estreia do espetáculo infantil Turma da Feliciana, inspirado no projeto de Educação Patrimonial Arte de Viver, do idealizador José Claudionor dos Santos Pinto. A iniciativa, que já está em sua quarta fase, integra o Programa de Educação e Difusão para o Patrimônio Cultural e tem se destacado pelo uso de histórias em quadrinhos (HQs) como recurso pedagógico nas escolas da rede municipal. O material tem alcançado principalmente o público infantil, despertando curiosidade e encantamento.

A nova proposta nasceu da inspiração da educadora Ângela Freire, que apresentou o projeto ao edital da Lei Aldir Blanc de Minas Gerais ( Edital 08/2024 - Desenvolvimento de Projeto). A ideia de adaptar o conteúdo para o teatro foi prontamente abraçada pelo Grupo Teatral Itinguense e Grupo Vozes de Araçuaí. Nos diálogos que antecederam a montagem, ficou clara a necessidade de criar uma ponte entre HQs, teatro infantil e patrimônio imaterial, formando um ecossistema educativo rico, lúdico e interativo. Sob a direção cênica de Allef Heberton dos Santos Murta, coube a tarefa de aproximar essas linguagens artísticas e dar vida ao espetáculo.

O uso dessas expressões artísticas, associado à preservação da identidade cultural, estimula desde cedo valores como empatia, oralidade e sentimento de pertencimento. Afinal, para preservar o patrimônio cultural de uma cidade, é preciso conhecê-lo, vivenciá-lo e aproximar-se de forma significativa dos contextos locais.

O espetáculo trouxe três narrativas do universo da cultura popular do Vale do Jequitinhonha para o palco. Essa escolha reforça como a oralidade se reinventa nos tempos atuais: se antes as histórias eram transmitidas pelos griôs em rodas de conversa, hoje o teatro assume esse papel, contando de forma lúdica e envolvente episódios marcantes da região. Entre os destaques estão: Escrava Feliciana, personagem que simboliza resistência e memória histórica. Luciana Teixeira, figura feminina que representa força e identidade cultural. Rio Jequitinhonha, elemento vital para a vida, a economia e a cultura da região.

Ao reunir essas histórias, o espetáculo reafirma o papel do teatro como guardião da memória coletiva e como ferramenta pedagógica capaz de aproximar crianças e jovens de suas raízes culturais.



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