No mês de setembro, Itinga e Araçuaí receberam a estreia do espetáculo
infantil Turma da Feliciana,
inspirado no projeto de Educação Patrimonial Arte de Viver, do idealizador
José Claudionor dos Santos Pinto. A iniciativa, que já está em sua
quarta fase, integra o Programa de
Educação e Difusão para o Patrimônio Cultural e tem se
destacado pelo uso de histórias em
quadrinhos (HQs) como recurso pedagógico nas escolas da rede
municipal. O material tem alcançado principalmente o público infantil,
despertando curiosidade e encantamento.
A nova proposta nasceu da inspiração da educadora Ângela Freire, que apresentou o
projeto ao edital da Lei Aldir Blanc
de Minas Gerais ( Edital 08/2024 - Desenvolvimento de Projeto).
A ideia de adaptar o conteúdo para o teatro foi prontamente abraçada pelo Grupo Teatral Itinguense e
Grupo Vozes de Araçuaí.
Nos diálogos que antecederam a montagem, ficou clara a necessidade de criar uma
ponte entre HQs, teatro infantil e patrimônio imaterial, formando um
ecossistema educativo rico, lúdico e interativo. Sob a direção cênica de Allef Heberton dos Santos Murta,
coube a tarefa de aproximar essas linguagens artísticas e dar vida ao
espetáculo.
O uso dessas expressões artísticas, associado à
preservação da identidade cultural, estimula desde cedo valores como empatia,
oralidade e sentimento de pertencimento. Afinal, para preservar o patrimônio
cultural de uma cidade, é preciso conhecê-lo, vivenciá-lo e aproximar-se de
forma significativa dos contextos locais.
O espetáculo trouxe três narrativas do universo da
cultura popular do Vale do
Jequitinhonha para o palco. Essa escolha reforça como a
oralidade se reinventa nos tempos atuais: se antes as histórias eram
transmitidas pelos griôs em rodas de conversa, hoje o teatro assume esse papel,
contando de forma lúdica e envolvente episódios marcantes da região. Entre os
destaques estão: Escrava Feliciana,
personagem que simboliza resistência e memória histórica. Luciana Teixeira, figura feminina
que representa força e identidade cultural. Rio Jequitinhonha, elemento vital para a vida, a
economia e a cultura da região.
Ao reunir essas histórias, o espetáculo reafirma o
papel do teatro como guardião da memória coletiva e como ferramenta pedagógica
capaz de aproximar crianças e jovens de suas raízes culturais.
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