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| Feita por IA |
Essa é uma
das muitas histórias que meu pai contava e que eu venho transformando-as em
contos, na história de hoje, vamos contar a história de um lobisomem que andava
outrora pelas terras onde é hoje o município de Itinga.
Era uma história antiga, daquelas que os mais
velhos contavam ao redor do fogo, mas que trazia o peso da realidade para quem
conhecia o destino daquela família.
Desde menino, carregava o fardo de um
sangue inquieto. Nas noites em que a lua cheia despontava prateada e redonda no
céu, o corpo infantil e depois o de homem feito contorcia-se em dores
indescritíveis. Transformado em uma criatura monstruosa, metade homem, metade
lobo, vagava pelas fazendas ao redor. Naquela época, o susto limitava-se ao
gado assustado e aos cercados arrebentados; a fartura de animais impedia que o
bicho voltasse sua fúria contra as pessoas.
A vida seguiu
seu curso implacável, o menino cresceu, casou-se, teve filhos e tentou viver
como qualquer outro homem. Contudo, quando o clarão da lua cheia iluminava o
terreiro, ele inventava desculpas esfarrapadas, sumia na escuridão da noite e
só retornava ao amanhecer, exausto e silencioso.
Certa vez, a
família viajou para uma festa tradicional na zona rural, hospedando-se de um
dia para o outro. No dia seguinte, embalado pela rotina da celebração, ele
esqueceu-se completamente do calendário lunar. Só se deu conta do perigo quando
já pegavam a estrada de volta e as primeiras sombras da noite começavam a
engolir o horizonte. O pavor gelou-lhe o sangue: a noite de lua cheia já
reinava lá fora, e a proximidade da maldição punha em risco quem ele mais
amava.
Sem pensar
duas vezes, virou-se para a esposa e ordenou com voz firme e desesperada: —
Suba naquela árvore com as crianças agora mesmo! Não olhe para trás e não desça
por nada deste mundo!
A mulher, sem
entender absolutamente nada, tomou os filhos nos braços e subiu aos prantos,
apavorada com a urgência no olhar do marido. Ele, sem dar explicações, sumiu
correndo pela estrada escura, engolido pela noite cerrada.
As horas
arrastavam-se penosamente, o silêncio da mata era cortado apenas pelos grilos e
pelo medo. A mulher, agoniada com a demora do marido e o choro abafado das
crianças, não suportou a angústia, convencida de que precisava buscar ajuda,
desceu da árvore com os filhos e pôs-se a caminhar pela margem da estrada
poeirenta.
Já passava da
meia-noite quando um silêncio sepulcral abateu-se sobre o caminho. Um uivo
longínquo e aterrorizante rompeu o ar. Instantes depois, a criatura colossal,
uma silhueta disforme entre a fúria do lobo e a desolação do homem saltou para
o meio da estrada.
A mãe,
paralisada pelo horror, colocou os filhos atrás de si e começou a rezar em voz
alta, implorando por proteção. Mas o bicho, cego pelo instinto feroz da lua,
partiu para cima deles com violência cega. No meio da confusão e dos gritos de
pavor, a criatura conseguiu arrebatar uma das crianças e disparou em direção à mata densa, uivando para o céu.
Desesperada,
sangrando e abraçada aos dois filhos restantes, a mulher correu sem rumo até
avistar uma casa isolada. Bateu desesperadamente à porta. Os moradores,
sobressaltados com a urgência, abriram e acolheram a família, cuidando dos
feridos com urgência.
Entre soluços
e tremores, ela contou o horror que acabara de viver, os donos da casa
entreolharam-se com gravidade: — Você não é daqui, menina? — perguntaram. — Não
— respondeu ela, a voz frágil. — Está tudo explicado. Você não conhece a lenda
do lobisomem, um homem desta região, em noites de lua cheia, transforma-se em
fera e ataca animais e pessoas... Infelizmente, ele levou o seu filho.
A mulher
desabou em prantos convulsivos que duraram o resto da madrugada. Ao raiar do
dia, agradeceu aos anfitriões e iniciou o caminho de volta para casa, o coração
pesava com uma suspeita terrível que ela já não ousava recusar.
Ao chegar,
encontrou a porta da frente entreaberta. Entrou devagar. Deitado na cama, ainda
grogue pelo sono profundo do amanhecer, estava o marido. Entre os dentes dele,
havia pedaços de tecido ensanguentados da roupa do filho; em sua mão firme, os
retalhos restantes da vestimenta da criança.
A revelação
foi um golpe mortal em sua alma, sem dizer uma só palavra, a mulher recolheu os
filhos, fechou a porta e partiu para nunca mais voltar. Ninguém jamais soube o
rumo que tomou.
Diz a lenda,
contudo, que quando o homem despertou e encontrou a roupa do filho e os fiapos
presos em sua boca, compreendeu a tragédia que cometera. Um grito de dor
estrangulou-se em sua garganta, seguido de um choro desesperado que nunca mais
teve fim.
Desde então,
conta-se que ele vaga pelas estradas desertas , chorando e à procura de sua
esposa e de seus filhos para implorar perdão. Mas, quando a lua cheia brilha
soberana no céu, o bicho-homem desperta de novo, vagando pelas matas e
amedrontando os descuidados que o ousam desafiar a escuridão de uma noite de
lua cheia.
História adaptada por Jô Pinto, contada pelo seu pai João Antenor em seu tempo de criança.

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