segunda-feira, 6 de junho de 2022

MEMÓRIA CULTURAL - Conectar Coletivos

 

Foto: Soll Santos

            A pandemia da COVID-19 interrompeu muitas possibilidades e projetos pessoais e coletivos, principalmente para o movimento cultural do Vale do Jequitinhonha.

O  setor cultural  foi  um dos primeiros a fechar suas atividades, e dos últimos a serem autorizados ao retorno presencial. Entre perdas, isolamento e incertezas  dois coletivos decidiram  persistir num  encontro.

Diz o ditado popular: “palavra dada,palavra empenhada”, O Coral do Nossa Senhora do Rosário  e o MC Eduardo DW , embrenharam na única  possibilidade disponível nesta pandemia, o uso da internet.

Enfrentando os desafios e turbulências com a utilização da tecnologia, mas com as conexões compatíveis ao coração destes artistas., foram se conhecendo gradativamente, acertando idéias, construindo versos, trocando poesias  e  alimentando-se pelas veias do rap e da cultura do Vale do Jequitinhonha.

            O Coral do Rosário produziu em 1998 o seu primeiro CD, nomeado de “Queremos navegar” e agora chegando em sua trajetória de aproximadamente 37 anos de existência, celebra  com  força inesgotável de navegantes da cultura, depararam no porto do rap, através do MC Eduardo DW, um agitador cultural em Belo Horizonte, poeta do Coleti voz Sarau de Periferia, Slam Clube da Luta e MC da banda de Rap Projeto ManObra e do grupo A Corte.

            Estas aproximações de mundos e resistência cultural da cultura negra, convergiu para o projeto “O Circuito o RAP é o Encontro”. Proposta visando a  criação  de um  circuito para potencializar a pesquisa e a exposição artística, trabalhando com coletivos distintos, a fim de ampliar a circulação da música e poesia mineira , além  da cadeia produtiva de arte e cultura brasileira. Encontraram na música lugares de congruência em vários diálogos marcantes que fez desnudar a presença feminina, com sua irreverência, revelada  nestes versos:

Do fundo da feira                                  

...

Desci a ladeira,

Fui lá no mercado

Perguntar  para Eduardo

Não sou mulher de recado

_Que coisa é essa de versos falados?

 Nesses arranjos de circuito e encontros despontaram com forte ressoar da vida cotidiana, a poesia falada e de autoria feminina, que na fronteira do Brasil profundo é escancarada:

Quando alembro as feições do rapaz,

que morava na beira da lagoa

eu  namorei  sutil...

 

            Neste ano de 2022, celebramos no Brasil, o centenário  da Semana de Arte Moderna,  no Vale do Jequitinhonha esta fase do modernismo  pode ser reverenciada pela criação dos movimentos culturais, com destaque para o FESTIVALE, nos anos  de 1980, que ainda resiste às duras penas.

            A atitude desta conexão entre coletivos de resistência, parece despontar de algo mais intenso e real da contemporaneidade quanto a   valorização  da diversidade cultural e a intensidade de força  para a luta de resistências e existências da cultura negra, neste país.


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quarta-feira, 1 de junho de 2022

GIRO PELO VALE - Morre Maurício Cavalho e deixa de luto a Cultura do Vale do Jequitinhonha

 



Mauricio Carvalho , nasceu em Araçuaí/MG, filho de seu Antonio Claudio e de Dona Nadeje Aparecida e irmão de Regina, Marcelo, Marcio e Claudinho.

Militante político e cultural ajudou a fortalecer a democracia, a cultura e a poesia do Vale do Jequitinhonha.

Em 1983, lançou o livro “ Caminheiro entre a Realidade e a Utopia” , um livro que assim descreveu o prefaciador Tadeu Martins:

O poeta amigo Mauricio Carvalho, que traz no coração o Vale e seu povo, faz ecoar nesse seu primeiro passo literário, CAMINHEIRO, o grito que não é só seu, mas de todo o Jequitinhonha-"... E esse grito / que vem de bocas/das gargantas/negras, brancas / mestiças, brasileiras / se espalha logo/tremula uma bandeira / e o grito unissono se faz ouvir: Liberdade... Liberdade..."

O Vale e seus poetas, todos engajados na mesma luta, fazendo do verso uma faca afiada para cortar pela raiz a floresta da exploração, abrindo picadas para a passagem de uma nova sociedade, mais humana, mais justa, mais livre, "... mesmo escutando no vento / que vem pelos lados do Araguaia / os gemidos dos guerrilheiros/ na imensa dor da derrota / ainda resta o brilho no olhar de um lutador..."

Maurício encarna o Vale ao cantar seus valores - Libra "... sob essa pele mestiça / guarda um forte coração". Rio Araçuaí("... Quantos incautos/nas suas águas se afogaram?..." ou cantado o povo e suas lutas-"... olha lá o canoeiro / remando sua vida pequena / contra uma correnteza de enorme e opressoras mãos..."

Esse menino, alma sensível de poeta, também nos mostra o espírito de luta do nosso povo -"... mesmo soluçante / resta-me a voz para manter-me no ofício de cantador..."

Paro aqui, caros leitores, deixando o companheiro Mauricio lhes conduzir nesse saudável mergulho nas águas da poesia do nosso Jequitinhonha querido.

Em 1992, junto com outros poetas ajudou a implementar a Noite Literária dentro da programação do Festivale, e esta primeira noite literária aconteceu na cidade de Bocaiuva.

Fez parte do Grupo de Poetas de Araçuaí  “ Poetar 13”, em 2014, na cidade de Araçuaí no 31º Festivale e na 18ª Noite literária “ Poetar 13,  Mauricio e os demais integrantes do grupo foram homenageados.

Hoje o menino Mauricio, encantou, fez sua passagem espiritual deixando uma saudade, mas deixa também um legado de amor e de justiça social, ao povo do Vale, a cultura e de modo especial a poesia.

Araçuaí e o Vale do Jequitinhonha esta de luto pelo seu filho que viveu intensamente essa vida.

Para mim é a perca de um amigo, que sempre encontrava nas estradas em andanças pelas festividades culturais de nosso querido vale...

Vá na luz meu amigo.

 

Caminheiro, entre a realidade e a utopia

Mauricio Carvalho

 

O tempo corre

e tenho que ganhar

tenho que caminhar,

a estrada, menina,

buscar novos horizontes,

novas terras, sertões sem fim.


Nada tenho a oferecer-lhe,

sou andante do caminho

entre a realidade e a utopia,

sou mensageiro da paz

mas, semeio guerra

 se assim for preciso,

incoerentemente, se assim for.

 

Meus pés

não têm raízes

mas estão fincados

assim mesmo no chão,

por isso

nada posso lhe oferecer

porque,

sem rumo, sem prumo

ando nesse mundo sertão


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segunda-feira, 25 de abril de 2022

MEMÓRIA CULTURAL - Moringa

 

Moringa em Argila ( Vale do Jequitinhonha) -Imagem: Internet

           Para quem conhece Araçuaí, sabe como o clima é quente, principalmente nos finais de tarde, então tomar sorvete é sempre uma opção para refrescar e,  colocar a prosa em dia com os amigos.

            Aqui tem uma sorveteria, que faz jus ao nome do sorvete “Amigo”. Mas o que chamou minha atenção nesse dia foi à gentileza da moça que me atendeu.

            Sabe-se que ao ingerir qualquer alimento doce, o açúcar é digerido no estômago e logo depois vai para a corrente sanguínea. Quando as partículas chegam no sangue, começam a circular por todo o corpo,  neste processo , passa a ser menos  líquida e as partículas de açúcar do sangue que circula pelo corpo, faz  que a água saia de suas células e vá para a corrente sanguínea. Então o Hipotálamo que fica situado na base do cérebro, percebe a concentração de açúcar,  cria uma espécie de alerta para  consumirmos  mais água, por isso a sensação de sede.

            Neste instante do sentir sede, chegou a minha mesa, a  moça segurando uma bandeja contendo uma moringa de barro, decorada  por motivos florais, cheia de água  e um copo.  Isso foi de uma gentileza! Então entendi o lema da empresa: Transformar dificuldades em oportunidades.

            Porque este tipo de moringa é de origem indígena, sua existência remonta a milhares de anos e diferentes culturas e no Vale do Jequitinhonha é produzida por mulheres artesãs. Aprenderam o ofício com suas matriarcas  e  mantêm a técnica até os dias atuais. Atualmente o uso das moringas vai além do transporte de água e adorno decorativo, porque produz diferentes sentidos e sentimentos como: gentileza, ternura, cuidado, trabalho, vida, família  e cultura de um povo. Viva nossas mulheres artesãs!  


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terça-feira, 12 de abril de 2022

O ASSUNTO É? - Cinema e ensino de história: Narradores de Javé

 



A utilização do cinema em sala de aula pode proporcionar ricas discussões e aprendizado. Hoje quero falar um pouco sobre o filme Narradores de Javé e suas possibilidades de utilização em sala de aula. Narradores de Javé foi lançado em 2003 e fala sobre uma pequena comunidade que está prestes a ser coberta pelas águas para a construção de uma hidrelétrica. Para tentar impedir, o líder da comunidade descobre que, caso a comunidade seja considerada de importância histórica, poderá ser poupada. Decidem então escrever a história de Javé, porém, é uma comunidade de iletrados. Procuram um dos moradores, o célebre Antonio Biá, o único que sabe ler e escrever e que tem uma dívida moral com a comunidade. O filme foi dirigido por Eliane Café, apesar de tratar de um tema sensível, o fim de uma vila, provoca boas risadas a partir da construção e interação das personagens. Nas aulas de história pode ser utilizado para pensar sobre fontes históricas, suas características, possibilidades de produção e análise, história oral, memória, as disputas em torno da memória, a história vista de baixo, os silêncios da história, dentre outros temas caros à disciplina. Bem, fica a dica! Abraços e até a próxima. 


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quinta-feira, 7 de abril de 2022

DIÁRIO DE LEITURA - Lei Aldir Blanc fomenta literatura no Vale do Jequitinhonha

 



A LEI Nº 14.017, de 29 de Junho de 2020, também conhecida como  Lei Aldir Blanc  foi uma lei  que dispôs  sobre ações emergenciais destinadas ao setor cultural a serem adotadas durante o estado de calamidade pública, causada pela pandemia mundial em decorrência da COVID-19.

A lei leva o nome de Aldir Blanc, que foi uma das vitimas da COVID -19, ele faleceu no Rio de Janeiro no dia 04  de maio de 2020).

Aldir Blanc Mendes nasceu no Rio de Janeiro, em 02 de setembro de 1946. Ele foi um letristacompositorcronista e médico brasileiro. Abandonou a profissão de médico para tornar-se compositor, sendo considerado um dos grandes letristas da música brasileira.  Em 50 anos de atividade como letrista e compositor, foi autor de mais de 600 canções.

Os recursos da Lei emergencial Aldir Blanc, foram distribuídos pelo Governo Federal aos estados e municípios para fomentar um dos setores mais prejudicados pela COVID-19, que foi justamente o setor de cultura, onde atingiu milhares de profissionais desta área.

O Estado de Minas Gerais lançou diversos editais para contemplar todas as áreas culturais, bem como redistribuiu os recursos também aos municípios para que estes criassem seus próprios editais conforme demanda local.

E nesse sentido vários setores culturais foram beneficiados, e um destes foi na área literária, no qual ajudou a fomentar a literatura do Vale do Jequitinhonha, que vive um momento de expansão.

A nível estadual foi premiado com publicação do HQ ( História em Quadrinhos) “ A turma da Feliciana – Desbravando o Vale do Jequitinhonha” o escritor, poeta e Ilustrador José Claudionor, mas conhecido como Jô Pinto, da cidade de Itinga.

O município de Itinga contemplou duas obras literárias, o livro “ Minha História Real -  História de um brasileiro” de seu Juarez Ferreira. E o livro  “ Terra Molhada” do Coletivo VOHEJAR.

O município de Almenara, contemplou vários escritores na antologia “ Farol da Letras – Almenara em Prosa e Verso ”

O município de Pedra Azul também contemplou vários escritores no livro coletivo “ Pedra Azul em Prosa e Verso”.

Publicar livros no Brasil é um grande desafio para qualquer escritor, mas para os iniciantes ou aqueles que ainda não tem vinculo com as grandes editoras, esse desafio é ainda maior. Por isso iniciativas como essas, ajudam a divulgar o trabalho de escritores, diagramadores e editoras alternativas.

A lei emergencial Aldir Blanc para a literatura do Vale do Jequitinhonha, chegou em um momento crucial, tendo em vista que o fazer literário dessa região vive um momento muito bonito de expansão e valorizam daqueles que matem viva a literatura regional desse sertão das Minas Gerais.

Se outros autores do Vale do Jequitinhonha foram contemplados com publicações através da Lei Aldir Blanc, coloquem-nos comentários.

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terça-feira, 5 de abril de 2022

O ASSUNTO É? - Dica de leitura

 

Imagem Internet


Hoje trago para vocês breves impressões sobre “Niketche: Uma história de poligamia” de Paulina Chiziane, publicado pela Companhia das letras em 2021. Um romance poético e cantante como os rios de Moçambique, desliza suavemente pelos nossos sentidos enquanto o lemos. Inspira poesia, apesar de narrar o sofrimento de Rami, uma mulher já no Outono da vida, negligenciada pelo marido, Toni. Rami seca como uma flor ao vento, enquanto seu marido age como um inconstante beija-flor, de flor em flor vai passeando, deixando para traz os frutos do seu amor fugaz: Mulheres de todas as cores, tamanhos e amores. Todas têm em comum o desejo de ser amada pelo polígamo. No livro, Chiziane problematiza o conflito cultural entre a cultura tradicional da Poligamia e sua substituição pela monogamia fictícia dos colonizadores. A protagonista recupera as formas tradicionais de relacionamento e problematiza a primazia masculina na cultura de Norte a Sul do país. Paulina Chiziane nasceu em Manjacaze, Moçambique em 1955, recebeu importantes prêmios de literatura como o prêmio José Craveirinha de Literatura em 2003 e o prêmio Camões em 2021. Sua obra é marcada pelo protagonismo da mulher negra e pela retomada das raízes culturais do seu país. Vale a pena conhecer “Niketche: Uma história de poligamia” e outras  obras dessa importante autora contemporânea.


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segunda-feira, 4 de abril de 2022

MEMÓRIA CULTURAL - A excelência do pano de prato

 



            O pano de prato é muito útil na cozinha, que além de enxugar peças e utensílios também servem para decorar nossa cozinha.

             No séc. XIII surgiram os touailles (pedaços de pano suspensos na parede) utilizados pelas pessoas quando sentissem necessidade e, fora isso , para cobrir restos de comidas.  

            Mas não foi possível encontrar uma data específica, sabe-se por intermédio de um livro de anotações de Leonardo da Vinci, tenha sido ele, o idealizador do pano de prato. Imagina que além de pintor, inventor também era um ótimo cozinheiro e até teve um restaurante na Itália com Alessando Boticelli, também pintor. 

            Aqui no Vale do Jequitinhonha, antigamente, a menina logo cedo tinha de aprender a bordar manualmente seu enxoval que, variava de roupa de cama,banho e de mesa, cuja  lista estava incluso os panos de pratos.

            Com o passar do tempo além de bordar, descobriu-se novas técnicas como as pinturas com motivos florais e frutas. Depois vieram outras técnicas  que  só agregaram beleza  e arte as peças.

            Atualmente a arte de bordar, costurar ou desenvolver trabalhos manuais não é apenas atribuição da mulher. Graças às evoluções dos tempos, podemos apreciar muitas peças tecidas, recortadas, costuradas, bordadas e idealizadas por homens e mulheres de gosto requintados.

            Independentemente de classe social, o pano de prato confeccionado por quem quer que seja, ocupa seu lugar nos ambientes; basta ter uma cozinha, ele se faz presente.

 

REFERÊNCIA

http://joarteemaniadearte.blogspot.com/2013/10/como-surgiu-o-pano-de-prato-guardanapo.html ACESSO EM 28 DE MARÇO DE 2022


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terça-feira, 29 de março de 2022

O ASSUNTO E´? - As veias abertas do Brasil

 

Imagem Internet


Desde que o ser humano descobriu que podia retirar minérios do solo e produzir objetos para uso cotidiano, a mineração se fez presente, assim como a metalurgia. Não é por acaso que, os Iorubás,  bem como os gregos antigos, tinham deuses responsáveis pela metalurgia, Ogum e  Hefestos. No entanto, a mineração e a metalurgia em sociedades passadas eram usadas para melhorar a vida humana,   já no capitalismo a exploração da terra é desmesurada, pois visa o lucro e a acumulação desmedidos. A mineração predatória está destruindo o Brasil, parece redundante dizer isso,    já que, desde o início da invasão destas terras pelos brancos europeus, a busca por metais preciosos foi um dos principais objetivos. Atualmente, não apenas os metais preciosos, mas outros minérios largamente utilizados na indústria, são buscados no subsolo do território brasileiro. A atividade é controlada por empresas privadas e é conduzida de forma extremamente nociva ao meio ambiente e às comunidades,  pois não conta com fiscalização e  e controle. Para acessar os minérios é necessário escavar a terra,  assim, a água é contaminada e as matas devastadas, logo, os arranjos produtivos das comunidades tradicionais é afetado. Eduardo Galeano no livro “As veias abertas da América” publicado na década de 1970 e proibido por várias ditaduras do Cone Sul, analisa a histórica espoliação que sofre a América de colonização latina ao longo dos séculos. Interliga passado e presente para abranger uma exploração que nunca se finda, além dos produtos da monocultura agroexportadora,  escoam das veias abertas,  o ouro, a prata e as pedras preciosas que alimentaram o capitalismo nascente, às custas do sangue dos/as africanos/as e dos/as indígenas explorados nas minas mortais, onde a expectativa de vida era curta e se morria de fome ou dos efeitos do mercúrio. Geralmente não se chegava aos 30 anos. Na contemporaneidade, com o desenvolvimento desenfreado deste monstro insaciável que é o capitalismo, mais e mais minérios são necessários para suprir as demandas criadas pelo sistema, que preconiza  o consumo ilimitado e a acumulação dos recursos por poucos. O resultado é o crescimento das áreas de mineração que destroem patrimônios ecológicos, ameaçam terras de comunidades tradicionais e alteram legislações ambientais. Recentemente, tivemos os desastres ligados à mineração com o rompimento de barragens de rejeitos da mineradora Vale   que contaminaram rios e levaram para debaixo da lama centenas de vidas, sonhos e memórias. Esses crimes ambientais seguem sem punição, as ações da empresa só aumentam. Agora, neste momento, uma mineradora vem se instalar aqui na região do Alto Rio Pardo. Anunciam grandes transformações, geração de empregos etc. O que não se evidencia para o povo é que milhares de litros d’água serão usados no processo da exploração e transporte dos minérios, sem falar na contaminação da água. As pessoas são facilmente convencidas por promessas alvissareiras. E assim, lá se vai nossa água, quiçá  nossas vidas, já que ninguém mata a sede com dinheiro.


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quarta-feira, 23 de março de 2022

OPINIÃO DO BLOG - Bahia- Minas Turismo no Vale do Jequitinhonha.

 


Foto: Fernando Mendes


Pensar na retomada da Bahia-Minas soa como um sonho, mas para quem viveu a experiência na linha férrea em Araçuaí ligando os  Vales do Jequitinhonha /do Mucuri até o mar. Pode-se pensar  tratamos de um lugar com um jeito tão especial de ser Minas, e também de  flertar com os sabores, temperos, sons e caminhos até a  Bahia. Permanece, neste caso,  acesa nas memórias e, em narrativas os itinerários, as estações e, sobretudo as facilidades  para se  chegar até o mar. As cidades mineiras do Vale do Jequitinhonha estão tão perto da Bahia e, ao mesmo tempo, tão distantes considerando a desativação da linha férrea.No novo  circuito turístico o rio Gravatá desperta atenção com  belas cachoeiras descobertas pelo olhar sensível e curioso  daquele que  desbrava as paisagens  diversas  misturadas a farta  agricultura familiar pertinho da  Comunidade do Graça e do distrito do  Engenheiro Schonor. É preciso divulgar nossos encantos  valorizando a sabedoria  contida nos causos contados nas paradas sem pressa, nas delicias experimentadas nas vendinhas populares, nas feiras  ricas em  biscoitos, queijos, requeijões, doces e frutas de sabor incomparável. É só parar apreciar e sem pechinchar, negociar os mimos do lugar, e  ainda guardar na  memória os sabores do Vale.   

Texto: Aureliane Aparecida de Araújo.













Natural de Diamantina- Vale do Jequitinhonha- MG

Professora de Geografia do IFNMG campus Araçuaí

Graduada em Geografia pela Unimontes 

Pós graduada em Geografia e Meio Ambiente pela Unimontes 

Mestre em Geografia - Unimontes 

Doutoranda em Geografia e Tratamento da Informação Espacial - Puc Minas

terça-feira, 22 de março de 2022

O ASSUNTO É? - Gênero e política

 

Foto Internet

Aproveitando que há poucos dias tivemos o dia da “mulher”, com todas as contradições desta ideia de mulher que a data evoca, hoje decidi falar acerca dos livros de Margareth Atwood, “O conto da aia” e “os testamentos”. O primeiro livro repercutiu tanto que se transformou numa série. O segundo, é uma continuação da história da sociedade distópica de Gilead. Um país teocrático dominado por homens, no qual as mulheres estão submetidas às funções domésticas, reprodutivas e sexuais. O acesso a qualquer forma de leitura é proibido, até mesmo os nomes dos estabelecimentos não são identificados por letras e sim por desenhos, para evitar que as mulheres leiam. Parece que houve um acidente nuclear, a maioria das mulheres perdeu a capacidade de gerar bebês, daí, as que podem reproduzir foram escravizadas para gerar filhos para as mulheres dos comandantes, elas ficam numa casa até parirem, daí são mandadas a outra. Não podem ler, nem conversar com qualquer outra pessoa. É uma sociedade militarizada e vigiada por homens chamados de “Olhos”. As mulheres são separadas em grupos, as martas responsáveis pelo trabalho doméstico, as aias que são as reprodutoras, as esposas dos comandantes e as tias, que são mulheres que outrora tiveram altos cargos antes do fim das liberdades individuais e que agora servem a Gilead no controle e convencimento das demais mulheres. As idosas, as feministas e as lésbicas são eliminadas, ou mandadas para campos de trabalho forçado. Qualquer pessoa que se perturbe a ordem é suprimida em cerimônias rituais, seus corpos são dilacerados em linchamentos ou expostos no muro que cerca Gilead.  “O conto da aia” e “Os testamentos” são obras que devem ser lidas com atenção. Durante a leitura, é impossível não fazer associações com a sociedade em que vivemos, onde, dia a dia caminhamos para o completo domínio por religiosos misóginos e defensores de todas as formas de desigualdades. O dia 08 de Março, símbolo da luta das mulheres trabalhadoras por melhores condições de vida é atualmente despido desse significado e utilizado para romantizar a exploração das mulheres pelos homens em benefício dos que lucram no sistema capitalista, como bem demonstrou Alexandra Kollontai e outras tantas teóricas ao longo do tempo. Fica a dica de leitura. Até breve.


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terça-feira, 8 de março de 2022

O ASSUNTO É? - Dia de Feira

 

Imagem Internet

Pimenta malagueta, rosca caseira, doce de leite, alface fresquinha, polpa de fruta, pastel de queijo e de carne. Biscoito escrevido, queijo cozido, tubão de leite, farinha fina, café torrado, goiaba de quintal, abacate um real a unidade. Pode olhar, freguesa, essa banca é de Dora, eu tô tomando conta pra ela. Dora! Ó a freguesa! Filé de tilápia, daqui da barrage.

Essas laranja é do Bananal, tenho arroz na casca e fubá caseiro. Cebolinha verde, erva de cheiro, erva-doce, pimenta do reino, doce de marmelo é de Fruta de leite. Hoje o ônibus veio cheio, tomara que não chova, senão atola. Leva uma dúzia e meia por dez, esse pequi é de Taiobeira.

No mercado municipal de Salinas me deslumbro com multiplicidade de aromas, de cores, de sons, de sensações. Passado e presente se entrecruzam na minha mente, enquanto círculo entre as bancas. Lembro José Raimundo dos Santos, meu pai, feirante de Bocaiúva, todos os sábados na Joaquim Costa em Montes Claros, lá conheceu minha mãe.

Fico imaginando como era a vida dele, o que pensava enquanto atendia suas freguesas. Será que também tinha esses devaneios de poesia cotidiana, afinal, era um leitor, me contou minha mãe. Aqui, olho as feirantes com seus rostos moldados pelo tempo oferecendo seus produtos e penso na importância da agricultura familiar. Mas esse assunto fica para o próximo texto. Bom dia!


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segunda-feira, 7 de março de 2022

MEMÓRIA CULTURAL - Tragédia prescrita

 

 

Imagem Internet

            Era uma criança de aproximadamente sete anos, muito apegada ao meu pai. Era sábado, sabia que era dia de feira, porque  ficava contando os dias para que meu pai trouxesse frutas, doces, sempre chegava com a cesta cheia de coisas gostosas. Excepcionalmente neste dia, fui avisada que não havia feira, por causa da eleição,  meu pai tinha saído muito cedo.

             Minha mãe vendo minha inquietude pela casa, resolveu visitar sua sobrinha que havia ganhado criança. Ela tinha costurado camisolas lindas e  levaria para presenteá-la.

            Saímos à tarde, havia um movimento pelas ruas por causa da votação. Não entendia direito aquilo, mas ouvia falar em casa, nas ruas e as pessoas comentavam o tempo todo.

            Na casa da minha prima, podia correr e brincar com outras crianças á vontade. Porém, já tardezinha, entrou correndo pela casa adentro uma mocinha, outra  prima, procurando por minha mãe. Estava ofegante e tão logo avistou minha mãe, já foi disparando:

__”Tia, chegou um tanto de  polícia. Falaram que são polícias das cidades vizinhas para dar reforço ao grupo daqui. Estão armados até os dentes! Falaram que  estão  querendo pegar seu marido e o irmão dele. E os dois  estão no boteco, bebendo ali”. Apontando para a direção.

            Neste mesmo instante, a mãe levantou-se e foi ter com o marido e o cunhado. E eu, também saí em disparada a protestar na  frente de mamãe, implorando e sapateando, típico de quem sabia fazer birra, para conseguir o que quer: __“Eu quero ir, também. Deixa eu ir. Eu quero ver meu pai” .

Não deu outra, minha mãe, pegou minha mãozinha e saiu ligeiro para o bar. Logo avistou o marido e o cunhado  e vários homens bebendo, pareciam comemorar algo. Ela tentou lhe avisar dos policiais na cidade, pediu que pelo menos guardasse as armas, não era seguro. Porém meu pai ficou irritado e até gritou dizendo: __” Ninguém manda em mim. Daqui não saio! “

            Mas o irmão do meu pai, lhe acalmou e propôs a saída juntos: eu, mãe, pai e meu tio. Tínhamos acabado de entrar num carro, tipo jipe, quando aproximou-se muitos policiais armados, rodearam o carro, dando voz de prisão aos dois. Cercados meu pai e seu irmão, desceram do carro, com as mãos levantadas, recriminando aquela ordem, sem motivo.

             Quando olhei em direção ao bar, havia um corre-corre de pessoas fugindo. Estávamos sozinhas, naquela situação, assisti as cenas mais cruéis! Aqueles policiais  batendo no meu pai e no meu tio. Para mim e minha mãe só restava pedir aos gritos e em prantos. Uma gritava: “Não bate no meu marido, pelo amor de Deus!” e eu, tremendo, pulava de desespero, querendo salvar meu pai, levando  ponta-pés, chutes e murros: __”Pai, ele é meu pai, larga ele, faz isso com ele , não”...

            Após aquela sessão de espancamento, minha mãe e eu conseguimos levar  meu pai para dentro do recinto daquele bar, colocando-o sentado, todo ensangüentado e machucado.

            Eu de um lado e minha mãe do outro, em prantos e apavoradas, quando levantei os olhos, avistei um  homem na porta do bar, com sua arma apontada que disparou num golpe certeiro, no peito de meu pai, já indefeso e ensangüentado. Ali mesmo escorrendo da cadeira, ajoelhando-se. A bala penetrada fez um buraquinho no peito dele, mas estraçalhou-lhe as costas.E minha  voz  ecoou: ___” Você matou meu pai!” Parecia que tinha arrancado as costas de papai, espirrando sangue por todo lado.

Daí, só me lembro de  ser colocada num carro, chorando e implorando que queria  meu pai. Ainda desesperada e assustada, gritava: __”Porque mataram ele? “E o homem dirigindo falava que não tinha matado. Até chegar à casa de  outra sobrinha da minha mãe.

            Soube por conversas às escondidas, que meu tio, foi levado arrastado para a cadeia. E nunca mais soube ao seu respeito, porque fomos embora da cidade, mas nunca consegui esquecer este episódio.

            Em situações assim, nos dias atuais, horrores noticiados contra um país da Europa. Quanta criança atormentada, crescerá sobre estes efeitos nocivos?

             No Vale do Jequitinhonha também já se viu a tormenta provocada pela força bruta da política a “ferro e fogo”. Toda atrocidade fica prescrita um dia, mas os instantes das perdas e violências, jamais serão apagadas das mentes  que os deixarão atordoadas. Aquelas criaturas que sobreviverem, talvez consiga ao menos contar em súbita lucidez e sanidade, como esta menina, que hoje descreve uma tragédia prescrita.  

Contribuição de Frediano Olímpio Martins

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quinta-feira, 3 de março de 2022

DIÁRIO DE LEITURA - Não Acredito em Fantasmas

 

Mascarados, Carnaval Itinga - Foto: Jô Pinto


Diz até que não tem superstição. Mas mente. Nem só nisso, mente sempre. Veja bem, levanta com o esquerdo. Ora, não é tanto faz, não é qualquer pé, só sempre o esquerdo. Vê-se que isso é uma afronta de alguma espécie. E quem se atreve com o que não acredita? Era o carnaval de seus 11 anos. Os pais e o irmão estavam na cada da tia, que ficava logo do lado. Sabia bem onde a mãe guardava as moedas, das quais recebia, em cada noite, duas para festejar.

Teria duas mais.

Na hora de ir para a praça, o bônus. Recebeu duas moedas. Mas tão logo a falta foi sentida, tornou-se a primeira suspeita.

  Fui eu.

  Por quê?

  Não encontrei vocês.

  E por que recebeu outras duas.

  Esqueci.

Ela mente sempre.

A mãe brigou, mas não reouve o furto. Então tudo bem. Saiu um sermão mais encolhida, mas duas moedas mais rica. Duas moedas mais altiva.

No meio do caminho curto entre sua casa e a praça, avistou saindo do escuro, um grupo de mascarados. Malditas tradições. O coração palpitou. Para a história, perdera o medo com a madrinha ainda aos 3 anos. Claro, não se lembrava, mas todos tinham orgulho de contar.

E ela mentia sempre.

Mentiu de novo, porque fingiu, até para si mesma, que esqueceu algo em casa. Levou a mão à testa, deu meia volta e pôs-se a andar, mais rápido que de costume.

Queria acreditar que não havia nada de errado, mas algo a angustiava sensivelmente: por mais que tentasse pensar em qualquer outra coisa, ouvia um barulho que gelava sua barriga. O barulho aumentava e começou a andar mais rápido que qualquer outra vez. O barulho aumentava e, contrariando ao que insistia em se convencer, nem era um barulho qualquer. Havia um mascarado, cujo gemido parecia cada vez mais próximo.

Quis olhar para trás, como fazia sempre que tinha medo, para garantir que não era nada. Mas alguma coisa incomodava que era. O caminho se alongou, ou o tempo que esmoreceu, porque quanto mais caminhava e mais rápido, que não era um seu costume, mais longe parecia de casa.

Ele gemia alto como um vento em noite vazia e assombrada. Barulho de gente é que não era. E, dali para o futuro todo, não se esqueceria nunca mais. Ainda que mentisse.

Tinha o passo pesado, que batia com som de bota preta. Não eram passos rápidos, o que lhe deu mais medo, porque, em paradoxo, o gemido estava cada vez mais próximo. Quase gritou quando a sombra lhe alcançou. Grande, negra, lenta. Sem olhar para trás soube que ele tinha uma grande capa escura que ele movimentava como se sem pressa.

Talvez sua ansiedade é que desacelerasse os movimentos. Talvez.

 

Talvez a lentidão fosse mais uma crueldade. Do mascarado. De drama. Talvez.

Talvez fosse uma espécie de criatura sobrenatural, rápida sendo lenta. Talvez.

Ele gemeu mais alto, e ela desejou que fosse por estar mais perto. A alternativa outra era que fosse intencional. E a intenção seria crueldade. E a crueldade seria para ela, a essa altura, desespero.

Por tocar a maçaneta, gelada, teve que assumir que tremia. Voltou a respirar quando sentiu que a porta estava aberta. Gritou mãe, fingindo que ela estava lá, um pouco para assustá-lo, um pouco para acalmar-se. Entrou num relance, mas ainda pôde sentir a capa grande, negra e lenta tocando sua pele. Estremeceu.

Trancou a porta sem perceber.

Quando percebeu, alguns segundos depois, sentiu-se de alguma forma segura. Deu dois passos lentos para dentro da sala. Possivelmente, não havia ninguém em casa. Ouvia os passos e os gritos de outros mascarados descendo a rua. Arriscou mais uns passos.

Quando achou que poderia voltar a viver, ouviu mais uma vez o gemido vazio e cruel lhe assombrando.

Correu os olhos pela sala, para decidir para onde fugiria. Ele não estava lá dentro. Mas estava lá. Olhou para janela e viu, a máscara de palhaço, com cabelo alaranjado, sorriso irônico, e nariz vermelho. Não era tão feia. Pior mesmo foi olhar para seus olhos, que não existiam. Eram apenas dois vazios, totalmente negros e lentos. Não podia se mexer. Nem ele. Estava também preso. Ela não sabia se no receio ou na alegria de ser descoberto.

Ficou ali perdida na escuridão do medo, até que ele, grande, ergueu lentamente sua capa, escondendo o vazio que era, e caminhando lentamente, alcançou com facilidade o restante do bando de mascarados.

Queria ir até a janela, ver que ele ria de seu medo com os outros mascarados, ver que ele corria de cachorros, ver que ele existia de alguma forma, que não no vazio e na escuridão.

Não foi.

Quando a mãe chegou, confirmou para ela e inventou para si que havia esquecido o batom, que antes nunca levou, mas que então queria levar.

Saiu como se aquele momento não tivesse existido. Como se tivesse sonhado. Brincou, brincou, mas não sem olhar volta e meia ao seu redor, apenas para se certificar de que nenhum mascarado grande se atreveria a se aproximar. Olhava sempre para os olhos.

Voltou no horário marcado. Não por costume, que por regra nunca chegava no horário marcado, que era outra sua afronta, e mentia sempre, um novo motivo, ou um motivo esquecido, ou umas poucas vezes um motivo real. quando o motivo era real sentia medo, do castigo. Só mais um detalhe dela. Dessa vez não queria castigo. Fez quase todo o trajeto

Cresceu fingindo que crescia como se aquele momento não tivesse existido. Como se tivesse sonhado. Mas manteve a mania de olhar nos olhos. De tudo.

Era o carnaval de seus 30 anos. Os pais e o irmão estavam na casa da tia, que era logo ao lado. Pegou o dinheiro que ganhava e saiu. Brincou, brincou, mas não sem olhar volta e meia ao seu redor, apenas para se certificar de que nenhum mascarado grande se atrevia. Buscava sempre os olhos.

  Parece que você tem medo de mascarado.

  Não por superstições.

  Então pelo quê?

  São muito ousados.

  E por que não se afasta ao invés de encará-los.

  Por coragem – ela mentia sempre. Deu de ombros.

  Mas, certa vez conheci um mascarado sem olhos.

   Não é você quem diz que não acredita em fantasmas? Como pode existir um mascarado sem olho?

  Não acredito mesmo. Mas que esse existe, existe.


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