quinta-feira, 27 de agosto de 2020

NARRATIVAS DO FESTIVALE - Por Jô Pinto

 


Boi duro - Salto da Divisa /Foto: Jô Pinto


Festivale do recomeçar

Por Jô Pinto


1997, ano triste para o movimento cultural, pela primeira vez o Festivale deixava de acontecer depois de 17 ininterruptos, uma tradição foi quebrada, e isso causou de fato muitas tristezas a todos e com certeza havia o medo do FESTIVALE deixar de existir.

Mas para nossa alegria no dia 19 de Agosto de 1997, aconteceu uma reunião debaixo de um pé de manga na casa do então prefeito de Itinga Charles Azevedo Ferraz, estavam presentes além do prefeito o secretario municipal de cultura o artesão Ulisses Mendes, do recém-criado M.C. I – Movimento Cultural Itinguense estavam presentes, Jô Pinto, Christiane Cardoso Teixeira, Celson Santana, Gentil Barbosa, Cássia e Catia Rodrigues, Cleide e Galego da Fecaje se a memória não falha: Marcos Gobira (presidente da Fecaje), Fabiane, Maja e seu Nilton Curió, essa foi à primeira reunião onde a FECAJE trouxe a proposta para Itinga sediar o 18º FESTIVALE de 1998 e para nossa alegria a prefeitura municipal de Itinga e o movimento cultural de Itinga disse sim, iríamos sediar o FESTIVALE e sabíamos que iria ser desafiador, mas desafios fazem parte da vida.

Durante um ano Itinga preparou-se verdadeiramente para preparar e organizar um dos melhores Festivales. Fora inúmeras reuniões, a cidade teve de se adaptar para receber o FESTIVALE.

Chegou o tão sonhado 18º Festivale, sem hotéis os moradores alugaram suas casas, os músicos, poetas, turistas e tantos outros grupos que geralmente só se apresentavam e retornavam alugaram casas e ficaram a semana toda no FESTIVALE, a população de Itinga uniu para de fato fazer o FESTIVALE acontecer de forma linda e foi!

O Festivale recomeçou, voltou, envolveu e emocionou a todos com uma programação diversificada e aconchegante, no ultimo dia de FESTIVALE uma procissão de canoeiros com tochas iluminava o rio Jequitinhonha, na praia o Boi Duro de Salto da Divisa fazia seu cortejo e Josino Medina no cais do porto da Branca entoava varias canções e a emoção tomou conta de todos e assim como rio Jequitinhonha resite, naquele momento também sentimos que o FESTIVALE resistiria, pois é ele é feito por gente, gente que carrega a força do Rio Jequitinhonha nas veias e sendo assim o FESTIVALE como Fênix, completou 18 anos e resurgiu para a alegria do movimento cultural do vale e do país.

O 18º FESTIVALE superou todas as expectativas e por muitos e considerado até hoje um dos mais belos FESTIVALES de todos os tempos, afinal de contas ele foi o FESTIVALE do recomeçar..... continua!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 25 de agosto de 2020

CARTAZES FESTIVALES - 18º Itinga - MG

 


O Décimo oitavo cartaz do FESTIVALE traz a arte de um canoeiro sobre o rio e em sua canoa todas as formas de expressões culturais do vale e ao fundo a natureza típica de nossa região, cerrado e caatinga, o próprio Canoeiro e a peça do artesão Ulisses Mendes é referência a Itinga sede do Festivale.

 O desenho ocupa todo o cartaz e na parte superior os  dizeres:  18º FESTIVALE –  Vale, Vida, Verde, Versos e Viola. Abaixo Festival de Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha, 22 a 26 de Julho 1998.

Realização FECAJE e Prefeitura Municipal de Itinga

O cartaz foi assinado pela desenhista Itinguense Christiane Cardoso Teixeira, vencedora do concurso na cidade para escolha da arte do cartaz

 

Curiosidade

·         Foi o Festivale da maior idade ( completava 18 anos) e tambem o Festivale do recomeçar já que em 1997 o Festivale não foi realizado.

·         O concurso do desenho do cartaz teve 16 artes concorrentes.

 

 

Fonte: Livro “ Festivale: Cultura e resistência de um povo” livro a ser lançado de Jô Pinto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

NARRATIVAS DO FESTIVALE - Por Omar Abrahão

 

Memórias do Festivale

Foto: Eudes Fraga


Omar Abrahão, paulistano radicado em Belém do Pará. Cidadão não! Engenheiro civil formado.

Num ano novo que o Izinho passou em Itaúnas e fez novos amigos, acabou indo a um aniversário em São Paulo. Fui convidado para a mesma festa, conheci Izinho, conversamos sobre a Caravana da Cidadania e ele convidou a conhecer o Festivale.

Em um determinado ano em que o evento não foi realizado, eu participei do Seminário Cultural da FECAJE, em Turmalina. Logo na chegada, Neca realizou a minha inscrição e confeccionou meu crachá. Na hora da despedida, Ângela Freire insistiu para eu entrar no ônibus de Araçuaí. Eu entrei e ... parece que até hoje ainda não saí.

 

 

A barraca do Festivale

Beyblades

Noite literária

Resistência cultural

Boi Janeiro

Os abraços

Feira de artesanato

Oficina de circo 

Lavadeiras

Reencontro de amigos

Vale que vale cantar

Estrada Real 

Alojamentos

Pereira, Figueira, Limoeiro e Laranjeira

Cachaça de Catuji

Os corais

A artesã e o frei

O cartaz do Festivale

Mercado municipal

As cirandas

Baixo Jequitinhonha

O refeitório

Oficina de percussão 

No jequi tem onha

Embaixadores da Lua

Entidades culturais e artísticas 

Peças de teatro

Jornal do Festivale

Festival de música

Mestres artesãos

Comissão de alojamento

Oficina de dança

Bahia - Minas, estrada natural 

Carteiras escolares empilhadas

A escolha da cidade sede

Grupos de cultura popular

Lançamento de livro

Equipes de cozinha dos refeitórios

Viva a reza desse povo 

Médio Jequitinhonha

Encontro cultural da FECAJE

Oficina de canto

Mostra de fotografia

Brinquedos e brincadeiras 

Vale, Vida, Verso e Viola

Sotaque mineiro com baiano

Os Olhos Mansos

Associação dos artesãos

Tribuna do Norte

Drink Paulão

Colchonetes na sala de aula

Casas alugadas

O júri do festival

O desfile de moda no alojamento

Trovadores do Vale

Alto Jequitinhonha

Comissão de palco

Farofa de andu 

Oficinas de artesanato

No caminho dessa cidade, as mulheres são morenas

Os moradores da cidade

Procissão de canoeiros

Brincadeira de roda 

Bão demais da conta 

Casais do Festivale

O inverno

Cadê a chave do cadeado da porta da secretaria do Festivale?

Vale que vale viver

Mostra de oficinas

Certificado do Festivale

O show de encerramento

Saudade antecipada 

Adeus, riacho de areia

Ônibus da prefeitura

Omar, vem lavar pé de menino !

Quem te conhece, não esquece jamais 

Ê, diá !

terça-feira, 18 de agosto de 2020

CARTAZES FESTIVALE - 17º Festivale

 

O Décimo sétimo cartaz do FESTIVALE, traz a arte de um canoeiro sobre o rio de forma estilizada formato de selo postal, e sobre esse cartaz os dizeres:  dizeres 17º FESTIVALE –  Festival da Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha, 13 a 21 de Julho 1996. Sobre as montanhas o Vale, Vida, Verde, Versos e Viola e do lado a o slogan da campanha “S.O.S Jequitinhonha”

No rodapé a data limite para as inscrições do Festival da Canção e Noite literária.

O Cartaz não  faz nem um menção ao autor da arte, como também não traz nem os realizadores, apoiadores e patrocinadores do Fesitval.

Curiosidade

·         Foi o primeiro cartaz em formato horizontal

 

 

Fonte: Livro “ Festivale: Cultura e resistência de um povo” livro a ser lançado de Jô Pinto.

 

 

 

terça-feira, 4 de agosto de 2020

CARTAZES FESTIVALE - 16º Carbonita

O Décimo sexto cartaz do FESTIVALE traz verticalmente os dizeres 16º FESTIVALE – 22 a 30 de Julho 1995, Vale, Vida, Verde, Versos e Viola e do lado Carbonita/MG,  abaixo escrito, XVI Encontro Popular da Cultura do Vale do Jequitinhonha. O cartaz não traz o autor da arte.

Realização: FECAJE e Prefeitura Municipal de Carbonita e o apoio: Secretaria Estadual de Cultura, COPASA e CAF

 

Curiosidade

·  O 16º Festivale foi diferente de todos os outros, ma verdade foi um encontrão da cultura popular do Vale do Jequitinhonha. Sem Festival da Canção, Noite literária e programação reduzidissíma. Evento concentrou em trabalhos em grupo e diretrizes para o FESTIVALE e o movimento cultural.

 

 

Fonte: Livro “ Festivale: Cultura e resistência de um povo” livro a ser lançado de Jô Pinto.

 

 

 

 

 

 

 


domingo, 2 de agosto de 2020

NARRATIVAS DO FESTIVALE - Por Caio Duarte

Caio Duarte nasceu na cidade de Almenara e logo em seguida, com seus pais, foi residir na cidade de Jequitinhonha. Aos 14 anos começou a participar de batucadas que ocorriam na cidade de Jequitinhonha, como “tocador” de surdo, tamborim, caixa, triângulo, etc. Influência esta advinda dos tambores das festas populares como santos reis e boi de janeiro. Com 15 anos foi baterista da banda de baile “Brasil”, no ano de 1977. Aos 17 anos começou a dedilhar o violão e compôs a sua primeira canção, a partir do poema “cadeia velha” do poeta conterrâneo Cláudio Bento.
Já na cidade de Joaíma, em 1980, compõe novas canções ao lado do compositor e poeta Rubens Espíndola, de quem torna-se amigo e frequenta as noitadas do primeiro e segundo Festivale (Julho/(1980/1981), em Itaobim e Pedra Azul, respectivamente, e passa a ser influenciado pelos compositores do Vale do Jequitinhonha como Paulinho Pedra Azul e Rubinho do Vale.
Poeta, compositor, instrumentista, autor de vários livros e belas canções, sendo algumas delas premiadas em Festivais da canção em Minas e outras partes do país.É membro do Coletivo dos Poetas e Escritores do Vale do Jequitinhonha.

 

Em 1979,  vivia eu na cidade de Jequitinhonha desde quando  desembarquei neste mundo  de meu deus, quando de repente caiu nas minhas mãos o famoso cartaz “os procurados “.

Nele havia fotos de Rubinho do Vale, Batuta, ambos artistas da música da cidade de Rubim, entre outras personalidades ligadas à cultura e a outros assuntos naquela ocasião.

O cartaz “os procurados” causou um enorme frisson na minha cabeça  juvenil,  acostumado a conviver com os foliões de santos reis, bois de janeiro e cantadores da cidade de Jequitinhonha (Vide Luiz Preto e Marobá). E a nega de Heraldo.

 Constatei que dali daquele cartaz algo de novo surgia no horizonte agrário e conservador  de nossa região.

No início do ano de 1980  fui assumir meu cargo de mensageiro na agência da Minascaixa, da cidade de Joaíma.

Assim que cheguei lá  alguém me apresentou a Rubens Espíndola, que também era bancário, tocava violão e pertencia a um grupo de teatro local.

Corria o primeiro semestre de 1980, quando tomamos conhecimento de um  evento cultural que veio a ocorrer no mês de julho daquele ano, na cidade de Itaobim. Era a semente dourada do Festivale explodindo no seio da terra.

Rubens Espíndola inscreveu-se no festival da canção,  e ficou entre as  canções classificadas.

De carona embarcamos para Itaobim. Chegando lá não conseguimos vaga nos hotéis e  pensões da cidade, nem tínhamos levado barraca para acamparmos na margem de cá do Rio Jequitinhonha.

Durante o dia com os olhos vidrados assistimos a apresentações de grupos folclóricos e de cantadores, a força da cultura popular do Vale estava ali, com toda a sua magia longeva.

Durante a noite  rolava o festival de música. Jovens de ambos os sexos desfilavam pela cidade, com suas sandálias de couro, vestidos coloridos e batas indianas, a cidade estava linda e o ar que se respirava era bom, saudável, com cheiro e promessa de vida nova no ar.

Numa ocasião daquele final de semana no qual o Festivale nasceu, conheci Chico Rei, compositor e artesão. Na mão dele comprei uma bolsa equivalente a meia tiracolo, de lona com detalhes em couro, na qual eu guardava caneta, cigarros, isqueiro e uma caderneta de anotar sementes de meus primeiros poemas.

Paulinho Pedra Azul foi o ganhador desse primeiro festival da canção, com a música  “Ave Cantadeira”.

Eu e Rubens bebemos pela  primeira vez daquela cachaça boa que é o Festivale  e voltamos para casa embevecidos e convictos de que aquele movimento seria para sempre. E é!

 


quinta-feira, 30 de julho de 2020

NARRATIVAS DO FESTIVALE - Por Shirley de Oliveira

FESTIVALE do amor e da emoção

Por Shirley de Oliveira

 

Shirley de Oliveira, atriz, diretora, produtora cultural, professora de arte e teatro.

Formada em teatro e pós-graduação em gestão pedagógica.

O teatro está presente em minha vida dede os 10 anos quando me apresentava na aula de catecismo. Aos 16 anos fiz minha primeira oficina de Iniciação teatral, foram varias oficinas ate me profissionalizar em 1994, pelo Sated  M.G ( sindicato dos artistas do estado de Minas Gerais).

Atualmente sou atriz e diretora do Grupo Teatral Arte & Vida na cidade de Governador Valadares, participei de vários encontros, todo os festeje e várias edições do FESTIVALE.

 




Falar de Festivale é falar de uma das melhores, se não for a melhor forma de manifestação cultural brasileira.

Já anos 80, não sei precisar a data correta talvez 85 ou 86,ouvi o nome Festivale por Paulinho Pedra Azul em suas andanças por Governador Valadares, novamente ouvi o nome FESTIVALE na Mostra Cultural da FETEMIG em 2001 onde acontecia a presença de alguns grupos de cultura popular que foram apresentar na  cidade Contagem.  No ano de 2002 quando o grupo de teatro do qual fazia parte e umas das integrantes que era natural da cidade de Jordânia e faria participação com a poesia do Claudio Bento da cidade de Jequitinhonha. Mas foi em 2004 quando botei pela primeira vez o pé nas terras do Jequitinhonha, fui convidada para compor o Júri no 1º Festeje que aconteceu na cidade de Jequitinhonha.

Meu primeiro diagnóstico foi SUL REAL. Como assim pessoas que acabara de conhecer me fazia crer que já nos conhecíamos á décadas, em poucas horas de convívio não entendia muito bem aquilo, mas gostava muito. Um misto de prazer, satisfação, alegria, amor, desejo, eu sei que estava muito FELIZ. Uma felicidade que não me cabia, um povo hospitaleiro, amável e feliz.

Entendi que o Festeje, era algo idêntico ao Festivale, claro com um grande foco voltado aos grupos de teatro, foi uma semana magnífica, eu estava maravilhada com tanta euforia daquela gente que emitia um brilho só. Um brilho que me fez chorar durante mais de 15 dias quando retornei para casa, parecia que faltava uma parte de mim. Meu desejo era está junto de todas aquelas pessoas, eu queria mais muito mais, não esperava a hora do Festivale,  para reencontrar todo aquele povo que me enfeitiçou, era mês de janeiro e fiquei na expectativa de  chegar o mês de julho para o Festivale eu encontrar.

 E lá foi eu, desembarquei em Salinas, mas fiquei somente 3 dias no evento, me sentir desolada e me perguntava onde estava todo mundo, percebi que era uma cidade maior, e poucas pessoas encontrei por lá. Aquele o calor humano que havia encontrado no festeje na cidade de Jequitinhonha estava diferente pois tinha muitas pessoas que não conhecia. Foi então que entendi que para sentir Festivale você tem que ficar o evento todo.

O tempo passou, 2005 não aconteceu o Festivale e 2006 desembarquei em Araçuaí, desde então continuei acompanhado o Festivale, fazendo oficinas, ministrando oficina e dando aquele apoio na secretaria.

Já disse por diversas vezes aos amigos, que já passou da hora de receber o título de cidadão honorário do vale do Jequitinhonha. (risos) rsss. Enquanto tiver vida e saúde estarei no Vale, seja onde for.

 

 

 

 

 

 

 

 


terça-feira, 28 de julho de 2020

CARTAZ FESTIVALE - 15º Salto da Divisa




O Décimo quinto cartaz do FESTIVALE traz na parte superior  15º FESTIVALE – Festival de Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha de 15 a 24 de Julho  1994, arte do cartaz traz uma mapa da trajetória do Rio Jequitinhonha, saindo de sua nascente no Serro e perpassa por varias cidades ate chegar em Salto da Divisa, o cartaz não traz o autor da arte. Abaixo do cartaz tem uma mensagem “Dedicamos XV Festivale ao grande companheiro Zizinho “ Partiu, foi fazer folia no céu”

Promoção e Realização: FECAJE, Prefeitura Municipal de Salto da Divisa e Movimento de Cultura popular de Salto da Divisa
 Patrocínio: a Secretaria de Estado do Trabalho e Ação Social, Secretaria de Estado da Cultura, COPASA, CEMIG, Conselho Estadual da Juventude, Ministério do Bem Estar Social, Coordenadoria Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência
 Apoio: Cultural veio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, AMAJE, AMEJE, AMBAJE, Câmara Municipal do Salto da Divisa, Prefeituras Municipais do Vale e TV minas.   
 Obs: se alguém souber quem é o autor da arte do cartaz nos avise

Fonte: Livro “ Festivale: Cultura e resistência de um povo” livro a ser lançado de Jô Pinto.

domingo, 26 de julho de 2020

NARRATIVAS DO FESTIVALE - Por Ângela Freire



Catopês do Divino Espirito Santo - Bocaiuva 

Um olhar de FÉ... Popular!
Por Ângela Freire

Ser voluntária no Festivale é uma prática corriqueira deste evento. Talvez seja esta forma de produzir o Festivale, que se mantêm por tanto tempo, como um dos festivais mais antigos de Minas Gerais. Nesta veia jugular estão as pessoas oriundas de várias  cidades, que se dispõem a colaborar pelo simples fato de ajudar, assim a cidade que sedia  um FESTIVALE, vira nesta ocasião um reduto de cultura, ponto de encontro de artistas, agentes culturais,  artesãos  e fazedores de uma única linguagem cultural.
            No encontro de grupos de cultura popular é  a expressão que envolve o profano e o sagrado, pois a maioria das manifestações  trazem o contexto histórico da memória  afro-brasileira, revelando  em suas variedades de formas  com sua multiplicidade cultural. Entre estes, encontra-se os Catopés de Bocaiúva, com sua devoção envolta em seu movimento ritmado entre cores, caixas, tambores, chocalhos e repiques. Quando os Catopés entram numa cidade com suas indumentárias, primeiro pedem  as bênçãos celestiais dos seus protetores. Manda o ensinamento que devem entrar numa igreja mais próxima.
            Num destes festivais, a voluntária  que conduziria o grupo, sabia apenas do roteiro das ruas e não atentou-se de pedir ao padre, permissão para  deixar o cortejo adentrar-se a igreja. O Senhor, patriarca e responsável pelo grupo, percebendo que a jovem não falara nada sobre a igreja que  deveriam ir, logo perguntou: __ O padre vai estar na igreja? Por quê a gente só sai no cortejo, depois das nossas orações! A jovem sorriu timidamente, e não sabia o que fazer naquele momento, porque não reservara a igreja e sabia que havia uma ordenação de uma freira. Tentou argumentar para rezar na porta somente, e o bondoso mestre, lhe ensinou naquele instante, o que serviu para toda uma vida: Quando um grupo entra numa igreja com seu rito, está ali, pedindo proteção e pedindo aos seus ancestrais para proteger  o povo todo, intercede ali pela cidade. Só assim podem sair em cortejo pelas ruas, protegidos e concedidos à missão de transmitir energia dos seus entes. Descobri que não se trata de um simples cortejo, é uma comunicação transcendental!
            Mas a jovem  desesperada, com mais de 40 pessoas ao seu redor, assumiu a tarefa que lhes tinham confiado, seriamente, virou-se para o mestre: _ Não se preocupe, o padre vai estar esperando, vai estar celebrando a ordenação de uma freira, então iremos oferecer as orações por ela também. Assim o mestre concordou. E começou o cortejo até a matriz, logo, a jovem se postou a frente, deixando o cortejo um pouco atrás, foi ter com o padre em plena celebração. A jovem pediu ao vigário, para deixar os Catopés fazerem uma pequena homenagem a noviça. Ele achou de bom grado, desde que fosse breve. Neste instante o grupo já estava á porta adentrou-se ao centro da igreja e ajoelham-se aos pés do Cristo  e inicia  seu ritual com suas rezas e cantos.
            O povo ao redor sem entender nada, aplaudiram, acharam que fazia parte da cerimônia. A jovem pegou o microfone e anunciou a homenagem dos Catopés para a jovem religiosa. O Grupo se levanta, vira em direção a jovem e começa a cantar e dançar ao redor da jovem religiosa, que não sabia como se portar, causando estranheza aos fiéis, acostumados as tradicionais ave-marias e hinos clássicos da igreja. O som dos chocalhos nos pés e o coloridos das fitas, transformaram por completo o ambiente, o padre nesta altura, vermelho de raiva, pois já passava mais de uma hora naquela cantoria. A jovem finalmente consegue reconduzir o cortejo para as ruas, deixando o padre na sua celebração tradicional, que só lhe restava, dar as bênçãos finais.
            Para algumas pessoas que estavam naquele FESTIVALE, pela primeira vez, até hoje se recordam da linda homenagem a religiosa, só não sabem que aquilo não havia sido programado.



sexta-feira, 24 de julho de 2020

PARABÉNS FESTIVALE !



Há exatos 40 anos, no dia 25 de Julho de 1980 na cidade de Itaobim começava a primeira edição do FESTIVALE.
E este se tornou um dos mais importantes Festivais de Cultura Popular de todo país e sem duvidas e a maior celebração do povo do Jequitinhonha.
Nosso blog tem muito orgulho de estar completando 10 anos e coincidentemente prestar uma justa homenagem a este evento e a todos que direto ou indiretamente ajudaram a fortalecer suas bases para que hoje ele chegasse aos seus  40 anos de existência e 36 edições realizadas.
E se você se pergunta, porque foi criado o FESTIVALE? Eis sua resposta!

PORQUE PROMOVEMOS O FESTIVAL?
    Apesar de tão pobres economicamente, todos sabem o quanto é rico em cultura popular o Vale do Jequitinhonha. Baseada no dia a dia de seu povo, na fé religiosa, em historias que suplantam o tempo e entraram para o folclore, na assimilação e adaptação de outras culturas que vieram com retirantes nordeste brasileiro e aqui ficaram, a cultura popular do Vale é um patrimônio que precisa, e deve, ser conservada.
    Paralela a essa cultura está o grito daquele que começa a acordar e lutar contra as injustiças sociais que predominam no vale, e que o colocam em forma musical todo o seu anseio por melhores condições de vida.
     Porém, faltam oportunidades; ao folclore, para mostrar suas festas, suas raízes; ao artesão, locais condignos para mostrar seu trabalho; ao cantador, pra cantar a terra, o sol, o rio, o amor e a gente do lugar, já que a cultura importada começa a predominar no vale. Daí, o porque do “FESTIVALE”.
   Assim, como todas as outras promoções culturais do Geraes (Concurso de Contos e Poesias, show “procurados”, show “acorda Jequitinhonha”), o” FESTIVALE” busca, além da integração entre cidades e o maior relacionamento entre aqueles que fazem da arte sua vida, mostrar raízes e a verdadeira cultura do Vale do Jequitinhonha.
    O “FESTIVALE” não é apenas um concurso de prêmios. É um esforço maior no sentido de manter viva a luta pela preservação da cultura e por melhores condições de vida. E esta luta deve ser de todos, por isso, participe. O “FESTIVALE” é seu.

Jornal Geraes, Julho de 1980.


Parabéns!
Festival da Cultura Popular do Vale do Jequitinhonha – FESTIVALE
Continue a encantar gerações e gerações neste VALE que tem VIDA, VERDE, VERSOS  e VIOLA

Gratidão! Jô Pinto, madrugada do inverno de 25 de Julho de 2020 na minha querida Itinga.


quinta-feira, 23 de julho de 2020

NARRATIVAS DO FESTIVALE -Por Aender Reis


Músico percussionista, compositor, arte educador, pesquisador cultural autodidata. O interesse pelos sons, mais especificamente, por percussão, começou aos seis anos de idade, quando na sua terra natal, São Pedro dos Ferros, zona da mata mineira, assistindo às apresentações da banda de música Lyra Carlos Gomes, repetia os sons dos taróis, bumbos em vários objetos, brinquedos, etc. Hoje, com mais de vinte anos de profissão, muitos palcos e bares da vida, Aender Reis tem seu nome lembrado e reconhecido por vários artistas, e tem parcerias com compositores, em algumas canções. Leciona percussão e com uma versatilidade rítmica, passeia por diversos gêneros musicais, além de desenvolver trabalhos como regente/mestre de bateria em vários blocos de carnaval de Belo Horizonte.

EU E O FESTIVALE - Uma história de amor e de amor!

Por Aender Reis


O ano de dois mil e seis transcorria normalmente. Faculdade, trabalho, casa, ensaios, casa. Até a coisa apertar financeiramente, e eu ter que procurar alguma bolsa na faculdade pra aliviar o peso (e bota peso nisso) da mensalidade. Vejo no mural, um anúncio de admissão em um grupo de Dança Afro. Fui, me inscrevi e comecei na dança, pensando apenas na bolsa que aliviaria bastante a mensalidade. Um dia, alguém que tocava na percussão (eram vários, todos alunos da faculdade) não foi, e eu, na cara dura, pedi o Professor, professor não, Mestre, meu ídolo, amigo, irmão, paizão de tambor, Marcinho Martins para tocar, e ele autorizou. A partir daquele dia, passei para a percussão e não parei mais. Foram várias apresentações, até que no fim de junho, o hoje meu amigo/irmão Evandro Passos me convida para em julho daquele ano,2006, ir para Milho Verde, tocar numa oficina de Dança Afro. Aceitei, juntei as roupas e fui... Foi uma semana mágica, de muito aprendizado, muita troca, uma energia única. Quando estava chegando em Belo Horizonte, recebo um telefonema do Evandro dizendo que o ônibus para o Festivale estava quase de saída, e que ele tinha colocado meu nome para tocar na oficina dele lá também. Liguei pra minha mãe do telefone público, avisei que tava indo para uma tal de Araçuaí, para um tal de Festivale, que até então eu só tinha ouvido (e muito, muitas vezes) falar. Entrei no ônibus, literalmente apaguei, não vi acho que dez quilômetros da viagem. No outro dia, às onze da manhã, chegamos em Araçuaí. Parecia a parte ll do sonho que eu tinha acabado de viver em Milho Verde...e realmente foi. Um lugar quente, um povo caloroso, extremamente receptivo, enfim. Disse isso logo que cheguei à uma moça, e ela me respondeu assim: "Bem-vindo ao Vale do Jequitinhonha"! A partir dessas boas vindas, tudo que aconteceu, foi mágico, um sonho daqueles que a gente não quer acordar de jeito nenhum... Grupos de Cultura Popular na rua, gente feliz, artesanato, teatro de rua... Ah, gente, eu dizia: Quando eu morrer, quero ir para um lugar assim! E todos riam... Inclusive eu. A noite, mais sonhos: Shows, Festival da Canção, Noite Literária, e quando eu pensava que tinha acabado... Vinha uma tal de Barraca do Festivale... Gente, o que fiz de contatos, que viraram amizades, que viraram irmandades, cês não têm ideia. OBS: Tô escrevendo, chorando, e vendo Josino Medina com o Boi Menino no pátio da escola Industrial aqui na mente, pulando nos shows de Rubinho, Pereira, Tau, Wilson, Celso Moretti, Cessando Areia com Carlos Farias e as Lavadeiras, meus vizinhos do Tambolelê, tô no palco com o Coral Araras Grandes, na beira do Rio Araçuaí benzendo as águas com as Lavadeiras, mas também lamentando não ter podido dar uma canja no show de um tal de Verono. Mas tô emocionado também, e com um refrão na cabeça, que diz assim: "O Jequitinhonha, o Jequitinhonha, o Rio de histórias e dor. O Jequitinhonha, o Jequitinhonha, o Rio de histórias e amor" (Walter Dias) Histórias que vivi em tantos outros Festivales, e amor...o amor que nutri pelo Vale do Jequitinhonha, e que sinto, foi e é recíproco. O jovem que "caiu de paraquedas" num tal de Festivale, se apaixonou pelo Festi e hoje não vive sem o Vale! Viva o Festivale! Viva o Vale, Vida, Verde, Versos e Viola!
Aender Reis Músico Percussionista, compositor e um eterno amante e defensor do Vale do Jequitinhonha!



quarta-feira, 22 de julho de 2020

CARTAZ FESTIVALE - 14º Minas Novas


O Décimo quarto cartaz do FESTIVALE traz na parte superior  Minas Novas Julho de 1993  - 16 a 25 de Julho e abaixo 14º FESTIVALE. Todas estas escritas em um desenho assinado por Vânia Beatriz.
Abaixo
Patrocínio: Acesita energética, Conselho estadual da juventude,  SESI - Sistema FIEMG, COPASA, Secretaria de Estado da Cultura, Secretaria de Estado de Trabalho e ação Social, Secretaria de Estado de Educação e Loteria Mineira.
Promoção e a realização foram da FECAJE e do Centro Cultural Popular de Minas Novas; a Co – Promoção  foi da  Prefeitura municipal de Minas Novas; o
Apoio Centro de Cultura Popular de Minas Novas, Prefeituras Municipais do Vale e Decelt e IEF

Curiosidade:

·         É o único cartaz que não tem o slogam do FESTIVALE: Vale, Vida, Verso e Viola

Fonte: Livro “ Festivale: Cultura e resistência de um povo” livro a ser lançado de Jô Pinto.







CONTOS E CRÔNICAS DO JEQUI - A lenda da Acayaca

   A lenda da Acayaca se baseia nos arredores do Arraial do Tejuco, onde atualmente, se estabelece o centro histórico da cidade de Diamantin...