quinta-feira, 8 de agosto de 2019

DIÁRIO DE LEITURA - Livro "Ancestralidades"


O Livro “Ancestralidades” Coletânea de Escritores Negros, foi organizado pela mineira Karine Oliveira, escritora e idealizadora da editora Venas Abiertas.
Foram convidados a participar dessa coletânea 22 escritores negros (Bim Oyoko, Bruno Cardoso Mattos, Carlos Melo, Duan Kisonde, Evanilton Gonçalves, Felipe Mikito, Felipe Beluca, Franco Vandereste, Igor Chico, Jessé Cabral, Jô Pinto, José Falero, Kodosh Miranda, Kuma França, Leandro Zerê, Oju, Rafael Moyses, Rômulo Marcolino, Tarciso Manfrenatti, Thiago Amepreta, Tônio Caetano, Ygor Peniche), oriundos de diversos estados brasileiros, no qual trazem suas vivencias sociais, políticas e culturais e que expressão estas em palavras, palavras que tem o peso da ancestralidade negra enraizada em nosso SERhumano.
Eu, como um dos autores do livro torno-me suspeito para falar da qualidade literária encontradas em 194 paginas impregnadas de palavras fortes e conscientes, amor e compreensão, diversidade social e cultural.
São palavras de escritores negros, cada um vindo de uma realidade e que tentam através das palavras fazer a diferença para outros irmãos que também sonham com a oportunidade de se expressar nas mais variáveis vertentes.
Para concluir a importância deste livro, peço licença a Ricardo Aleixo para citar algo do que ele escreveu no prefacio do livro.
“Daí a pertinência do titulo: Ancestralidade remete não apenas ao passado, a quem já se foi, mas também a quem ainda não veio. Para que a palavras de quem veio antes de nós possa continuar a ser proferida e ouvida é preciso cogitar a hipótese de continuará a haver vidas negras pulsando no planeta, depois de nossa breve passagem pelo mundo”.

Por




segunda-feira, 29 de julho de 2019

MEMÓRIA CULTURAL - FESTIVALE - Resistência e Diversidade



A 36ª Edição do FESTIVALE nos provou e nos mostrou o quanto à palavra RESISTÊNCIA significa para todos aqueles que acompanham esse movimento de cultura popular, singular e único no sentido mas profundo da palavra.
Foi uma semana de superação e união para que nosso evento maior pudesse acontecer, e o movimento cultural do Vale do Jequi o fez acontecer, não nos cabe apontar aqui nesse texto os desafios que foram, mas falaremos das belezas que produzimos, das resistências que se fizeram necessárias em um ano onde cenário político nacional refletiu com todo força no FESTIVALE.
Belmonte, na parte do Jequitinhonha baiano jamais será mesma, nenhum de nós seremos os mesmos, transformados estamos em seres humanos que superaram preconceitos raros dentro do FESTIVALE e no  movimento cultural de nosso querido vale, mas no qual é o reflexo de um pais cujo ódio contra as minorias anda muito lactante e com aval explicito.
             Reencontramos amigos, fizemos novas e belas amizades, abraçamos, beijamos e olhamos inúmeras vezes o por do sol no abraço do Jequitinhonha com o mar e quantos fotos foram eternizadas deste momento.
Vimos às religiões de matrizes africanas saírem pelas ruas, mostrando sua beleza e seus cantos, suas vestimentas, seus cheiros, sua fé e sobre as margens do rio Jequitinhonha, junto como os irmãos indígenas, abençoaram as águas pedindo a Oxum Rainha das Águas Doce e Iemanjá, Rainha das Águas Salgadas a proteção a todos em especial aos que estavam no FESTIVALE. Mas estes mesmos povos também foram as ruas pedir respeito as religiões de matrizes africanas da cidade que há tempos sofrem a intolerância dos pseudos coronéis da região e os intolerantes de outras religiões.
A literatura passeou pelas ruas, cordéis, varais, recitais e em uma noite literária aonde vimos o afago das palavras, e essas mesmas palavras pediram basta contra a violência que atinge tantos travestis e transexuais no vale e no país, a voz ecou e o poema denunciou e todos se emocionaram com uma dor que é de todos nós a dor de ser tratado diferente quando somos todos iguais.
E a canção tocou corações, teve suas torcidas, mas afinal cantar o vale do Jequitinhonha ainda é uma bela canção e cantamos em alto e bom som; deixamos as águas vindas de Diamantina chegarem até o mar, trazendo suas as histórias de cada lugarzinho que ele passou.
Nossa arte, artesanato encontrou se nos braços de um antigo galpão que outrora era um entreposto comercial de um Brasil colônia, e ali a arte foi admirada, contemplada e seus mestres reverenciados e nos remeteu a passado onde nosso Jequitinhonha baiano e mineiro viviam se as divisões geográficas.
Shows, viola, violão, contos e canção o palco e barraca FESTIVALE receberam os das antigas e abriram portas aos novos revigorando e reinventado nosso cantar. A voz na canção também foi usada para denunciar, refletir e mostrar que nós somos maiores que os preconceitos estabelecidos.
Debatemos, encontramos, mulheres, poetas, escritores, LGBT, minorias, porque dialogar ainda é um caminho a se seguir. E neste espaço da democracia cultural e tambem o nosso espaço, porque emanamos dos mesmos desejos e sonhos.
Vimos o fundador de tudo isso ser eternizado em uma comenda com seu nome “Tadeu Martins” para sempre homenageado, justo e necessário em nome de tantos outros que construíram as bases de tudo que temos.
Ensinamos! E a mostra das oficinas nos emocionou e nos alegrou, sabemos que as futuras gerações estão se qualificando para manter viva a cultura popular;
Cultura popular! Fonte que todos nós bebemos, desfilou bonito pelas ruas da cidade, vimos os terreiros de candomblé junto com as folias de reis, Bois de Janeiro, Guaranis, tupinambás, capoeira e afrouxe, é a diversidade que encanta , respeita e ser curva de admiração, sem pré-conceitos.
O FESTIVALE deste ano foi um tempero que deu certo, mostramos e demonstramos que o FESTIVALE é o Festival da Cultura Popular, mas também da resistência, da igualdade da diversidade e acima de tudo do respeito.
FESTIVALE fecha o ciclo da nascente em 1987 à foz em 2019, ou podemos dizer começa um novo ciclo, precisamos repensar conceitos sem perder a essência da nostalgia e respeito à história, fazer e estar no FESTIVALE é um aprendizado, só entende quem teve a honra de conhecê-lo.

Que o FESTIVALE continue a provocar a reflexão e discussão, continuemos sendo RESISTÊNCIA, respeitando o direito individual e coletivo, que este seja como sempre foi o encontro de todas as RAÇAS, CRENÇAS e GÊNEROS.... Diversos somos e sempre seremos. Vale, Vida, Verde, Versos e Viola
  Por


segunda-feira, 15 de julho de 2019

MEMÓRIA CULTURAL / FESTIVALE - da nascente a Foz do Rio Jequitinhonha


A edição do FESTIVALE deste ano será diferenciada, o evento maior do Vale do Jequitinhonha deixará Minas e fará pouso na Bahia, porem é necessário entender a trajetória deste percurso.
O FESTIVALE tem sua origem na cidade de Itaobim em 1980, no Médio Jequi, porem o FESTIVALE só foi conhecer o grande responsável pela sua existência somente na 8ª edição, ou seja, na cidade do Serro, no Alto Jequi, cidade onde nasce ainda tímido aquele que é responsável pela vida pulsante desta região em todos os aspectos: Sociais, Políticos, Ambientais e Culturais, estamos falando do nosso rio grande, nosso “Jequitinhonha”.
Aquela edição do FESTIVALE foi muito especial, nesta se começou a realizar as oficinas de formação diversas no evento, dando uma nova roupagem e assim o FESTIVALE percorreu o vale do Jequitinhonha em sua porção mineira, tornando o plural e diverso, mas o FESTIVALE queria conhecer a foz de seu rio, saber para onde o rio levava toda nossa existência.
O FESTIVALE sempre quis conhecer o seu lado baiano, para poder celebrar o encontro do rio com o mar envoltos de sua cultura popular, várias foram às tentativas, mas os mais variados motivos sempre adiaram esse encontro, mas por fim, 32 anos após conhecer nascente do Rio Jequitinhonha, o FESTIVALE finalmente chega à cidade baiana de Belmonte para conhecer sua foz, expectativas são muitas e nos vem à pergunta como será o FESTIVALE no Vale do Jequitinhonha baiano? Acredito que sem muitas diferenças do ponto de vista do FESTIVALE, já que nosso FESTIVALE é uma celebração, nosso fazer cultural, do reencontro com amigos, do fazer novos amigos, da conversa no boteco, regada com uma boa cachaça, do batuque e da roda, do beijar e abraçar, do choro e alegria, da emocionar com canção dedilhada na viola de um trovador, da poesia acalanta a alma declamada por um dos inúmeros poetas nas ruas e ruelas, das brincadeiras de crianças, do muro pintado, do teatro na rua, das oficinas que ensinam e cortejam a cidade, da arte expressada no artesanato, da cultura popular com suas cores em Bois, Folias, Marujadas, Congadas, pastorinhas, tambozeiros e reisados, dos comprimentos de um ano de espera e despedidas sofridas para esperar mais um ano para o próximo encontro e tudo isso é bonito de se ver, de sentir em qualquer lugar, seja em terra Mineiras ou Baianas.
Mas tenho absoluta certeza que este ano terá um gostinho especial com uma pitadinha de sal na águas doce do Jequi chegando ao mar, aonde todos nós iremos mas uma vez Festejar o nosso patrimônio cultural maior, Nosso FESTIVALE, nessa cidade que recebe toda história do Jequitinhonha e a conduz ao mar.
Belmonte, abra suas portas, pois já estamos a chegar, nós do vale mineiro queremos encontrar vocês do vale baiano, afinal de contas essa ano o tema é “Dos Vales ao mar” que rima com abraçar e que terá a bênção de todos os Santos e dos orixás.
Vale, Vida, Verde, Versos e Viola

Nos vemos por lá

Jô Pinto





segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

GIRO PELO VALE - Comunidade Quilombola dos Baú em Luto - Morre Tia Preta

Arquivo da Família
A história da vida perpassa pelo nascimento, pela vida construída e por fim a morte, e Dona Heroína, Tia Heroína, ou simplesmente Tia Preta, cumpriu sua missão, uma das matriarcas da Comunidade Quilombola Baú, na região de Santana, município de Araçuaí´, ela hoje partiu com idade de 98 anos, idade que foi registrada, mas que talvez já tenha passado dos 100 a muito tempo, viu as dores da crueldade e da luta para se manterem em seu território, transmitiu para as novas gerações as dores de injustiças que os seus passaram que foi contada pelos seus pais e pelos pais de seus pais. deixou também, as rezas, as danças e o espirito de comunhão que une a comunidade.
A morte de uma pessoa idosa é sempre a perca de uma biblioteca,..fica a saudade e a certeza que ela deixou um legado de sabedorias, saberes e sabores para todo o Vale do Jequitinhonha.

Por:


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

GIRO PELO VALE - Cultura de Itinga de luto - Morre o Artesão Seu Juarez


Esse dia 07 de Fevereiro de 2019, vem carregado de tristeza, a cultura e a cidade de Itinga, perdeu um dos seus grandes: Juarez Pereira Marques, mas conhecido como " Seu Juarez"  o grande artista do entalhamento. autodidata aprendeu desde moço a entalhar na madeira replicas perfeitas de carros e maquinas pesadas, alem de outras esculturas. suas peças ricas em detalhes fazia parecer um automóvel real em tamanho pequeno, participou de feiras de artesanato levando e elevando o nome de Itinga a outros quadrantes,. ensinou seu oficio a seus filhos que tambem são grandes artistas, mesmo que não dediquem a este oficio.
Fica para nós o legado do homem, do artista, pai, esposo e um cidadão impar, que contribui para o engrandecimento da cultura de Itinga, através de sua arte. e esta continuará viva é pode ser vista no Memorial que sua família criou para homenageá-lo  ainda em vida, se encontra no Distrito de Taquaral de Minas em Itinga/MG.


"meu artista, Dono da coragem e da força, virtudes de um verdadeiro homem; Um homem que sabe compreender os passos da vida e a maneira certa de ensinar o que é viver. Seu Juarez, que sua coragem e força se tornam cada vez mais imensas. Pai, uma palavra pequena mas que quando dita se transforma em uma infinidade de valores...

Maristela Marques - ( Filha de Seu Juarez)



Rogo a Nossa Senhora do Rosário que receba meu amigo e o conduza aos braços do Pai e que conforte a família neste momento de suma tristeza.


quinta-feira, 1 de novembro de 2018

GIRO PELO VALE - A mestra artesã Zefa deixa cultura do vale em luto


E com pesar que recebemos a noticia que essa grande mulher, nordestina, guerreira e uma artista impar fez a sua passagem espiritual, escolheu o vale para ser seu lar, nos deixou sua arte imortalizada para essa e futuras gerações, a nós do vale só nos resta dizer muito obrigado por tudo, que nossa Senhora do Rosário a conduza ao braços do pai.
Cabeças, bichos, barulho do toque da madeira, formão na mão, inspiração, hoje a madeira não virará arte, carregará a artista, que em planos maiores outras esculturas escupirá, fazendo da eternidade uma bela e grandiosa galeria de arte com a marca de uma grande mulher
Jô Pinto
Histórico
Nascida no interior de Sergipe, na cidade de Poço Verde, no ano de 1925, Josefa Alves Reis, filha de João Alves dos Reis e Josefa Batista dos Reis, foi criada no sertão da Bahia, driblando a seca. Durante uma delas acabou indo para Araçuaí, em 1962, onde começou a talhar a sua história. Em Araçuaí, junto com Francisca, sua cunhada e grande amiga, que trabalhava como doméstica, Josefa foi buscando seu caminho e rompendo na vida
A Zefa artesã não veio de repente, passou cerca de dez anos de sua caminhada buscando encontrar sua verdadeira vocação que é o artesanato. Começou com pinturas e obras em barro, na verdade, uma mistura de barro úmido, farinha de trigo e cinza. Até sua matéria prima era original.
Abandonou o barro, após três breves e criativos anos, por acreditar que trabalhar com material estava prejudicando sua saúde.
Escolheu então a madeira e esculpiu com traços firmes e originais a sua obra.
Zefa se tornou mestra, conhecendo e sabendo como poucos explorar em suas peças as características naturais das madeiras da região. Emburana, cabiúna, vinhático, cedro, aroeira, braúna preta, jataipeba e outras. O que a natureza rica do Vale fornecia, ela transformava em arte.
Ela conta que hoje possui peças com colecionadores e amigos na Alemanha, França, Itália, Áustria, Holanda e nos Estados Unidos. Mesmo sendo uma das mais premiadas e importantes artistas do Vale do Jequitinhonha, vive de maneira simples e humilde. Nunca se preocupou em acumular posses. Sempre que vendia um de seus trabalhos, preferia comprar um bom pedaço de carne e fazer uma festa com seus vizinhos e amigos.
Desde a morte de Francisca, sete anos atrás, Mestra Zefa quase não trabalha mais a madeira com formão, facão e machado. Mas ainda orienta seus discípulos e recebe bem os visitantes, dividindo suas longas histórias e sabedorias acumuladas ao longo de uma vida.
*Adaptado do texto de João Teixeira Júnior






Fonte:www.ufmg.br/proex/cpinfo/saberesplurais/artista/mestra-zefa/



Por: 


quarta-feira, 15 de agosto de 2018

OPINIÃO DO BLOG - NEABI - Uma porta de dialogo entre os povos tradicionais e o campus IFNMG de Araçuaí


     
Fotos: Lori Figueiró
A história nos mostra que a educação em nosso país, sempre foi elitista e preconceituosa, as minorias tiveram pouco ou nenhum espaço dentro das instituições de ensino federais ou estaduais. Esse reflexo se deve principalmente pela exclusão de negros e indígenas, que não tiveram  oportunidade  no Brasil Imperial  ou período Republicano, permanecendo séculos de separação  e com  seu direito ao estudo, negado.
Precisamos de mecanismos políticos para estar presentes nestas instituições, a política pública de inclusão dessas minorias,  no ensino superior, não são boas ações de  políticos, mas, uma reparação histórica que o estado tem com esse povo.
Quando negros e indígenas se adentram nestas instituições de ensino,  se sentem peixes fora da água, pois estas não foram feitas para receber este público, e, os profissionais em sua maioria  vem de uma formação em que,  a instituição pública é um patrimônio da elite, o qual não torna favorável a esta minoria que consegue alcançar o ensino superior, nem contribui para que estes se sintam no espaço,  que é também seu, por direito.
A resistência e persistência deste povo é bem maior, mesmo com todas as adversidades, cada vez mais estão ocupando todos os espaços de ensino e transformando de tal forma, que já é possível sonha-lo com a  cara do povo brasileiro -  “ Plural e Diverso ”  tanto no corpo discente como no docente.
No Vale do Jequitinhonha, as Instituições públicas federais que chegaram neste decênio, renovaram as esperanças de poder ter um curso superior na região,  sem  precisar  esta longe da família  para ter um estudo de qualidade, porém, estas instituições de ensino também vieram carregadas de seus preconceitos e, o povo negro e indígena que conseguiram acessar tal direito,  sentem na pele, a diferença de tratamento, pois , sentem que  estão em um espaço que não foi feito para eles, mas mesmo assim ocupam, resistem  e  mostram com a sua cor,   crenças,  cultura e muita  luta.
Neste decorrer de luta incessante, conseguiu-se alguns fios de esperanças brotando, portas se abrindo aos poucos, como os NEABIS- Núcleo de Estudos e Pesquisas Afro-brasileiros e Indígenas.  Especialmente o NEABI –  Núcleo de Estudos e Pesquisas Afro-brasileiros e Indígenas do campus do IFNMG – Araçuaí, nascido da base com discussões e propostas coletivas de estudo e formação.
Aconteceu nos dias 10,11 e 12 de agosto, com participação dos povos tradicionais indígenas, quilombolas e outras pessoas envolvidas em movimentos culturais e sociais , estiveram presentes no 1º Ciclo de Formação do nosso NEABI,  na Aldeia Cinta Vermelha Jundiba, na cidade de Araçuaí, MG, que proporcionou momento de encontro, troca de experiência, formação e convivência.
Conscientes que  há um árduo caminho a seguir, passos longos a trilhar, mas, este primeiro encontro, foi capaz de revitalizar os pensamentos de luta, por direitos e a defesa por educação pública, de qualidade e de igualdade.   
  Trouxe ainda a todas as pessoas participantes deste uma sensação de bem estar, por saber que é possível pensar num mundo, numa sociedade e uma educação diferente, de igualdade e respeito as pessoas e a sua cultura.





“Nenhum ser humano é uma ilha... por isso não perguntem por quem os sinos dobram. Eles dobram por cada um, por cada uma, por toda a humanidade. Se grandes são as trevas que se abatem sobre nossos espíritos, maiores ainda são as nossas ânsias por luz. (...) As tragédias dão-nos a dimensão da inumanidade de que somos capazes. Mas também deixam vir à tona o verdadeiramente humano que habita em nós, para além das diferenças de raça, de ideologia e de religião. E esse humano em nós faz com que juntos choremos, juntos nos enxuguemos as lágrimas, juntos oremos, juntos busquemos a justiça, juntos construamos a paz e juntos renunciemos à vingança.“

Leonardo Boff


Assina a matéria:





segunda-feira, 13 de agosto de 2018

MEMÓRIA CULTURAL -Imagens Sacras de Berilo restauradas

Foto:  pagina facebook Alê

             Há dois anos atrás a Paróquia Nossa Senhora da Conceição da cidade de Berilo solicitou a FAOP – Fundação de Artes de Ouro Preto a intervenção  para o restauro das Imagens de Nossa Senhora da Conceição, Santa Efigênia e Santo Antonio. O Conselho Municipal de Patrimônio Cultural deliberou e aprovou o restauro das mesmas, a prefeitura contratou um especialista em restauro de imagens barrocas e na FAOP foi feita toda restauração das imagens.
             As imagens são datadas do século XVIII, sendo que a imagem de Nossa Senhora da Conceição chegou em 1729, data em que foi criada a Paróquia no Arraial de Água Suja, hoje Berilo, já as Imagens de Santa Efigênia e Santo Antonio, pertenciam a antiga Igreja de Nossa Senhora do Rosário, demolida na década de 1980
               Varias são as imagens sacras no vale do Jequitinhonha que precisam de restauro, poucas são as políticas publicas para a preservação destes bens que ajudam a contar nossa História, a iniciativa de Berilo com todas as parcerias é louvável, porem o município ainda tem mais de 18 imagens sacras esperando a oportunidade e recursos para serem preservadas as gerações futuras.
             Acredito que é necessário se pensar uma política especifica  para a preservação do Patrimônio material no Brasil, temos a consciência que a política de ICMS Cultural adotada em Minas Gerais, proporcionou alguns resultados, mas ainda são poucos diante das demandas históricas do estado, principalmente no Vale do Jequitinhonha.
          Que a população de Berilo e de todos que admiram a história possam visitar e conhecer um pouco mais das histórias dessas imagens: Nossa Senhora da Conceição, Santa Efigenia e Santo Antonio, agora restauradas e preservadas para serem admiradas por todos nós.

Foi um dia de muita emoção pra mim. Ir até Ouro preto para receber as Imagens sacras que foram restauradas pela FAOP. Nossa Senhora da Conceição na minha infância fui consagrado a ela em um momento muito delicado. Santo Antonio,o qual minha comunidade tem forte devoção. E Santa Efigenia. Sou congadeiro e veja sua figura como um marco da historia negra.

Alê do Rosário
Congadeiro e Diretor do Departamento Municipal de Cultura de Berilo

Por

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

GIRO PELO VALE - Comunidades quilombolas do Vale do Jequitinhonha, tem sua primeira remanescente a ingressar no Mestrado em Antropologia Social da UFMG em Belo Horizonte

Foto: Arquivo Pessoal de Raquel


        Quantas vezes ouvimos a frase: “sonhar não é poder", e, muitas vezes desistimos de sonhar porque muitos não acreditam que você realmente pode, e dependendo de sua etnia e da posição social que você se encontra este direito de sonhar é cortado a todo momento, mas essa realidade vem mudando, nosso povo está empoderando-se, no reconhecimento fisicamente e intelectualmente, e assim as portas vão se abrindo pela persistência do “estudar”, o estudo é o caminho que nos leva a realizar sonhos.
         E agora uma dessas sonhadoras acaba de mostrar para todos nós que pode e deve ter sonhos cada vez mais altos. Raquel de Souza Pereira tem 23 anos, filha de agricultores familiares, nascida na comunidade quilombola de Morrinhos, localizada no município de Berilo, sempre foi uma menina engajada nas ações de luta pelos direitos de seu povo, seja na luta contra o avanço da monocultura do eucalipto, na luta por igualdade de gênero, na luta pela garantia dos direitos das comunidades quilombolas. Dedicada, sempre estudou em escola pública e teve nos livros a inspiração dos sonhos possíveis.
     Graduou-se no Curso Superior de Tecnologia em Gestão Ambiental pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Norte de Minas Gerais – IFNMG /campus Araçuaí.
    Participou num período de 06 meses do processo seletivo no Programa de Pós - Graduação em Antropologia Social  (PPGan) da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas - FAFICH, na Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. No qual foi selecionada com uma excelente nota, tornando-se a primeira descendente de quilombolas do Vale do Jequitinhonha a ingressar no Programa de Antropologia da UFMG, uma área de suma importância para as comunidades de remanescência quilombola, tendo em vista que são os profissionais da área antropológica que fazem os estudos para titularização coletiva dos territórios quilombolas, e há poucos profissionais com este perfil o que dificulta este trabalho.
      Sonhar é sim possível, basta acreditarmos em nós mesmos, não há limites para os sonhos, que outros e outras Raqueis continuem a sonhar, todos nós temos os mesmos direitos, o direito de ocuparmos as Universidades Federais, seja em graduação, mestrado ou doutorado, que Raquel sirva de inspiração a todos os nossos jovens que mantém vivo dentro de si o direito de “sonhar alto”, por que sonhar é sim poder!

Por


segunda-feira, 27 de novembro de 2017

GIRO PELO VALE - Minas Novas em Luto: Morre o Historiador Álvaro Freire

O vale do Jequitinhonha e Minas Novas está em luto,  fez a sua passagem espiritual, Álvaro Pinheiro Freire, talentoso músico e exímio historiador das tradições culturais de Minas Novas e do Vale do Jequitinhonha. Vai se o homem, fica sua História. 

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

GIRO PELO VALE - Cultura de Itinga e do Vale em luto

 Faleceu ontem e foi sepultado hoje, o Mestre da Folia de Reis de " São Sebastião" do Distrito de Taquaral de Minas, na cidade de Itinga, " Seu Leolino Esteves, conhecido como seu Lió,  fez sua passagem terrestre aos 78 anos. Alem de Mestre da Folia de Reis, foi um grande ativista politico, participou de movimento políticos importantes para a consolidação da politica democrática  de Itinga, foi outrora um dos fundadores do PT - Partido dos Trabalhadores de Itinga. foi ativista da CEB - comunidades Eclesias de base e ajudou a fortalecer a sua comunidade e outras comunidades do município. em 2006 participou ativamente do resgate cultural das Folias de Reis de Itinga no qual teve a frente a FAOP - Fundação de Artes de Ouro Preto. Simbolicamente teve o reconhecimento de Mestre da Folia de Reis " de São Sebastião" . A Folia de Reis era uma de suas paixões.

Que Santos Reis o conduza aos braças do pai.

por


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

GIRO PELO VALE - Cultura do Vale em Luto


E com imenso pesar que comunicamos o falecimento de um dos Integrantes do Grupo Consciência Negra Fé e Resgate da cidade de Jenipapo de Minas, Nilo Soares Cardoso, conhecido mais por "Senhor Nilo". ele tinha 65 anos. Para o grupo uma perca irreparável tendo em vista que este era um dos pilares do grupo, para a família fará falta o exemplo do homem simples e honrado, para a cultura do Vale, de Minas e do Brasil uma lacuna enorme, mas um baluarte dos que defendiam a cultura popular que agora irá fazer cantoria no céu.

Que nossa Senhora do Rosário e Pai Joaquim o conduza aos braços do pai.

por

domingo, 27 de agosto de 2017

GIRO PELO VALE: 2º Festival Cultural de Itaporé

Dias 02 e 03 de setembro, tem o 2º Festival Cultural de Itaporé, com shows, noite literária, mostra de oficinas , artesanato, Cultura popular e  rua de lazer,

terça-feira, 15 de agosto de 2017

GIRO PELO VALE - 7ª Mostra Cultural de Jenipapo de Minas

Vocês não podem perder a tradicional mostra cultural de Jenipapo de Minas/MG, o evento ja faz parte do calendário cultural da cidade e  do vale do Jequitinhonha, terá Shows, Mostra de Cultura Popular, Mostra de Oficinas e Noite Literária. 

quarta-feira, 21 de junho de 2017

GIRO PELO VALE - Festa de São Pedro em Felisburgo/MG

A cidade de Felisburgo no vale do Jequitinhonha em Minas Gerais, realiza nos dia 30 de Junho e 1º de Julho, um dos maiores arraiá da região , a Festa de São Pedro, com Casamento da roça, Concurso de quadrilha, comidas tipicas e muito show de forró.



quarta-feira, 14 de junho de 2017

MEMÓRIA CULTURAL: Chapada do Norte, uma cidade Quilombo


Foto Internet
Chapada do Norte situada no Alto-médio Vale do Jequitinhonha,nordeste de Minas, tem em sua história a marca do  colonizador o bandeirante paulista , Sebastião Leme do Prado , devido a descoberta e exploração de ouro à margem do rio Capivari, por volta de 1728, mas quando começa a decadência das lavras de Minas Novas, por volta do ano 1743, faltou víveres para a alimentação dos habitantes da região,e a escassez de comida atingiu com mais intensidade os escravos que, além da falta de alimentação recebia maus tratos e castigos dos capitães do mato. Por esse motivo, grande parte deles fugiram, formando Quilombos nos lugares denominados Macuco, Bandeirinha e Bandeira Grande. A perseguição a esses escravos foi constante, então eles se afugentaram para as bandas do rio Capivari, num local assentado na ponta de um espigão bem próximo ao rio.
Ali encontraram grande quantidade de ouro e a partir dai fundaram a primitiva povoação de Santa Cruz da Chapada, foi ela extinta e posteriormente restaurada em 1850.
Subordinada a capitania da Bahia, administrativamente e militarmente desde 1729, passa mais tarde a integrar o território de Minas Gerais, devido aos problemas gerados pelas extrações diamantíferas. Com a ocupação da terra pelos escravos, o povoado cresceu rapidamente e ainda hoje a maioria de seus habitantes são negros.
A explanação histórica deste município, serve para  mostrar que os quilombos surgiram como forma de resistência contra a escravidão, e a escolha por lugares de topos, colinas e matas fechadas, era a forma estratégica para  dificultar o acesso dos homens que saiam  pela captura dos negros .
Aprofundando quanto o significado da palavras  “quilombo”, esta deriva dos povos  de língua bantu, provenientes  de Angola e do Congo, mas existiam também  outros  como os Lundas, Ovibundu,, Mbundu, Imgbala,Kongo e muitos que ainda desconhecemos.
Esses povos viviam em  comunidades, num tipo de organização coletivista, governados por chefes de linhagens ou seja entre famílias e por um rei , geralmente o guerreiro desta linhagem, sendo comuns  as lutas para saber quem era o mais forte, sabe-se que havia dois grupos de guerreiros na África: Os Jagas ou imbangalas de Angola e  os Lundas do Congo  e justamente  das técnicas destas lutas os negros se serviram para a organização dos quilombos no Brasil.
Tratar o tema de quilombos atualmente há infindáveis caminhos que estamos aprendendo a recontar, pois o domínio e opressão prevalece até os tempos atuais e em suas múltiplas facetas, mas  justamente a prática coletivista em que aprenderam com seus ancestrais ainda permanecem, e, assim nasce  do anseio de apresentar e contar a história omitida e deturpada do negro no Brasil.
A COQUIVALE- Comissão das Comunidades quilombolas do vale do Jequitinhonha, vêm se reunindo, dialogando, na busca  pelos direitos e por uma  política justa e digna aos negros. Entre um encontro e outro, depara-se com situações que só confirmam a existência e a permanência dos valores ancestrais, além da cor, do biótipo, há ainda a culinária, pois conhecemos nacionalmente os costumes dos negros,  mas veja  que em Chapada do Norte  há quitutes que são conhecidos por “Cabo do machado”ou “bolo de fubá” , uma espécie de pamonha, feito a base de milho, assada em forno tradicional (feito de barro, em formato ovalado, em cima de um girau) enrolado em palha de bananeira, em outros lugares do Vale do Jequitinhonha , a mesma apresenta-se como pamonha cozida e enrolada em palha de milho, mas em Chapada conserva-se a tradição de ser encontrada na feira livre da cidade,  servida e ofertada em cesto de tapeçaria de taquara.

Por

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

CONHECENDO O JEQUI - Igreja de São Roque

Foto: Internet
A igreja de São Roque está situada no centro do Comércio Velho, na cidade de Itaobim/MG em terreno plano, o entorno é composto de edificações residenciais  simples de apenas um pavimento, sendo a maioria de adobe com telhado em telhas  curva em cerâmica, tipo capa e bica, produzidas  na própria região, a divisão das propriedades são feitas através de cercas  de arame farpado e varas retiradas nos arredores do lugar.  Do largo da Igreja é possível avistar a Serra que dá passagem para  o Povoado de Pedra Grande e ainda as serras que dão acesso a cidade de Jequitinhonha, os bairros: São Cristóvão,Esperança, Vila Nova, Alvorada,Vila Rica,Guadalupe , também  o Córrego São Roque e o Rio Jequitinhonha. O bairro possui arborização principalmente nos quintais das residências com predominância de árvores frutíferas.
Presume-se que sua edificação ocorreu no final do séc. XIX , com a chegada dos primeiros habitantes ao vilarejo influenciados pelas missões religiosas do processo ultramontano da Igreja Católica, que ocorreu nesse período, na tentativa de se fortalecer institucionalmente. Segundo a senhora Eva Alves Costa (84 anos), foi sua bisavó, a senhora Antoninha Gil, quem doou as terras para o santo, São Roque, para que fossem construídos esta igreja e o cemitério.  Aos poucos o casario foi crescendo no seu entorno e tornou se o centro do lugarejo.  As enchentes que aconteceram no rio Jequitinhonha foram determinantes na historia local, o que também afetou a historia da igreja. Com a enchente de 1919 a estrutura da igreja nada sofreu, mas já em 1928, foi bem diferente, a parte da frente sofreu sérios danos e com a enchente de 1979, parte frontal desaba. Segundo os relatos de moradores, a igreja sofreu apenas uma intervenção após a enchente de 1979, parte de sua nave foi demolida e com isso a igreja diminuiu em seu tamanho original, descaracterizando sua fachada frontal, e, também foi  colocado uma camada de cimento por cima do ladrilho de barro original.
 A igreja mostra linhas arquitetônicas ligadas ao colonial mineiro, define  seus espaços por partido de forma retangular correspondente a duas seções:uma correspondente à nave que se alarga nos flancos da fachada principal e outra pela capela-mor.A nave  está separada do altar mor através de uma escada de madeira fixada à parede deste.
 Tem se pelas laterais duas sacristias cujo piso mantêm-se em sua originalidade em ladrilho de barro. O piso da nave e da capela-mor apresenta-se em cimento natado. O sistema construtivo mostra-se em estrutura autônoma de madeira, embasamento de pedra e vedação em alvenaria de adobe sendo que a fachada da frente por  tijolos de alvenaria. Possui portas e janelas alinhadas do tipo campas com enquadramento em madeira e vergas retas. O acesso principal à igreja é feito por uma porta em verga vedada por duas folhas de madeira, seguida de  um arco  com vedação em tijolo  reboco,.seguindo o eixo da porta principal tem-se a distribuição de  duas janelas de abrir pela lateral direita ,  pela lateral esquerda e aos fundos, os acessos secundários são feitos por duas  portas de abrir sendo uma  pela  lateral direita e outra pela esquerda, todas  de  madeira em verga reta ,pintadas em cor verde . A cobertura faz-se em duas águas, do tipo cangalha,com telhas de barro tipo capa e bica apresentando cumeeira paralela e beiral em galbo nas laterais.
A Igreja de São Roque é tombada pelo patrimônio cultural a nível municipal

Pesquisa: Jô Pinto, para processo de tombamento da Igreja

Por:

CONTOS E CRÔNICAS DO JEQUI - A lenda da Acayaca

   A lenda da Acayaca se baseia nos arredores do Arraial do Tejuco, onde atualmente, se estabelece o centro histórico da cidade de Diamantin...