sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

SEXTA LITERÁRIA

Vale do Jequitinhonha
Texto: Juliana Afonso
Foto: Daniel Mansur
 

Eu andava pelas ruas daquela cidade, apreciando suas feições singelas. A começar pelo próprio chão. Estava em uma das poucas vias de cimento, sem tinta e sem muitas placas. Todas as outras eram feitas de pedra ou de terra, aonde rua e calçada pareciam iguais: o mesmo material, a mesma cor marrom, ambas bastante precárias. Eram separadas por um meio fio de poucos centímetros.
As casas dos moradores pareciam dar continuidade ao chão, já que o sopé das construções também se pintava de marrom, seja por causa do vento que jogava poeira nas paredes, seja por causa da água que fazia a terra grudar. Mas era só olhar um pouco mais pra cima que apareciam as cores. Azul, branco, rosa, verde ou amarelo. Algumas casas, possivelmente as que tinham as donas mais vaidosas, tinham duas ou até três cores ao mesmo tempo. As portas e janelas, sempre abertas, mostravam mesmo do lado de fora que lá dentro as paredes também tinham outras cores.
A curiosidade me fazia arredar os pés, espichar o pescoço e chegar cada vez mais perto. Foi quando ela apareceu na janela e me pegou de surpresa. Não me recordo seu nome, mas me lembro do seu olhar desconfiado. Fiquei sem graça, sorri e disse estar ali de passagem. Ela sorriu de volta. Era uma senhora de poucas palavras, mas de um enorme coração. Me perguntou de onde eu era e o que estava fazendo por aquelas bandas. “Conhecendo”, respondi. Me disse para entrar.
Simplicidade foi a palavra que me veio a cabeça. Só não sabia se no Jequitinhonha a simplicidades era uma questão de escolha ou de desconhecimento. Fato é que a residência daquela senhora me pareceu um retrato fiel não só de toda a comunidade ali perto como também da vida no vale.
A casa tinha sala, dois quartos e cozinha. O banheiro era do lado de fora. Os móveis eram poucos e por isso mesmo bastante utilizados. As prateleiras aonde ficavam os copos também eram usadas para colocar as frutas do dia. O armário tinha duas portas para roupas e toalhas e uma para a pequena televisão, algumas imagens de santo e um porta retrato do neto, quando este acabara de nascer. Até o sofá, aonde as visitas se sentavam, fazia as vezes de cama para os gatos.
E nem só os gatos que lhe faziam companhia. Seu marido estava em casa, sentado na cadeira perto da janela, observando o movimento da rua. Além disso, uma das paredes da sala deixava evidente as fotos da família. Irmãos, sobrinhos, filhos e netos que deviam aparecer com frequência para visitá-la. O mundo daquela senhora, afinal, não era tão parado quanto supunha ou tão infeliz quanto imaginava.
Agradeci a cordialidade e dei tchau. Saí para ver uma nova Jequitinhonha, despida de preconceitos. As casas ficaram cada vez mais distantes uma da outra e cada vez mais interessantes. Pensava que história cada uma dessas residências guardava. Quantos choros, quantos sorrisos, quantos momentos. E então eu percebi que a casa e os objetos eram só mais uma forma que eu tinha de conhecer as pessoas, as verdadeiras jóias daquele lugar.
Foi assim com o artesão que fabricava utensílios de couro, como chapéus e capas para facões. Como a luz era pouca, chegava bem perto da porta para ver com mais facilidade o objeto que estava manuseando. Fazia tudo com calma e concentração. Sua arte era caprichosa. Era capaz de ficar ali por horas a fio sem piscar os olhos. Só levantava a cabeça para um cliente, e mesmo assim, se este o chamasse.
O mesmo se passava com o dono da selaria. O sol que entrava pela janela o ajudava a construir a sela artesanal, esse objeto cheio de detalhes. Além do couro ele precisava conhecer a tensão das cordas e as artimanhas do metal se quisesse vender todo o estoque.
Mas a verdade é que eu não via pressa naqueles homem, sequer para vender suas peças. Estava claro que precisavam do dinheiro, mas pareciam fazer aquilo com paixão. Não tinham a intenção de enriquecer ou serem famosos, só queriam ser reconhecidos pelo ofício que desempenhavam há tanto tempo. Por isso a calma, a dedicação, o empenho. Esses eram os ingredientes. A excelência do material ali fazia parte do modo de preparo.
E pensando na arte dos homens do vale, continuei andando sem rumo. O pisar no chão fazia a poeira subir e sujar a barra da calça. Estava como as construções do Jequitinhonha, com o “sopé” da minha roupa pintada de marrom. Ri. Até gostava da ideia. Daquela forma eu me sentia menos intruso e mais pertencente àquela região que apesar de tão perto de mim, parecia ter saído da literatura de cordel.
Uma canção que vinha de longe interrompeu meus pensamentos. Segui a música e cheguei a uma casa de paredes brancas, janelas de madeira e penduricalhos coloridos pendurados no telhado. Era a residência mais bonita que eu vira até então, mesmo sem riquezas ou frescuras. Ninguém na porta, ninguém nas janelas. A cerca semicerrada me pareceu um convite. Talvez não fosse, mas eu entrei do mesmo jeito.
No espaço aberto ecoava o canto não de uma, mas de três mulheres de meia idade que faziam artesanato. O típico artesanato do vale do Jequitinhonha. No quintal daquela casa estavam panelas de metal, flores de cerâmica e dezenas de mulheres de barro, de todos os tamanhos, cores e modelos.
Elas eram como os homens daquela cidade: calmas, dedicadas e empenhadas. Com a diferença que conseguiam distribuir a concentração em duas ou três atividades. Enquanto manuseavam o barro conversavam comigo. Falavam sobre a própria arte e como ela era passada de geração a geração, sempre assim, da mais velha para as mais novas. Nada de manuais ou receitas de como fazer. O verdadeiro artesanato é uma questão de tentativa e erro, como a vida.
As senhoras também não tinham muito dinheiro e torciam sempre para que mais e mais turistas chegassem à cidade. E então esbanjavam simpatia. Mas nem precisavam fazer muito esforço para isso acontecer. Se despediram de mim com o mesmo sorriso que me receberam.
O dia também sorria para mim. Ele estava lindamente ensolarado e passava devagar. Segui por um caminho que parecia distante de tudo. Nada de vendas, lojas ou casas. Era a primeira vez que a natureza dava o ar da graça de forma mais forte. Ao contrário do que mostram todos os livros de geografia, a vegetação estava verde e frondosa. Deduzi que a última chuva a passar por aquelas bandas era recente.
De toda forma, o local ainda não parecia totalmente selvagem. Havia arame cercando as propriedades e marcas no chão. Rodas, chinelos, pegadas de cachorros e cavalos. Tudo fez sentido quando cruzei o caminho com um morador em cima de uma carroça levada por um cavalo branco. Passou rápido por mim levantando a areia.
Demorou uns 10 minutos para a poeira baixar e então escutei passos apertados. Não sei porque tive pensamentos medrosos e resolvi não olhar para trás. Como andava devagar, me ultrapassaram com facilidade. Era uma mulher humilde que carregava panelas na cabeça. Eu não sabia para onde estava indo, mas com certeza iria segui-la.
Eu já a tinha perdido de vista quando cheguei na beira do rio. O céu ainda estava azul e a água — ao contrário de tantas — ainda estava limpa e transparente. As senhoras se apoiavam nas pedras para lavar roupas e utensílios domésticos, que eram colocadas de novo nas mesmas pedras para secar ao sol. As lavadeiras e o rio. Uma imagem a perder de vista.

O dia foi caindo e o sol abaixando. Eu apreciava aquelas mulheres, de ares tão humildes e gestos tão certeiros. Foi quando vi uma criança de rosto travesso se divertindo sozinha nas águas do rio. Ela saltava e nadava sem parar, rindo sozinha. Porque não? Pulei na água sem hesitar. Voltei para as pedras me secar e percebi que a barra da minha calça não estava mais marrom. Feliz, era hora de ir embora.

Publicado na revista: http://revistasagarana.com.br/vale-do-jequitinhonha/

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

OPINIÃO DO BLOG -Por quais caminhos anda a humanidade?

Por quais caminhos anda a humanidade?

                       Essa pergunta nos últimos tempos não me sai da cabeça, a 20 ou trinta anos atrás tínhamos objetivos sobre a vida, em especial a família, educação e trabalho, neste foco também pensávamos mais no meio ambiente, nas questões sobre a fome, desigualdade e tantas outras coisas, claro que nem todos, mas mesmo assim participávamos das discussões nas associações de bairros, nas paróquias, tínhamos tempo para um dedinho de prosa no banco da porta de casa, visitávamos mais os vizinhos, vivíamos em comunidade de fato, principalmente nas cidades do interior.

                   Hoje estamos cada vez mais longe desta humanidade, nos tornamos ilhas de nós mesmos, poderosos em frente a um computador que nos dá todas as possibilidades, tanto de sermos o mocinho como o bandido. Perdemos valores básicos difíceis de serem recuperados em um mundo cada vez mais competitivo. Aquela máxima de que "Juntos somos mais fortes", ja se foi a tempos; a moda agora é " EU sou o mais forte" mas até quando? Quando não restar mais nada a ser descoberto? Quando a tecnologia se estagnar? Será que voltaremos a idade da pedra? Ficaremos menos inteligentes? será que voltaremos a ser mais sociáveis?. 
                     Por mais que eu tente não sei por quais caminhos anda a Humanidade?... Assistimos de camarote a intolerância a tudo, a religião, a cor da pele, a orientação sexual e o ao gênero; o terrorismo, as drogas, a corrupção e a violência tornaram-se fatos tão corriqueiros que assistimos a tudo espantados, mas nada fazemos, e quando criticamos é em nossos grupos de convivência (redes sociais), mas diante das tragédias e de situações vexatórias preferimos registrar o fato para colocar na redes sociais do que realmente ajudar a quem precisa, e assim continuou na minha indagação por quais  caminhos anda a humanidade. Espero que estejamos traçando o caminho certo para as futuras gerações. 

Texto de:


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

ESPAÇO LIVRE - JÔ PINTO: HUMOR LIVRE

ESPAÇO LIVRE - JÔ PINTO: HUMOR LIVRE: CHOQUE DE CULTURAS? OU A IMPOSIÇÃO CAPITALISTA DAS CULTURAS DE MASSA AS CULTURAS TRADICIONAIS? Imagem retirada da Deposito de Cat...

HUMOR LIVRE

CHOQUE DE CULTURAS? OU A IMPOSIÇÃO CAPITALISTA DAS CULTURAS DE MASSA AS CULTURAS TRADICIONAIS?




Imagem retirada da Deposito de Catuns -  www.facebook.com/DepositoDeCartuns?fref=ts

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Memória Cultural - Patrimônio Histórico Cultural para quem põe sentido nas “coisas”

                      O Patrimônio Histórico Cultural pode ser constituído por bens materiais e os não materiais, ou seja, uma estátua de alguém que marcou a história do Brasil ou de qualquer outro país, uma descoberta na medicina, ou qualquer outro acontecimento pode ser considerado um patrimônio cultural.Por exemplo: a maneira de se expressar; os modos de viver; as criações de arte ou descobrimentos; documentos, uma infinidade de “coisas” pode ser considerada               um Patrimônio cultural, sendo assim, o Patrimônio é tudo o que nos cerca.Os bens culturais são aqueles que resultam de transformação pelo homem, das coisas naturais e/ou aqueles que garantem ao ser humano a qualidade de seu habitat. Portanto, as coisas naturais que não passaram por processos de transformação. Também podem ser bens culturais, uma vez que compõem o habitat do ser humano. O conjunto de bens culturais das diversas naturezas constitui o patrimônio cultural, que podem ser classificado de acordo com sua natureza:

Patrimônio arquitetônico
Patrimônio natural
Patrimônio Imaterial ou intangível
Patrimônio documental
Bens móveis
Bens Integrados

                      Por ser algo que nos cerca e que vivemos constantemente, o Patrimônio cultural deve ser preservado, cuidado, pois significa para nós que vivemos com ele uma identidade para o nosso País, e que será passado para as gerações futuras.

Texto de:

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Morre um Pedaço da Arte do Vale do Jequitinhonha - Dona Isabel

Dona Isabel e suas bonecas. foto: Internet
                  A cidade de Itinga, o Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, Brasil e Varias países e pessoas mundo a fora estão de luto pela morte de Dona Isabel, uma Artesã da argila que se tornou  mestra na arte de fazer  Bonecas de Barro, mas a mesma produzia outras peças, ela nos deixa ao 90 anos, deixando sua marca no mundo através de sua arte
                 Ela Nasceu na Comunidade de Córrego Novo, no município de Itinga-MG em 03 de Agosto de 1924, depois muda-se coma família para o distrito de Santa Santana do Araçuaí, pertencente a Itinga/MG, com a emancipação de  Pontos dos Volantes, Santana se torna Distrito do Mesmo, ele residiu nesse até os dias atuais.
                Dona Isabel elevou o nome do pequeno distrito e da cidade Ponto dos Volantes no cenário mundial através de sua arte. Sua arte foi apreciada é reconhecida, por instituições e pessoas ao redor do mundo, trazendo notoriedade e respeito ao artesanato do feito no Jequitinhonha,
              Ela foi reverenciada e recebeu varias homenagens, como a feita em 2003 pelo estilista Ronaldo Fraga que o homenageou a ceramista em São Paulo, no Fashion Week, recebeu também o prêmio da Unesco de Artesanato para a América Latina, em 2004, recebeu a Ordem do Mérito Cultural, concedida pelo Ministério da Cultura em 2005, Prêmio Culturas Populares do Ministério da Cultura em 2009 e em 2011 a FECAJE, Federação das Entidades Culturais e Artísticas do Vale do Jequitinhonha, homenageia do Isabel, colocando seu nome na feira de artesanato do 29º FESTIVALE, ocorrido na cidade de Jequitinhonha. Ela também foi homenageada pela presidente Dilma Rousseff durante a abertura da exposição Mulheres artistas e brasileiras, no Palácio do Planalto, em Brasília.

Morre se a mulher, fica seu legado de humildade, caráter e arte para todos aqueles admiradores ou não da cultura popular

Por: Jô Pinto, Professor, Historiador e produtor Cultural



sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Memória Cultural - Catopês

CATOPÊS

Terno de Catopês Nossa Senhora do Rosário/Bocaiuva/MG - Foto: Internet
Palavra de origem africana possui a figura do mestre e do contramestre que guia todo o grupo, alguns com seus instrumentos como: pandeiro, tambores, reco-reco  e também aqueles que repercutem conjuntamente com os tocares os versos  que entoam em cortejo pelas ruas.
Os catopés são reconhecidamente a partir do século XVIII, através de suas irmandades por determinação da igreja da época, pois anteriormente tal manifestação era considerada proibida, tendo os negros que celebrarem  clandestinamente, pois foram  os negros  que vieram para o Brasil em situação de escravos, que trouxeram  suas crenças e tradições de cultuar seus deuses e reverenciar–se ao seus reis, como ‘Chico Rei”, escravo em Ouro preto, mas que era  príncipe em sua tribo africana e por isso celebravam seus rituais de origem, para não perderem sua memória do lugar de onde vieram.
Na ausência de seus reis, colocavam alguém para representar e realizar a cerimônia, e, para relacionar-se com a Igreja Católica, passaram a cultuar Nossa Senhora do Rosário e São Benedito.



TERNO DE CATOPÊS  DE BOCAIÚVA

O terno de Catopês de Nossa Senhora do Rosário na cidade de Bocaiúva, tem sua origem a devoção a Nossa Senhora do Rosário. 
Suas vestes  são: calça branca, camisa de manga comprida, na cabeça trazem capacetes cheios de adereços  de miçangas e espelhos e muitas fitas largas de cetim com cores variadas.
O Grupo teve por longos anos o seu mestre consagrado, o Senhor João do Lino Mar, apelidado de “João Bisôro”.
Ele durante toda sua existência buscou incentivar seu companheiros e lutou incessantemente pela preservação desta manifestação de cultura popular. Faleceu em outubro de 2.004 aos 76 anos e para fazer jus a sua devoção, morreu justamente após comandar o grupo na festa tradicional de Bocaiúva- “Festa do Divino Espírito Santo”.
O grupo segue a tradição através de sua filha Lucélia, que aprendeu o ofício e não temeu a missão que coube a ela perpetuar, enquanto vida tiver os ancestrais a guiará com muita força e luz na devoção.



 Por: Ângela Gomes Freire - Professora, Turismóloga e Produtora Cultural

sábado, 9 de agosto de 2014

Memória Cultural - Capela de São Sebastião

CAPELA DE SÃO SEBASTIÃO

Foto: Ângela Freire
Primeira capela erguida com ajuda de  moradores, em Jenipapo de Minas; encontra-se na praça central da cidade, próximo ao Mercado municipal e a gruta de Pai Joaquim.

A cidade emancipada em 22 de Dezembro de 1995, mantêm sua tradições  religiosas  e culturais, apesar do adensamento de construções ao redor, devido ao crescimento populacional e de desenvolvimento da cidade, o comportamento de  seus moradores é ainda de respeito e zelam pela sua memória e identidade das origens.


Ângela Gomes Freire - Professora , Turismóloga e Produtora Cultural

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Memoria Cultural - Menino Deus

MENINO DEUS
Menino Jesus -  bem inventariado,

pertencente a uma família de Itaobim/MG
Menino Jesus  em madeira entalhada, com pintura em policromia , do século XVIII, medindo apenas 30 cm de altura, de propriedade particular ,  herança de família que vêm sendo repassada entre gerações numa família , na cidade de Itaobim  pela sua atual guardiã.
A representação da figura de Jesus ainda criança surgiram a partir das primeiras cenas da natividade, do século IV(325 d.c), continua sendo propagado como um dos símbolos mais importantes da doutrina Cristã.
Ao longo dos tempos o gosto popular ou a caracterização de regiões, a imagem foi ganhando elementos ou materiais como roupas  e diferentes tecidos ou bordados.
No século XX percebeu-se o declínio por sua devoção, justificada pela vida moderna que mudou a concepção do papel feminino ou devido às mudanças de significado do Natal , o qual  viu-se o declínio da construção e importância dos presépios nos lares brasileiros, o padrão de vida consumista tem  causado tal declínio, mas no Vale do Jequitinhonha ainda é possível encontrar a devoção pelo Menino Deus ainda em evidência.


Por: Angela Freire, Professora, Turismologa e Produtora Cultural


terça-feira, 10 de junho de 2014

Memória Cultural - Artistas do Vale do Jequitinhonha ( Anita Justino)

Santa de Santana do Araçuaí
A artista Santa e uma de suas obras "A namoradeira" - Foto: Ângela Freire



Anita Justino da Silva ou “Santa”, é uma daquelas artesãs do Vale do Jequitinhonha: mulher destemida, batalha na luta para criar seus filhos, possui o jeitinho mineiro de ser, acanhada mas muito otimista por tempos melhores que virão para si e sua comunidade.
Além de trabalhar na roça, cuidar da casa, filhos, também  é artesã, aprendeu o ofício com  a mestra de cultura popular Izabel Mendes da Cunha.

Encontra no ofício de lidar com o barro  a destreza de brincar com seus sonhos, do brincar feito menina grande, pois o processo de criação está na alma, transpõe para sua arte a naturalidade da sua feminilidade de menina faceira que  espera e se encanta pela sua própria beleza, mesma não se enxergando na sua criação, deposita  através das mãos  todo sentimento  do universo feminino, de ser  mineira, do Vale do Jequitinhonha.


Texto: Ângela Gomes Freire - Professora, Turismóloga e Produtora Cultural

sábado, 17 de maio de 2014

GIRO PELO VALE - IV Fórum da Mulher do Vale do Jequitininha

Fotos  IV Fórum  - Créditos: Jô Pinto
                       E foi em clima de festa, batuque, discussões e reflexões que aconteceu nos dias 15 e 16 de maio de 2014 o “ 4º Fórum da Mulher do Vale do Jequitinhonha”. O fórum é uma iniciativa do Polo Jequitinhonha/UFMG, e a cada ano este evento acontece em uma cidade do Vale do Jequitinhonha, a primeira edição foi em Jequitinhonha, a segunda em Itaobim, a terceira em Capelinha e a quarta em Araçuaí.
          Estavam presentes cerca de 380 mulheres e alguns homens que acreditam na luta pela igualdade de gênero, estas pessoas vieram de 26 cidades do Jequitinhonha, Minas e do Brasil. “Os temas discutidos foram a “Violência Contra Mulher”,” Migração” e “As Mulheres na Política”,  estes temas foram discutidos e debatidos nos dois dias de encontro. Relatos e  busca de soluções nortearam todos os presentes, fica claro e evidente que apesar de todas as conquistas a mulher ainda é tida como um ser inferior e o fórum cumpre o papel de tornar público e participativo o repudio da mulheres do Jequitinhonha contar esta situação. Grande parte das participantes são oriundas da meio rural onde esta desigualdade é ainda mais explicita.
Porém o que se percebe é que as mulheres do Jequitinhonha têm feito a diferença, elas tem se organizado seja em sindicatos, associações e/ou individualmente para lutar contra as mazelas machistas cada vez mais explicita, impostas no mundo e mais ainda em nossa região. Mas ações como o fórum são ferramentas de suma importância neste combate.
                     Dentre as várias manifestações durante o fórum, aconteceu uma bela passeata com todas as mulheres e homens presentes pelas ruas de Araçuaí dizendo palavras de ordem e bordões em favor da luta pela igualdade de gênero.

        E mais uma vez as mulheres do Jequitinhonha mostraram sua força, porque a mulher deste lugar aprendeu com muita luta a conquistar mudanças  e escrever sua própria HISTÓRIA.

Jô Pinto, Professor e Produtor Cultural
Itinga/MG em 17 de maio de 2014

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Giro Pelo Vale - Itinga quer rapidez em investigação sobre atentado na Escola Família Agrícola

Foto: Ricardo Barbosa
Autoridades e convidados cobraram, em audiência pública, celeridade nas investigações e nas punições em relação a um atentado contra coordenadores da Escola Família Agrícola de Jacaré, em Itinga (Vale do Jequitinhonha). O crime ocorreu em 1º de abril de 2013. A reunião, nesta sexta-feira (11/4/14), no próprio município, foi promovida pelas Comissões de Direitos Humanos e de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Os presidentes das duas comissões, deputados Durval Ângelo (PT) e André Quintão (PT), respectivamente, estiveram presentes. A reunião foi solicitada pelo deputado André Quintão e contou com grande presença da comunidade, de estudantes e membros de escolas agrícolas.
Os coordenadores da Escola Família Agrícola de Jacaré, Adair da Silva Santos e Noessandro Gonçalves Freire, que atualmente estão afastados da comunidade, relataram que, na noite do atentado, às 20h10, um homem de moto e com capacete disparou um tiro de espingarda contra eles. Ambos estavam no pátio central da instituição e foram atingidos nas costas, sofrendo perfuração perto da clavícula. Após a tentativa de homicídio, eles foram incluídos no Programa de Proteção dos Defensores de Direitos Humanos e também têm sido acompanhados pelo Núcleo de Atendimento a Vitimas de Crimes Violentos. Atualmente eles se recuperam fisicamente dos ferimentos.
Para Noessandro, que trabalha há 13 anos na escola, não há dúvidas de que o crime ocorreu por motivação política. “Na época, passávamos por um momento de mudança de representantes do poder público municipal e também da diretoria da associação que coordena nossa escola”, disse. Segundo o educador, o atentado foi uma “tentativa de impor nomes” para preencher os cargos que ele e Adair ocupavam. “A escola é um prato cheio para troca de favores políticos. Querem fazer do local um espaço para benefícios próprios”, afirmou.
A outra vítima do atentado, Adair da Silva Santos, também deu o seu depoimento durante a audiência pública. Ele contou que trabalha há 16 anos na Escola Família Agrícola de Jacaré. “Acreditamos nesse projeto que dá educação de qualidade aos filhos dos produtores da agricultura familiar”, pontuou. Segundo ele, o crime afetou os familiares de alunos, a comunidade, todos os movimentos sociais, a educação de Minas e do Brasil.
Adair disse, no entanto, que perdoa as pessoas envolvidas no atentado. Mas ressaltou que está abalado psicologicamente com o fato. “Fiquei 20 dias sem querer me comunicar com ninguém. Meu sonho é voltar à escola e rever os alunos, mas não posso por questão de segurança. É triste”, acrescentou. Ele ainda falou que não consegue esquecer “o choro dos alunos” e as lembranças do ferimento que teve no momento do crime. Minutos após sua fala, o educador passou mal e precisou ser levado a um hospital da cidade.
Coronelismo - O secretário executivo da Associação Mineira das Escolas Família Agrícola, Idalino Firmino dos Santos, também pediu uma resposta ao atentado. “Ainda há no Vale do Jequitinhonha o coronelismo e os grupos políticos que fazem tudo pelo poder”, criticou. Segundo ele, todos da comunidade sabem quem é o responsável pelo crime, mas têm medo de falar.
Inquérito policial foi instaurado cinco meses depois do crime
Noessandro Gonçalves pediu rapidez na apuração do caso e criticou o fato de o inquérito policial ter sido instaurado somente cinco meses após o crime, bem como a falta de empenho da prefeitura no caso. “As autoridades responsáveis não criam meios para solucionar os fatos. Isso gera revolta”, ressaltou. Ele denunciou, ainda, que a prefeitura não firmou convênio com a escola agrícola neste ano, também por motivações políticas. A falta da verba estaria prejudicando o andamento das atividades.
A delegada de Polícia Civil de Araçuaí, Ana Paula Lamego, é a responsável pelas investigações. Ela disse que tomou posse há um ano e que assumiu o caso apenas em setembro. “Mas as investigações já estavam em curso”, afirmou. A delegada contou que, no começo desta semana, a unidade da Polícia Civil em Itinga, que ficou fechada por cerca de dois anos, foi reaberta. “Isso vai acelerar a conclusão do caso. Agora o município terá um reforço efetivo para ajudar na elucidação do crime”, acredita. Ela apontou o fato de ser uma “investigação complexa”, por se tratar de tentativa de homicídio, como uma outra justificativa da demora para se obter uma resposta final sobre o acontecido.
O prefeito de Itinga, Adhemar Marcos Filho, também respondeu às críticas de Noessandro Gonçalves. Ele pediu a solução do caso à polícia e disse que também quer saber quem é o mandante do crime. Disse, ainda, que Prefeitura e Câmara Municipal não negaram nenhuma assistência. Sobre os convênios, afirmou que já autorizou a Secretaria Municipal de Educação a realizar o processo. “Não serão nos valores solicitados, mas vamos fazer, sim, os convênios”, garantiu.
Ele explicou que a demora para liberação do dinheiro ocorre devido à falta de verba geral da prefeitura. O deputado Durval Ângelo, entretanto, discordou da posição do prefeito. “O dinheiro comprometido com a escola vem do Governo Federal, do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), portanto, não gera gasto nenhum para o município”, contra-argumentou.
O comandante da 15ª Região da Polícia Militar em Teófilo Otoni, Aroldo Pinheiro de Araújo, apresentou três comandantes da PM que passarão a acompanhar as investigações mais de perto e também intensificarão operações de segurança na região.
Vítimas do atentado estão privadas do convívio familiar
A coordenadora do Núcleo de Atendimento às Vítimas de Crimes Violentos e responsável por acompanhar os coordenadores da escola, Gilmara Tomaz, disse que a falta de esclarecimento do atentado está privando os educadores do convívio familiar e comunitário. “Os dois envolvidos são pessoas idôneas e respeitadas pelas famílias dos jovens da escola”, ressaltou. Ela também cobrou a elucidação dos fatos.
O técnico do Programa de Proteção dos Defensores de Direitos Humanos, Gildázio Alves dos Santos, disse que apenas com a conclusão do inquérito será possível avaliar qual o melhor momento do retorno das duas lideranças à comunidade e à escola. “O programa está sendo prejudicado pela falta de informação sobre quem é o mandante do crime”, pontuou.
O consultor do Ministério do Desenvolvimento Agrário, João Batista Begnani, disse que, no final das contas, “são as vítimas que estão presas”, pois não podem voltar à escola nem à comunidade devido à falta de esclarecimento do crime. “O poder público local está de fato empenhado na solução do caso?”, questionou.
Deputados pedem justiça
Para o deputado André Quintão, é preciso humanizar o tratamento às vítimas, pois o que ocorreu foi um atentado contra vidas humanas. “E é importante que a apuração evolua a partir desta reunião”, destacou. “É fundamental que a violência não fique impune, principalmente aquela praticada contra trabalhadores da área de educação, que prima pela pedagogia da alternância”, continuou. O parlamentar destacou o fato de as escolas agrícolas serem essenciais para o desenvolvimento profissional dos jovens. “A Assembleia vai acompanhar, vai atrás e vai querer saber o resultado do inquérito”, finalizou.
O deputado Durval Ângelo disse que o crime cometido não foi apenas contra Adair e Noessandro, mas contra toda a educação do Vale do Jequitinhonha e do Brasil. “A escola onde as vítimas trabalham é uma referência, reconhecida até internacionalmente”, acrescentou. “A educação é incompatível com qualquer ato de violência, e o diálogo tem que ser a base de qualquer processo educativo”, disse o parlamentar, que também é professor.
Membros da comunidade onde fica a escola se manifestaram ao final da reunião e também pediram justiça e mais agilidade na solução do caso. Todos elogiaram a participação dos coordenadores no desenvolvimento da Escola Família Agrícola de Jacaré. Disseram, ainda, que estão muito abalados psicologicamente com o acontecido. Em uma carta dos moradores entregue aos parlamentares, eles disseram que as vítimas “são pessoas dignas, honestas, que respeitam todos, têm honra, dedicação, caráter e moral”.
Os deputados afirmaram que, em breve, farão outra reunião conjunta das comissões, na sede da Assembleia, em Belo Horizonte. Na ocasião, vão aprovar uma série de requerimentos com pedidos de providência a autoridades responsáveis não apenas no Vale do Jequitinhonha, mas também em Belo Horizonte. Disseram ainda que um dos requerimentos será direcionado ao prefeito de Itinga, com o pedido de reativação do convênio municipal com a escola agrícola.
Ao final da audiência pública, os deputados Durval Ângelo e André Quintão e autoridades policiais se reuniram reservadamente para ouvir pessoas que se dispuseram a falar o que sabem e sobre suas suspeitas de quem foi mandante do crime.

 Matéria extraída do sitio da Assembleia Legislativa de Minas Gerias. -  www.almg.gov.br 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Memória Cultural - Cristaleira

CRISTALEIRA
Um móvel que surgiu na Europa, em tempos medievais, continua até hoje presente e com muita atratividade, decorando salas ou em outros ambientes.
As cristaleiras de nossas lembranças,  de madeira maciça com portas vidro e espelho ao fundo, servia para guardar aparelhos de jantar, de café, tudo aquilo que era para ocasiões especiais, quase sempre adquirido através de presentes  de casamento ou  relíquia de família.
Ainda hoje as cristaleiras simples ou clássicas possuem seu lugar de destaque e são muito charmosas, cumpre sua função de ser utilitária onde há pequenos tesouros e coisas de valor sentimental ou objetos decorativos simplesmente.
Esta cristaleira pertence a uma senhora no povoado de São João, do município de Itaobim.
Por acaso você tem um móvel deste em sua casa?  Que recordação  teria de sua cristaleira?

Por: Angela Gomes Freire - ProfessoraTurismóloga e Produtora Cultural


quarta-feira, 5 de março de 2014

Memória Cultural - Mercados

MERCADOS

Mercados Vale do Jequitinhonha  - Fotos: Internet
Pensando  na idéia de transformação das cidades  ao longo do tempo, seja em termos mais otimistas outras com novas possibilidades ,  vão criando seus arranjos, fato é que,  os mercados  também  são construções estratégicas  para o movimentar  de um município, pois o comércio  sempre se estabelece ao seu redor e consecutivamente  cria-se circuitos comerciais  e centrais.
O exemplo mais próximo deste movimentar no Vale do Jequitinhonha  é o Mercado de Araçuaí,  sua  primeira edificação  aconteceu  num local onde  hoje conhecemos como Praça Manuel  Fulgêncio, existia lojas, cadeia, comarca enfim tudo que cabia  numa cidade de interior, com  a inundação de 1919, quase tudo fora reconstruído, inclusive o mercado municipal, porém em outro local, próximo dali, porque o rio era o meio de  acesso e de transporte através das canoas.
O vínculo  com o meio de  transporte é outro  fator interessante para se observar, enquanto o rio era navegável e único , tudo se concentrava  em volta deste, o segundo mercado de Araçuaí foi edificado num local denominado atualmente como Praça Waldomiro  Silva, que  com o passar dos tempos perde sua posição estratégica  devido  as enchentes, mas  interessante  ainda, que surge consecutivamente a abertura das estradas, e o que fazer para atrair gente e comércio?_Mercado Municipal.
Surge assim o terceiro Mercado Municipal de Araçuaí,  através de um plano prioritário do prefeito da época, destinado a  mudança da cidade  para a parte alta, com terreno doado e apoio incondicional  da Cia Stanífera do Brasil ou Arqueana como é conhecida com verba de quatro milhões de cruzeiros, pagos em duas etapas para início de obras, assim temos as instalações,  atual do Mercado de Araçuaí , próximo as imediações de uma  BR.
Com o crescimento  habitacional e criação de novos bairros na cidade,  poderá o mercado transferir-se para outra região novamente?
Analisando desta maneira não é diferente de Itinga, Itaobim, Virgem da Lapa e tantos outros mercados  municipais da região, alguns existem apenas em fotografias, outros sequer teve a mesma sorte.
Convido você a fazer a leitura de como será sua área central de sua cidade dentro de alguns anos.  Fique a vontade para comentar...

Por: Ângela Gomes Freire - Professora, Turismóloga e Produtora Cultural


sábado, 8 de fevereiro de 2014

Morre o Mestre Canjira

Foto: Jô Pinto
                      O homem de estatura baixa, sempre sereno, observador, cabreiro, de fé baseada no sincretismo, mas que quando abria a porta de seu museu se transformava e queria compartilhar a sua história, guardava na memória como cada animal e peça chegou em seu museu e foi assim em um destes momentos permitidos por Deus que tive a honra de conhecer  Brasiliano Pereira Reis ou Canjira como gostava de ser chamado, um autodidata, considerado o melhor empalhador de animais do Brasil e que no qual transformou a sala de sua residência num Museu de Arte e Cultura ou “Museu Canjira” como é popularmente conhecido na região e na cidade de Itaobim onde esta instalado, os animais mortos em acidentes  foram doados por motoristas e Policiais Florestais, além dos animais, há ainda antiguidades como telefones, máquinas de escrever, máquina de costura, coleção de notas e moedas, relógios, granada antiaérea e muitas outras peça.
Quando  fizemos o inventário das peças de seu museu para o Departamento de Patrimônio Cultural da cidade Itaobim, foi notário perceber como tudo aquilo se interagia com seu Dono, o zelo por cada peça, e a preocupação eminente para que o museu continuasse  a ser um exemplo para as futuras gerações.
                  Hoje, anjos, arcanjos, orixás e caboclos vieram buscar este artista da arte da Taxidermia para junto do Pai Celestial , deixando o Vale do Jequitinhonha com um profunda perda. O Mestre Canjira foi é será um dessas  pessoas raras que deixa de um forma simples, através da arte um ensinamento de vida para todos nós.
                Fica aqui os meus mais profundos sentimentos para a família e compartilho como todos desta dor , por que perdi o artista e um amigo.


 Jô Pinto
Itinga/MG em 08 de Fevereiro de 2014

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Giro Pelo Vale - III Encontro de Comunicadores do Vale do Jequitinhonha

Foto: Macus Vinícius
A cidade de Jequitinhonha recebeu entre os dias 23 e 25 de janeiro a terceira edição do Encontro de Comunicadores do Vale do Jequitinhonha, que neste ano propôs discussões em torno do tema “Como trazer o comunitário para a comunicação? O que há de comunitário na comunicação comunitária?”. O evento foi promovido pelo Programa Polo de Integração da UFMG no Vale do Jequitinhonha em parceria com as ONGs Associação Imagem Comunitária e Oficina de Imagens, além da TV Jequi, iniciativa de produção audiovisual feita por jovens da cidade, fruto da primeira edição do Encontro de Comunicadores realizada no ano de 2012 em Itaobim.
Cerca de 100 participantes vindos de 11 municípios da região e até mesmo dos estados da Bahia e do Espírito Santo, puderam participar da programação do Encontro, aberto oficialmente na noite do dia 23 com a mesa redonda que discutiu o tema central, e contou com a presença de José Otelino, da Rádio Comunitária de Itinga, William Nascimento, representante da Rede de Jovens Comunicadores do Seminárido Mineiro e Felipe Matos, colaborador da TV Jequi.
O dia seguinte foi todo dedicado às oficinas, que abordaram temas como produção cultural, rádio, fotografia, web ativismo, animação em stop-motion e intervenções urbanas. Os produtos de cada uma delas foram apresentados ao final da tarde na sede do Rotary Clube, onde aconteciam as discussões. A sexta-feira foi encerrada com um sarau, durante o qual ocorreram apresentações artísticas de grupos da cidade.
A última rodada de discussões aconteceu na manhã de sábado. Após a fala dos convidados Jô Pinto, do Centro Cultural Escrava Feliciana, de Itinga , Sâmia Bechelane, da Associação Imagem Comunitária e Rafael Matos, da TV Jequi, os participantes puderam fazer sua avaliação e discutir as propostas temáticas resultantes do evento.
Avaliação e novas perspectivas
Ao avaliar não apenas esta edição do Encontro de Comunicadores, mas a trajetória das discussões traçadas desde os anos anteriores, o Prof. Márcio Simeone Henriques - coordenador dos projetos Conexões do Vale, Suporte de Comunicação e Educação Audiovisual - demonstra entusiasmo: “Estamos vendo o amadurecimento e a consolidação não só do público participante, como também das discussões. Além disso, podemos perceber a multiplicação das iniciativas de comunicação tendo como referência os encontros já realizados”, afirma. Já Fellipe Matos, da TV Jequi, exaltou a oportunidade de atuar na organização do evento: “Participar do III Encontro de Comunicadores do Vale do Jequitinhonha foi algo inesquecível e de grande aprendizado. Fazer parte da organização é sinal que nosso trabalho esta sendo reconhecido e valorizado”.
Representantes da cidade de Pedra Azul, localizada no Baixo Jequitinhonha, demonstraram durante o evento o interesse de que a cidade sediasse o próximo Encontro de Comunicadores, previsto para janeiro de 2014. “O interesse demonstrado por grupos locais em promover as futuras edições demonstra que o Encontro está sendo apropriado pelos diversos grupos, especialmente de jovens comunicadores. Assim, acho que está garantida a continuidade desse esforço, dentro de um espírito colaborativo em que não só a UFMG e seus parceiros - AIC e Oficina de Imagens - o promovem, o que é muito saudável”, comenta o professor Márcio Simeone.

domingo, 26 de janeiro de 2014

4º Seminario da Juventude de Itinga - MG

Fotos de momentos do Seminário
                Aconteceu no dia 19 de Janeiro de 2014 na E.E Itinga, a 4ª edição do Seminário da Juventude de Itinga, este foi idealizado para dá voz e vez aos jovens desde o processo de criação até a execução do mesmo, os temas escolhido visam discutir de forma coletiva as políticas públicas e o tema do 4º Seminário foi “ Valorização local x Migração da Juventude”  onde mais de 140 jovens ouviram o relato de vida do Professor e Coordenador da ASCAI – Associação da Criança e Adolescentes de Itaobim,  Andrette Ferraz, que viveu a experiência de ser um jovem migrante em busca do estudo e também ouviram Narjara Fonseca, Coordenadora de Extensão IFNMG – Campus Araçuaí, que apresentou as oportunidades e a importância deste campus na região.Os jovens presentes no seminário se reuniram em grupos e após discussão apontaram direcionamentos e propostas que serão entregues as autoridades  locais e as instituição de ensino superior que atuam na região. O evento conta sempre com atrações culturais e este ano as apresentações ficaram por conta do Coral Flor de Liz, Grupo de Rip Rop o Poder do Ritmo  e Grupos de Danças.
O seminário da Juventude é uma proposta que vem dando certo no ponto de vista de emponderar nossos jovens no sentido de discutir  política publica de forma coletiva e de fazer com que ela de fato aconteça verdadeiramente.

                       O evento é realizado pela AMAI – Associação dos Moradores e Amigos de Itinga/ Visão Mundial e com o apoio do C.C.E.F – Centro Cultural Escrava Feliciana.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

70 ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLITICA DE ITINGA

Antes de completar 70 anos de emancipação política, nossa querida Itinga começou a ser povoada a mais 250 anos atrás, e há 203 anos foi oficialmente fundada como o nome de Arraial da Barra do Rio Itinga, quantas histórias ocorridas, sonhos plantados, alguns realizados outros ficaram no meio do caminho, ergueram- se casas, abriram-se ruas, criou-se empresas, comercio alguns prosperaram outros nem tanto, e sua população cresceu, e a cidade também, vieram outras famílias, outros nomes, novos sonhos, novas realizações, pertenceu a outros municípios, mas a liberdade é algo que todos queremos e assim Itinga também conseguiu sua liberdade política no dia 31 de dezembro de 1943. E hoje estamos aqui comemorando estes 70 anos de emancipação, sabemos que hoje temos um lugar para chamar de lar, muitos sonhos foram realizados e outros ainda estão por ser realizados, mas Itinga continua sempre de portas abertas para dar carinho aos filhos presentes, para receber sempre os filhos ausentes e acolher os vários filhos de outros lugar que a adotou como lar. Parabéns Terra das Águas Brancas. Dados Históricos O nome ITINGA é uma palavra de origem indígena, e significa “Água Branca ou Rio Branco”; ITI – água ou rio, NGA – Branca, o nome era usado pelos índios para denominar o rio em cujas margens a cidade nasceu. Os primeiros nomes do município foram: Barra do Rio Itinga Santo Antonio da Barra do Rio Itinga. Tempos Atrás – A presença dos índios Borun (botocudos) e outras tribos 1553 – Francisco Bruzza Espinosa, Padre João Aspilcueta Navarro, Fernando Tourinho e outros bandeirantes desbravaram esta região até a cabeceira do rio Araçuaí a procura de ouro e pedras preciosas. Esta expedição ficou conhecida como Bruzza – Navarro. 1735 – São doadas Sessões de sesmarias a família Murta abrangendo as terras onde ergue o município de Itinga. 1757 – O município de Minas Novas foi integrado á Minas Gerais, separando – se da comarca de Jacobina e integrando a do Serro e as terras onde hoje se ergue Itinga passa a pertencer a Minas Novas. Final do Século XVIII – Instalam se os primeiros colonos nas margens do rio Itinga e onde é Hoje Pasmado Empedrado. 1804 – A mando do governador da Bahia, o capitão mor João da Silva Santos sobe o rio Jequitinhonha de Belmonte na Bahia até Barra do Pontal (hoje Itira) no município de Araçuaí. 1805 – O capitão mor João da Silva Santos passa pelas terras onde hoje se encontra o município de Itinga. 1810 – No dia 10 /08 chega o capitão Julião Fernandes Leão a mando do príncipe regente Dom João, para criar nas margens do Jequitinhonha ouríferos, diamantíferos e instalar os postos militares conhecidos como Quartéis. 1825 – O capitão João Martiniano fixa residência no Quartel da Água Branca perto do córrego Teixeira onde Hoje é a comunidade de Teixeira no município de Itinga. 1832 – O Arraial Barra do Rio Itinga é elevado à categoria de distrito de paz pela lei nº. 184 pertencendo ao Município de Rio Pardo. 1840 – Pela Resolução Provincial, nº. 167 de 15 de Março o distrito de paz do Arraial Barra do Rio Itinga foi transferido para o município de Minas Novas. 1841 – Os fazendeiros João Batista Lobato e Manoel de Oliveira Castro, doaram uma área em terrenos mais elevados, para transferência do Arraial Barra do Rio Itinga. 1842 – Erguida uma capela no novo terreno, que recebe o nome de capela de Santo Antonio. 1845 – A Igreja Santo Antonio da Barra do Rio Itinga pertencia a Diocese de mariana. 1850 – Toma posse o primeiro vigário, Pe. Anacleto Pereira dos Santos 1854 – Pela lei provincial de Minas Gerais nº. 670 de 29 de Abril, é elevado a Freguesia o arraial de Santo Antonio da Barra do Rio Itinga. 1871 – Com a elevação de Araçuaí a cidade a vila de Santo Antonio passa a pertencer a esse novo município 1880 – Instalada a fabrica de tecido Pereira Murta e Cia. 1887 – Instalada a Casa da Caridade Pública. 1889 – No dia 30 de Janeiro é instalado o Cartório de Paz e Registro. – Começa a funcionar o colégio sagrado coração de Jesus, instituição particular. 1891 – Pela lei Municipal nº 130 de 14 de setembro A vila de Santo Antonio da Barra do Rio Itinga é elevada à categoria de distrito administrativo e passa a se chamar apenas Itinga. 1894 – Criada a escola publica municipal de Itinga 1900 – Começam a ser publicados exemplares do jornal o “Itinguense” todo manuscrito. 1906 – Criada a Conferencia São Vicente de Paulo, pelo Pe. Horacio Pereira Leão. 1923 – Pelo advento da lei estadual 843 de 07 de Setembro, Itinga é reconhecida como distrito de Araçuaí 1928 – Uma forte enchente do rio Jequitinhonha, destrói as partes baixas do distrito de Itinga. – A cheia do ribeirão Água Fria, destrói os maquinários da fábrica de tecido, e esta é desativada. 1929 – Presume – se que neste ano chegou o primeiro automóvel no município, um caminhão Ford, conhecido como “casca seca” de propriedade de Manoel da Silva Gusmão. 1930 – Fundado o “Itinga Futebol Club” primeiro time de futebol da cidade 1932 – Itinga vive uma das piores secas de sua história 1938 – Pela lei nº 82 de 25 de Março do Município de Araçuaí são determinados os limites urbanos do distrito de Itinga. 1942 – Criada a comissão pró – emancipação de Itinga. Presidente de Honra – Pe. Carlos Ferreira de Oliveira Santos Presidente – Precillo Versiani Murta Gusmão Primeiro Vice – Presidente – Candido Versiani Murta Terceiro Vice – Presidente – Pedro Dias Rego Primeiro Tesoureiro – José Pinheiro Freire Segundo Tesoureiro – Pedro Pereira Dutra Primeiro Secretario – Jacy Pinheiro Freire Segundo Secretario – Byron Alves Dutra 1943 – Pelo decreto lei nº 1058 de 31 de Dezembro do Estado de Minas Gerais é criado o município de Itinga. 1944 – No dia 1º de Janeiro foi instalado solenemente o município de Itinga, e toma posse seu primeiro prefeito o senhor Precilo Versiani Murta Gusmão 1º delegado de Policia é nomeado Mario Versiani Gusmão 1º Juiz de Paz Candido Versiani Murta. 1947 – Aos 18 dias do mês Dezembro é instalada a primeira Câmara municipal, tendo como seu primeiro presidente o senhor Cândido Versiani Murta. – No dia 31 de Dezembro toma posse o primeiro Prefeito Eleito o Senhor Cristiano Lages. 1955 – Amenaide Evangelista Calilo é a primeira mulher eleita para o cargo de vereadora no município 1969 – Autorizada a instalação da repetidora de televisão Vila Rica. 1973 - é criada a primeira Igreja Evangelica de Itinga a Congregação Cristã do Brasil 1974 – Criada a biblioteca Publica municipal “Izidora da Trindade” - Criados os símbolos municipais 1978 – Pela lei municipal nº 510 de 31 de Janeiro é criada a Escola Municipal de 2º Grau. 1979 – Uma grande cheia do rio Jequitinhonha invade ruas e deixa enumeras famílias desabrigadas. 1996 – No dia 21 de Dezembro é promulgada a lei que cria o município de Ponto dos Volantes. 1998 – Nós dias 22 a 26 de Julho a cidade de Itinga torna-se sede do 18º FESTIVALE. 2003 – No dia 11 de Janeiro Itinga recebe a visita do recém eleito Presidente da republica Luis Inácio Lula da Silva. 2004 – No dia 26 de Março , o presidente Lula retorna a Itinga para a inauguração da ponte sobre o rio Jequitinhonha. 2006 – No dia 26 de julho a Conferencia São Vicente de Paulo completa um século de fundação e instalação Primeiro Padre filho de Itinga – Pe. Emiliano Gomes Pereira Primeira Irmã de Itinga - Ir. Laurinda de Fátima Alves Barbosa pertencente à congregação das Irmãs da providencia de GAP. Primeiros Escritores: Maria Nely Lages Jardim e Victor Alves

CONTOS E CRÔNICAS DO JEQUI - A lenda da Acayaca

   A lenda da Acayaca se baseia nos arredores do Arraial do Tejuco, onde atualmente, se estabelece o centro histórico da cidade de Diamantin...