segunda-feira, 18 de maio de 2026

MEMÓRIA CULTURAL - GARI: uma história de cidadania e cuidado que começou no século XlX

A história da limpeza urbana no Brasil é também a história da cidadania. Em 1830, o Império decretou pela primeira vez a obrigatoriedade do descarte correto de resíduos, reconhecendo que a higiene das cidades era questão estratégica de saúde pública. Foi nesse contexto que, na segunda metade do século XIX, surgiu a figura do Profissional de Limpeza Urbana, popularmente conhecido como gari.  O nome é uma homenagem a Pedro Aleixo Gary, empreendedor francês que, em 1876, fundou a primeira empresa de coleta de lixo e limpeza urbana no Rio de Janeiro. Ele introduziu uniformes, carrinhos e horários definidos de coleta, transformando a paisagem da cidade e trazendo mais bem-estar à população. O modelo se espalhou pelo país e, desde então, o termo “gari” passou a designar os trabalhadores que cuidam das ruas e espaços públicos.

A origem do serviço público de limpeza urbana está ligada diretamente ao combate a surtos de doenças como febre amarela, cólera e varíola. Desde então, os garis se tornaram indispensáveis para a saúde coletiva, a dignidade urbana e a sustentabilidade ambiental. Hoje, esses profissionais atuam em diversas frentes: da coleta domiciliar e seletiva à varrição de ruas, da limpeza de praças e praias à manutenção da rede de drenagem e ações preventivas contra alagamentos. São milhares de homens e mulheres que, com dedicação diária, mantêm as cidades funcionais, organizadas e mais humanas.

O Dia Nacional do Profissional de Limpeza Urbana, celebrado em 16 de maio, é mais que uma data simbólica. É um convite à valorização de uma profissão que carrega consigo uma história de transformação urbana e cidadania. Ainda que indispensáveis, os garis enfrentam invisibilidade e estigmas sociais, mas seu papel é inquestionável: não há saúde pública, dignidade urbana ou sustentabilidade sem o trabalho desses homens e mulheres. Valorizar os garis também significa assumir nossa responsabilidade como cidadãos. Pequenos gestos fazem diferença: descartar corretamente o lixo, separar resíduos recicláveis, evitar jogar lixo nas ruas e tratar com respeito e gentileza quem trabalha por nossa qualidade de vida. Neste mês de maio, ao celebrarmos o Dia do Gari, celebramos também o compromisso coletivo com cidades mais limpas, conscientes e justas, onde esses profissionais recebam o respeito e a dignidade que merecem e onde cada cidadão se lembre de que cuidar do espaço público é cuidar de todos nós.

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