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| Imagem: Internet |
Aos sessenta e cinco anos,
o senhor Nelson dos Santos carrega no corpo as marcas do sol e do trabalho
pesado que moldaram sua vida no campo. Pedreiro, bóia-fria, lavrador,
marceneiro — sua trajetória foi marcada por ofícios diversos, todos exigindo
esforço e resistência. Hoje, porém, Nelson dedica-se à arte de esculpir a
madeira, transformando em beleza aquilo que antes era apenas utilitário.
Nascido na zona rural de
Araçuaí, viveu de “deu em deu”, trabalhando em fazendas para sustentar a
família. Após o casamento, mudou-se para a cidade e foi morar de aluguel
próximo à casa da Mestra Josefa Alves Reis, ou simplesmente “Zefa”, referência
na arte de esculpir em madeira. A convivência entre os dois, acompanhada das
prosas sobre o cotidiano e das figuras que surgiam das mãos habilidosas de
Zefa, despertou em Nelson o artesão que viria a se tornar. Ao observar o
trabalho da mestra, lembrava das peças que já sabia fazer, gamelas, colheres e
pensava: se conseguia criar utensílios, também poderia arriscar uma escultura.
Um dia, muito acanhado,
mostrou a Zefa sua primeira peça. O entusiasmo dela foi imediato: parabenizou-o
pela destreza, incentivou-o a continuar e ofereceu-se para vender suas
criações. A partir daí, passou a orientá-lo no uso das ferramentas, no manejo da
madeira e nos acabamentos. Nelson então se filiou à Associação dos Artesãos de
Araçuaí e começou a participar de feiras de artesanato, como o Festivale e
eventos da UFMG, levando sua arte para além das fronteiras locais.
É comum que lhe perguntem:
“O senhor aprendeu com a Zefa?”. Com semblante tímido, ele ergue os olhos e
responde: “Eu já sabia fazer umas coisinhas, Dona Zefa me incentivou a
trabalhar com esculturas, mostrar para as pessoas e vender as peças”. Essa
resposta revela algo profundo: o papel de um mestre não é apenas ensinar
técnicas, mas apoiar, incentivar e abrir caminhos.
O legado de Zefa está
justamente em ter despertado em Nelson a confiança para transformar sua
habilidade em arte, em profissão e em identidade. A história de Nelson dos
Santos nos lembra que a arte popular é feita de mãos calejadas, de coragem
silenciosa e de mestres que, com generosidade, ajudam outros a acreditar em si
mesmos. É um testemunho da força da cultura que nasce do povo e se perpetua
pela partilha, pelo incentivo e pela memória viva que cada artesão carrega em
sua obra.
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