Contam os mais velhos que a
muito tempo atrás, quando Turmalina-MG ainda era o Arraial de Nossa Senhora da
Piedade das Minas Novas, havia uma moça chamada Clara Godinho da Silva, que era
apaixonada por um rapaz bem sucedido e muito conhecido do lugar. O Desejo dela
era de se casar com ele na igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade. Mas ela
era pobre e não tinha nenhum dote para o casamento. Dote era a transferência de
bens materiais da noiva ou da família dela para o noivo ou para a família dele,
para facilitar a aceitação da proposta de casamento, por exemplo: terra, dinheiro,
joias...
Clara era órfã de pai e mãe e
ninguém de sua família tinha nada para ajudá-la na busca da realização do sonho
de se casar.
Quanto custa o amor de uma
pessoa? Alguém seria capaz de comprá-lo?
Aquela moça gostava muito do
rapaz e estava determinada a ir em busca do seu objetivo. Nem que, se para
isto, fosse preciso vender a própria alma ao diabo.
De maneira misteriosa, como que
de uma noite para o dia, a jovem apareceu cheia de bens e os ofereceu a família
do rapaz juntamente com a proposta de casamento que foi aceita e brevemente
anunciado o grande dia da cerimônia.
Mas algo que está além da nossa
capacidade de compreensão aconteceu no dia do tão esperado matrimônio: tudo
preparado, a igreja estava toda enfeitada e cheia de gente.
Todo mundo aguardava com
encantamento a entrada do noivo. E como sempre acontece nos casamentos, o
atraso faz parte das emoções. Então a noiva chegou radiante e bela! Prestes a
realizar o seu sonho encantado. Ela viu que o noivo não estava lá. Mas não preocupou.
Pensou que ele chegaria logo.
Aconteceu que o atraso foi
ficando extenso. Aos poucos, a emoção e a expectativa foram dando lugar a
apreensão e a tristeza. O cansaço pela espera do noivo foi vencendo os
padrinhos, os convidados e o próprio Padre. A igreja foi esvaziando e a noiva
ficou sozinha no altar. Desesperada, gritou pedindo socorro ao Vigário que a
respondeu com tristeza e compaixão:
- Não posso fazer nada! Você
está na casa de Deus! Aqui não entra nada que é combinado com o Diabo! Você fez
um pacto com o Demônio! Não se pode amar a Deus e ao dinheiro! Sinto muito,
minha filha!
Diante da resposta do Vigário,
ela saiu da igreja, desceu a rua que atualmente se chama Caçaratiba, foi em
direção a Cavalhada onde hoje é a Escola Estadual Lauro Machado e lá se matou.
Esse acontecimento foi numa
época em que não havia energia elétrica. Dizem que a partir daquele dia,
principalmente nas sextas-feiras, na batida da meia noite do relógio da matriz,
uma noiva sai da igreja e faz o mesmo percurso. E ela costuma fazer isso também
quando é noite de lua cheia e quando a cidade escurece por falta de energia.
Ela vai a procura de um noivo pra casar. Muitos andantes da noite se depararam
com a assombração e contaram aterrorizados sobre o que viram.
Um fato curioso: Hoje naquele
mesmo lugar há uma Gameleira plantada. Como no tempo antigo. Será mera
coincidência? Existem rumores que afirmam que este seja o motivo de se ouvir
barulhos estranhos dentro da Escola Estadual Lauro Machado quando todas as pessoas
saem de lá e as luzes se apagam.
Será que a Noiva da Cavalhada
continua mesmo em busca da realização do seu sonho? Um amor vai e outro vem.
Quem sabe! O próximo pretendente de Clara poderá ser você!
Conto publicado por Gilmar Souza em https://www.recantodasletras.com.br
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