sábado, 25 de abril de 2026

GIRO PELO VALE - A Passagem Espiritual da Mestra Maria Coqui

 


Print de um vídeo da organização Vokuim

O município de Rubim e todo o Vale do Jequitinhonha despedem-se, com profundo respeito e saudade, de um dos pilares mais luminosos de sua cultura popular. Maria das Dores Mendes, carinhosamente imortalizada como Mestra Maria Coqui, fez sua passagem espiritual, deixando um vazio que só poderá ser preenchido pelo eco de seus cantos e pela força de sua memória.

Nascida em 17 de outubro de 1930, no Empedrado (Rio do Prado),mas Rubim foi seu lar como solo sagrado para florescer. Ela tornou-se a guardiã de um patrimônio imaterial que define a alma do nosso povo.

O legado da Mestra Maria Coqui confunde-se com a própria história de sua família e da fé regional. O Grupo Coqui, um dos tesouros culturais mais vibrantes de Minas Gerais, nasceu do milagre e da devoção.

Não se tem uma certeza, mas presume-se que  por volta de 1937, Maria Eulália (mãe de Dona Maria), diante de uma enfermidade desconhecida, selou um pacto com Santos Reis. A promessa era simples em palavras, mas grandiosa em espírito: se curada, sairia em cortejo pelas ruas para louvar o sagrado.

A graça foi alcançada e a promessa ganhou corpo e voz, o que começou como um agradecimento familiar transformou-se em um fenômeno comunitário. Batizados pelo povo como "Coquis", o grupo tornou-se símbolo de resistência cultural, preservando a tradição de percorrer as ruas entre os dias 1º e 6 de janeiro no município de Rubim, mas o grupo esta sempre presente nas estradas das Minas Gerais, do Vale e do Brasil, levando a cultura popular e a tradição aos mais diversos FESTIVAIS.

Após herdar a missão de sua mãe, Dona Maria das Dores não apenas manteve o grupo vivo; ela o transformou em um símbolo de identidade regional. Sob sua liderança, os Coquis deixaram de ser apenas um cortejo religioso para se tornarem a voz de um povo que canta suas dores e suas alegrias com a mesma intensidade.

Mestra Maria Coqui parte como uma Matriarca do Saber, uma mulher que compreendeu que a cultura é o fio que liga o passado ao futuro. Rubim perde uma cidadã, e o Vale do Jequitinhonha uma mestra da cultura popular


"A voz de Maria Coqui silencia na terra para se tornar eterna no coro dos anjos de Santos Reis."


Jô Pinto - Itinga

 

 


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