![]() |
Print de um vídeo da organização Vokuim |
O município de Rubim e todo o Vale do
Jequitinhonha despedem-se, com profundo respeito e saudade, de um dos pilares
mais luminosos de sua cultura popular. Maria das Dores Mendes, carinhosamente
imortalizada como Mestra Maria Coqui, fez sua passagem espiritual, deixando um
vazio que só poderá ser preenchido pelo eco de seus cantos e pela força de sua
memória.
Nascida em 17
de outubro de 1930, no Empedrado (Rio do Prado),mas Rubim foi seu lar como solo
sagrado para florescer. Ela tornou-se a guardiã de um patrimônio imaterial que
define a alma do nosso povo.
O legado da Mestra Maria Coqui
confunde-se com a própria história de sua família e da fé regional. O Grupo
Coqui, um dos tesouros culturais mais vibrantes de Minas Gerais, nasceu do
milagre e da devoção.
Não se
tem uma certeza, mas presume-se que por
volta de 1937, Maria Eulália (mãe de Dona Maria), diante de uma enfermidade
desconhecida, selou um pacto com Santos Reis. A promessa era simples em
palavras, mas grandiosa em espírito: se curada, sairia em cortejo pelas ruas
para louvar o sagrado.
A graça
foi alcançada e a promessa ganhou corpo e voz, o que começou como um
agradecimento familiar transformou-se em um fenômeno comunitário. Batizados
pelo povo como "Coquis", o grupo tornou-se símbolo de resistência
cultural, preservando a tradição de percorrer as ruas entre os dias 1º e 6 de
janeiro no município de Rubim, mas o grupo esta sempre presente nas estradas
das Minas Gerais, do Vale e do Brasil, levando a cultura popular e a tradição
aos mais diversos FESTIVAIS.
Após herdar a missão de sua mãe, Dona
Maria das Dores não apenas manteve o grupo vivo; ela o transformou em um
símbolo de identidade regional. Sob sua liderança, os Coquis deixaram de ser
apenas um cortejo religioso para se tornarem a voz de um povo que canta suas
dores e suas alegrias com a mesma intensidade.
Mestra Maria
Coqui parte como uma Matriarca do Saber, uma mulher que compreendeu que a
cultura é o fio que liga o passado ao futuro. Rubim perde uma cidadã, e o Vale
do Jequitinhonha uma mestra da cultura popular
"A voz de Maria Coqui silencia na
terra para se tornar eterna no coro dos anjos de Santos Reis."
Jô Pinto - Itinga

Nenhum comentário:
Postar um comentário