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| Criada na IA |
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Era um casal que tinha uma fazenda. Tinham uma fazenda, tinham muito
gado. E sempre o homem ia campear o pasto dele ali, campear o gado. Numa ocasião ele
passou por um cupim, e uma voz falou com ele: − Moço você quer no presente ou no futuro? Ele ficou calado não respondeu
nada. Aí passou, e campeou por outros lugares, deixou esse lugar assim...
passou mais tempo sem passar por aquele lugar. Aí precisou de campear por esse lado, aí quando
ia passando perto do cupim a voz: − Moço você quer no presente ou no futuro? Aí ele chegou em casa meio triste, a esposa falou: − Ô marido, o que é que você tem? Está meio esquisito... − Nada não mulher, nada não. Quando foi de noite, ele não tava dormindo, aí a mulher falou: − Você tem qualquer coisa, você não tá dormindo, tô notando que você está
preocupado. Fala o quê que é? − Já por duas vezes eu passo naquela altura do pasto, sabe? Ela disse: −
Sei. − Lá agora tem um cupim que tá saindo uma voz falando comigo assim: − “Ô
moço, qual que você quer? Ou no presente ou no futuro?” Ela perguntou: − O que você responde? Ele disse: Ainda não respondi nada, o que
respondo? Ela disse: − Pode ir lá e falar: “você responde no presente”. Porque se for alguma
coisa que vai acontecer com nós no presente, nós temos mais saúde para resistir. Aí no outro dia ele montou e foi, foi passando perto do cupim e a voz: − O moço o quê que você quer? No presente ou no futuro? Ele falou: − No presente! Pronto. Aí campeou. Quando ele chegou em casa só achou a mulher, que deu tempo de tirar...
porque naquele tempo falava: “Trouxa, a carteira de dinheiro e os dois filhos que tinham né,
só!” Dos pastos com gado, casa... tudo foi queimado, foi um incêndio, assim,
triste, tudo queimando. Quando ele viu quase que enlouqueceu. A mulher falou assim: − Tô esperando você chegar, para nós sair pelo mundo, não tem como, não
tem casa, tem um terreno mas a criação tá tudo queimado. E nisso deu tempo só de tirar a
trouxa e o dinheiro, então pronto!!! Aí ela disse: − Vou sair, vou andando para...não tinha nada. Vai andando a mulher com a trouxa na cabeça, os dois filhos e ele. Ela
vai andando, andando. Quando chegou perto de um rio, um rio largo que não dava
pé. Tinha um canoeiro que fazia embarcação de um lado para o outro. Nesse rio
tinha uma árvore que pendia a galha por cima do rio, eles chegaram na beira do
rio, do lado fundo. Daí a pouco chegou uma águia. Aí a águia veio voando, pegou
a trouxa da mulher, pousou em cima da gaia que pendia por dentro do rio, a
águia deixou a trouxa lá em cima do galho da árvore. E o dinheiro estava por
cima da trouxa, amarrado nela. Diz que a águia foi tirando peça por peça, peça
por peça. E ele (o marido) falou assim: − A hora que cair a carteira de dinheiro que nós vamos passar fome! A águia foi tirando e foi jogando, foi jogando, tirou tudo. A carteira de
dinheiro caiu na água. O canoeiro morava do outro lado do rio. Nem dinheiro
para atravessar o marido não tinha mais. Pronto! Aí o marido ficou aquele
instante ali pensando, chorando, sem saber que ia fazer. Ele gritou ao
canoeiro, para atravessar eles, ele pediu por caridade, mas que não tinha nada
para pagar. O canoeiro vivia da sua profissão, mas aceitou em atravessar o
marido e sua família. Aí, quando eles entraram na canoa, que chegou no meio do
rio, esta canoa virou. Aí caiu, mulher com o homem e filhos, tudo dentro
d’água. E nisso eles se separaram, naquela hora. Cada um sabia nadar, cada um nadando o rio muito largo, cada um nadando
para um lado. Pronto! Meninos nadou pra um canto, mulher pra outro, acabou... Aí o homem nadando chegou numa cidade, acampou lá, ranchou numa cidade.
Pediu serviço, foi trabalhando, trabalhando, trabalhando, até trabalhando para
um Rei na cidade. Ele muito bom, assim, trabalhador. Até o Rei já estava bem
idoso, e gostou muito desse homem. E falou com ele: − Olha quando eu morrer vou passar a coroa, minha coroa, meu cargo para
você, você é muito trabalhador, eu gostei de você. Não tenho família, não
tenho, aí vou passar para você a coroa. Ele já fazia tempo que estava lá, não
tinha mais notícias dos filhos e da mulher. Aí passou, ele ficou com o cargo do Rei, reinando nessa cidade lá. Muito
bom, assim, caridoso, pessoa muito dedicada. Aí todo mundo gostando dele. Está
passando o tempo, passando o tempo, anos e anos. A mulher estava em outra
cidade, trabalhando e trabalhando, vai e sai, até que chegou nessa cidade,
muitos anos depois, chegou lá. Trabalhou lá, trabalhando, trabalhando, nessa cidade. Um dia, num
domingo, ela tava lá, já tinha conhecido mais pessoas, já tinha feito amizade,
tava conversando com as amigas dela na rua, num domingo, em frente ao palácio
do Rei. Ela tava lá contando o seu causo do princípio ao fim. O Rei tá lá na
janela olhando, quando ela terminou o causo, ele mandou o guarda dele chamar
ela. Chamou ela, ela assustou muito, o guarda falou: − Não, a senhora não assusta, não. Não falou nada da senhora, só mandou chamar a senhora. Aí ela chegou lá. Ele disse: − Não precisa você temer não. Eu quero que você conte o causo que você
estava contando para suas amigas. Aí ela contou. Ele disse: − Eu quero do princípio ao fim. Aí ela contou até a altura do rio quando
a canoa virou. Aí ele disse: − Você é minha esposa, porque eu estava lá. Ela não acreditou. Ele disse:
− Não, você é minha,esposa, cadê os meninos, ela disse que não sabia que
depois daquela hora que a canoa virou, se separaram e já tem muitos anos
separados, sem notícias... Ele falou: − Você vai lá no serviço...agora você vai ser minha rainha aqui. Você é minha esposa. Ela não acreditava ainda, mas aceitou e ficou. Ela
falou: − Tomara que encontremos nossos filhos, tomara... Aí os meninos já eram rapazes, eles dois assentaram praça, aí ficou. Andaram por um lado, por outro. Até que foram mandados para essa cidade,
isso no decorrer de anos. Bom, tá lá nessa cidade polícia. Aí um dos meninos vai num domingo, um
dia demais, um dia de folga, tá lá contando. Já tinha assim amizades, conhecimento, contando
para um amigo dele, e também na frente da janela do Rei, o negócio tá sempre acontecendo em frente do
palácio. Acabou de contar o Rei mandou chamar ele. Coitado ele assustou tanto.
Naquele tempo quando o rei mandava chamar uma pessoa assustava. Aí chegou lá o rei disse: − Conta a história que você estava contando, eu quero do princípio ao
fim. Aí ele contou tudo. Aí o Rei levantou e abraçou: − Ô meu filho, hoje chegou o dia né, essa é
a sua mãe, faz pouco tempo que nós nos encontramos, depois daquele dia. Abraçou
ele: − Meu filho Antônio, cadê José?! − José também está aqui? − Tá, manda chamar José. Chegaram os dois, que benção, né. Todos os dois filhos, os dois já
formados, né, bonito meu Deus!!! Dizem que foi abraços, mais abraços, lágrimas de satisfação desse
encontro né, desse encontro que há muitos anos. Aí a mulher falou assim: − Oh, foi bom falar no presente
né, porque se fosse no passado, nós já tavamos velhos, não conseguia encontrar
mais a família né! Aí ficou a mulher sendo rainha, dois filhos príncipes, aí foi aquela
satisfação de encontrar a família, reunir a família toda. Aí, meu Deus, ficou
ele Rei muito tempo passando, pensando, não sabia o que fazer com tanta emoção. Aí a mulher falou: − Pois é, nós ainda vamos ser feliz, mas ser feliz porque temos ainda,
nós somos novo, ainda tem muito para a gente apreciar. Aí diz que fez uma festa, mas uma festa que foi... essa festa a semana
inteira. Aí convidou outras cidades, assim para assistir aquela festa do encontro da família e nisso
foi muitos dias de festa, muitos dias de comidoria de doce, muito doce. Então
até eu mais a minha avó, né, fomos convidadas. Não sabe, mas a gente naquele
tempo né, não podia, e também a gente não tinha uma roupa suficiente, para ir numa
festa badalada. Então nós desejamos para eles muita saúde e muita paz e
felicidade, eles estão vivos, até hoje estão felizes. (FIM). Narrado por D. Helena de São
Gonçalo do Rio das Pedras, Serro (MG) e publicado na Revista Desenvolvimento
Social No 24, 2018. (ISSN 2179-6807), Universidade Estadual de Montes Claros, por
Marivaldo Aparecido de Carvalho e Rosana
Passos Cambraia Por |


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